segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Teatro Mágico - A Sociedade do Espetáculo


Cedo espaço em minha singela página para falar de uma banda que me tornei fã, e que está lançando CD novo. O Teatro Mágico veio ganhando espaço como uma banda configurada no cenário alternativo e independente, apresentando uma estética musical popular e bastante requintada ao mesmo tempo. Sempre fazendo questão de se firmar como um grupo musical que denega a indústria fonográfica, Fernando Anitelli e seus parceiros conquistaram um público bastante fiel e seleto, sobretudo dentre os jovens. Existem os que falam que a banda faz parte de uma nova tendência, que seriam as bandas universitárias, partindo da idéia de que essas conquistaram espaço principalmente no meio universitário, designação totalmente desnecessária a meu ver, pois com a expansão das faculdades no país, qualquer jovem com gosto musical um pouco mais apurado muito provavelmente será universitário.

O Teatro Mágico não é somente uma banda que ficou famosa por juntar música com circo, mas sim por apresentar uma alternativa de música popular aos jovens. Nem todos gostam de música clássica, Blues, Jazz, rock, etc. No Teatro pode-se apreender uma música com melodias bastante suaves, ritmos nordestinos e diversas misturas, todos com um toque de qualidade que faz a banda se destacar. A qualidade poética, sutil e “despretenciosa”, junto com a capacidade de encaixá-las em lindas melodias, faz de Fernando Anitelli um compositor muito acima da média, que contando com ótimos músicos pode fazer um som diferente, leve, cheio de misturas, descontraído, mas claro, “inacessível” para alguns, fato deixado claro e ironicamente representado no título do 1º álbum, “Entrada Para Raros”. Apesar de não trazer nada muito complexo, é bastante óbvio que não é qualquer um que apreende a poesia de Fernando.

A banda também criou uma fama de prepotente e superestimada, opinião de alguns que acham que os mesmos não tem cacife para se julgarem “intelectuais da música”, quando na verdade quem faz esse julgamento são justamente quem os critica. Criou-se uma concepção aqui no Brasil que para fazer música jovem tem de falar de política, e que por conta disso a música jovem acabou, como se falar de política por si só fosse bom, daí letras que são uma colcha de retalhos de frases de bolso terem feito tanto sucesso, “Que país é esse?” que o diga! Fico imaginando o que seria da música jovem aqui sem bandas como O Teatro Mágico, Los Hermanos, Vanguart, e todas as outras desse movimento alternativo. Estariam os jovens escutando Jota Quest e Skank e achando a melhor coisa do mundo. Essas bandas não querem ser vistas como “a ala intelectualizada da música jovem”, eles apenas fazem música como sabem fazer, e as pessoas que gostam escutam. O problema é que parte desse público são jovens metidos a intelectuais, mas analisar a banda a partir do público é uma cegueira sem tamanho.

O novo álbum da banda está ai, intitulado Sociedade do Espetáculo, mais descontraído e leve que os anteriores, mas mantendo a qualidade sonora. Acho que cada vez mais entendo porque o público da banda é tão seleto, já lançaram o 3º álbum e a entrada continua sendo para raros, tanto para os demasiadamente vulgares quanto para os críticos míopes, mas um dia eles aprendem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dinheiro e Futebol, uma combinação indigesta.


Os salários dos jogadores de futebol são os mais impressionantes e absurdos do mundo! São colocações corriqueiras disparadas em coro sem um pingo de reflexão. Aliás ... pensar coletivamente é mania, todo mundo uma vez que seja na vida já se pegou reproduzindo pensamentos “enlatados”.

Não há nada de errado com os salários dos jogadores de futebol! “Não? Vá tomar no olho do seu ***, seu ***, reacionário de merda!” Ok, eu te perdôo irmão, eu também já pensei assim, tirando a parte do reacionário de merda e os asteriscos. Ronaldinho Gaucho ganha 1,3 Milhões por mês, e um professor doutor ganha menos de 10 mil inicial em qualquer universidade do país. É um absurdo? Não! Um jogador que está longe de ser craque, como o lateral Leonardo Moura, quis sair do Flamengo porque seu salário estava muito baixo, ele ganhava só 120 mil por mês. Ele é um fanfarrão? O pior que não!

Realmente é algo no mínimo cômico os salários de certos jogadores, o cara que joga em time grande, qualquer que seja, dificilmente ganhará menos de 60 mil hoje em dia, se ele for titular. Se imaginarmos que estudando quase ninguém consegue um rendimento desses, parece ser um absurdo, pena que não é.

Os salários dos jogadores são controlados pela lei de oferta e demanda, que não tem mãe, nem pai nem avó, e vai elevar os preços enquanto houver mais de um querendo pagar, independente de haver criancinhas passando fome. Sendo assim, não adianta resmungar, tem quem pague? Então o salário é justo. Tem gente que fala que deveria haver uma lei impedindo isso, estabelecendo teto salarial. Certo, vamos fazer de conta que a FIFA estabeleça uma lei fixando um teto para os jogadores receberem (nem sei se a entidade tem esse poder, mas enfim). Vamos supor que o teto seria de 300 mil Euros, e analisar o que aconteceria através de um exemplo, uma suposição. Messi está com contrato em vigência perto de terminar, e não quer mais continuar no clube, iriam surgir mais de 500 clubes interessados no jogador, porque até o Bahia teria interesse em pagar 300 mil por mês a Messi, só o retorno que ele daria em patrocínio e venda de produtos pagaria o salário dele e ainda sobraria. A primeira coisa que aconteceria é os clubes buscarem formas alternativas de oferecer benefícios financeiros, as luvas (adicional financeiro oferecido no início do contrato) seriam a 1ª porta. “Ah, mas a FIFA pode fechar essa porta também!” Está bem, a FIFA fecha essa porta, ai os clubes buscam outra forma, que seria oferecer valores absurdos pelos direitos de imagem. A FIFA fecha essa também? Ótimo, os clubes fecham acordo com “bichos” (premiações), tipo, Messi receberia os 300 mil mensal mais 80 mil por cada vitória, e ninguém pode impedir um clube de premiar seu jogador. Como podem ver, não há como domar as forças de mercado, então é inútil essa ladainha de que os salários são absurdos.

Não só em relação a jogadores de futebol, questionar salários que o mercado paga é uma fanfarronzisse. Tá achando ruim? Então larga os estudos e vai ser jogador. Só que tenho uma notícia não muito boa pra lhe dar, 60% dos jogadores recebem um salário mínimo (dados da CBF), e somente 631 jogadores no país inteiro (de um total de 14.678) recebem mais de 10 mil reais por mês. É meu amigo ... hoje em dia a vida não tá fácil nem para os ursos polares, porque estaria para os aspirantes de chuteiras? Eu vou continuar com meus livros ... pelo menos na academia não corro risco de romper um ligamento do joelho.

Ah .. só pra lhe matar de raiva, o salário de Ronaldinho Gaucho é somente o 46º maior do mundo.

sábado, 3 de setembro de 2011

Preconceito ... um "mal" de que todos se "armam"!



Todo mundo é um preconceituoso “escroto”, mas ninguém deve ser satanizado por conta disso!

As pessoas costumam muito confundir preconceito com discriminação, tratam como se fosse a mesma coisa. Muitas vezes elas sabem a diferença, mas no cotidiano empregam os termos sem pensar se é adequado, ou não levam isso a rigor.

Preconceito é o pré-julgamento, tirar conclusões de algo a partir de um estereótipo formado ou a partir de uma freqüência observada. Discriminação é seleção, estabelecer escolhas, demarcações ou separações. Portanto são conceitos divergentes e que não necessariamente um implica no outro.

O ser humano tem essa coisa inerente de tirar conclusões a respeito de algo, tomando como base o estereótipo ou a freqüência. Ter preconceito não é tomar atitudes a partir conclusões precipitadas somente, o simples fato de tirar conclusões precipitadas ou suspeitar a partir dessas conclusões constitui preconceito. Por exemplo, ver um cabeleleiro e supor que ele é gay por sua profissão caracteriza preconceito.

Agora imaginem a situação ... você quer contratar um empregado para sua empresa, para o setor administrativo, existem 2 candidatos, ambos com aparente competência para assumir o cargo, um é evangélico e o outro você ficou sabendo que tem amigos criminosos, quem você contrata? Me responda agora se existe alguém na face da Terra que não tem preconceito. “Ah, mas isso não é preconceito!” Não? E é o que então? Julgar uma pessoa tendo como base seus amigos não é preconceito? Isso é um comportamento “natural” do ser humano a meu ver, todo mundo tira conclusões precipitadas tomando como base um estereótipo ou uma freqüência passada de fatos objetivados. Nesse sentido, posso dizer que o problema não está no preconceito em si, mas sim em certas atitudes tomadas tendo como base o preconceito. A meu ver, errado seria por exemplo gerar algum tipo de constrangimento a uma pessoa tendo como base conclusões pré definidas. Mas se você sente medo de alguém a partir de uma determinada informação, isso é algo “normal”, irremediável, não há porque se preocupar com isso, até porque não há porque se preocupar com algo que não tem como mudar.

Dessa forma, minha conclusão é de que o preconceito em si não chega a ser uma “chaga social”, nem algo que deva ser combatido, o que deve ser combatido são determinadas atitudes tomadas com base no preconceito, e principalmente a discriminação, essa sim deve ser combatida. Não existe um real problema em achar que o cara é gay porque é cabeleleiro, o problema de fato é tratar ele diferente por ser cabeleleiro, isso constitui discriminação. É bom esclarecer também que as pessoas tratam como discriminação geralmente as questões mais polêmicas, como racismo e homofobia, mas a discriminação está presente no cotidiano de forma muitas vezes camuflada. Tem gente que diz: “Eu não ando com gente ignorante!”, isso é uma discriminação, mas ninguém para pra refletir a respeito disso, não analisam o termo a fundo, pegam as convenções sociais e reproduzem. Nesse sentido, quando se fala em machismo, homofobia, etc, a questão não se trata só de discriminação, mas também questões valorativas estão inseridas, no sentido de que esses tipos de discriminação devem ser repudiados.

O leitor pode questionar a respeito das pessoas excessivamente preconceituosas, como algo que seria ruim, mas eu diria que o excesso de preconceito é melhor definido com a palavra conservadorismo. No fundo não existe o excessivamente preconceituoso, mas sim o sujeito conservador, que é aquele que tira conclusões extremamente precipitadas tendo como base estereótipos ultrapassados, ou levando em conta valores morais retrógrados e superados. E é claro que também existem os estereótipos bizarros, tipo: Todo político é corrupto, toda mulher é ruim no volante, mas ai o problema não é o preconceito, mas sim o estereótipo.

A perspectiva do texto é estabelecer diferenças entre preconceito e discriminação, e mostrar que algo que é visto por muitos com certa distância, na verdade está em suas entranhas, ou melhor, em sua essência, de modo que jamais poderá se libertar.

sábado, 27 de agosto de 2011

Plin Plin ... Acorda Prego!


Todo mundo sabe que a Globo manipula, que a Veja é tendenciosa, e blá blá blá. Se você acredita na Globo você é um alienado ou na melhor das hipóteses inocente. Esse é o discurso clichê que circula no campo acadêmico ou dentre o povo “Cult”, os que assistem Roda Viva e se acham intelectuais. É obvio que a Globo não tem um programa do nível do Roda Viva, e isso acontece pelo mesmo motivo que o Harmonia do Samba não toca Jazz, mesmo sabendo fazer. Mas para alguns isso é uma aberração: “Eu não assisto Globo, só assisto canais culturais!” Acho ótimo isso, o que não pode acontecer é na tentativa de “deixar de ser idiota” se tornar mais idiota que os ditos alienados da Veja e da Globo. Ou seja, sair de uma prisão e entrar em outra.

Existe hoje um pensamento coletivo (é ... as pessoas que tem preguiça ou incapacidade de pensar, pensam coletivamente) de que qualquer coisa vinda da Globo ou da Veja não presta, deve ser descartado. É quase que uma regra, e as pessoas entram nessa da mesma forma que o gado entra no curral, em bando e sem prestar atenção para onde estão indo. São piores que os ignorantes, pois são ignorantes que se acham inteligentes. Que essas redes de mídia são tendenciosas até meu papagaio sabe, eu não preciso usar uma camisa com a logomarca da Globo escrito “Você está sendo manipulado” para mostrar ao mundo isso. A Globo é uma rede de TV com uma perspectiva política clara, que é o conservadorismo direitista, mas isso não quer dizer que qualquer coisa que venha da Globo não presta, está manipulado, estão conspirando, etc, isso é um bloqueio que os pseudo-intelectuais usam para não precisar pensar antes de falar. Primeiramente deve-se analisar porque a rede manipularia essa informação ou opinião, quais os interesses reais em fazer, e qual a viabilidade de fazer isso. E por fim, saber se realmente houve manipulação, onde ela está e até que ponto houve. Dá trabalho não é? Mas gente que pensa faz assim, não fica soltando frases de bolso difamando o que não conhece. A esquizofrenia nesse sentido tem tomado rumos muitas vezes até cômico, gente que acha que até as matérias sobre saúde da Veja são manipuladas. Tudo que faz parte das organizações Globo está comprometido, todas as informações e opiniões são tendenciosas e manipuladas, tá ai um prato cheio para um preguiçoso!

É bom deixar claro também que ser tendenciosa é diferente de manipular, ser parcial (tendencioso) é mostrar somente o que convém, manipular pode ter esse sentido, mas também pode ter a conotação de falsear informações. Falando em ser tendencioso, acho interessante como esse pessoal acha que só a mídia conservadora é tendenciosa, como se a mídia de esquerda fosse de uma neutralidade santificada! Se a Dilma fizer uma coisa boa, algum informativo ou jornal de extrema esquerda vai elogiar a presidente? Eu não consigo imaginar um panfleto do PSOL elogiando um político do PSDB. Por isso acho importe inclusive o papel da mídia de direita, mesmo que eu não concorde com seu posicionamento. Já que neutralidade no jornalismo é uma coisa quase inexistente, é necessário haver os 2 lados, para compararmos e tirar nossas conclusões a respeito de algum tema em questão. Mas pra isso precisa pensar .... e dá uma preguiçaaaa né?

Não acredita em mim não cara, eu sou um infiltrado da Globo, na verdade estudo ciências sociais só de faixada, todos os outros textos do blog fiz para vocês acharem que essa é uma página independente e acompanhar as postagens, mas minha real intenção foi fazer todo mundo acreditar que nem tudo da “Plin Plin” é manipulado, seus patinhos!

sábado, 20 de agosto de 2011

Candomblé e racismo sem cegueira!


Fazer qualquer tipo de referência pejorativa ao candomblé é encarado pelas pessoas do movimento negro como ato de racismo e preconceito religioso, mas principalmente racismo. No entanto, como acontece com boa parte dessas pessoas do movimento, só conseguem enxergar um lado da moeda, o lado que lhes convém.

Em relação ao candomblé, existe sim muita discriminação racial atrelada à religião, mas não simplesmente, existem mais questões por trás disso. Deve-se fazer um mínimo de esforço para sair do simplismo exacerbado e da cegueira ideológica institucionalizada. Muito se fala a respeito dos rituais ou trabalhos feitos no candomblé com intuitos pejorativos, com intenção de prejudicar uma pessoa ou uma instituição normalmente, mas podendo ter outras funções. São conhecidos vulgarmente como macumba ou rituais de magia negra. O argumento que se usa para refutar isso é de que não existe esse tipo de ritual na teologia do candomblé, mas sim na religião kiumbanda, que é uma vertente da Umbanda (religião brasileira que tem como peculiaridade o sincretismo entre religiões africanas, catolicismo e espiritismo). Fazendo uma breve pesquisa observei que realmente é verdade, o problema é que o campo prático é completamente diferente do campo teológico. No campo concreto o que se observa é uma inserção de práticas da religião kiumbanda (ou práticas similares) de forma incisiva no candomblé, de modo que tais práticas são exercidas de forma muito comum dentro da religião. Em suma, existem pais e mães de santo que praticam (normalmente vendem) rituais de magia negra, e não se trata de algo residual.

A quantidade de relatos nesse sentido de pessoas que foram ligadas ao candomblé não está no gibi, já ouvi diversos, e isso mancha e muito a imagem do candomblé. Muitas pessoas do candomblé também tem ligação com a Kiumbanda, ou não tem ligação mas exercem práticas similares. Isso é muito representativo, e não deve ser tratado como uma “externalidade”. A grande maioria das pessoas não vai ao Google pesquisar sobre isso, elas escutam os relatos e internalizam, então dizer que a aversão em relação ao candomblé não passa de racismo é um discurso reducionista, simplório e altamente conveniente. Em grande medida essa aversão é resultado da fluidez das fronteiras entre candomblé e kiumbanda, de modo que essa separação é complicada ou até ilusória. O que me motivou a escrever esse texto hoje inclusive, foi mais um relato que escutei, sobre uma pessoa ligada ao candomblé que em um desentendimento ameaçou encomendar trabalhos malignos para a pessoa com a qual se desentendeu.

E por favor, não me venham com esse discurso ridículo de relativizar o mal, como alguns usam: “Ah, o conceito de mal é relativo, depende da cultura!”. Se o mal é relativo meu amigo, então você não deveria lutar por causa nenhuma, porque se poderia então dizer que a própria discriminação pode ser algo bom. Quem realiza qualquer tipo de ação com intuito de prejudicar terceiros está praticando o mal e acabou, se quer relativizar isso o sanatório é o lugar mais indicado para fazer.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Andrade ... desconfiança ou discriminação?


Eu sinceramente fico indignado com a forma pela qual o ex jogador e técnico Andrade está sendo tratado aqui no Brasil, e principalmente por ter certeza que trata-se de racismo ou preconceito cultural.

Andrade em 2009 assumiu o Flamengo como interino ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, após a saída de Cuca, que fazia uma campanha ruim. Após 2 vitórias seguidas foi efetivado como treinador do Flamengo a pedido da torcida e dos jogadores, com os quais o treinador mantinha ótima relação. Passou por um pequeno período de turbulência devido a diversos desfalques no time, chegando a ficar na 14ª posição no inicio do 2º turno. Com a chegada de 2 reforços (Alvaro e Maldonado) e a estabilização dos problemas de contusões, o Flamengo comandado por Andrade protagonizou a maior arrancada da história do campeonato Brasileiro, saindo da 14ª posição para a conquista do título, no caso o sexto título brasileiro do Flamengo. Uma conquista que teve um personagem principal, o meia sérvio Petkovic, que aos 37 anos surpreendeu o Brasil sendo o maestro do time na campanha.

Pouco tempo depois Andrade foi demitido após perder a final do campeonato Carioca para Botafogo, o clube estava em crise interna devido principalmente aos problemas causados por Adriano, e o treinador não soube lidar com o “turbilhão” que é o Flamengo. Apesar de tudo foi uma saída no mínimo estranha, pois ele havia classificado o time para as oitavas de final da Libertadores. Mas enfim, ele saiu.

Após o fato o treinador ficou um bom tempo desempregado, assumindo o Brasiliense no final de 2010, com a missão de livrar o time do rebaixamento para a 3ª divisão. Sim, não é piada, o atual campeão brasileiro estava treinando um time da 2ª divisão. Ele não conseguiu livrar o time da degola, mas fez boa campanha. Pegou a equipe em 19º e deixou em 17º, não livrou o time do rebaixamento por muito pouco, por questão de saldo de gols. Depois disso foi demitido e está até os dias atuais desempregado, acreditem se quiser!

Porque um treinador campeão Brasileiro no 1º e único time que treinou (na 1ª divisão, claro) está desempregado? Existe lógica nisso? É desconfiança ou preconceito racial e cultural mesmo? No futebol Brasileiro é difícil a existência de um treinador negro, não me recordo de nenhum na 1ª divisão, Andrade não era para ter sido efetivado no cargo, ficou pelas vitórias iniciais e pelo apelo dos jogadores, e deu no que deu. Andrade foi campeão, e com méritos, ao contrário do que querem pregar (que Pet foi campeão praticamente sozinho), realizou mudanças na equipe que foram cruciais. A esse respeito, quem quiser ler, coloquei como anexo nos comentários os méritos do treinador taticamente.

Andrade é negro e não se expressa bem, além da pouca instrução tem um pequeno problema fonético, mas que de forma alguma prejudica na orientação aos jogadores. Será que um técnico branco campeão brasileiro ficaria desempregado? Técnico é o cérebro do time, o homem que pensa, que arma e faz “previsões”, será que não existe lá no fundo aquela semente racista que duvida da capacidade intelectual de um negro? Algo a se pensar, e na minha opinião Andrade está desempregado porque sofre racismo e preconceito cultural.

Andrade pode não ser letrado, pode ser simples, mas é campeão brasileiro, algo que muito branco engravatado não é.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A culpa é do capitalismo?


A culpa é do capitalismo? Até que ponto?

É moda dizer que o capitalismo é o culpado por tudo, a maioria das pessoas usa isso como frase de bolso, muitas vezes até acertam, mas nem sabem porque. No entanto, o que existe de asneiras ditas em relação a isso não está no gibi.

A desigualdade e a miséria são culpa do capitalismo? Sim e não! É culpa no sentido de que o modo de produção capitalista em sua estrutura de funcionamento não existe mecanismo de distribuição, mas sim de acumulação e competição, se existe alguma distribuição ela acontece por tabela ou por barganha, mas as engrenagens giram no sentido da acumulação. Humanizar o capitalismo é uma tarefa tão fácil quanto convencer os animais carnívoros a aprenderem a respeitar suas presas. Não existe igualdade em um capitalismo pleno, mas isso não quer dizer que o sistema foi sua causa. Desigualdade sempre existiu nas mais variadas formas, tanto no feudalismo quanto na antiguidade, o ser humano tem uma mania horrível de classificar os indivíduos com divergências de poder, seja econômico ou político. Portanto deve-se dizer que o capitalismo não superou as desigualdades, e não que as criou.

Costuma-se fazer vinculações absurdas com o capitalismo, como se a estrutura social e política feudal ou da antiguidade fosse uma coisa linda! Me surpreende estudantes “vomitarem” frases do tipo “O capitalismo macho e branco!”, como se a discriminação tivesse sido criada por esse sistema. Inclusive para o “Deus” mais seguido e menos lido da história, Marx, o capitalismo faz parte de um processo evolutivo da sociedade, o comunismo faria parte de um estágio final, ou seja, estamos hoje em uma etapa (capitalismo) que é mais evoluída que a anterior. Para Marx inclusive, ainda com toda a exploração da classe operária, a passagem da escravidão para o trabalho remunerado é uma evolução. Quanto ao machismo, imaginam o que seria das mulheres sem a relativa liberdade econômica que possuem hoje? Vamos comparar a liberdade feminina da sociedade capitalista com a medieval? Creio que as japonesas não querem voltar a ter que andar atrás de seus maridos (no sentido literal mesmo), como acontecia a menos de 100 anos atrás. E arte? O que seria da música sem o capitalismo? Viveríamos até hoje com os músicos sendo tratados como meros criados das cortes, compondo do modo que seu senhor ordenasse, com o mesmo prestígio de um faxineiro.

Nesse sentido, deve-se parar com vinculações e atribuições clichês e descabidas em relação ao capitalismo. Não é o modelo ideal de sociedade, mas também não criou a grande maioria dos problemas sociais a que costumam remeter, e se criou alguns problemas, por outro lado resolveu (ou amenizou) outros.

domingo, 17 de julho de 2011

Sistema de cotas


Como sou meio “tarado” por temas polêmicos, não poderia deixar de falar de vestibular e do sistema de cotas para negros e alunos do ensino público.

Primeiramente vamos desmistificar a questão das cotas para negros. Na prática isso não existe, já que o sistema funciona através de auto-declaração, de modo que qualquer um pode marcar um X em negro, no ponto referente à raça no formulário. Então o que existe são as cotas para aluno de ensino público.

É um tema polêmico, escuta-se muita coisa horrorosa quando se trata disso, as mais freqüentes são:

“Cotas para negros na verdade tratam eles como se fossem mais burros!”
“A cota é ruim porque gera discriminação entre os aprovados!”

Do outro lado também se escuta muita coisa bizarra, a pior que tive o desprazer foi:

“Universidade pública deveria ser para aluno do ensino público!”

Radicalismos e insanidades à parte, na verdade o sistema de cotas deve existir para atenuar as distorções sociais causadas pela má qualidade do ensino público nesse país. Aluno de colégio público é diferente de aluno de colégio privado (diferente não em capacidade, mas em realidade), então devem ser tratados como diferentes. Só que isso tem um problema que precisa ser corrigido!

O sistema de cotas tem um forte poder de inclusão social, mas não em cursos de concorrência baixa. Tenho certeza que um aprovado pelo sistema de cotas para cursos como medicina, direito, odontologia, engenharias, etc, terá total capacidade e comprometimento para concluir seu curso, a questão é quando se trata de cursos de concorrência baixa. Nesses o sistema de cotas pode trazer um efeito colateral, que é aprovar alunos despreparados ou descompromissados, tamanha a facilidade no ingresso. Na verdade isso já ocorre sem as cotas, elas só agravam o problema.

O problema todo está no método de estabelecer ponto de corte nos vestibulares, que calculam o desempenho do aluno em relação aos demais candidatos, ou quando há um ponto de corte fixo, é muito baixo (geralmente fazer 30% da prova). A meu ver isso precisa mudar, deve-se estabelecer um ponto de corte fixo e mais rigoroso, quem não atingir esse patamar mínimo não entra. “Ah, mais e se o nº de classificados for menor que o de vagas?” Entra só os classificados ué, no mestrado é assim, porque na graduação tem de ser diferente? No mestrado se tiver 20 vagas e a banca entender que só 15 tem aptidão para ingressar, só entram 15. O que não pode acontecer é o estado jogar dinheiro no lixo com alunos que entram no curso só por causa das festinhas da faculdade, ou para posar de universitário (e como tem gente assim!). Isso evita também que pessoas despreparadas entrem na universidade, ensino superior não deve ser usado para corrigir problemas do ensino médio!

Nesse sentido, sou a favor do sistema de cotas com essa mudança, ponto de corte fixo e mais rigoroso, para anular esse problema. Em vias práticas aconteceria da seguinte forma, de 40 vagas divididas entre cotistas e não cotistas (20 e 20), caso somente 15 cotistas se classificassem, outros não cotistas classificados cobririam essas vagas, e vice-versa.

sábado, 9 de julho de 2011

Qualidade musical existe?


No texto anterior toquei na questão do bom gosto musical, será que isso existe?

Muita gente gosta de falar que não existe música melhor que a outra, música é tudo igual em qualidade, se eu gosto de arrocha então, ninguém pode me dizer que Jazz é melhor que arrocha. Será que é assim mesmo?

Nesse aspecto eu gosto muito de fazer a comparação com o vinho. Eu posso preferir Padre Cícero a qualquer outro vinho, tenho direito de estabelecer uma preferência não é mesmo? Mas preferindo ou não o Padre Cícero, um Château Lafite Rothschild 1787 (vinho mais caro do mundo) será sempre um Château Lafite Rothschild 1787, Padre Cícero será sempre Padre Cícero. Ou seja, existem vinhos que são melhores, e isso não está passível de interpretação. Um vinho feito com frutas selecionadas, por especialistas, envelhecido por 10 anos, é um vinho muito mais elaborado que um que custa 3 reais, portanto é melhor, independente de seu gosto.

Na música pode-se fazer o mesmo tipo de inferência, uma música que é pobre em harmonia, melodia e poesia é uma música vulgar (no sentido do nível de elaboração), esta jamais poderá ser comparada com uma música bem elaborada. É importante destacar que quando falo de elaboração, não se trata somente de aperfeiçoamento técnico, mas sim de elaboração em todos os aspectos. Existem estilos musicais pouco elaborados nas letras, mas muito bem elaborados na harmonia e melodia (a Bossa Nova é um exemplo), ou o contrário. Nesse sentido, se você gosta de arrocha, funk, brega, etc, você gosta de uma música pobre, ruim, não tente forçar a barra em dizer que elas devem ser tratadas tal como uma Bossa Nova, um Jazz, rock, e por ai vai.

É claro que na música isso é muito mais complexo de se avaliar, até por que música é expressão, é arte, não seria uma análise linear como no vinho, que é um produto, mas dá pra se estabelecer algumas demarcações. “Você finge que me odeia, mas no fundo paga pau!”, isso é brega em qualquer lugar do mundo, não tem como ler esse verso e dizer que ele é expressivo, é o Padre Cícero da música. Portanto qualidade musical é algo que existe, ao menos no aspecto do nível de elaboração. Mas isso não significa que você só deve escutar músicas com alto nível de elaboração, posso escutar qualquer coisa, só não posso cair na ingenuidade de achar que música é tudo igual.