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domingo, 18 de setembro de 2016

Os clubes do eixo são de fato privilegiados?

Os torcedores costumam eleger quais são os clubes privilegiados. Aqui no Brasil, trata-se dos chamados "clubes do eixo", referindo-se aos times do Rio e de São Paulo. Isso faz sentido? Quem são as vítimas de nosso futebol?
 

domingo, 28 de agosto de 2016

Existe um novo horizonte para nosso futebol!!

A Lei Pelé é normalmente apontada como a principal causa da crise criativa de nosso futebol. Como está o cenário jurídico nesse aspecto? O que precisa mudar no futebol brasileiro para que o mesmo volte a ser respeitado?


domingo, 27 de julho de 2014

Racionalizando o chororô

Esse texto tem o intuito de racionalizar o chororô e a vitimização do torcedor brasileiro em relação a seu time de coração. 

O futebol não é somente um jogo restrito às 4 linhas, é uma competição que envolve poder político e econômico.

É perfeitamente “natural” apontar para cima quando o assunto é vitimização no futebol brasileiro, só que as pessoas esqueceram de se perguntar se seu time está na base da “cadeia alimentar”.

A máxima que diz: “Time do eixo é sempre favorecido”, não é incoerente, ela só precisa estar contextualizada. De modo geral, se recorrermos à história, perceberemos que de fato os times do eixo (Rio-SP) tendem a serem favorecidos em relação aos times dos outros estados. As maiores polêmicas de arbitragem e de tapetão favorecem times do eixo. Acontece que existe um foco quando se realiza tal afirmação.

Se eu quiser ver o mapa do Brasil no Google Maps, só conseguirei enxergar no máximo os estados. Mas se eu aproximar e quiser ver um estado específico, começarei a enxergar os municípios. O mesmo vale para as relações políticas e econômicas do nosso futebol. O eixo é beneficiado quando o foco é o campeonato nacional, quando “aproximamos a imagem”, enxergaremos os times do interior. Existe futebol no interior desse país, eu juro!

Pergunta ao torcedor do Londrina o que ele acha do Coritiba, e verás que é bem parecido com o que o Atleticano pensa do Flamengo. Se quiser que eu ajude a entender, é só ver o vídeo abaixo.


Essa polêmica foi agravada mais tarde, numa decisão de turno do estadual, em que o juiz deixou de marcar 3 toques  de mão na grande área contra o Coritiba (em um só jogo), todos 3 polêmicos.

Olha o que o torcedor do tubarão pensa sobre os times da capital.
    

Essa é só uma amostra grátis daquilo que acontece nos estaduais pelo Brasil. Aqui na Bahia, todo mundo sabe que para um time do interior vencer o Bahia da capital, precisa derrotar o time e o juiz. Os próprios torcedores mais antigos do tricolor admitem que sem a influência política e sem o apito amigo, o Bahia não teria essa grande quantidade de títulos regionais.

O leitor pode dizer: “Mas quem liga pra estadual?” O time do interior liga, e como liga! O Ituano esse ano foi campeão paulista depois de passar por cima da arbitragem tendenciosa na semifinal contra o São Paulo, e somente a premiação pelo título equivale a 8 meses de folha salarial do clube, fora os ganhos com negociação de jogadores. O problema é que aprendemos a descartar os times do interior por influência da mídia, como se eles servissem somente para encher linguiça.

Agora vamos ampliar a imagem do Google Maps, focando na América Latina, onde só enxergamos no máximo os países. A maior competição do continente é a Libertadores e, não sei exatamente qual o motivo, mas os times brasileiros sofrem muito na competição. Os brasileiros já foram garfados tantas vezes na Liberta que ninguém reclama mais. Existe uma tendência forte em beneficiar times argentinos, uruguaios e chilenos, resta saber qual a razão. Nessa competição os times brasileiros se igualam, todos são roubados. Inclusive os vilões nacionais, Flamengo e Corinthians, já foram garfados de forma histórica (Flamengo contra Cobreloa em 1981 e em 2007 contra Defensor; Corinthians em 2013 contra Boca). Além desses, outros já experimentaram o gosto amargo do apito latino, como Fluminense (o time do tapetão) em 2008.

Em suma, estamos em um país corrupto, que está inserido em um continente igualmente corrupto, em que as relações de poder estão presentes em todas as instâncias, e de forma arbitraria. A vitimização não passa de um analgésico, faz os torcedores fingirem fazer parte de uma trama, em que existem as vítimas e os vilões, quando na verdade o que existe é uma posição na “cadeia alimentar”. O oprimido em âmbito continental pode ser o opressor em âmbito nacional, e por sua vez, o oprimido em âmbito nacional pode ser o opressor regional.


Essa é a verdade, nua e crua, para quem quiser enxergar. Quem preferir, pode fingir que faz parte de uma novela, às vezes faz até bem para a saúde.

domingo, 10 de março de 2013

Os "Vergonha de Feira"


Hoje o maior clube do interior da Bahia afundou de vez e, talvez para a eternidade. O Fluminense de Feira vive momentos difíceis há muito tempo e, a “tragédia” de hoje já era anunciada. Em parte pelos problemas administrativos do clube, do outro lado existe também a falta de apoio do cidadão feirense.

Sou flamenguista, todos sabem. Nasci em Jacobina-BA, em uma família de flamenguistas, perpetuei a tradição familiar e ainda criança já amava o clube. Na minha terra natal, torcer para times do Rio e São Paulo é algo bastante comum e, ninguém se importa com isso, até porque faz pouco tempo que o futebol baiano passou a ter espaço na TV aberta. Quando cheguei em Feira, me surpreendi com pessoas falando mal de mim por torcer para time do sudeste, alegando que o futebol nordestino é oprimido pela mídia dominante, bem como pelas condições da formação econômica do país. Essas pessoas alegam que todo baiano, por motivo de afirmação, deve torcer para time da Bahia.

Esse seria um discurso coerente se não existisse futebol no interior do estado, futebol esse oprimido pela mídia da capital baiana (dominante). A Rede Bahia, filiada da Rede Globo, pratica no âmbito estadual o que a Globo faz em âmbito nacional: Exaltar o futebol de sua região (Salvador) e deixar à margem todo o restante. Outras afiliadas como a TV Aratu não ficam atrás nesse processo. O resultado é um verdadeiro ritual de fingimento de que o futebol do interior do estado não existe, ou é irrelevante. É dessa forma que surgem quadros como “Jair e Vicentino”, que nada mais é do que um retrato da polarização do futebol baiano em somente 2 equipes, Bahia e Vitória.

O que me espanta aqui em Feira é a completa falta de reflexão das pessoas que me chamam de “Vergonha da Bahia” e, colocam a camisa de um time da capital. Seria cômico se não fosse tão trágico. Todo mundo sabe o quanto o futebol do interior da Bahia já foi oprimido pela influência política dos times da capital, sobretudo quando se fala do Esporte Clube Bahia, que já ganhou diversos títulos estaduais através de corrupção e politicagem, envolvendo até supostas compras de árbitros (não comprovadas, claro). Foram os tempos de Maracajá. Mas na verdade até hoje é possível verificar beneficiamento ao clube quando o mesmo enfrenta um time do interior. O Bahia tem uma força política enorme dentro do estado, algo que sem sombra de dúvidas sempre impôs barreiras para o crescimento de clubes do interior.

Quando uso esse argumento com alguém que se atreve a me chamar de vergonha da Bahia, geralmente a pessoa fala que estou forçando a barra. Meu caro, se você acha que isso é irrelevante, você está declarando aos sete ventos que o futebol do interior não deve ser levado a sério. Hoje o Flu de Feira “morreu”, mas já estava na UTI há muito tempo. E o feirense, coitado, continuará acreditando piamente que torce para time de sua região.

Sou flamenguista e, hoje acho que racionalmente o correto mesmo é torcer para time da região. Mas futebol é muito mais que razão e, infelizmente já passei da idade de escolher meu time. O Flamengo já faz parte de mim. Só que pelo menos tenho a dignidade de dizer os fatos como eles são, não me escondo atrás de uma frustração camuflada de afirmação, nem finjo que minha verdadeira região é irrelevante para “gozar com o pau dos outros”.