sábado, 5 de novembro de 2011

Bullying .... nhe nhe nhe ou assunto sério?


Existe moda mais moda do que falar de Bullying? O caso se tornou pauta das mesas de bar, noticiários e programas de TV no ultimo ano, muito por conta do caso do gordinho americano Zangief, que ficou famoso no you tube. De lá pra cá existem basicamente 2 opiniões a respeito do assunto: 1º Aqueles que acham que qualquer tipo de opressão ao ser humano, seja com agressão física ou piadinhas, deve ser combatido. Do outro lado tem o pessoal que acha que existe muita frescura ou muito nhe nhe nhe nesse assunto, que piadinhas na época do colégio são normais, e quem se abate com elas, esse sim tem problema.

Em muitos textos sobre assuntos polêmicos eu não tomei uma posição aqui no blog, mas sobre esse irei tomar. As pessoas que acham que piadinhas são normais e fazem parte da vida, precisam entender 2 coisas: 1º Existem piadas e piadas, uma coisa é um colega pagar um mico e eu zuar com ele por uma semana, outra coisa é ele ser gordo ou gay e eu passar um ano inteiro soltando piadinhas. 2º As pessoas são diferentes umas da outras, existem aquelas que tem auto-estima elevada e são expansivas, de modo que tiram de letra qualquer piadinha infame, mas existem aquelas com maior dificuldade de se relacionar socialmente, e essas sim podem se abater com piadas que se tornam contínuas. “Ah Rafael, mas se a pessoa tem dificuldade em se relacionar socialmente o problema está com ela!” Sim, concordo, mas se ela já tem problemas você vai ajudar a enterrar mais ainda essa pessoa? Se não quer fazer nada para ajudá-la, também não contribua para acabar ainda mais com ela. Por isso é necessário sim campanhas pra combater apelidos ofensivos direcionados e pessoas gordas, gays, CFDs, tímidas, etc.

Eu acho incrível como existem pessoas nesse mundo que não conseguem enxergar um palmo diante do nariz, não está no gibi a quantidade delas que acham um absurdo chamar um negro de urubu, mas acham normal chamar um gay de viadinho, somente pelo fato de que a homofobia não é crime, como se a lei fosse algo imutável, e como se a mesma fosse a mãe da ética. É como eu disse no texto anterior ... pelo amor de Deus, vamos parar de pensar coletivamente e colocar essa cachola pra funcionar meu povo, parem de ser pensadores de campanhas de facebook, não deixem que pensem por você. É por conta da preguiça da reflexão que se produz piadas com ironia de 5ª categoria como essa abaixo.



Bullying é uma forma sutil de opressão, de exclusão, que pode não dar em nada, mas pode levar uma pessoa à depressão, falta de auto-estima ou até mesmo a cometer delitos graves. E se você já praticou Bullying, seja “homem” ou “mulher” o suficiente para admitir que errou, mas não fique se escondendo atrás de argumentos convenientes.

Como sou um cara democrático, irei compartilhar um texto bem escrito cujo autor discorda de mim, ai vai o link:

http://www.ricaperrone.com.br/2011/05/terra-de-nerson/

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Coisas que gostaríamos de saber


Eu não tenho porra nenhuma pra escrever essa semana, pensei em pegar a crista da onda e falar do Rafinha Bastos só pra pegar atalho das buscas no Google, mas minha página é underground e independente, e não vou usar esse tipo de estratégia. Só se rolar grana, ai eu deixo de ser underground. A diferença de mim para o Marcelo D2 é só a sinceridade.

Vou falar de algumas coisas que eu gostaria de entender como acontece, e acho que nem todo mundo parou pra refletir a respeito. Primeiramente eu gostaria muito de saber como a produção cinematográfica faz quando precisa de alguém para fazer papel de feio ou idiota no filme. Todo filme de comédia adolescente tem um idiota ou um feio, pra contratar esse ator faz como? Tipo: “Nós precisamos de alguém com cara de retardado e você se encaixa em nosso perfil!” Assim? É algo que eu queria muito saber. Falando nisso, tem aqueles filmes em que a gata borralheira vira uma princesa, eu acho engraçado como eles fazem a transformação, pegam uma atriz bonita, colocam um óculos e roupas tronchas e dizem que ela é feia, depois fazem a transformação estilo Super Man, e todo mundo: “Oh! É ela mesmo?

Falando do mesmo assunto, outra coisa que gostaria de saber é em relação às cenas com crianças no cinema. A lei implica com joguinhos eletrônicos violentos, mas deixam crianças fazerem cenas de assassinato nos filmes, pode Arnaldo? Na década de 70 tinha criança fazendo cena de masturbação com uma cruz (O Exorcista), e outra que era um serial killer enviado do demônio (A Profecia). Aqui no Brasil, o filme Cidade de Deus também tem cenas de assassinato protagonizadas por crianças. Que porra é essa? Pessoal de direito, me expliquem, não tenho paciência pra pesquisar leis no Google.

Outra coisa intrigante é em relação aos rios. Nós aprendemos no colégio que os rios são oriundos de lençóis freáticos, a nascente do rio é um lençol que por algum motivo começa a minar, normalmente essas nascentes são em regiões serranas, ok. Mas e os peixes, de onde vem? Geração espontânea? A água tá ali passando, passando, daqui a pouco PLUFT, um peixe boi! Acho que todos os rios tem peixe (ou já tiveram), isso quer dizer que todos os rios surgiram no início do Planeta Terra? Se surgir um rio hoje ou daqui a 500 anos, ele não terá peixes? Seria essa uma prova da existência de Deus meu Deus?

Essas são algumas reflexões que compartilho essa semana. Quem gostou compartilha no face, quem não gostou fala mal do blog nas redes sociais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pensamento Coletivo


Pensar coletivamente está mais na moda do que sapatinho com lacinho na frente (ô sapatinho tosco viu!). É o tempo das frases prontas, das críticas e opiniões “enlatadas”. As pessoas perdem cada vez mais a capacidade de reflexão e se resignam em conceitos estereotipados. O resultado disso é normalmente se ter polarização de opiniões sobre qualquer assunto. Se o assunto é Candomblé, existem os que dizem que é coisa do diabo e os que dizem que o preconceito que a religião sofre é puro racismo, se o assunto é Justin Bieber, tem os fãs e os “anti-Justin”, se for legalização das drogas tem os que abominam e os incondicionalmente a favor, e por ai vai. Dificilmente se encontra alguém para dar uma opinião ponderada e fundamentada sobre os assuntos, as frases de bolso e as opiniões de “microondas” reinam, seja em qual grupo for.

Nos textos postados nesse blog tenho tentado desmistificar algumas questões, tentado dar uma opinião com um mínimo de imparcialidade, mas principalmente, com um mínimo de raciocínio, principalmente por observar que a tendência geral é reproduzir pensamentos do grupo que se faz parte. Se o indivíduo é de esquerda, geralmente compactua com o “pacote completo” de idéias reinantes na esquerda, muitas delas reproduzidas sem um mínimo de reflexão, é o “efeito manada” (me permitam roubar o termo das ciências econômicas). Algumas pessoas podem até achar legal essa coisa de pensar coletivamente, eu acho uma tragédia, pra mim é a morte da reflexão, o atrofiamento da razão, e pior que isso, pode representar alienação. Acho bastante importante agir coletivamente, mas pensar coletivamente é algo que não acrescenta em nada, a não ser a quem pode se beneficiar diretamente disso.

É por conta dessa tendência que surgem conceitos totalmente quadrados sobre assuntos diversos, abrindo espaço para figuras como Felipe Neto, que não passa de um reprodutor de clichês e frases de bolso, fazendo sucesso com um público jovem preguiçoso ou com capacidade de reflexão pouco exercitada. Essa mania chegou até mesmo no futebol, as pessoas escutam que certos clubes são sempre beneficiados pelo Juiz, pela CBF e até mesmo pelo presidente da república, engolem essa informação sem mastigar e “defecam” (termo duplamente pertinente) sem a digerir, em forma de frases incisivas de repúdio a esses times. Na política o PSDB é o satanás e o PSOL é o imaculado, ou o PSDB é o sensato e o PSOL é um bando de lunáticos.

Os pensamentos coletivos estão por ai, todos os dias escutamos, e muitas pessoas reproduzem até por medo de se expor, medo de ter uma opinião que não é condizente com a das pessoas que convive. Então a dica que fica aqui é não reproduzir opiniões sem reflexão, e se você não tem embasamento, não tenha vergonha de dizer “depende”, melhor ficar em cima do muro do que falar levianidades, ou ser somente mais um “mosquitinho” que dissemina um “vírus”. “Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!” (Fernando Anitelli)

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domingo, 9 de outubro de 2011

"Suas idéias não correspondem aos fatos ..... "


Não é só a piscina do deputado de discurso bonito que está cheia de ratos, a sua pode estar ainda pior. É você mesmo, que luta por um país melhor, por uma educação melhor, por menos desigualdade, discriminação, blá blá blá. Dá para se ter uma idéia da realidade política do país quando se observa que a dita (auto-intitulada) esquerda está enterrada até o pescoço na lama, e muitos nem se dão conta.

Você quer ser militante esquerdista? O primeiro passo para isso é deixar de ser ladrão, depois você pensa em protestar, ok?

Eu acho que existe um equívoco muito grande na formação política de nossos jovens, o movimento estudantil e os partidos de esquerda acham que formação política se faz somente chamando a galera para as reuniões e no máximo discutindo alguns textos e alguns posicionamentos. O que está sendo formado é pseudo-esquerdistas esnobes, que acham que ser esquerda é fumar maconha, paralisar o trânsito de vez em quando e escutar Raul em casa. A formação precisa ser levantada primeiramente na esfera dos valores, sobretudo nesse país onde impera o jeitinho brasileiro de ser. O que observo é um bando de gente metida a politizada assaltando os cofres públicos ou sem um pingo de ética na vida estudantil ou profissional. Professores “marxistas” que não tem compromisso com a universidade existem mais do que pardal aqui em minha cidade, estudantes com camisa de Che, sustentados pelos pais, que levam 7 ou 8 anos para se formar também dá mais do que piolho em cabeça de mendigo. O pior não é isso, é eles acharem que jogar na latrina o dinheiro do estado é normal.

Mas esses são os casos mais leves, também tem os estudantes que cometem delitos e se acham no direito de fazer. E nesse sentido há uma lista, tem os que acumulam bolsas; os que assinam contrato com cláusula de não possuir vínculo empregatício mas possuem; tem os que recebem bolsa depois de formado e não devolvem; os que pedem auxílio financeiro para viagem e usam o dinheiro para fins pessoais; os que roubam livros da biblioteca; e diversas outras formas de desonestidade. E o que eu acho mais ridículo é esse pensamento coletivo de “roubar de rico pode”, ai sai um bando marginal vestido de vermelho cometendo delitos contra bancos ou empresas de cartão de crédito. Sacou R$ 50,00 mas a máquina “cuspiu” uma “oncinha” a mais? Oba! Roubar de banqueiro pode! Além de ladrão é ingênuo, até parece que o banco ficará com o prejú, é só debitar 1 centavo em 5 mil contas diferentes e morreu ai pato!

Não estou pedindo para ninguém virar santo do dia para noite, até porque vivemos em uma cultura na qual roubar faz parte do cotidiano. Só acho que as pessoas que se dizem politizadas deveriam pelo menos se esforçar para serem menos desonestas que outrora, e não é isso que vejo, o que vejo é um comodismo exacerbado, gente que não tem ética nenhuma se achando vítimas de uma estrutura econômica e social. Gente que protesta por uma educação melhor e ao mesmo tempo não cumpre suas obrigações de estudante ou de professor.

Então seu revolucionário mequetrefe, antes de ler Marx passe pelo estágio de “ensinamentos da vovó” primeiro, moral e bons costumes nunca fizeram mal a ninguém, e é essencial na vida de qualquer cidadão, seja direita, esquerda, centro, ou qualquer posição política. O problema é que como diria o poeta Fernando Anitelli da famigerada trupe do Teatro Mágico: “Grandes e pequenos, redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados.”

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Teatro Mágico - A Sociedade do Espetáculo


Cedo espaço em minha singela página para falar de uma banda que me tornei fã, e que está lançando CD novo. O Teatro Mágico veio ganhando espaço como uma banda configurada no cenário alternativo e independente, apresentando uma estética musical popular e bastante requintada ao mesmo tempo. Sempre fazendo questão de se firmar como um grupo musical que denega a indústria fonográfica, Fernando Anitelli e seus parceiros conquistaram um público bastante fiel e seleto, sobretudo dentre os jovens. Existem os que falam que a banda faz parte de uma nova tendência, que seriam as bandas universitárias, partindo da idéia de que essas conquistaram espaço principalmente no meio universitário, designação totalmente desnecessária a meu ver, pois com a expansão das faculdades no país, qualquer jovem com gosto musical um pouco mais apurado muito provavelmente será universitário.

O Teatro Mágico não é somente uma banda que ficou famosa por juntar música com circo, mas sim por apresentar uma alternativa de música popular aos jovens. Nem todos gostam de música clássica, Blues, Jazz, rock, etc. No Teatro pode-se apreender uma música com melodias bastante suaves, ritmos nordestinos e diversas misturas, todos com um toque de qualidade que faz a banda se destacar. A qualidade poética, sutil e “despretenciosa”, junto com a capacidade de encaixá-las em lindas melodias, faz de Fernando Anitelli um compositor muito acima da média, que contando com ótimos músicos pode fazer um som diferente, leve, cheio de misturas, descontraído, mas claro, “inacessível” para alguns, fato deixado claro e ironicamente representado no título do 1º álbum, “Entrada Para Raros”. Apesar de não trazer nada muito complexo, é bastante óbvio que não é qualquer um que apreende a poesia de Fernando.

A banda também criou uma fama de prepotente e superestimada, opinião de alguns que acham que os mesmos não tem cacife para se julgarem “intelectuais da música”, quando na verdade quem faz esse julgamento são justamente quem os critica. Criou-se uma concepção aqui no Brasil que para fazer música jovem tem de falar de política, e que por conta disso a música jovem acabou, como se falar de política por si só fosse bom, daí letras que são uma colcha de retalhos de frases de bolso terem feito tanto sucesso, “Que país é esse?” que o diga! Fico imaginando o que seria da música jovem aqui sem bandas como O Teatro Mágico, Los Hermanos, Vanguart, e todas as outras desse movimento alternativo. Estariam os jovens escutando Jota Quest e Skank e achando a melhor coisa do mundo. Essas bandas não querem ser vistas como “a ala intelectualizada da música jovem”, eles apenas fazem música como sabem fazer, e as pessoas que gostam escutam. O problema é que parte desse público são jovens metidos a intelectuais, mas analisar a banda a partir do público é uma cegueira sem tamanho.

O novo álbum da banda está ai, intitulado Sociedade do Espetáculo, mais descontraído e leve que os anteriores, mas mantendo a qualidade sonora. Acho que cada vez mais entendo porque o público da banda é tão seleto, já lançaram o 3º álbum e a entrada continua sendo para raros, tanto para os demasiadamente vulgares quanto para os críticos míopes, mas um dia eles aprendem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dinheiro e Futebol, uma combinação indigesta.


Os salários dos jogadores de futebol são os mais impressionantes e absurdos do mundo! São colocações corriqueiras disparadas em coro sem um pingo de reflexão. Aliás ... pensar coletivamente é mania, todo mundo uma vez que seja na vida já se pegou reproduzindo pensamentos “enlatados”.

Não há nada de errado com os salários dos jogadores de futebol! “Não? Vá tomar no olho do seu ***, seu ***, reacionário de merda!” Ok, eu te perdôo irmão, eu também já pensei assim, tirando a parte do reacionário de merda e os asteriscos. Ronaldinho Gaucho ganha 1,3 Milhões por mês, e um professor doutor ganha menos de 10 mil inicial em qualquer universidade do país. É um absurdo? Não! Um jogador que está longe de ser craque, como o lateral Leonardo Moura, quis sair do Flamengo porque seu salário estava muito baixo, ele ganhava só 120 mil por mês. Ele é um fanfarrão? O pior que não!

Realmente é algo no mínimo cômico os salários de certos jogadores, o cara que joga em time grande, qualquer que seja, dificilmente ganhará menos de 60 mil hoje em dia, se ele for titular. Se imaginarmos que estudando quase ninguém consegue um rendimento desses, parece ser um absurdo, pena que não é.

Os salários dos jogadores são controlados pela lei de oferta e demanda, que não tem mãe, nem pai nem avó, e vai elevar os preços enquanto houver mais de um querendo pagar, independente de haver criancinhas passando fome. Sendo assim, não adianta resmungar, tem quem pague? Então o salário é justo. Tem gente que fala que deveria haver uma lei impedindo isso, estabelecendo teto salarial. Certo, vamos fazer de conta que a FIFA estabeleça uma lei fixando um teto para os jogadores receberem (nem sei se a entidade tem esse poder, mas enfim). Vamos supor que o teto seria de 300 mil Euros, e analisar o que aconteceria através de um exemplo, uma suposição. Messi está com contrato em vigência perto de terminar, e não quer mais continuar no clube, iriam surgir mais de 500 clubes interessados no jogador, porque até o Bahia teria interesse em pagar 300 mil por mês a Messi, só o retorno que ele daria em patrocínio e venda de produtos pagaria o salário dele e ainda sobraria. A primeira coisa que aconteceria é os clubes buscarem formas alternativas de oferecer benefícios financeiros, as luvas (adicional financeiro oferecido no início do contrato) seriam a 1ª porta. “Ah, mas a FIFA pode fechar essa porta também!” Está bem, a FIFA fecha essa porta, ai os clubes buscam outra forma, que seria oferecer valores absurdos pelos direitos de imagem. A FIFA fecha essa também? Ótimo, os clubes fecham acordo com “bichos” (premiações), tipo, Messi receberia os 300 mil mensal mais 80 mil por cada vitória, e ninguém pode impedir um clube de premiar seu jogador. Como podem ver, não há como domar as forças de mercado, então é inútil essa ladainha de que os salários são absurdos.

Não só em relação a jogadores de futebol, questionar salários que o mercado paga é uma fanfarronzisse. Tá achando ruim? Então larga os estudos e vai ser jogador. Só que tenho uma notícia não muito boa pra lhe dar, 60% dos jogadores recebem um salário mínimo (dados da CBF), e somente 631 jogadores no país inteiro (de um total de 14.678) recebem mais de 10 mil reais por mês. É meu amigo ... hoje em dia a vida não tá fácil nem para os ursos polares, porque estaria para os aspirantes de chuteiras? Eu vou continuar com meus livros ... pelo menos na academia não corro risco de romper um ligamento do joelho.

Ah .. só pra lhe matar de raiva, o salário de Ronaldinho Gaucho é somente o 46º maior do mundo.

sábado, 3 de setembro de 2011

Preconceito ... um "mal" de que todos se "armam"!



Todo mundo é um preconceituoso “escroto”, mas ninguém deve ser satanizado por conta disso!

As pessoas costumam muito confundir preconceito com discriminação, tratam como se fosse a mesma coisa. Muitas vezes elas sabem a diferença, mas no cotidiano empregam os termos sem pensar se é adequado, ou não levam isso a rigor.

Preconceito é o pré-julgamento, tirar conclusões de algo a partir de um estereótipo formado ou a partir de uma freqüência observada. Discriminação é seleção, estabelecer escolhas, demarcações ou separações. Portanto são conceitos divergentes e que não necessariamente um implica no outro.

O ser humano tem essa coisa inerente de tirar conclusões a respeito de algo, tomando como base o estereótipo ou a freqüência. Ter preconceito não é tomar atitudes a partir conclusões precipitadas somente, o simples fato de tirar conclusões precipitadas ou suspeitar a partir dessas conclusões constitui preconceito. Por exemplo, ver um cabeleleiro e supor que ele é gay por sua profissão caracteriza preconceito.

Agora imaginem a situação ... você quer contratar um empregado para sua empresa, para o setor administrativo, existem 2 candidatos, ambos com aparente competência para assumir o cargo, um é evangélico e o outro você ficou sabendo que tem amigos criminosos, quem você contrata? Me responda agora se existe alguém na face da Terra que não tem preconceito. “Ah, mas isso não é preconceito!” Não? E é o que então? Julgar uma pessoa tendo como base seus amigos não é preconceito? Isso é um comportamento “natural” do ser humano a meu ver, todo mundo tira conclusões precipitadas tomando como base um estereótipo ou uma freqüência passada de fatos objetivados. Nesse sentido, posso dizer que o problema não está no preconceito em si, mas sim em certas atitudes tomadas tendo como base o preconceito. A meu ver, errado seria por exemplo gerar algum tipo de constrangimento a uma pessoa tendo como base conclusões pré definidas. Mas se você sente medo de alguém a partir de uma determinada informação, isso é algo “normal”, irremediável, não há porque se preocupar com isso, até porque não há porque se preocupar com algo que não tem como mudar.

Dessa forma, minha conclusão é de que o preconceito em si não chega a ser uma “chaga social”, nem algo que deva ser combatido, o que deve ser combatido são determinadas atitudes tomadas com base no preconceito, e principalmente a discriminação, essa sim deve ser combatida. Não existe um real problema em achar que o cara é gay porque é cabeleleiro, o problema de fato é tratar ele diferente por ser cabeleleiro, isso constitui discriminação. É bom esclarecer também que as pessoas tratam como discriminação geralmente as questões mais polêmicas, como racismo e homofobia, mas a discriminação está presente no cotidiano de forma muitas vezes camuflada. Tem gente que diz: “Eu não ando com gente ignorante!”, isso é uma discriminação, mas ninguém para pra refletir a respeito disso, não analisam o termo a fundo, pegam as convenções sociais e reproduzem. Nesse sentido, quando se fala em machismo, homofobia, etc, a questão não se trata só de discriminação, mas também questões valorativas estão inseridas, no sentido de que esses tipos de discriminação devem ser repudiados.

O leitor pode questionar a respeito das pessoas excessivamente preconceituosas, como algo que seria ruim, mas eu diria que o excesso de preconceito é melhor definido com a palavra conservadorismo. No fundo não existe o excessivamente preconceituoso, mas sim o sujeito conservador, que é aquele que tira conclusões extremamente precipitadas tendo como base estereótipos ultrapassados, ou levando em conta valores morais retrógrados e superados. E é claro que também existem os estereótipos bizarros, tipo: Todo político é corrupto, toda mulher é ruim no volante, mas ai o problema não é o preconceito, mas sim o estereótipo.

A perspectiva do texto é estabelecer diferenças entre preconceito e discriminação, e mostrar que algo que é visto por muitos com certa distância, na verdade está em suas entranhas, ou melhor, em sua essência, de modo que jamais poderá se libertar.

sábado, 27 de agosto de 2011

Plin Plin ... Acorda Prego!


Todo mundo sabe que a Globo manipula, que a Veja é tendenciosa, e blá blá blá. Se você acredita na Globo você é um alienado ou na melhor das hipóteses inocente. Esse é o discurso clichê que circula no campo acadêmico ou dentre o povo “Cult”, os que assistem Roda Viva e se acham intelectuais. É obvio que a Globo não tem um programa do nível do Roda Viva, e isso acontece pelo mesmo motivo que o Harmonia do Samba não toca Jazz, mesmo sabendo fazer. Mas para alguns isso é uma aberração: “Eu não assisto Globo, só assisto canais culturais!” Acho ótimo isso, o que não pode acontecer é na tentativa de “deixar de ser idiota” se tornar mais idiota que os ditos alienados da Veja e da Globo. Ou seja, sair de uma prisão e entrar em outra.

Existe hoje um pensamento coletivo (é ... as pessoas que tem preguiça ou incapacidade de pensar, pensam coletivamente) de que qualquer coisa vinda da Globo ou da Veja não presta, deve ser descartado. É quase que uma regra, e as pessoas entram nessa da mesma forma que o gado entra no curral, em bando e sem prestar atenção para onde estão indo. São piores que os ignorantes, pois são ignorantes que se acham inteligentes. Que essas redes de mídia são tendenciosas até meu papagaio sabe, eu não preciso usar uma camisa com a logomarca da Globo escrito “Você está sendo manipulado” para mostrar ao mundo isso. A Globo é uma rede de TV com uma perspectiva política clara, que é o conservadorismo direitista, mas isso não quer dizer que qualquer coisa que venha da Globo não presta, está manipulado, estão conspirando, etc, isso é um bloqueio que os pseudo-intelectuais usam para não precisar pensar antes de falar. Primeiramente deve-se analisar porque a rede manipularia essa informação ou opinião, quais os interesses reais em fazer, e qual a viabilidade de fazer isso. E por fim, saber se realmente houve manipulação, onde ela está e até que ponto houve. Dá trabalho não é? Mas gente que pensa faz assim, não fica soltando frases de bolso difamando o que não conhece. A esquizofrenia nesse sentido tem tomado rumos muitas vezes até cômico, gente que acha que até as matérias sobre saúde da Veja são manipuladas. Tudo que faz parte das organizações Globo está comprometido, todas as informações e opiniões são tendenciosas e manipuladas, tá ai um prato cheio para um preguiçoso!

É bom deixar claro também que ser tendenciosa é diferente de manipular, ser parcial (tendencioso) é mostrar somente o que convém, manipular pode ter esse sentido, mas também pode ter a conotação de falsear informações. Falando em ser tendencioso, acho interessante como esse pessoal acha que só a mídia conservadora é tendenciosa, como se a mídia de esquerda fosse de uma neutralidade santificada! Se a Dilma fizer uma coisa boa, algum informativo ou jornal de extrema esquerda vai elogiar a presidente? Eu não consigo imaginar um panfleto do PSOL elogiando um político do PSDB. Por isso acho importe inclusive o papel da mídia de direita, mesmo que eu não concorde com seu posicionamento. Já que neutralidade no jornalismo é uma coisa quase inexistente, é necessário haver os 2 lados, para compararmos e tirar nossas conclusões a respeito de algum tema em questão. Mas pra isso precisa pensar .... e dá uma preguiçaaaa né?

Não acredita em mim não cara, eu sou um infiltrado da Globo, na verdade estudo ciências sociais só de faixada, todos os outros textos do blog fiz para vocês acharem que essa é uma página independente e acompanhar as postagens, mas minha real intenção foi fazer todo mundo acreditar que nem tudo da “Plin Plin” é manipulado, seus patinhos!

sábado, 20 de agosto de 2011

Candomblé e racismo sem cegueira!


Fazer qualquer tipo de referência pejorativa ao candomblé é encarado pelas pessoas do movimento negro como ato de racismo e preconceito religioso, mas principalmente racismo. No entanto, como acontece com boa parte dessas pessoas do movimento, só conseguem enxergar um lado da moeda, o lado que lhes convém.

Em relação ao candomblé, existe sim muita discriminação racial atrelada à religião, mas não simplesmente, existem mais questões por trás disso. Deve-se fazer um mínimo de esforço para sair do simplismo exacerbado e da cegueira ideológica institucionalizada. Muito se fala a respeito dos rituais ou trabalhos feitos no candomblé com intuitos pejorativos, com intenção de prejudicar uma pessoa ou uma instituição normalmente, mas podendo ter outras funções. São conhecidos vulgarmente como macumba ou rituais de magia negra. O argumento que se usa para refutar isso é de que não existe esse tipo de ritual na teologia do candomblé, mas sim na religião kiumbanda, que é uma vertente da Umbanda (religião brasileira que tem como peculiaridade o sincretismo entre religiões africanas, catolicismo e espiritismo). Fazendo uma breve pesquisa observei que realmente é verdade, o problema é que o campo prático é completamente diferente do campo teológico. No campo concreto o que se observa é uma inserção de práticas da religião kiumbanda (ou práticas similares) de forma incisiva no candomblé, de modo que tais práticas são exercidas de forma muito comum dentro da religião. Em suma, existem pais e mães de santo que praticam (normalmente vendem) rituais de magia negra, e não se trata de algo residual.

A quantidade de relatos nesse sentido de pessoas que foram ligadas ao candomblé não está no gibi, já ouvi diversos, e isso mancha e muito a imagem do candomblé. Muitas pessoas do candomblé também tem ligação com a Kiumbanda, ou não tem ligação mas exercem práticas similares. Isso é muito representativo, e não deve ser tratado como uma “externalidade”. A grande maioria das pessoas não vai ao Google pesquisar sobre isso, elas escutam os relatos e internalizam, então dizer que a aversão em relação ao candomblé não passa de racismo é um discurso reducionista, simplório e altamente conveniente. Em grande medida essa aversão é resultado da fluidez das fronteiras entre candomblé e kiumbanda, de modo que essa separação é complicada ou até ilusória. O que me motivou a escrever esse texto hoje inclusive, foi mais um relato que escutei, sobre uma pessoa ligada ao candomblé que em um desentendimento ameaçou encomendar trabalhos malignos para a pessoa com a qual se desentendeu.

E por favor, não me venham com esse discurso ridículo de relativizar o mal, como alguns usam: “Ah, o conceito de mal é relativo, depende da cultura!”. Se o mal é relativo meu amigo, então você não deveria lutar por causa nenhuma, porque se poderia então dizer que a própria discriminação pode ser algo bom. Quem realiza qualquer tipo de ação com intuito de prejudicar terceiros está praticando o mal e acabou, se quer relativizar isso o sanatório é o lugar mais indicado para fazer.