sábado, 11 de setembro de 2010

Jeitinho Brasileiro é o Caralho!


Jeitinho brasileiro ... um nome mais confortável para designar práticas desonestas e oportunistas.
Esse não é um texto para relativizar valores culturais, se você acha que todos os valores culturais por si só não estão passíveis de julgamento, nem termine de ler, até porque acho bizarro gente que usa a cultura como carta coringa para justificar qualquer coisa.
Eu não sei quais foram as causalidades do processo de formação dessa cultura aqui nesse país, só sei que me entristece (de verdade) observar nossos valores nesse aspecto. Vivemos em um país onde o batedor de carteira é linchado, mas pessoas que usam o telefone da empresa para fazer ligações particulares são encaradas com a maior naturalidade do mundo.
Certa vez um professor meu disse a seguinte frase: “Lá fora falam que aqui é o país do jeitinho, mas quem disse que o jeitinho não pode ser o caminho para o desenvolvimento?” Acho que todo mundo uma vez na vida já disse uma bobagem, essa foi a vez dele. Para mim, práticas desonestas nunca ajudarão em nada em hipótese alguma, e aqui no Brasil a maneira pela qual a sociedade julga os graus de desonestidade é um absurdo. O indivíduo que faz um assalto, levando R$ 200,00 da vítima, é um marginal, merece cadeia e linchamento. Mas se a empresa em que ele trabalha deposita R$ 200,00 a mais em sua conta por um erro do sistema, ele fica com a grana, não fez nada de mais, inclusive se devolver ainda é chamado de otário.
Os políticos no Brasil são corruptos porque a sociedade é corrupta, as pessoas tendem a separar os políticos da sociedade no geral, parecendo que existe uma sociedade dos políticos. Mas não existe separação, a pessoa que chama um deputado de ladrão, é a mesma que rouba sua empresa, rouba o estado, só que em proporções menores, ela vai até onde seu braço alcança. Nesse sentido, fazer ligações particulares na empresa em que trabalha; não devolver dinheiro que chegou até você de forma equivocada; burlar telefone público para fazer ligações sem cartão; fazer gato de energia diretamente do poste; roubar sinal de TV por assinatura, etc, são práticas tão criminosas quanto bater carteira. Mas para nossa cultura desonesta não, são coisas normais, muitos nem consideram crime. É por causa disso que aqui deputado corrupto vai para o programa do Jô dar entrevista, e de quebra dá uma canjinha para a platéia, enquanto batedor de carteira é um vaga-bundo, marginal, e não merece respeito nem de um cachorro.
Não estou me colocando na posição de “exemplo a ser seguido”, mas ao menos sou uma pessoa que se esforça para se libertar desses valores distorcidos. Às vezes me espanta muito ver pessoas até militantes, que se dizem politizadas, acharem normal cometer delitos contra o estado, pessoas que acham que não devolver um dinheiro do estado que entrou equivocadamente em sua conta é algo normal. Eu não sei pra que porra é que um indivíduo desse ainda faz militância! Essa é a hipocrisia de nossa sociedade, as pessoas adoram apontar para os erros de quem tá lá em cima, mas fazem a mesma coisa cá “em baixo”.
Esse é um grave problema da sociedade brasileira, que é conhecida mundialmente como um povo desonesto, um povo que tem uma tendência forte a burlar regras em benefício próprio. Esse é um dos aspectos que precisa ser mudado em nossa sociedade se ela amanhã quiser estar em um patamar melhor no desenvolvimento social . Não dá para romper com a estrutura se o povo no fundo quer manipular a estrutura a seu favor.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Futebol ... Futebol ... Futebol ... Por que?


Texto indicado principalmente para mulheres que não gostam de futebol. Importante inclusive para tratamento de terapia de casal.

Futebol ... porque esse esporte é tão popular e atrativo, não só aqui como em outros países como Argentina e Espanha? Talvez o esporte mais popular do mundo inclusive. Abaixo faço uma análise das características do esporte.

O futebol é popular e tão cativante basicamente por 6 motivos, quando comparado com outros esportes:

1º Rara pontuação. Diferentemente do basquete, vôlei, tênis, etc, no futebol a pontuação ocorre eu momentos raros durante uma partida, tornando o esporte mais atrativo.

2º Imprevisibilidade dos resultados. A rara pontuação faz com que os resultados sejam mais imprevistos, pois regularidade (jogar bem) nem sempre se traduz em pontos, diferente da grande maioria dos esportes, nos quais zebras são muito raras pela freqüência maior de pontuação. Tipo ... o Fluminense de Feira pode ganhar do Corinthians, ou Santos, etc, mas é inconcebível que o time de basquete daqui de Feira vença o Flamengo.

3º Regras muito passíveis de interpretação. Muitas das regras estão vulneráveis à interpretação da arbitragem. Por exemplo: Qual a diferença entre empurrão de corpo legal ou faltoso? Cada árbitro tem seus próprios critérios. Isso gera polêmica, discussões após a partida, o que ajuda a promover o esporte.

4º Tamanho das arenas onde ocorrem a competição. Esse é um fator que também contribui, comportando maior número de público para apreciar o espetáculo.

5º Grande liberdade de improvisações. Na minha opinião esse e o primeiro tópico são os principais. O futebol permite que os jogadores tenham liberdade para improvisar em cima do esquema tático treinado previamente. Ou seja, se o jogador resolve driblar e chutar de fora da área, isso não estava previsto taticamente. (apesar de hoje em dia as improvisações estarem se tornando cada vez mais raras). Imagine a liberdade de improvisação no automobilismo, um piloto está restrito à capacidade de seu carro, sua liberdade é bastante restrita. E no vôlei? Um jogador não pode defender, levantar e cortar a bola, ou seja, a dependência em relação ao conjunto é muito grande.

6º Flexibilidade tática. No futebol essa flexibilidade é grande, se o time precisa da vitória muito mais que seu adversário, o técnico pode armar a equipe bastante ofensiva, e isso pode ser feito de várias formas: Pode-se aumentar o número de atacantes em detrimento no número de marcadores; trocar um meia defensivo por um ofensivo; colocar um zagueiro a mais e liberar os laterais, enfim, diversas são as maneiras. Essa variação tática pode ocorrer inclusive durante as partidas. Em outros esportes essa variação é menos flexível, no vôlei o técnico pode aumentar o tamanho dos homens de rede para melhorar o bloqueio, ou forçar o saque caso esteja muito atrás do placar, mas não há muito o que se modificar em termos de postura da equipe em quadra.

Esses são os principais motivos para o futebol ser tão popular e tão atrativo. Talvez essa explicação ajude a certas pessoas entenderem porque nós xingamos , damos soco na mesa, e ficamos de 24 a 48 horas de TPD (Tensão pós Derrota) quando nosso time perde.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Progresso ... esse termo existe?


Progresso, essa palavra tão conhecida, muito por “culpa” de nossa bandeira. Mas falando em termos gerais, será que o progresso existe? Será que a raça humana progrediu em algum momento da história? Faço essa reflexão inspirado principalmente em um texto de Marilena Chauí, intitulado “A Problemática do Conhecimento”, que li há muito tempo atrás, no meu primeiro semestre de graduação.
Quando se fala em avanços da medicina por exemplo, é comum se referir a progresso em relação a esse processo. É claro que a medicina avançou, mas essa medicina tradicional é alimentada pela lógica de produção capitalista, ou seja, os lucros são o principal “combustível” das pesquisas medicinais, a maior constatação disso é que as doenças raras geralmente ou não tem tratamento, ou tem tratamento extremamente limitado, isso é fruto da falta de pesquisas, que é fruto da falta de demanda para justificar tais pesquisas. Nesse sentido, medicina e capitalismo estão intrinsecamente ligados. Nesse aspecto, observa-se que na mesma proporção que a medicina/capitalismo/sociedade moderna resolveu alguns problemas referentes à saúde, criou outros. Várias doenças que não havia tratamento, hoje há. No entanto, doenças foram “criadas” também, o câncer de mama é uma doença moderna, provocada principalmente pela saída da mulher ao mercado de trabalho, fazendo com que a mesma reduzisse ou anulasse sua reprodução durante sua vida, sendo que a forma mais eficiente de se evitar essa doença é aumentar o tempo de amamentação durante a vida, ou seja, aumentar o número de gestações. A má alimentação e o crescente uso de medicamentos fez com que o índice de câncer aumentasse vertiginosamente no mundo todo. Outras doenças como o stress, depressão, obesidade, etc, também “surgiram” ou foram agravadas com a sociedade moderna. Nesse sentido, acho no mínimo complicado se falar em progresso da saúde em termos gerais.
Falando em bem estar de forma geral, olhando para regiões como o norte da Europa, pode-se verificar que houve um progresso muito grande, é evidente que o nível de bem estar social evoluiu nessas regiões se compararmos com 300 ou 400 anos atrás. Mas como ocorreu esse “progresso”? Foi um progresso ocorrido em detrimento do progresso de outras regiões, no caso, principalmente das colônias africanas, que por conta disso até hoje apresentam índices sociais terríveis. Então em termos gerais houve progresso?
Não dá para falar de todos os aspectos aqui, são diversos, mas se fomos observar cada aspecto, cada setor, veremos que existe progresso de um lado e regresso de outro. Nesse sentido, coloco essa provocação. Será que o mundo não passa uma matemática em que o resultado final é sempre zero? A raça humana evoluiu em algum momento na história? A sociedade evolui?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Curso introdutório de migué



ATENÇÂO: Essa postagem é proibida para menores de 16 anos e para Emos de qualquer idade.

Dar uma migué nada mais é do que a habilidade de convencer, embromar ou disfarçar. É de extrema importância na sociedade moderna, quem tem essa habilidade pode escapar de situações constrangedoras ou conseguir muitas coisas com pouco esforço.
No que se refere à técnica de convencimento, a migué usa como base a psicologia reversa. A psicologia reversa é um conceito complexo, pode ser aplicado de várias maneiras, umas das formas mais comuns é inverter o obvio, por exemplo: Se você chegou atrasado no trabalho porque e despertador não tocou, mas precisa de uma justificativa convincente pra dar ao chefe, você pode utilizar a psicologia reversa para convencer ele, pode dizer coisa do tipo: "Me atrasei porque houve um pequeno acidente no caminho, um cara atropelou um tamanduá que havia fugido de uma casa, deu a maior confusão porque a dona se revoltou com o cara que atropelou, demorou para liberar a pista". Seu patrão vai pensar: "Caralho ... ninguém inventaria uma história louca dessa, se fosse pra mentir ele diria algo mais obvio". Nesse sentido, você usou a inversão da psicologia para dar a velha migué, que infalivelmente funcionará, é mais eficiente do que falar coisas obvias como: "Meu despertador não tocou", ainda que essa seja a verdade. O problema é que a grande maioria das pessoas não tem esse raciocínio.
Em relação à técnica de disfarce, que também faz parte do arcabouço técnico da migué, você precisa se colocar no lugar de quem você aplica a migué. Se você quer saber se determinada mulher tem namorado por exemplo, mas não quer dar na pinta, não faça como a marioria, que faz tipo: "E o namorado, kd?" Essa é mais manjada que o cara ir comprar viagra e dizer que é para o amigo. Fale coisa do tipo: "Seu namorado já se formou?". Assim você demonstra certeza daquilo que você quer saber, e pergunta outra coisa. Se ela não tiver dirá: "Hã? Que namorado? Não tenho!". Ai você fala que se confundiu (já não posso mais usar essa). Uma vez eu quis saber se uma pessoa tinha namorado, eu estava jogando baralho com ela e outras pessoas, então aproveitei a deixa de que ela parou para atender o celular e disse: "Porra ... fica ai falando com o namorado e atrasando o jogo". Ela respondeu: "O pior que dessa vez nem foi ele". Pronto, alcancei meu objetivo sem precisar que ninguém soubesse de minhas reais intenções.
Em relação à técnica de embromação, o princípio básico para casos principalmente onde você precisa mostrar conteúdo quando você não tem, sobre determinado assunto, é dar ênfase naquilo que você sabe, e tentar tornar algo obvio e simples em algo complexo. Para isso você precisa de boa eloquência e bom vocabulário. Trocando em miúdos, se você vai falar de Newton e só conhece a lei da gravidade dele, explique isso deforma minuciosa, rebuscada e extensa, fale a mesma coisa várias vezes usando termos diferentes. Enfim, encha linguiça, mas de forma qualificada, que ninguém perceba que essa é a intenção.
Enfim ... migué é uma técnica extremamente apurada e complexa, poucas pessoas sabem usa-la de forma eficiente. Só não sei se o mundo seria pior ou melhor se as pessoas soubessem dar migué!

ATENÇÃO: Essa técnica contém alto grau de periculosidade, só deve ser utilizada em benefício próprio, nunca para prejudicar alguém, seu uso também não pode ferir com princípios éticos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Utilidades inúteis da internet


É impressionante a capacidade dos internautas de plantão de criar uma utilidade inútil para coisas relacionadas à internet. 90% das coisas que são criadas no mundo digital, sobretudo os sites de relacionamento, são interessantes e úteis, desde que se saiba utiliza-los para tal.
Falando desse assunto, é inevitável falar em Twitter, que é a sensação do momento. O Twitter na verdade é um Blog simplificado, no qual essa simplificação foi a grande sacada, fazendo com que pessoas de todo tipo, anônimas ou famosas, pudessem acompanhar as postagens de quem quisessem, de forma prática, rápida e simultânea. O problema é que as pessoas sempre tendem a utilizar essas coisas da pior forma possível. A maioria dos twitteiros usam o Twitter para postar coisas como: "Cheguei em ksa"; "Acabei de jantar, minha mãe faz o melhor bolo do mundo"; "vou para a ksa de minha avó". Eu estou pouco me importando quem vai para a ksa da avó, quem jantou ou deixou de jantar .... não entendo a intenção de quem escreve essas coisas, será que elas se colocam no lugar de quem recebe essas mensagens?. Eu uso meu Twitter para seguir jornalistas esportivos, principalmente para obter notícias em 1ª mão, também sigo amigos, mas não para escrever qualquer coisa. Tem um monte de gente famosa que sai escrevendo todo tipo de coisa que vem na cabeça, eles devem achar que por serem famosos seus seguidores estão dispostos a ler qualquer asneira e achar legal. Não estou levando o mundo a sério d+, se é isso que você está pensando, pelo contrário, se a pessoa quer escrever frases de efeito, postagens humorísticas, pertubar alguém, ótimo, também faço isso, mas que seja uma postagem pelo menos que valha a pena se parar para ler.
O mesmo ocorre com os blogs. Blog é uma das invenções mais interessantes e úteis da internet, é um site simplificado, onde você pode utilizar para postar qualquer coisa, desde assuntos sérios a assuntos de entretenimento, e o melhor de tudo, prático e não paga hospedagem. Mas a grande maioria utiliza os mesmos como diário digital, pra falar o que fez durante o dia, ou durante as férias. Eu não vejo o menor sentido em abrir um Blog pra ver uma pessoa relatar suas férias, seu feriado, a festa do fim de semana, enfim .... acho que pra essas coisas existe o álbum do orkut e o msn.
Parente do Blog, agora temos os Vlogs, que são canais abertos principalmente no youtube, para postar vídeos. E como não poderia (mas deveria) deixar de ser, os vídeos inúteis estão por ai, tem até gente que ficou famosa gravando vídeos como relatos sobre "Fazer xixi na hora do banho", só não digo que foi o PC Siqueira porque vai que ele resolve me processar né ....
A moda mais recente, derivada do twitter, é a twitcam, que nada mais é do que ligar sua web cam para todos os seus seguidores verem. Esse mecanismo está sendo utilizado bastante para menininhas pré-adolescentes fazerem acordos com seus seguidores, prometendo tirar a roupa, ou dançar, ou beijar a amiga, se o nº de seguidores alcançar um número estipulado por elas (sem comentários).
E pra finalizar, a bizarrice das bizarrices, criada recentemente, o formspring. Esse já foi criado sem utilidade alguma, um site onde as pessoas se cadastram, e ficam disponíveis para responder perguntas de anônimos ou conhecidos. E ai já viu ... é o paraíso para perguntas indiscretas de anônimos, ou perguntas altamente "relevantes" como: "Acredita em amor à primeira vista?"
Enfim .... tirando o formspring, a maioria das coisas disponíveis no mundo digital são interessantes, até sala de bate papo é (ou ao menos poderia ser), o problema é como as pessoas utilizam esses mecanismos de comunicação.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Qual o real problema das bandas coloridas?


Eu confesso que conheci as bandas coloridas primeiro através das críticas. Eu nem sabia que diabos era Restart ou Cine, até saírem as críticas em vlogs como de Felipe Neto.
Criticar as bandas coloridas já se tornou chato, porque todo mundo critica, odiar bandas coloridas é praticamente uma obrigação moral para as pessoas maduras.
Lembro que em minha época a moda era Hanson, Backstreet Boys, Five, etc. Na geração anterior a mim a moda era Menudos, Grupo Polegar, Dominó, etc. Todas essas bandas ou grupos tinham músicas vazias, músicas para entretenimento de meninas pré-adolescentes, como as músicas do Restart e Cia.
Em se tratando das músicas, Restart e Cia não tem nada que me faça achar que é muito pior do que as antigas modas. Nada mais são do que umas bandinhas feitas para meninas pré-adolescentes, que quando chegarem a seus 17 ou 18 anos irão parar de escutar. Mas isso é teoricamente!
O que vejo de diferente, de novo e bisonho nas bandas coloridas são basicamente 3 coisas: O caráter transgressor, a constituição de uma tribo e a criação de um novo sexo. As músicas de moda da década de 80 e 90 eram levadas ao público de forma totalmente despretensiosa, leve, e o público tratava da mesma maneira. Eram músicas direcionadas a meninas na faixa etária de 10 a 16 anos. Os meninos não escutavam essas músicas, mesmo que gostassem, seria motivo de chacota se dissessem que gostavam de Backstreet Boys e Cia. No fim das contas, eram grupos ou bandas que se assumiam enquanto algo comercial (pelo menos eu acho).
O “probleminha” das bandas coloridas, primeiramente é a tentativa de transmitir um caráter transgressor. Na década de 60 os jovens transgressores eram hippies, na de 70 os punks, de 80 os headbangers (metaleiros), na de 90 os fãs de Grunge, e por ai vai. É normal nessa fase da vida dar uma de revoltado, a final, é a época da tão falada crise existencial. Acho inclusive até saudável, desde que não ultrapasse a adolescência e não tome proporções desastrosas. Ao menos, quando você se tornar uma pessoa madura, você pode usar essa fase como experiência, pegar as coisas boas e traduzir em algo útil. Eu por exemplo, na adolescência fui headbanger (metaleiro era coisa de poser), saia de preto em um sol escaldante, o rock mais leve que eu escutava era Angra, mais leve que isso pra mim não prestava. Foi uma fase estúpida de minha vida, obviamente, mas através do Metal eu me tornei músico, foi a partir daí que comecei a levar a música a sério. Hoje continuo escutando, mas obviamente que ampliei minha visão, não escuto mais Canibal Corpse e Cia, não ando mais de preto o dia todo, e escuto outros estilos. O que quero dizer é que os headbangers, apesar de toda a estupidez e falta de maturidade, tem algo pra aprender com a música que aprecia, existe muita coisa boa no metal, é uma “transgressão” que pode ser traduzida em algo de útil. Me surpreende bastante ver que de certa forma, ser Emo ou Emo³ (fãs de bandas coloridas) tomou um caráter transgressor, existe uma identidade, uma consolidação de uma tribo, e isso me preocupa (mentira, não me preocupa, é só pro texto ficar mais sério). Portanto, ser Emo é diferente de ser fã de Backstreet Boys. Esse é o ponto principal, um estilo musical totalmente vazio, servir de base para a formação de uma tribo, tribo essa de comportamento particular e bem definido. Nesse sentido, ser Emo é uma identidade tal qual ser gótico, punk ou headbanger. A geração de nossos pais nos conta como era seu tempo de adolescência, tipo: - Filho, eu era um jovem rebelde! No festival Woodstock lá estava eu, fumando maconha ao som de Janis Joplin! Se um dia eu tiver um filho direi a ele: - Filho, eu fui headbanger! Tomava vodca todo fim de semana ao som de Iron Maiden! Imagino essa nova geração contando para seus filhos que foi um jovem Emo rebelde.
O terceiro ponto é a formação de uma 4ª orientação sexual, que é o Emo. Emo não é hetero, não é gay, não é bi, Emo é Emo. Emo é o garoto que escuta as músicas que antigamente só as meninas escutavam. Não se via meninos heteros com pôster de Backstreet Boys na parede, hoje existem meninos que se dizem hetero, com pôster de Rastart. É um menino afeminado, mas não na conotação de orientação sexual, afeminado no estereótipo, não tem escolha sexual bem definida e tem comportamento que fica entre feminino e masculino. Enfim, é uma coisa estranha.
Não quero tratar com seriedade esse assunto, até porque é um assunto que não merece, só acho bisonho se criar uma identidade, uma tribo, em torno de algo tão ridículo e fútil.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Falta "Eticômetro" nos gênios da F1?



Definitivamente, a F1 é uma modalidade esportiva em que existe uma escassez enorme de destaques, nos ultimos 20 anos me lembro de apenas 4: Ayrton Senna, Alain Prost, Michael Shumacher e Fernando Alonso (esse ultimo com nível abaixo dos demais, mas entra na lista porque desde Shumacher é o único destaque). Está certo que fazer sucesso não é algo fácil, ainda mais nessa escassez de ídolos da F1, é uma badalação enorme. Mas na F1 a falta de ética desses "gênios" é algo bastante frequente.
No caso de Prost, o clássico de sua carreira foi ter batido em Ayrton Senna no ultimo grande prêmio de 1989 (Japão), para tirar seu título. Na ocasião, Senna não poderia vencer para que ele ficasse com o título, a batida funcionou nesse sentido, pois Senna estava em 1º e ele em 2º. Prost saiu da prova, Senna quebrou o aerofólio e precisou trocar, perdendo a 1ª posição nos boxes. Na época a FIA não era tão rigorosa e Prost não foi punido, e mesmo que tivesse sido seria campeão.
No ano seguinte (1990), Senna, em um belo presente do destino, teve a oportunidade de dar o troco, batendo em Prost para ficar com o título, em uma situação extremamente parecida.



Shumacher foi um dos pilotos mais escrotos da história da F1, sua história está recheada de episódios lamentáveis, não é a toa que é recordista em punições da FIA.
Não sei exatamente o ano e não encontrei as imagens, mas lembro de um episódio onde ele, ao ser ultrapassado por Mika Hakknen, jogou seu carro contra o mesmo durante a manobra, nessa ocasião ele deu azar porque apenas ele saiu da prova, e Mika nenhum prejuízo teve. Schumacher foi punido pela fia.
Nessa página tem alguns relatos de atitudes anti-éticas do Alemão.

http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2006/09/10/ult28u46858.jhtm

A mais recente dele foi a manobra anti-desportiva contra seu ex colega de equipe, Rubens Barrichello, no ultimo prêmio da Hungria. Essa foi uma das mais deploráveis de sua carreira, porque não se tratava da disputa de um título, Shumi está apenas figurando nessa temporada, o mesmo ocorre com Rubens.



Em relação a Fernando Alonso, outro que sempre teve obstinação excessiva por vitórias, sua carreira ficou marcada no episódio do GP da Cingapura em 2008, onde houve uma combinação entre ele, sua equipe (Renault) e o "2º piloto" Nelsinho Piquet, para que Piquet forjasse uma batida para a entrada do Safety Car, esse processo, previamente planejado pela equipe, beneficiaria Alonso devido à sua estratégia de corrida. O esquema foi descoberto e a equipe foi punida.

É no mínimo triste perceber que apenas um, dos últimos quatro grandes pilotos da F1, nasceu com um aparelhinho chamado "Eticômetro". Não conheci Senna pessoalmente, nem acompanhei toda sua carreira, mas ao menos nunca ouvi falar de nada que sujasse sua gloriosa carreira. O fato de ter dado o troco em Prost não indica falta de caráter (ainda que rigorosamente não seja correto), mas sim o "sangue quente" que ele sempre teve, e que está faltando nos pilotos brasileiros da atualidade.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Higiene, uma questão muito mais cultural e psicológica do que qualquer outra coisa


Ao ver o título dessa postagem você deve ter pensado que é coisa de imundo que quer justificar sua imundice, mas não, são apenas algumas reflexões do cotidiano que me fazem chegar a essa conclusão.
Higiene é muito mais psicológico e cultural do que uma questão de saúde. Vejamos alguns exemplos de como os conceitos de higiene são contraditórios.

1º Ninguém bebe água em copo utilizado por pessoas desconhecidas. Se o sujeito chega em um consultório por exemplo, e só tem um copo descartavel, e usado, ele prefere ficar com sede, correto? Mas no carnaval todo mundo beija 1, 2, 3, 10, 20 pessoas desconhecidas, e sem remorso algum.

2º Boa parte das pessoas, se forem tomar banho em banheiros de procedência duvidosa, tipo a casa de um amigo e tals, toma banho de chinelo. Mas na praia ninguém se incomoda em saber que naquela areia criança faz cocô, xixi, cachorro faz a mesma coisa tb, pessoas jogam lixo ali, etc. Todo mundo "mete" o pezão lá na areia sem remorso nenhum. Ou seja, tomar banho em banheiro de procedência duvidosa é muito mais higiênico do que ir a uma praia.

3º Eu não sei pq diabos as pessoas tendem a achar que boca de criança tem menos bactérias. Se eu como algo com uma colher, outra pessoa não quer comer com a mesma colher que eu, mas quando a colher vem de uma criança, sempre vem aquela tia que fala: - Tem nada não, pode usar, é uma criança. (sem comentários)

4º Se uma barata passa em cima de sua comida, já era, o lixo é fatalmente o destino dela. Mas se umas 3 formiguinhas passam lá vc tira elas e come. Ninguém lembra que quando a barata morre são as formiguinhas que levam ela embora.

5º Água filtrada e água de torneira em termos de contaminação são a mesma coisa. O que mata as bactérias da água é o cloro adicionado na estação de tratamento, o filtro apenas tira resíduos misturados na água no caminho para sua casa.

6º Se a pessoa usa uma peça de roupa como short ou blusa repetidas vezes, ele é porco, mas uma calça jeans não, nesse caso vc pode usar até a semana toda. Ai pergunto: Existe algum mecanismo no jeans de auto-eliminação do suor? O que ocorre é que por ser trabalhoso lavar, as pessoas inconscientemente acham que suja menos.

7º Mulher que não se depila e não faz as axilas é porca ... (nem preciso terminar né?)

Portanto, antes de chamar alguém de porco ou imundo, pense primeiro se isso não é meramente cultural ou psicológico. E nisso tudo eu nem falei de sexo viu ....

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Comensalismo Musical!



O Comensalismo é um termo oriundo da Biologia, caracteriza uma das relações ecológicas, na qual um ser se beneficia de outro sem que prejudique o segundo. Ou seja, é uma relação entre dois seres, onde um é beneficiado e o outro é neutro no processo. Um exemplo comum é a relação do ser humano com o urubu. O urubu se alimenta de restos alimentares dos humanos, nesse sentido, o humano é indiferente ao processo, enquanto o urubu é o beneficiado. Outro exemplo é o do peixe Rêmola, que se fixa nas ventosas dos tubarões para se alimentarem de seus restos alimentares.
Na música ocorre um processo análogo, alguns artistas se beneficiam de relações com outros artistas, principalmente quando se trata de duplas. A analogia com o 2º exemplo é ainda mais forte nesse caso. A dupla Zezé di Camargo e Luciano é um desses exemplos bastante representativos, Luciano se beneficia de sua relação com Zezé, na qual o mesmo não tem o mínimo de talento para estrelar a seu lado. Não que Zezé tenha lá todo esse talento, mas ao menos é afinado e tem uma participação significativa nas composições, enquanto seu parceiro nada compõe e canta mal. Ou seja, o artista é Zezé (independente de ser bom ou ruim), Luciano se beneficia desse sucesso sem nada contribuir, fazendo uma segunda voz extremamente insignificante.
Outro exemplo foi a da dupla Sandy & Júnior, na qual Júnior, que também canta mal, se beneficiava do talento de sua irmã, que tinha uma linda voz. Mas nesse caso ao menos ele participava das composições.
No geral, o fato é que dupla sertaneja (sertanejo moderno), ou outros tipos de dupla, na forma que é apresentada hoje em dia, não há necessidade de ter alguém apenas para fazer segunda voz. A segunda voz em estilos como Pop, Rock, Samba, etc, é realizada por membros da banda. Uma segunda voz simples pode ser realizada por membros da banda sem maiores problemas, não havendo necessidade de se ter alguém para estar lá apenas para tal. A existência de duplas sertanejas como Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, João Paulo & Daniel e seus derivados, vale somente como estereótipo, como marca.
Nesse sentido, o requerimento do mercado por apresentação em forma de dupla para esse estilo, resulta no surgimento de uma espécie de comensalismo musical, onde na maioria das vezes o responsável pela 2ª voz se apropria da fama de seu parceiro.