Antes de mais nada queria avisar que eu liguei o botão “Baiano Orgulhoso” para escrever esse textículo, portanto, não pretendo ser criterioso nem neutro por hora.
Moro na Baêa, terra de gente bonita e do povo mais criativo do Brasil. Tem gente que precisa entrar na escola pra aprender, baiano já nasce sabendo. Essa terra tem um tempero humano inigualável, aqui se você morrer sozinho em casa descobrem no mesmo dia, porque alguém vai sentir sua falta. Aqui ninguém precisa marcar horário pra ir na casa dos brother, a gente chega lá na hora do almoço, come e ainda fica pra janta, e ainda tiramos uma soneca no sofá da sala. Aqui, chamar pra ir ao cinema nem sempre é “dar em cima”, o “regulamento social” é mais frouxo. Eu também posso dar bom dia a quem não é meu cliente ou patrão. Vou comprar pão, faço uma palhaçadinha, tiro onda com o cara da padaria, e se bobiar vou tomar uma com ele no final de semana. Baiano é mal educado? Não, você que é otário!
E como todo mundo sabe que baiano não nasce, ele estréia, em termos artísticos colocamos no chinelo a metade de baixo inteira do país (foi mal .. ). Todo filme agora querem botar Wagner Moura pra atuar, não tem ator bom ai na parte de baixo não porra? Larga do pé do cara ... hehe. Na verdade o fato é que o sujeito que encarnou Capitão Nascimento é o melhor, 2º melhor, 3º, 4º e 5º melhor ator do Brasil, em 6º vem Lázaro Ramos, depois vem a cambada do sul. Na literatura temos Gregório de Matos, Castro Alves e Jorge Amado, aquele que a Globo paga pau, fora outros 500. E na música .... ah meu amigo, na música temos o verdadeiro Rei da música brasileira, Raulzito, muito mais Rei do que aquele Reginaldo Rossi com grife que a Globo disse que ocupava o trono e todo mundo acreditou. Além dele temos Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, dentre outros. Além de tudo isso, depois que o rock sulista farofou de vez, estão buscando salvação na Bahia agora, e pra não ter que suportar Jota Quest ou Dinho Ouro Preto cantando “Se um dia eu pudesse veeeeer ...” (De Novo!!), tem gente lá em baixo comprando CD de Pitty a rodo. E eles nem sabem que tem Cascadura que é melhor ainda .... E sabe qual o melhor de tudo? É que fazemos tudo isso na rede e com uma água de coco do lado.
Tratando-se de academia, falando de minha área (economia), Celso Furtado é o economista mais lido do Brasil, não é baiano (paraibano), mas só é fodão porque morava perto da Bahia. O Geógrafo mais famoso do país é “nosso”, Milton Santos. Em quase todas as áreas tem sempre um baiano “ousado”.
Os sulistas falam que nós somos lentos, que falamos macio. Na verdade não se trata disso, um baiano lento é um baiano acompanhando o ritmo de raciocínio de um sulista. Nós somos didáticos também! O povo lá de baixo também adora dizer que mora do lado do Brasil que trabalha. Certo, pode ficar com o trabalho cara pálida, eu moro do lado criativo do Brasil!
sábado, 12 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Celibato e Pedofilia
Celibato ... confesso que no dia em que a Igreja Católica acabar com isso o mundo vai ficar um pouco mais sem graça, vão acabar os filmes de drama erótico em que um padre se apaixona por uma ninfeta e vive um romance perigoso. Mini-séries da Globo idem. Vai acabar também com uma modalidade específica de piriguete, as Maria Água Benta, aquelas que vivem correndo atrás dos seminaristas.
Estamos no século XXI, e a Igreja Católica, não sei se por birra ou questões políticas, mantém intransigentemente o celibato, algo que eles próprios pisam em ovos pra explicar o sentido da existência. A explicação mais utilizada pela instituição cristã é o tempo integral que os sacerdotes precisam dispor aos fieis, algo que o matrimônio atrapalharia. Uma desculpa esfarrapada que deveriam ter vergonha de citar. A explicação mais aceita é mesmo a questão da igreja proteger seu patrimônio impedindo que os padres se casem, idéia essa que hoje nem faz muito sentido, mas há muito tempo atrás faria.
Não quero me aprofundar nessas possíveis explicações, mas sim nos danos que o celibato tem causado, e da hipocrisia dos católicos e da própria instituição frente aos fatos que vem ocorrendo. Primeiramente é bom deixar bem claro que o seminário da Igreja Católica é um filme pornô gay sem câmeras. Não falo isso me baseando apenas nos noticiários (o que já poderia ser suficiente), mas também em relatos de bastidores que tive a oportunidade de escutar. Na verdade nem precisaria disso, basta raciocinar que se diversos padres são pedófilos gays (os que gostam de meninos), pode-se imaginar o que ocorre no seminário (NÃO ESTOU DIZENDO QUE TODO GAY É PEDÓFILO, OK?).
O sacerdócio deveria ser para aqueles que possuem o dom da missão. Mas com o celibato o que acontece é um processo totalmente inverso, as pessoas estão utilizando o mesmo para legitimar perante sua família e a sociedade um comportamento ou preferência sexual comumente discriminada. Trocando em miúdos, as pessoas estão entrando no seminário para justificar uma vida sem relacionamento hétero por falta de vontade, ou seja, se alinhar à heteronormatividade. O seminário da Igreja Católica é um antro de gays encubados ou mal resolvidos (estou exagerando, claro que tem héteros também), e pra mim está cada vez mais claro que é forte a ligação desse fato com os crimes de pedofilia cometidos por muitos padres. Não que o gay tenha tendência a ser pedófilo, mas estamos falando de gays que são obrigados a viver em clausura sexual por uma vida inteira, pelo menos perante a instituição e a sociedade. Acredito que isso possa levar alguns padres a cometer tais delitos. Outra questão está relacionada ao tipo de personalidade sexual que o seminário atrai. Este não atrai pessoas bem resolvidas sexualmente, visto que um hétero convicto dificilmente se submeterá ao celibato, o mesmo pode valer para um gay convicto. O seminário é o lugar dos católicos mal resolvidos com sua sexualidade, resignar-se é uma maneira aparentemente eficiente para resolver o problema de “Não sei o que sou!”. Acontece que geralmente quem é mal resolvido com a sexualidade é gay, porque vivemos em um mundo heteronormativo. Mas com certeza em meio de tantas pessoas assim (mal resolvidas), a probabilidade de existirem indivíduos com a sexualidade doentia é maior. Esses dois fatos explicam (a meu ver) o espantoso índice de pedofilia no sacerdócio católico.
Pessoalmente tive a oportunidade de conhecer 4 seminaristas da Igreja Católica, desses, 2 eram visivelmente gays, mas os católicos preferem fechar os olhos para essa questão. A igreja poderia muito bem tirar as nuvens que encobrem seu universo sacerdotal extinguindo essa babaquice que é o celibato, mas prefere ir pelo caminho da “Caça as Bruxas”, dando murro em ponta de faca, até o dia em que não puder mais esconder o que está entre as paredes do seminário.
Estamos no século XXI, e a Igreja Católica, não sei se por birra ou questões políticas, mantém intransigentemente o celibato, algo que eles próprios pisam em ovos pra explicar o sentido da existência. A explicação mais utilizada pela instituição cristã é o tempo integral que os sacerdotes precisam dispor aos fieis, algo que o matrimônio atrapalharia. Uma desculpa esfarrapada que deveriam ter vergonha de citar. A explicação mais aceita é mesmo a questão da igreja proteger seu patrimônio impedindo que os padres se casem, idéia essa que hoje nem faz muito sentido, mas há muito tempo atrás faria.
Não quero me aprofundar nessas possíveis explicações, mas sim nos danos que o celibato tem causado, e da hipocrisia dos católicos e da própria instituição frente aos fatos que vem ocorrendo. Primeiramente é bom deixar bem claro que o seminário da Igreja Católica é um filme pornô gay sem câmeras. Não falo isso me baseando apenas nos noticiários (o que já poderia ser suficiente), mas também em relatos de bastidores que tive a oportunidade de escutar. Na verdade nem precisaria disso, basta raciocinar que se diversos padres são pedófilos gays (os que gostam de meninos), pode-se imaginar o que ocorre no seminário (NÃO ESTOU DIZENDO QUE TODO GAY É PEDÓFILO, OK?).
O sacerdócio deveria ser para aqueles que possuem o dom da missão. Mas com o celibato o que acontece é um processo totalmente inverso, as pessoas estão utilizando o mesmo para legitimar perante sua família e a sociedade um comportamento ou preferência sexual comumente discriminada. Trocando em miúdos, as pessoas estão entrando no seminário para justificar uma vida sem relacionamento hétero por falta de vontade, ou seja, se alinhar à heteronormatividade. O seminário da Igreja Católica é um antro de gays encubados ou mal resolvidos (estou exagerando, claro que tem héteros também), e pra mim está cada vez mais claro que é forte a ligação desse fato com os crimes de pedofilia cometidos por muitos padres. Não que o gay tenha tendência a ser pedófilo, mas estamos falando de gays que são obrigados a viver em clausura sexual por uma vida inteira, pelo menos perante a instituição e a sociedade. Acredito que isso possa levar alguns padres a cometer tais delitos. Outra questão está relacionada ao tipo de personalidade sexual que o seminário atrai. Este não atrai pessoas bem resolvidas sexualmente, visto que um hétero convicto dificilmente se submeterá ao celibato, o mesmo pode valer para um gay convicto. O seminário é o lugar dos católicos mal resolvidos com sua sexualidade, resignar-se é uma maneira aparentemente eficiente para resolver o problema de “Não sei o que sou!”. Acontece que geralmente quem é mal resolvido com a sexualidade é gay, porque vivemos em um mundo heteronormativo. Mas com certeza em meio de tantas pessoas assim (mal resolvidas), a probabilidade de existirem indivíduos com a sexualidade doentia é maior. Esses dois fatos explicam (a meu ver) o espantoso índice de pedofilia no sacerdócio católico.
Pessoalmente tive a oportunidade de conhecer 4 seminaristas da Igreja Católica, desses, 2 eram visivelmente gays, mas os católicos preferem fechar os olhos para essa questão. A igreja poderia muito bem tirar as nuvens que encobrem seu universo sacerdotal extinguindo essa babaquice que é o celibato, mas prefere ir pelo caminho da “Caça as Bruxas”, dando murro em ponta de faca, até o dia em que não puder mais esconder o que está entre as paredes do seminário.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Esquerda e Socialismo para Mau Entendedor

Esse é o meu texto de redenção frente aos comunistas pitaqueiros que me chamam de reacionário escroto conservador. Hoje vou defender o movimento .. uhuuu!
Decidi escrever porque da mesma forma que existem os esquerdistas bizarros e hipócritas, existem os conservadores que me dão ânsia de “Tapa ôi”. Pra quem não sabe o que é tapa ôi (quem não é nordestino ou teve uma infância fudida na frente do Playstation), era uma brincadeira que fazíamos da seguinte forma: Quando alguém falava uma merda, alguém tapava os olhos dele e o resto da galera dava tapa na cabeça (se você brincou disso, pode se emocionar, você teve infância e pré-adolescência).
Muita coisa escrota se fala a respeito do socialismo, e a mais clássica de todas é: “Você não é socialista? Então adote um mendigo, ou divida seus bens com um pobre!” A resposta pra isso é bem simples, se o socialista fizer isso o estado vai acabar com a propriedade privada? Vai deixar de ter gente passando fome? Não? Pronto, respondeu?
Ser esquerda, marxista, leninista, ou seja lá que diabo for, não tem nada a ver com fazer filantropia, se ele gostasse de filantropia seria devoto de Irmã Dulce (ela já é santa?), e não de Marx (sim, existem os devotos de Marx .. hehe). Defender socialismo é defender uma estrutura política e social, que só se modifica com ações políticas, e não com boas ações. Ao ler isso você pode ter pensado: “Mas cada um que acredita nisso pode fazer sua parte. Isso ai é desculpa!” Caro mau entendedor, se você propor a Plínio Arruda que ele doe sua riqueza para os pobres, ele não doará, mas se disser a ele que o Brasil a partir de amanhã será comunista e seus bens serão estatizados, ele provavelmente aceitará de boa (se não for hipócrita). Sentiu a diferença?
Outra colocação asquerosa são os que dizem que o desejo de enriquecimento e a competição são naturais ao ser humano. Para dar uma raquetada nesse argumento basta falar dos índios, e se quiser ser mais profundo, falar um pouco da história de Cuba. Essa é a chamada “naturalização” de algo cultural, é bom ter bastante cuidado.
E o ultimo argumento que se usa é o mais convincente, oriundo até de intelectuais. São os que chamam os políticos esquerdistas de loucos, alegando que suas propostas de reforma política e econômica iriam ferrar a economia. Causariam fuga de capitais, escassez de investimentos privados, e por ai vai. Na verdade uma sociedade socialista, ou um capitalismo com forte presença do estado, não pode funcionar de acordo com as mesmas regras que o capitalismo “aberto”. Uma proposta desse porte visa desmanchar o quebra cabeça e montar tudo de novo, e para isso com certeza o ônus econômico viria. Mas quem defende essa causa estaria disposto a jogar muita coisa fora para em um futuro distante ter uma sociedade melhor. Então o argumento imediatista só cola para os imediatistas, quem pensa a sociedade daqui a 30 anos não falaria em fuga de capitais. Cuba sofreu uma crise econômica no início da década de 90 que apresentou números espantosos, chegando a decréscimo de 15% do PIB, mas conseguiu se recuperar e hoje é exemplo mundial de como um país pobre pode ter índices sociais tão elevados.
Isso é tudo, mas lembrando que ser socialista é uma grande responsabilidade, você será avaliado e julgado sempre, porque nossa sociedade no geral é conservadora. Então não faça como os residentes da UEFS, seja (em seus atos) coerente com o que diz e com a realidade, não seja exemplo para o verso “suas idéias não correspondem aos fatos”, se não eu faço outro texto falando sobre você ... hehehe.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Plin Plin ... Eu não quero ser amada!

Que a Globo é escrota, direitista ultra-conservadora qualquer estudante 1º semestre de algum curso da área de humanas sabe. Mas por que será que essa emissora é tão líder? Será que somente o “puxa-saquismo” político explica isso? O que fazer pra mudar esse panorama?
A Globo é o satanás, mas quando ligo a TV para descansar ou comer, qual o canal que coloco? E por que será?
A Rede Globo desde os primórdios adotou um padrão de qualidade, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”, um know-how que engloba vários elementos, desde a questão da qualidade técnica até o ponto principal, que é o polimento da programação. Tudo na Globo é muito lapidado, chega a ser chato, não existem críticas incisivas em nenhum setor, nem mesmo no esporte. A emissora é de direita sutilmente, a não ser em horários de pouca audiência (de manhã cedo ou tarde da noite), ninguém fala de política “botando o dedo na cara”, eles apenas selecionam os fatos que convém. No esporte é a mesma coisa, críticas incisivas são podadas, o que resta é Caio com seus comentários óbvios, dentre outros com extrema habilidade, que conseguem falar bem mesmo com um chicote atrás (Casagrande). No entretenimento a lógica segue, nada de excêntrico é “cultivado”, as mesmas babaquices, mas sem muita pornografia gratuita, nem gente falando merda de mais. Tudo é muito cauteloso e planejado, ninguém abre a boca lá sem ensaio. O padrão é disseminado nas filiais também, que seguem a cartilha fielmente, até jornalista gay precisa disfarçar sua orientação sexual na emissora.
Mas para que tudo isso? Qual a utilidade desse polimento? Muita gente não percebe que a perspectiva da emissora não é fazer com que todos gostem de sua programação, mas sim garantir que ninguém odeie. Você pode não gostar da Globo, mas certamente quando ligar a TV só por ligar, deixará na “plin plin”, porque os programas são sem sal, mas também não irritam. É ai que entra a questão da concorrência.
A estratégia da concorrência é parecida com a quimioterapia, atingem o alvo, mas no caminho destroem todo o resto. Algo descompromissado (como esse blog) com a qualidade, buscam agradar parte da população, mas ao fazer isso irritam a outra parte, é ai que surgem as figuras bizarras de Ratinho, Marcia, Bocão, Varela, etc. Eu não gosto de Faustão, mas entre ele e Ratinho prefiro mil vezes ficar olhando para o ex gordo da Globo. Quando falo das concorrentes, não incluo canais como TV Escola, esses não concorrem, são redes que trabalham em um campo específico, quem concorre são as entidades do mesmo gênero, que apresentam programação diversificada (Rede TV, Band, SBT, Record, etc).
A verdade é que a Globo é a todo poderosa muito por conta da falta de concorrência, não existe programa de baixaria na Globo, como o da Márcia ou o Casos de Família, também não existe apelo religioso, nem sensacionalismo. Eu prefiro Jornal Nacional do que ver Datena rodar a baiana chamando traficante de calhorda. O SBT até hoje apresenta programas que fizeram sucesso na década de 70, outros só se preocupam com o retorno de curto prazo, vendendo espaço para religiões apresentarem seus programas. Para concorrer com a Globo precisa de mais profissionalismo, mais seriedade, a estratégia precisa ser diferente, claro, não se pode lutar com espada contra alguém que luta com espada há 40 anos, é mais inteligente ir com outra arma. Mas fazendo tudo “nas cocha” não levará a lugar algum.
Dá para apresentar uma programação sem polimento e de boa qualidade (olha o caso do CQC), esse é o caminho, caso contrário terão de se contentar com as migalhas de audiência de Bocão e cia, e a Globo continuará sendo nossa amante, aquela que não amamos, mas “comemos” todo dia. Na falta de uma que mereça ser “esposa” ... fazer o que?
domingo, 25 de março de 2012
Futebol e o Orgasmo Administrado

O mundo racionalizado (ou administrado) chegou ao futebol, é verdade! Agora somos obrigados a ver os títulos serem tratados como metas, e os jogadores como operários. É o futebol produtivista, que visa somente o resultado final, não importando o brilho contido nele, a final, pra que brilho se na contabilidade não faz diferença? Contabilidade ... termo bem adequado.
Que o futebol alcança a cada dia níveis de profissionalização bem próximos aos de uma multinacional, não é novidade, só acho que dá pra existir magia nas entrelinhas da razão e do planejamento, não acham? Entre o Plano A e o Plano B, dá para eu colocar um ingrediente a mais que ninguém sabe no que vai dar, por que não Meu Deus? Será que o mundo do futebol está tão rígido que não cabe uma palhaçadinha só para lembrar que ainda é futebol e não um chão de fábrica?
Hoje em dia jornal esportivo está um pé no saco, os atletas tem medo de fazer provocações, ninguém canta vitória antes do tempo, ninguém dá uma indireta, nada! É um bando de robô falando somente o necessário (ou desnecessário) só para constar. Por isso que os jornalistas perdem tempo com aquelas estatísticas inúteis tipo: “O Fluminense das ultimas 5 vezes que escalou o goleiro reserva contra o Vasco, ganhou 4 e empatou uma, interessante!” Não há mais o que falar, é essa a verdade! Quando um maluco faz alguma provocação sai aquele bando de jornalistas famintos, explorando a notícia até a última gota, pra ver se dá uma aquecida nos noticiários.
Onde estão os Romários? Os Vampetas? Os Túlios? Que mal há nas provocações? Provocação aumenta a renda dos clássicos, dá audiência, valoriza o jogo em todos os aspectos, porque parar de provocar? Em 2008 o presidente do Flamengo na reta final do Brasileiro anunciou que estava preparando a festa do Hexa, muita gente achou um absurdo aquela declaração. Pode ter sido ruim porque ele fez sozinho, mas o agito nos bastidores do esporte com certeza foi muito agradável, principalmente para os cofres dos times. É preciso lembrar que o combustível que alimenta o esporte é a disputa, a rivalidade, quando eu não puder mais perturbar meu colega que torce pro time rival, o futebol acaba.
Recentemente o Corinthians lançou 2 camisas promocionais fazendo provocações aos rivais, e teve um jornalista falando que o lançamento das camisas foi infeliz porque incitava a violência. Nunca li tanta frescura em minha vida, se existe algo que incita a violência, esse algo é futebol, acabem então com o esporte.
Não vamos deixar que o mimimi do mundo moderno racionalizado apague por completo a magia do esporte, a única coisa mágica que sobrou no futebol são as piadas, as chacotas, deixar isso se perder é o fim! Daqui a pouco o atacante vai fazer um gol e em vez de comemorar irá cumprimentar os adversários e pedir desculpas pelo transtorno. No boxe os pugilistas usam a provocação para promover o combate, no futebol não pode ser igual por quê? Porque fere os sentimentos do adversário? Porque magoa? É ser rude? Vai *****, isso é futebol, e não um jantar com meu sogro. Tem que ter aquele que chuta o pau da barraca e sai correndo ... sempre.
Abaixo vai um vídeo de um cara que merece respeito nesse aspecto.
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Vida profissional e a falsa racionalidade

Quando somos crianças pensamos: “O que vou ser quando crescer?” Lembro que eu já quis ser um monte de coisas, principalmente jogador de futebol. Quando vamos crescendo, paulatinamente vamos perdendo um pouco dessa magia e entrando na vida racional, administrada, na qual passamos a ponderar as conseqüências práticas de nossas escolhas, que normalmente estão relacionada a dinheiro.
Nossos pais nos ensinam que dinheiro não é tudo, mas experimenta dizer que seu sonho é ser ator. Essa busca em ter uma vida confortável e alto poder de consumo está entranhada de tal forma em nossa sociedade, que basta ver as concorrências dos vestibulares para se ter tal noção. Medicina é top, sempre batendo 80, 90 por vaga a concorrência, quanta gente cheia de “vontade” em ser médico heim! Direito, odontologia, Eng. Civil, sempre cursos bastante requisitados, enquanto aqueles com menores oportunidades de enriquecer vão ficando de lado. A conseqüência disso são profissionais mal humorados, estressados, ou que cometem erros grotescos em suas funções. Penso que essas pessoas não ponderam muito bem suas escolhas, é uma espécie de contradição, querem se tornar mais racionais, mas essa racionalidade é um mito, porque se restringe ao campo econômico.
De que serve dinheiro se não poder trocá-lo por bem estar? Se dinheiro é igual a bem estar, porque as pessoas trocam bem estar por dinheiro? Que loucura não? Tudo que o sujeito faz na vida é buscando aumentar seu nível de prazer, seja através do sexo, comendo, amando, bebendo, trabalhando, etc. Se o indivíduo trabalha em algo que não gosta por conta da grana, ele está trocando bem estar por bem estar.
Outra coisa complicada de entender são as pessoas que vivem para o trabalho, pegando jornadas imensas ou assumindo mais de um emprego, tudo em nome de um futuro financeiro confortável. Trocando em miúdos, garantir uma boa velhice. O fato é que antes uma boa juventude do que uma boa velhice, velho não pode comer o que quer, não faz sexo, tem pouca disposição, etc, então pra que porra serve uma velhice com o rabo cheio de dinheiro?
É muito mais racional fazer o que gosta e tentar ganhar dinheiro com isso, você pode não conseguir unir as duas coisas, mas na pior das hipóteses terá pelo menos uma delas. Então segundo a lógica, é irracional trabalhar naquilo que não gosta só pelo dinheiro, e também nem um pingo racional guardar dinheiro em troca da perda de seu lazer. A sociedade capitalista tem essa ilusão da razão, as pessoas agem achando serem mais racionais, quando na verdade saem de um mundo mágico para entrarem em outro, o ser dá lugar ao ter, mas não deixa de ser magia, fetiche.
".... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)
"Feliz foi o homem que morreu com a conta bancária zerada!" (Rafael Almeida)
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sexta-feira, 2 de março de 2012
Aborto, valores e pensamento coletivo

Já escrevi sobre esse tema em outra oportunidade, mas como faz bastante tempo, quero entrar nesse assunto novamente para falar da hipocrisia e oportunismo pelo qual o mesmo tem sido tratado, principalmente pelo movimento feminista ou pelos partidos de esquerda.
Você pode não acreditar, mas sou esquerdista, apesar de atacar a esquerda aqui nessa página por diversas vezes. Mas eu ataco da mesma forma que a mãe bate no filho, é por amor, hehe.
Nossas leis são construídas a partir de valores também, não somente por noção de bom senso ou em nome das liberdades. Por mais livre que seja o estado das amarras religiosas ou das tradições, os valores sempre farão parte das decisões a respeito do que a lei “pensa” ser correto ou não. Um sujeito manter relações com uma menina de menos de 14 anos é considerado estupro no Brasil (se ele for maior de idade), mesmo com consentimento da garota. Essa é uma lei que não parte nem das perspectivas de liberdade, nem da lógica do bom senso, mas sim de valores. A sociedade jurídica entende que uma menina com idade menor que 14 anos não está apta a decidir sobre sua vida sexual. Antes que algum maluco diga que estou falando mal da lei, não se trata disso, só estou apontando a partir de qual perspectiva foi criada a mesma. A eutanásia e pena de morte vão na mesma perspectiva, não há como julgar sem levar em conta os valores.
A questão do aborto também é algo que não pode fugir da esfera valorativa, trata-se de concepção de vida, alguns entendem que feto é um ser já no estágio humano, outros não, e essa questão é crucial, não dá para fugir dessa sinuca. Nesse sentido, o que os movimentos feministas ou de esquerda estão buscando é deixar a questão dos valores de lado e fazer uma análise estritamente técnica (objetiva), um atalho para aprovar a legalização do aborto. “Aborto, uma questão de saúde pública” é a fachada que utilizam para camuflar a esfera dos valores, a esfera subjetiva. Me surpreende inclusive, um movimento com ares de intelectualidade fazer esse tipo de coisa. Esse argumento parte da idéia de que o estado deve legalizar para evitar que mulheres morram fazendo aborto em “açougues”. Antes de ser uma questão de saúde pública, aborto é uma concepção de vida humana. Pode resmungar, xingar, gritar, rosnar, citar “versículos” de Marx, mas no fundo quem leu isso sabe que é uma verdade inexorável.
Em grande parte isso é culpa do atrofiamento da reflexão em nossa sociedade, as pessoas entram nos movimentos, sejam eles quais forem, e automaticamente compactuam com tudo que é “pregado”. O “efeito manada” não é só a Globo que promove, as pessoas se sentem mais confortáveis em pensar coletivamente, a esquerda também aliena, é bom salientar isso aos desavisados.
Como eu já sei o que se passa na cabeça desse povo, muitos nesse exato momento estão pensando assim: “Levar a questão para o campo dos valores só emperrará a discussão, não chegando nunca a um consenso!” Isso até soa bonitinho academicamente, mas sinto em lhe dizer que o debate técnico/científico também será complicadíssimo, visto que outros argumentos podem ser levantados, como por exemplo o aumento vertiginoso do gasto do SUS com abortos. Será que o SUS, que já é precário, deve arcar com custos de aborto, visto que gravidez não é doença? Essa é outra discussão que renderia bastante. Além do mais, no debate em si não precisa haver um consenso, para isso existem as urnas, creio que um referendo sobre legalização do aborto é a melhor solução.
Se gostou compartilhe o texto nas redes sociais. Estou também aceitando sugestões de temas para escrever aqui, visto que estou meio sem assunto ultimamente.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A festa das vadias

É Carnaval! Estamos no período do ano em que a moralidade pede licença para tomar uma cervejinha. É a festa legitimadora da pornografia, mulher pelada vira nu artístico, e promiscuidade vira curtição. Me refiro a moralidade não tomando a posição de quem defende a “moral” puritana e os “bons costumes” conservadores, mas no sentido da mesma moral que é pregada por nossa sociedade o resto do ano inteiro, e que no carnaval é um tanto deixada de lado. Não dá para falar desse assunto sem lembrar a declaração do baixista da banda de rock Queens of The Stone Age, que tentou tocar pelado no Rock in Rio de 2001, e alegou não entender o fato de ter sido impedido, pois no carnaval todos dançam pelados e não são reprimidos. Como responder isso? A solução é fazer vista grossa e dar aquela cartada de bolso, “Carnaval é Carnaval”, e isso por si só explica tudo.
Mas essa questão da putaria legitimada é ranzinzisse de minha parte para introduzir o texto, o que me incomoda de verdade nessa festa (especificamente a de Salvador) é outro tipo de putaria, aquela feita com o dinheiro público, isso em baixo de nossas fuças e com toda nossa cordialidade ignorante. O carnaval de Salvador é sem dúvida o mais escroto, não se surpreendam se inventarem uma forma de privatizar até a chamada pipoca. Acho que nem todos já pararam pra pensar que o baile de cordas e camarotes é a contradição em si, uma festa realizada em vias públicas que cobra ingresso para entrar. Nós construímos as avenidas e temos que pagar para entrar nelas nos dias da festa. E o que ganhamos com isso? Fumo! A pessoa pode argumentar dizendo que a avenida não é cedida, mas sim alugada, que a prefeitura cobra uma taxa para os trios e camarotes estarem ali. Realmente isso é verdade, mas é algo que nem merece a dignidade de ser citado frente aos valores vergonhosos que são cobrados. Para se montar um camarote a taxa cobrada é de R$ 10, 58 (fixo) + R$ 42,34 por metro quadrado. O trio elétrico paga 2,2 mil por dia, independente da expressividade do bloco. Se fomos olhar as cifras das receitas apurados, nos sentiremos as vadias mais esculachadas do mundo. O bloco Camaleão fatura somente com venda de abadás, 6,65 milhões, o Me Abraça 5,4, fora patrocínios. Os camarotes tem receitas que vão de 6,2 milhões (Nana Banana) a 14,4 milhões (Camarote Salvador). É bastante obvio que a arrecadação com as taxas não cobrem nem 1/4 do gasto que a prefeitura tem na organização do evento, despesa essa estimada em torno de 30 milhões.
Nesse sentido, para falar em termos mais claros, você cidadão baiano, paga para construir as avenidas, paga para organizar o carnaval, e é proibido de entrar na festa. Seria como o namorado de sua filha ir jantar em sua casa, comer toda sua comida, transar com sua filha em sua cama, apertar os peitinhos de sua esposa, dar um tabefe em sua cara, te chamar de trouxa e pedir o dinheiro do taxi, e você dar.
O masoquismo está lá na avenida, pessoas pagando para desfilarem em suas próprias casas, e dividindo em 12X no cartão. Mas como diria o gênio da trupe Fernando Anitelli, “Só não pode falar nada quando é baile de carnaval”. Então pra que esse discursinho sério? Vamos curtir, dar risada, nos divertir nesses 6 dias, pessoas que levam tudo a sério não curtem a vida, eles não saberão o que fazer com 14,4 milhões nos outros 359 dias do ano.
Referências:
http://www.revistabahiaemfoco.com.br/blog/archives/9902
http://sefaz-ba.jusbrasil.com.br/noticias/3025474/taxas-de-licenca-para-desfiles-de-blocos-poderao-ser-parceladas
http://www.bahianoticias.com.br/2011/imprime.php?tabela=principal_noticias&cod=34671
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Nossa majestade merece o trono?

Como esse “brogue” é quase uma coletânea de teorias de mesa de bar, outra discussão típica do alcoólico ambiente é se Pelé é ou não nossa majestade maior do futebol. Sobre esse assunto, surgem as teorias e explicações mais toscas possíveis.
O principal argumento de quem defende que Pelé não é Rei, é que naquele tempo se amarrava cachorro com lingüiça, frase que ficou famosa ao ser pronunciada por Felipão em 2002. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais o treinador está em decadência. Dentro desse argumento se falam as coisas mais horrorosas possíveis. Que era fácil jogar bola, que não existia marcação, que os goleiros eram horríveis, não existia tática, e por conta desses fatores qualquer jogadorzinho furreca dos dias atuais é melhor do que os de antigamente.
Do outro lado existem os saudosistas, o pessoal que defende com unhas e dentes os astros do passado, para eles Garrincha, Pelé, Zico e cia nunca serão superados por ninguém, Pelé é o Rei e acabou, e os atletas atuais só tem vigor físico e jogam por dinheiro.
É claro que ambos os lados estão errados, a coisa não pode ser analisada de maneira tão tendenciosa, cada um defendendo sua geração. É preciso haver um critério de raciocínio, e é isso que irei propor.
Não se pode comparar atletas de gerações diferentes recortando essas pessoas de seus contextos históricos. Como qualquer esporte, o futebol passou por um processo de evolução, e hoje se encontra muito mais desenvolvido institucionalmente e economicamente que há 30 ou 40 anos atrás. Hoje os clubes dispõem em fisioterapeutas, psicólogos, profissionais de saúde mais preparados, sem falar dos avanços da medicina no geral. Na parte estrutural, dispõem de centros de treinamento muito melhores, com sala de musculação, piscina para hidroginástica, dormitórios, etc. Sem contar os salários dos atletas, que lhe propiciam total tranqüilidade financeira. Nesse sentido, é uma total babaquice querer comparar um atleta dos dias atuais com os de outras gerações. Os próprios treinamentos foram ficando mais complexos e intensos, até a década de 60 os treinamentos de goleiro se limitavam a exercícios calistênicos, ginástica com pesos e exercícios técnicos de finalizações e cruzamentos de bola na área. Com o passar do tempo esse modelo de treinamento foi perdendo espaço para exercícios mais específicos, e a partir da década de 90 observou-se uma melhora na performance dos goleiros brasileiros. Além de tudo isso, antigamente a bola era de couro, muito mais pesada que a atual (de material sintético), basta pegar qualquer vídeo da década de 70 e ver a dificuldade dos laterais para fazer uma inversão.
Nesse sentido, é extremamente complicado querer por exemplo comparar Pelé com Messi, seria como comparar um físico do século XIX com um do século XXI, e dizer qual foi o melhor. Dessa forma, o único modo (ou critério) de se fazer uma análise desse tipo é comparar o indivíduo com os demais em sua época, e observar quem esteve mais à frente em seu contexto. Pelé foi protagonista da Copa do Mundo de 1958, “dando” o título à seleção brasileira aos 17 anos, isso só ele fez. Depois foi mais 2 vezes campeão do mundo, sendo protagonista mais uma vez em 1970. Pelo Santos foi 5 vezes campeão da Taça Brasil e 1 vez da Taça Roberto Gomes Pedrosa (totalizando 6 títulos nacionais), ganhou 10 vezes o campeonato paulista, 2 vezes a Libertadores e mundial. Após sua saída, o time da Vila amargou uma escassez de títulos que perdurou até 2002, portanto, Pelé foi essencial para todas as conquistas do Santos antes desse ano. Além de tudo isso, possui um número de gols invejável, 794 em jogos oficiais e 1282 no total, isso parando de jogar aos 37 anos.
Além da questão objetiva, dos números, há a questão subjetiva. Pelé era bom em todos os fundamentos, chutava com as 2 pernas, dava passe, cabeceava, finalizava bem, era veloz, algo jamais visto no futebol. Portanto, frente a tudo que foi apresentado, não tem como estimar como seria Pelé no futebol moderno, mas observa-se claramente que ele esteve anos luz à frente dos demais de sua época, algo que o torna Rei do futebol sem sombra de dúvidas.
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