sábado, 16 de junho de 2012

Traição é Traição ...


.... romance é romance, amor é amor e um lance é um lance. Por que as pessoas tem tanta dificuldade em lidar com isso?

Tudo que o ser humano faz é buscando a felicidade. Ele briga, mata, ama, se arrepende, rouba, transa, etc, tudo buscando um maior bem estar. Portanto o sujeito que trai, não o faz para sacanear ninguém (às vezes sim, mas são casos particulares), mas sim para ser feliz. Acontece que tudo na vida tem um preço, um risco e um retorno, e achar que pode escapar dessa regrinha básica é o que leva muita gente a não saber lidar com traição, romance, amor e lance.

Não vejo problema nenhum em relacionamento aberto, se você acha que é capaz de namorar com uma pessoa e permitir que ela fique com outras, vá em frente e seja feliz, quem sou eu para recriminar? A questão é que as pessoas querem relacionamento fechado para o outro e aberto para si. Trocando em miúdos, é a traição. Ser solteiro tem vantagens, assim como há vantagens também em namorar. O solteiro curte mais; fica com várias pessoas; não tem DR; não tem ninguém para lhe encher a paciência; e por ai vai. Quem namora perde tudo isso, mas ganha um(a) companheiro(a) para os momentos bons e difíceis, além do prazer que é estar com alguém que gosta. Esse é o dilema dos relacionamentos, e o ser humano, visando maximizar o bem-estar, faz o que? Tenta juntar as duas coisas. Só que como a regrinha é implacável, mais cedo ou mais tarde a “fatura” vem, e quanto mais demora, mais cara ela é. Quem trai corre o risco de ser pego, e se ama a(o) parceira(o), além disso tem o “custo” do remorso. Como podemos ver, não há bem-estar sem abdicação de algo.

Alguns mitos precisam ser quebrados. Quem disse que quem não trai não sente vontade de trair? Quem disse que mulher é biologicamente monogâmica e o homem o contrário? O homem descaradamente arranjou um argumento para trair, de que o macho sente necessidade de copular com diversas fêmeas, e isso tem explicação na biologia, pois o macho tem a capacidade de engravidar várias ao mesmo tempo, enquanto a fêmea só engravida de um só. É uma puta de uma forçação de barra esse argumento, que além de ser bastante conveniente, é um assassinato à antropologia e à sociologia. O homem em média trai muito mais que a mulher, e isso pode até ter influência biológica, mas ninguém pode afirmar em que medida isso influencia, visto que o caráter cultural é muito forte nessa questão.

Mulher que trai é vadia, vaga-bunda, puta. O homem que trai é no máximo canalha para as mulheres. Para os homens ele sempre será um sujeito normal, traindo ou não. O peso cultural recai somente nas costas das mulheres, que mesmo se puderem trair sem que ninguém saiba, as próprias irão saber, portanto se sentirão putas. É uma ingenuidade descomunal achar que a mulher é incapaz de trair por puro prazer, ou até mesmo de sentir vontade. “Mulher para trair precisa de um motivo, homem para trair precisa de uma mulher” (Arnaldo Jabor). Até mesmo cronista famoso entra no senso comum de “o homem é assim, a mulher é assado”. Essa frase foi recortada de uma crônica do Jabor, na qual ele monta um modelo medonho de gêneros, um amontoado de frases de bolso com estereótipos retrógrados e dogmáticos. Mas o mundo do faz de conta de Jabor está presente na cabeça da maioria das pessoas, que continuam com a mesma visão “novelesca” da vida. A repressão velada da sexualidade feminina leva os sujeitos a naturalizarem os comportamentos sexuais para conservarem estereótipos que lhe são convenientes. “Todo homem trai” camufla o verdadeiro sentido da frase, que é “O homem precisa trair, a mulher não”. Se o homem que trai fosse recriminado pela sociedade, será que os homens iriam trair tanto? E a mulher que trai, se fosse vista pelas outras como “esperta”, como seria a realidade nesse aspecto? Mas as pessoas preferem os jargões de Jabor e cia. E a reflexão? A vida é mais fácil sem ela ...

E como mato a cobra o mostro o pau, ai vai o link do comentado texto de Jabor. É um texto perigoso, para quem assiste novela mexicana não é recomendável, a pessoa corre o risco de acreditar.
http://pensador.uol.com.br/frase/MzUwMzk5/

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ego é o motor do mundo?


Ego, segundo a psicanálise, representa os desejos do “Eu”, as satisfações, o prazer. Tudo isso configurado na realidade do indivíduo. No cotidiano o ego é usado para designar a vaidade principalmente, como na frase “Ele me elogiou e meu ego foi lá pra cima!”

Já está mais que superada a idéia de que o desejo de enriquecimento material (acumulação) é algo natural ao ser humano, discurso bastante utilizado por pessoas que usam o senso comum de forma arbitrária. Quanto a isso, a sociedade indígena está ai para nos provar o contrário. Só que uma coisa é ambição por riqueza, outra é ambição de maneira geral.

Quando se fala em ambição, logo remetemos a idéia à riqueza. No entanto, as pessoas se esquecem que reconhecimento ou prestígio são também riquezas, mas riquezas simbólicas. O sujeito pode se esforçar muito para conquistar algo que não lhe trará maior padrão de consumo, mas com certeza lhe concederá maior prestígio. Um artista que atua em um campo musical pouco rentável, não busca nessa ação um reconhecimento financeiro, mas um reconhecimento artístico, simbólico. Vale lembrar que prestígio e dinheiro são formas diferentes de satisfazer o ego, o primeiro através do prazer proporcionado pelo reconhecimento social por seu trabalho, o segundo pelo prazer do consumo, conforto, e ostentação (que não deixa de ser prestígio também). A ostentação (reconhecimento social de sua riqueza) e o prazer proporcionado pelo consumo, são satisfações diferentes que tem separação bastante fluida.

Um matemático, mesmo na antiguidade clássica, desenvolveu suas teorias e cálculos para ajudar o mundo (que lindo!)? Creio que não, acredito que o impulso que leva alguém a se dedicar a algo, no geral seja um impulso egoísta, que visa satisfazer o ego. Você pode questionar: “Mas a pessoa pode fazer algo por amor, como existem pessoas que amam a medicina!” Uma coisa não exclui a outra, o indivíduo pode amar a medicina, mas não passaria 6 anos na faculdade se a profissão não tivesse reconhecimento nem financeiro nem social. Nesse sentido, pode-se inferir que o ego é o motor que move o mundo. A ciência, as artes, tudo foi desenvolvido por conta do ego, da satisfação de ambições.

Então ser vaidoso é normal? Sim! Ninguém faz nada de graça, sem esperar retorno. O reconhecimento social que determinada pessoa possui, ela pode não expressar, mas tenha certeza, ela tem orgasmos ao perceber isso. Por isso que uma ótima forma de desenvolver determinado setor é oferecendo riqueza ou criando hierarquia social, para estimular os indivíduos a buscar as devidas recompensas se empenhando naquilo. Na academia a titulação de pós doutor é muito mais um mecanismo de diferenciação social do que resposta a uma necessidade que visa a qualificação do profissional.

Nesse sentido, para as pessoas que alcançaram algum tipo de reconhecimento, humildade é algo que só existe na aparência. A diferença entre a pessoa humilde e a metida é que a primeira finge melhor. Se existisse humildade o mundo estaria fodido! Ela só pode existir em casos em que o reconhecimento independe das ações da pessoa, como ser filho do presidente por exemplo. O que deveria incomodar não são as pessoas vaidosas, mas sim as que não se enxergam, achando que são muito mais do que realmente são; aquelas que menosprezam terceiros para se diferenciar; ou aquelas vaidosas em momentos inoportunos.O mundo precisa acabar com essa babaquice de “exigir” das pessoas uma humildade aparente. “Eu sou bom!” deveria ser encarado como atitude de sensatez, e não de arrogância.

Com tudo isso não nego a existência do altruísmo, só acho as coisas podem conviver paralelamente, cada qual em seu campo. É muita ingenuidade supor que um cientista estudou a vida inteira para ajudar o mundo, ou que um pianista treina 10 horas por dia para levar uma música de alto nível à sociedade.

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sábado, 26 de maio de 2012

Mulheres, vistam-se para nós! Pt II

Eu não pretendia, mas vocês mulheres me levaram a escrever a parte II desse texto. Para quem está chegando agora, foi um texto que publiquei dando dicas de moda feminina na visão masculina.

No primeiro que postei, fui acusado de machismo por conta do título. Espero que dessa vez apenas mulheres que nasceram com mancômetro apareçam para dar o ar da graça (quem inventou essa expressão escrota?) nos comentários. E olha que dessa vez coloquei uma foto mais comportadinha pra fazer média.

De início vou meio que repetir um comentário a respeito de uma peça que já havia mencionado. É que descobri o nome do diabo da calça, é a tal da Corset. Não sei por que, mas esse nome me lembrou a Cosette, do livro Os Miseráveis de Victor Hugo. Em fim, a calça é isso ai:


Vai pra guerra? Pra que essa porra até quase os peitos? É uma ótima peça para se proteger de um tarado, só isso.

Outra que está na moda é a tal da Saruel, e como foi complicado descobrir o nome disso, obrigado papai Google. Tudo que uma calça precisa fazer é valorizar as curvas da mulher, mas essa daí com certeza foi projetada por quem curte um volume a mais. Então só uma dica, usando isso suas chances de arrumar um namorado caem 300%. Talvez você arrume um amigo estilista. Olha esse troço:


Tem também os shorts com a parte de dentro do bolso aparecendo. What porra is this? Vai ser brega assim no quinto dos infernos! PQP! Nem o Falcão usaria um troço desses.


E pra finalizar, não tenho foto disso que vou falar, mas vou descrever. Algumas adolescentes estão passando gel no cabelo e jogando uma mexa de um lado para o outro por cima da testa, próximo aos olhos. Se você faz isso, só tenho uma coisa a lhe dizer: Deus tem um plano para sua vida irmã!

Se você leu o texto e achou que estou tratando a mulher como objeto sexual, você sofre de Schizofeminite aguda, seu caso é grave, procure um especialista.

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sábado, 12 de maio de 2012

Orgulho de ser da terrinha maravilhosa!

Antes de mais nada queria avisar que eu liguei o botão “Baiano Orgulhoso” para escrever esse textículo, portanto, não pretendo ser criterioso nem neutro por hora.

Moro na Baêa, terra de gente bonita e do povo mais criativo do Brasil. Tem gente que precisa entrar na escola pra aprender, baiano já nasce sabendo. Essa terra tem um tempero humano inigualável, aqui se você morrer sozinho em casa descobrem no mesmo dia, porque alguém vai sentir sua falta. Aqui ninguém precisa marcar horário pra ir na casa dos brother, a gente chega lá na hora do almoço, come e ainda fica pra janta, e ainda tiramos uma soneca no sofá da sala. Aqui, chamar pra ir ao cinema nem sempre é “dar em cima”, o “regulamento social” é mais frouxo. Eu também posso dar bom dia a quem não é meu cliente ou patrão. Vou comprar pão, faço uma palhaçadinha, tiro onda com o cara da padaria, e se bobiar vou tomar uma com ele no final de semana. Baiano é mal educado? Não, você que é otário!

E como todo mundo sabe que baiano não nasce, ele estréia, em termos artísticos colocamos no chinelo a metade de baixo inteira do país (foi mal .. ). Todo filme agora querem botar Wagner Moura pra atuar, não tem ator bom ai na parte de baixo não porra? Larga do pé do cara ... hehe. Na verdade o fato é que o sujeito que encarnou Capitão Nascimento é o melhor, 2º melhor, 3º, 4º e 5º melhor ator do Brasil, em 6º vem Lázaro Ramos, depois vem a cambada do sul. Na literatura temos Gregório de Matos, Castro Alves e Jorge Amado, aquele que a Globo paga pau, fora outros 500. E na música .... ah meu amigo, na música temos o verdadeiro Rei da música brasileira, Raulzito, muito mais Rei do que aquele Reginaldo Rossi com grife que a Globo disse que ocupava o trono e todo mundo acreditou. Além dele temos Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, dentre outros. Além de tudo isso, depois que o rock sulista farofou de vez, estão buscando salvação na Bahia agora, e pra não ter que suportar Jota Quest ou Dinho Ouro Preto cantando “Se um dia eu pudesse veeeeer ...” (De Novo!!), tem gente lá em baixo comprando CD de Pitty a rodo. E eles nem sabem que tem Cascadura que é melhor ainda .... E sabe qual o melhor de tudo? É que fazemos tudo isso na rede e com uma água de coco do lado.

Tratando-se de academia, falando de minha área (economia), Celso Furtado é o economista mais lido do Brasil, não é baiano (paraibano), mas só é fodão porque morava perto da Bahia. O Geógrafo mais famoso do país é “nosso”, Milton Santos. Em quase todas as áreas tem sempre um baiano “ousado”.

Os sulistas falam que nós somos lentos, que falamos macio. Na verdade não se trata disso, um baiano lento é um baiano acompanhando o ritmo de raciocínio de um sulista. Nós somos didáticos também! O povo lá de baixo também adora dizer que mora do lado do Brasil que trabalha. Certo, pode ficar com o trabalho cara pálida, eu moro do lado criativo do Brasil!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Celibato e Pedofilia

Celibato ... confesso que no dia em que a Igreja Católica acabar com isso o mundo vai ficar um pouco mais sem graça, vão acabar os filmes de drama erótico em que um padre se apaixona por uma ninfeta e vive um romance perigoso. Mini-séries da Globo idem. Vai acabar também com uma modalidade específica de piriguete, as Maria Água Benta, aquelas que vivem correndo atrás dos seminaristas.

Estamos no século XXI, e a Igreja Católica, não sei se por birra ou questões políticas, mantém intransigentemente o celibato, algo que eles próprios pisam em ovos pra explicar o sentido da existência. A explicação mais utilizada pela instituição cristã é o tempo integral que os sacerdotes precisam dispor aos fieis, algo que o matrimônio atrapalharia. Uma desculpa esfarrapada que deveriam ter vergonha de citar. A explicação mais aceita é mesmo a questão da igreja proteger seu patrimônio impedindo que os padres se casem, idéia essa que hoje nem faz muito sentido, mas há muito tempo atrás faria.

Não quero me aprofundar nessas possíveis explicações, mas sim nos danos que o celibato tem causado, e da hipocrisia dos católicos e da própria instituição frente aos fatos que vem ocorrendo. Primeiramente é bom deixar bem claro que o seminário da Igreja Católica é um filme pornô gay sem câmeras. Não falo isso me baseando apenas nos noticiários (o que já poderia ser suficiente), mas também em relatos de bastidores que tive a oportunidade de escutar. Na verdade nem precisaria disso, basta raciocinar que se diversos padres são pedófilos gays (os que gostam de meninos), pode-se imaginar o que ocorre no seminário (NÃO ESTOU DIZENDO QUE TODO GAY É PEDÓFILO, OK?).

O sacerdócio deveria ser para aqueles que possuem o dom da missão. Mas com o celibato o que acontece é um processo totalmente inverso, as pessoas estão utilizando o mesmo para legitimar perante sua família e a sociedade um comportamento ou preferência sexual comumente discriminada. Trocando em miúdos, as pessoas estão entrando no seminário para justificar uma vida sem relacionamento hétero por falta de vontade, ou seja, se alinhar à heteronormatividade. O seminário da Igreja Católica é um antro de gays encubados ou mal resolvidos (estou exagerando, claro que tem héteros também), e pra mim está cada vez mais claro que é forte a ligação desse fato com os crimes de pedofilia cometidos por muitos padres. Não que o gay tenha tendência a ser pedófilo, mas estamos falando de gays que são obrigados a viver em clausura sexual por uma vida inteira, pelo menos perante a instituição e a sociedade. Acredito que isso possa levar alguns padres a cometer tais delitos. Outra questão está relacionada ao tipo de personalidade sexual que o seminário atrai. Este não atrai pessoas bem resolvidas sexualmente, visto que um hétero convicto dificilmente se submeterá ao celibato, o mesmo pode valer para um gay convicto. O seminário é o lugar dos católicos mal resolvidos com sua sexualidade, resignar-se é uma maneira aparentemente eficiente para resolver o problema de “Não sei o que sou!”. Acontece que geralmente quem é mal resolvido com a sexualidade é gay, porque vivemos em um mundo heteronormativo. Mas com certeza em meio de tantas pessoas assim (mal resolvidas), a probabilidade de existirem indivíduos com a sexualidade doentia é maior. Esses dois fatos explicam (a meu ver) o espantoso índice de pedofilia no sacerdócio católico.

Pessoalmente tive a oportunidade de conhecer 4 seminaristas da Igreja Católica, desses, 2 eram visivelmente gays, mas os católicos preferem fechar os olhos para essa questão. A igreja poderia muito bem tirar as nuvens que encobrem seu universo sacerdotal extinguindo essa babaquice que é o celibato, mas prefere ir pelo caminho da “Caça as Bruxas”, dando murro em ponta de faca, até o dia em que não puder mais esconder o que está entre as paredes do seminário.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Esquerda e Socialismo para Mau Entendedor


Esse é o meu texto de redenção frente aos comunistas pitaqueiros que me chamam de reacionário escroto conservador. Hoje vou defender o movimento .. uhuuu!

Decidi escrever porque da mesma forma que existem os esquerdistas bizarros e hipócritas, existem os conservadores que me dão ânsia de “Tapa ôi”. Pra quem não sabe o que é tapa ôi (quem não é nordestino ou teve uma infância fudida na frente do Playstation), era uma brincadeira que fazíamos da seguinte forma: Quando alguém falava uma merda, alguém tapava os olhos dele e o resto da galera dava tapa na cabeça (se você brincou disso, pode se emocionar, você teve infância e pré-adolescência).

Muita coisa escrota se fala a respeito do socialismo, e a mais clássica de todas é: “Você não é socialista? Então adote um mendigo, ou divida seus bens com um pobre!” A resposta pra isso é bem simples, se o socialista fizer isso o estado vai acabar com a propriedade privada? Vai deixar de ter gente passando fome? Não? Pronto, respondeu?

Ser esquerda, marxista, leninista, ou seja lá que diabo for, não tem nada a ver com fazer filantropia, se ele gostasse de filantropia seria devoto de Irmã Dulce (ela já é santa?), e não de Marx (sim, existem os devotos de Marx .. hehe). Defender socialismo é defender uma estrutura política e social, que só se modifica com ações políticas, e não com boas ações. Ao ler isso você pode ter pensado: “Mas cada um que acredita nisso pode fazer sua parte. Isso ai é desculpa!” Caro mau entendedor, se você propor a Plínio Arruda que ele doe sua riqueza para os pobres, ele não doará, mas se disser a ele que o Brasil a partir de amanhã será comunista e seus bens serão estatizados, ele provavelmente aceitará de boa (se não for hipócrita). Sentiu a diferença?

Outra colocação asquerosa são os que dizem que o desejo de enriquecimento e a competição são naturais ao ser humano. Para dar uma raquetada nesse argumento basta falar dos índios, e se quiser ser mais profundo, falar um pouco da história de Cuba. Essa é a chamada “naturalização” de algo cultural, é bom ter bastante cuidado.

E o ultimo argumento que se usa é o mais convincente, oriundo até de intelectuais. São os que chamam os políticos esquerdistas de loucos, alegando que suas propostas de reforma política e econômica iriam ferrar a economia. Causariam fuga de capitais, escassez de investimentos privados, e por ai vai. Na verdade uma sociedade socialista, ou um capitalismo com forte presença do estado, não pode funcionar de acordo com as mesmas regras que o capitalismo “aberto”. Uma proposta desse porte visa desmanchar o quebra cabeça e montar tudo de novo, e para isso com certeza o ônus econômico viria. Mas quem defende essa causa estaria disposto a jogar muita coisa fora para em um futuro distante ter uma sociedade melhor. Então o argumento imediatista só cola para os imediatistas, quem pensa a sociedade daqui a 30 anos não falaria em fuga de capitais. Cuba sofreu uma crise econômica no início da década de 90 que apresentou números espantosos, chegando a decréscimo de 15% do PIB, mas conseguiu se recuperar e hoje é exemplo mundial de como um país pobre pode ter índices sociais tão elevados.

Isso é tudo, mas lembrando que ser socialista é uma grande responsabilidade, você será avaliado e julgado sempre, porque nossa sociedade no geral é conservadora. Então não faça como os residentes da UEFS, seja (em seus atos) coerente com o que diz e com a realidade, não seja exemplo para o verso “suas idéias não correspondem aos fatos”, se não eu faço outro texto falando sobre você ... hehehe.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Plin Plin ... Eu não quero ser amada!


Que a Globo é escrota, direitista ultra-conservadora qualquer estudante 1º semestre de algum curso da área de humanas sabe. Mas por que será que essa emissora é tão líder? Será que somente o “puxa-saquismo” político explica isso? O que fazer pra mudar esse panorama?

A Globo é o satanás, mas quando ligo a TV para descansar ou comer, qual o canal que coloco? E por que será?

A Rede Globo desde os primórdios adotou um padrão de qualidade, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”, um know-how que engloba vários elementos, desde a questão da qualidade técnica até o ponto principal, que é o polimento da programação. Tudo na Globo é muito lapidado, chega a ser chato, não existem críticas incisivas em nenhum setor, nem mesmo no esporte. A emissora é de direita sutilmente, a não ser em horários de pouca audiência (de manhã cedo ou tarde da noite), ninguém fala de política “botando o dedo na cara”, eles apenas selecionam os fatos que convém. No esporte é a mesma coisa, críticas incisivas são podadas, o que resta é Caio com seus comentários óbvios, dentre outros com extrema habilidade, que conseguem falar bem mesmo com um chicote atrás (Casagrande). No entretenimento a lógica segue, nada de excêntrico é “cultivado”, as mesmas babaquices, mas sem muita pornografia gratuita, nem gente falando merda de mais. Tudo é muito cauteloso e planejado, ninguém abre a boca lá sem ensaio. O padrão é disseminado nas filiais também, que seguem a cartilha fielmente, até jornalista gay precisa disfarçar sua orientação sexual na emissora.

Mas para que tudo isso? Qual a utilidade desse polimento? Muita gente não percebe que a perspectiva da emissora não é fazer com que todos gostem de sua programação, mas sim garantir que ninguém odeie. Você pode não gostar da Globo, mas certamente quando ligar a TV só por ligar, deixará na “plin plin”, porque os programas são sem sal, mas também não irritam. É ai que entra a questão da concorrência.

A estratégia da concorrência é parecida com a quimioterapia, atingem o alvo, mas no caminho destroem todo o resto. Algo descompromissado (como esse blog) com a qualidade, buscam agradar parte da população, mas ao fazer isso irritam a outra parte, é ai que surgem as figuras bizarras de Ratinho, Marcia, Bocão, Varela, etc. Eu não gosto de Faustão, mas entre ele e Ratinho prefiro mil vezes ficar olhando para o ex gordo da Globo. Quando falo das concorrentes, não incluo canais como TV Escola, esses não concorrem, são redes que trabalham em um campo específico, quem concorre são as entidades do mesmo gênero, que apresentam programação diversificada (Rede TV, Band, SBT, Record, etc).

A verdade é que a Globo é a todo poderosa muito por conta da falta de concorrência, não existe programa de baixaria na Globo, como o da Márcia ou o Casos de Família, também não existe apelo religioso, nem sensacionalismo. Eu prefiro Jornal Nacional do que ver Datena rodar a baiana chamando traficante de calhorda. O SBT até hoje apresenta programas que fizeram sucesso na década de 70, outros só se preocupam com o retorno de curto prazo, vendendo espaço para religiões apresentarem seus programas. Para concorrer com a Globo precisa de mais profissionalismo, mais seriedade, a estratégia precisa ser diferente, claro, não se pode lutar com espada contra alguém que luta com espada há 40 anos, é mais inteligente ir com outra arma. Mas fazendo tudo “nas cocha” não levará a lugar algum.

Dá para apresentar uma programação sem polimento e de boa qualidade (olha o caso do CQC), esse é o caminho, caso contrário terão de se contentar com as migalhas de audiência de Bocão e cia, e a Globo continuará sendo nossa amante, aquela que não amamos, mas “comemos” todo dia. Na falta de uma que mereça ser “esposa” ... fazer o que?

domingo, 25 de março de 2012

Futebol e o Orgasmo Administrado


O mundo racionalizado (ou administrado) chegou ao futebol, é verdade! Agora somos obrigados a ver os títulos serem tratados como metas, e os jogadores como operários. É o futebol produtivista, que visa somente o resultado final, não importando o brilho contido nele, a final, pra que brilho se na contabilidade não faz diferença? Contabilidade ... termo bem adequado.

Que o futebol alcança a cada dia níveis de profissionalização bem próximos aos de uma multinacional, não é novidade, só acho que dá pra existir magia nas entrelinhas da razão e do planejamento, não acham? Entre o Plano A e o Plano B, dá para eu colocar um ingrediente a mais que ninguém sabe no que vai dar, por que não Meu Deus? Será que o mundo do futebol está tão rígido que não cabe uma palhaçadinha só para lembrar que ainda é futebol e não um chão de fábrica?

Hoje em dia jornal esportivo está um pé no saco, os atletas tem medo de fazer provocações, ninguém canta vitória antes do tempo, ninguém dá uma indireta, nada! É um bando de robô falando somente o necessário (ou desnecessário) só para constar. Por isso que os jornalistas perdem tempo com aquelas estatísticas inúteis tipo: “O Fluminense das ultimas 5 vezes que escalou o goleiro reserva contra o Vasco, ganhou 4 e empatou uma, interessante!” Não há mais o que falar, é essa a verdade! Quando um maluco faz alguma provocação sai aquele bando de jornalistas famintos, explorando a notícia até a última gota, pra ver se dá uma aquecida nos noticiários.

Onde estão os Romários? Os Vampetas? Os Túlios? Que mal há nas provocações? Provocação aumenta a renda dos clássicos, dá audiência, valoriza o jogo em todos os aspectos, porque parar de provocar? Em 2008 o presidente do Flamengo na reta final do Brasileiro anunciou que estava preparando a festa do Hexa, muita gente achou um absurdo aquela declaração. Pode ter sido ruim porque ele fez sozinho, mas o agito nos bastidores do esporte com certeza foi muito agradável, principalmente para os cofres dos times. É preciso lembrar que o combustível que alimenta o esporte é a disputa, a rivalidade, quando eu não puder mais perturbar meu colega que torce pro time rival, o futebol acaba.

Recentemente o Corinthians lançou 2 camisas promocionais fazendo provocações aos rivais, e teve um jornalista falando que o lançamento das camisas foi infeliz porque incitava a violência. Nunca li tanta frescura em minha vida, se existe algo que incita a violência, esse algo é futebol, acabem então com o esporte.

Não vamos deixar que o mimimi do mundo moderno racionalizado apague por completo a magia do esporte, a única coisa mágica que sobrou no futebol são as piadas, as chacotas, deixar isso se perder é o fim! Daqui a pouco o atacante vai fazer um gol e em vez de comemorar irá cumprimentar os adversários e pedir desculpas pelo transtorno. No boxe os pugilistas usam a provocação para promover o combate, no futebol não pode ser igual por quê? Porque fere os sentimentos do adversário? Porque magoa? É ser rude? Vai *****, isso é futebol, e não um jantar com meu sogro. Tem que ter aquele que chuta o pau da barraca e sai correndo ... sempre.

Abaixo vai um vídeo de um cara que merece respeito nesse aspecto.



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sexta-feira, 9 de março de 2012

Vida profissional e a falsa racionalidade


Quando somos crianças pensamos: “O que vou ser quando crescer?” Lembro que eu já quis ser um monte de coisas, principalmente jogador de futebol. Quando vamos crescendo, paulatinamente vamos perdendo um pouco dessa magia e entrando na vida racional, administrada, na qual passamos a ponderar as conseqüências práticas de nossas escolhas, que normalmente estão relacionada a dinheiro.

Nossos pais nos ensinam que dinheiro não é tudo, mas experimenta dizer que seu sonho é ser ator. Essa busca em ter uma vida confortável e alto poder de consumo está entranhada de tal forma em nossa sociedade, que basta ver as concorrências dos vestibulares para se ter tal noção. Medicina é top, sempre batendo 80, 90 por vaga a concorrência, quanta gente cheia de “vontade” em ser médico heim! Direito, odontologia, Eng. Civil, sempre cursos bastante requisitados, enquanto aqueles com menores oportunidades de enriquecer vão ficando de lado. A conseqüência disso são profissionais mal humorados, estressados, ou que cometem erros grotescos em suas funções. Penso que essas pessoas não ponderam muito bem suas escolhas, é uma espécie de contradição, querem se tornar mais racionais, mas essa racionalidade é um mito, porque se restringe ao campo econômico.

De que serve dinheiro se não poder trocá-lo por bem estar? Se dinheiro é igual a bem estar, porque as pessoas trocam bem estar por dinheiro? Que loucura não? Tudo que o sujeito faz na vida é buscando aumentar seu nível de prazer, seja através do sexo, comendo, amando, bebendo, trabalhando, etc. Se o indivíduo trabalha em algo que não gosta por conta da grana, ele está trocando bem estar por bem estar.

Outra coisa complicada de entender são as pessoas que vivem para o trabalho, pegando jornadas imensas ou assumindo mais de um emprego, tudo em nome de um futuro financeiro confortável. Trocando em miúdos, garantir uma boa velhice. O fato é que antes uma boa juventude do que uma boa velhice, velho não pode comer o que quer, não faz sexo, tem pouca disposição, etc, então pra que porra serve uma velhice com o rabo cheio de dinheiro?

É muito mais racional fazer o que gosta e tentar ganhar dinheiro com isso, você pode não conseguir unir as duas coisas, mas na pior das hipóteses terá pelo menos uma delas. Então segundo a lógica, é irracional trabalhar naquilo que não gosta só pelo dinheiro, e também nem um pingo racional guardar dinheiro em troca da perda de seu lazer. A sociedade capitalista tem essa ilusão da razão, as pessoas agem achando serem mais racionais, quando na verdade saem de um mundo mágico para entrarem em outro, o ser dá lugar ao ter, mas não deixa de ser magia, fetiche.

".... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."
(Dalai Lama)

"Feliz foi o homem que morreu com a conta bancária zerada!" (Rafael Almeida)

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