quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Celebridades e os campos de valores


Eu não entendo por que as pessoas tendem a observar tanto as celebridades pelo lado pessoal, e não pelo profissional. É irritante ver fãs discutindo porque alguém disse que seu ídolo é gay, mercenário, ou metido, e blá blá blá. Algo irritante também é ver pessoas tentando tirar o crédito do trabalho de alguém por questões que não tem nenhuma ligação com a carreira profissional do indivíduo.

Dia desses recebi um e-mail de uma psicóloga escaldando Cazuza, dizendo que ficou assustada com o filme sobre ele, que o mesmo não é exemplo para os jovens, por que era traficante, gay, drogado, porra louca, etc, etc. O e-mail era uma espécie de apelo para que os pais não deixem seus filhos cultivar esse tipo de ídolo. Certo, Cazuza realmente foi um traficante, porra louca, drogado, etc. Mas ai me pergunto: E kiko?

Outro caso bizarro foi Lobão no programa de Raul Gil, naquele quadro de tirar o chapéu (eu realmente não sei por que estava assistindo isso, mas enfim ... ), onde o mesmo não tirou o chapéu para o jogador Kaká porque o atleta se casou virgem. Ele definiu Kaká como o Júnior (da ex dupla Sandy & Júnior) do futebol brasileiro. Eu não sabia que existia uma ligação entre futebol e sexo, será que quanto mais tempo a pessoa demorar pra fazer sexo, mais curta será sua carreira? Ahhh ... deve ser por isso que Kaká está com tantos problemas na virilha!! Realmente Lobão, você tem razão, é um absurdo um jogador de futebol se casar virgem.

Recentemente tivemos outro exemplo desse comportamento das pessoas nas eleições presidenciais, quando pessoas ligadas ao candidato Serra dispararam acusações via e-mail contra a candidata Dilma, acusações de que ela seria lésbica! Ohhhh ... que absurdo! Como uma lésbica pode governar um país?

Eu não quero saber se Cazuza era porra louca e criminoso, não quero saber se Kaká casou virgem ou não, muito menos se Dilma é lésbica, isso não tem ligação nenhuma com o que essas pessoas representam publicamente. Cazuza foi músico, e não um político, ele não tem que dar exemplo de moral a ninguém, quem é fã dele, é por suas músicas, e ponto final. Kaká é jogador de futebol, sua vida sexual nada tem a ver com sua profissão. Quem poderia reclamar da castidade dele seria sua namorada, e não os apreciadores do esporte. O mesmo vale para a presidente eleita Dilma, sua orientação sexual não tem nenhuma relação com sua função.

Então pelo amor de Deus!! Vamos parar com essa babaquice! Vamos aprender a separar os campos de valores, o campo de valor político não tem relação com o campo de valor moral no que se refere à orientação sexual. Se Dilma tivesse o caráter de Cazuza, ai sim isso poderia ter implicações, a final, ser traficante e drogado tem relação com o campo de valores da política.

Eu sou fã desse indivíduo aqui, André Matos.



Mas eu estou pouco me lixando para coisas relacionadas à sua vida externa ao campo musical. Muitos fãs babacas ficam discutindo se ele é gay ou não, eu restrinjo-me ao André Matos músico, pra mim pouco importa se ele queima ou não a rosca. Agora se eu ficar sabendo que algumas de suas músicas foram plagiadas, ai sim ele cairia em meu conceito, pois isso é uma ética do campo musical. Fora desse espaço, é tudo retardisse de fã. Eu não sou mãe do André Matos!!

É claro que separar completamente os campos de valores não é assim tão fácil, em um caso como o do goleiro Bruno, fica complicado o fã continuar o tendo enquanto ídolo depois do ocorrido, mas ali é um caso extremo, pois tratou-se de um crime hediondo e de uma forma que chocou o país. O que defendo é que as pessoas tenham o mínimo de discernimento nesse aspecto.


Esse indivíduo aqui é soberbo, uma das criaturas mais arrogantes do meio musical, mas é um puta de um guitarrista, e é isso que importa para seus fãs, ou ao menos para uma parte dos fãs. Isso não quer dizer que não faz diferença alguma ser ou não arrogante, quer dizer que ser arrogante não invalida sua competência.

As celebridades são pessoas normais, isso todo mundo sabe, mas a maioria não consegue internalizar. As pessoas parecem que vêem seus ídolos como seres “sintéticos”. É preciso ser um pouco mais racional e sensato para analisar a carreira dessas pessoas, e principalmente saber separar os campos de valores.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Xenofobia, uma história contada pela vítima!


Xenofobia, aversão a indivíduos de outros países, regiões ou cidades. Um tipo de preconceito que está em destaque no momento por conta do caso de Mayara Petruso, que disparou frases xenofóbicas no twitter. A xenofobia especificamente desse caso se refere-se ao preconceito do pessoal do sul/sudeste do país em relação ao pessoal do norte/nordeste, sobretudo o nordeste. É um preconceito que toma referência do nordestino como pessoas burras e pobres principalmente, mas o que é mais explícita é a rotulação de burro. Eu já fui vítima de xenofobia, certa vez conversando com uma goiana no MSN, a mesma disse algo que não compreendi, então disse que não havia entendido, então ela disse: - Não entendeu? Entendo, você é bahiano! Sim, ela escreveu bahiano! O destino me deu a faca e o queijo na mão, então além de dar um grande sermão nela, revidei chamando ela de burra e pedi para que aprendesse a escrever antes de chamar alguém de burro. Obviamente que minha agressividade foi por conta do preconceito, e não pelo erro em si.

Mas por que existe esse rótulo de nordestino burro? Será que ele tem cabimento? De fato os índices sociais - que incluem educação - são piores no nordeste quando se compara com o sul/sudeste, principalmente com o sul. Esses índices geraram pobreza, o que fez com que os nordestinos na década de 70 saíssem para buscar melhores condições de vida no sudeste e sul, principalmente sudeste. Boa parte da composição das favelas das grandes metrópoles desses lugares nasceram desse processo. Bando de filhos da puta esses nordestinos, não é mesmo? Vão para lá se apropriar do que não é deles! E ainda levam a marginalidade junto! Certo, mas como ocorreu todo esse processo?

Voltando um pouco no tempo e ampliando um pouco o conceito, remetemos à questão africana. Nós nordestinos também não podemos posar de vítimas do processo como um todo, já que reproduzimos aqui o mesmo tipo de preconceito, quando discriminamos os africanos. Da mesma forma que o pessoal do sul/sudeste também sofre discriminação enquanto brasileiros lá fora. É somente uma questão de foco. A questão a ser tratada aqui é como essas regiões se tornaram tão diferentes em termos de desenvolvimento. É um erro tratar o desenvolvimento de uma região de forma separada, o desenvolvimento se dá como um todo, o processo que tornou a Europa desenvolvida foi o mesmo que tornou a África e a América Latina subdesenvolvidos. O processo que tornou o nordeste uma região subdesenvolvida (no âmbito nacional), foi o mesmo que tornou o sul/sudeste desenvolvido. Acontece que o modo de produção capitalista se desenvolve criando desigualdades, faz parte da essência do sistema, para se tornarem desenvolvidos, os europeus precisaram explorar os africanos e os latino-americanos, no primeiro momento sob a forma de estabelecimento de colônias, e no segundo momento sob imperialismo no comercio internacional. Da mesma forma, o sul/sudeste é mais desenvolvido que o nordeste porque para haver um processo de desenvolvimento dependente no Brasil, houve a “necessidade” da manutenção de um dualismo estrutural no Brasil, onde basicamente as regiões agrárias (norte/nordeste) alimentaram o processo de industrialização do sul/sudeste. Alguns teóricos até usam o termo sub-imperialismo para designar esse processo. Não vou entrar nos pormenores aqui porque o texto ficará muito grande, e o assunto aqui não é economia, mas quem quiser se aprofundar, autores como Fernando Henrique Cardoso e Celso Furtado tratam do assunto.

Então a xenofobia em si não faz sentido. Todos somos resultado de um mesmo processo, processo esse onde uns foram desfavorecidos no fim das contas, e outros favorecidos. E vamos pensar em xenofobia também de forma mais abrangente e menos conveniente, vamos pensar na forma como discriminamos os africanos, tanto racialmente quanto intelectualmente. O ser humano essencialmente é igual no âmbito geral, o que nos torna diferentes são as ações cultivadas ao longo da história.

Fazemos parte da mesma região, nossa região chama-se Planeta Terra!

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amigos Descartáveis


Amigo descartável é aquele que estabelecemos uma relação relâmpago em algum momento de nossa vida. Seja em uma enorme fila, seja em uma viagem de transporte coletivo, essas pessoas preenchem nosso tédio ou nossa ansiedade naquele espaço de tempo. Comigo já ocorreu algumas vezes, sobretudo em ônibus, quando você começa a conversar com aquela pessoa durante a viagem, algumas vezes o papo é muito bom, a viagem termina, você se despede daquela pessoa para muito provavelmente nunca mais a encontrar de novo.

É algo um tanto estranho, ao menos eu acho, se despedir para sempre de uma pessoa que você conversou por horas. Algumas pessoas inclusive tem facilidade de se abrir, 10 minutos de conversa com seu amigo descartável e já está falando sobre coisas bastante íntimas, isso às vezes me assusta. Aliás, comigo isso é bem freqüente, não sei por qual motivo as pessoas vêem em mim uma pessoa que está disposta a escutar confissões, e mais do que isso, ver em mim uma pessoa de confiança.

Às vezes quando gosto do amigo(a) descartável fico com vontade de manter contato, mas quando se trata de mulher, se você pede o msn ela vai achar que você está a fim dela, então é meio complicado, já fiz isso algumas vezes, mas as pessoas estranham um pouco. Eu não sei se só eu acho estranho se desvincular do amigo(a) descartável sem nenhum pingo de apego, mas a maioria acha estranho se você pedir o orkut, msn ou qualquer outra forma de contato. Alguns ficam em minha memória, e às vezes lembro e penso: “Como será que essa pessoa está?” Só eu faço isso será?

Existe também os amigos descartáveis chatos, são os que conversam de mais, e geralmente coisas chatas e repetitivas, esses tem certa compulsão por conversar, então estão sempre à espreita de uma “presa” para alugar, sempre à caça de um amigo descartável. Nesse sentido, é necessário aprender a identificar os amigos descartáveis chatos, vou ensinar algumas técnicas. Um dia desses, estava eu no ponto para pegar ônibus para Cachoeira, um cara no ponto me viu e falou comigo: - E aê! Eu não o conhecia, mas cumprimentei o rapaz. Daqui a pouco ele perguntou se eu estava indo para Cachoeira, e eu respondi que sim, foi quando ele lançou: - Cachoeiraaaa .... ê cidade quente! Chato detected!! Corra! Essa forma de puxar uma conversa é típica de uma pessoa chata. Como detectei logo, não dei adiantamento pra cortar pela raiz, sentei longe dele no ônibus. Então esses comentários são comuns desse tipo de pessoa, falar do clima, chuva, falar de política do nada .... é típico de chatos, em muitos casos são da 3ª idade. Existe também os que começam a reclamar de algo, pra que você comente sobre a reclamação dele, é ai que ele te prende. Então aprenda a evitar essas pessoas. A não ser que você seja uma pessoa caridosa a ponto de não se incomodar com isso.

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sábado, 30 de outubro de 2010

O "lunático" Plínio Arruda e a construção da ruptura. Onde estamos pisando de fato?


Esse texto está sendo escrito de certa forma um tanto tardia, é verdade, deveria ter sido escrito durante o 1º turno das eleições. Mas como eu escrevo inspirado em inquietações, e não só pelo momento oportuno, só agora resolvi posta-lo.

Estive refletindo sobre essa questão do rompimento político aqui no Brasil, como seria, e isso foi assunto de um debate ocorrido em sala de aula também, na matéria do professor Diogo. Observo muitas pessoas criticarem o Lula pelo mesmo não ter rompido com a estrutura política, econômica e social aqui no Brasil, alegando ser essencial esse rompimento (e eu assino em baixo). Boa parte dessas pessoas votaram no candidato Plínio Arruda do PSOL, por achar que é o candidato que pode romper essas com estruturas aqui no Brasil. Mas fico a refletir, será que essas pessoas sabem em que chão estão pisando?

Por outro lado tem as pessoas que votam no PT ou no PSDB que chamam Plínio de louco, por achar que suas propostas são impraticáveis. Será que essas pessoas também sabem em que chão estão pisando pra fazer esse tipo de julgamento?
Vamos analisar como seria Plínio Arruda no poder? Além disso vamos fazer de conta também que ele teria base política na câmara e no senado para ter viabilidade de governar.

Em 1º lugar, antes dele vencer as eleições, só o fato de ele estar na frente das pesquisas eleitorais, isso geraria uma tremenda fuga de capitais do Brasil, fuga de capitais também representa fuga de dólares, que acarretaria em disparo do dólar, déficit na balança de pagamentos (balança financeira + balança comercial), disparo do risco país, dentre outros efeitos por tabela. Ao se eleger esses efeitos se agravariam ainda mais, devido à total desconfiança dos investidores estrangeiros que tem capitais aplicados aqui. Os investimentos no setor real também cairiam vertiginosamente pelo mesmo motivo. Ao tomar medidas como auditoria da dívida externa, onerar as grandes riquezas e aluguel compulsório dos imóveis inutilizados, a desconfiança e descontentamento dos investidores chegaria a níveis alarmantes, risco país “estourando”, investimentos no setor imobiliário indo para as cucuias, dentre outros efeitos. Enfim, crise generalizada no setor real e financeiro, dólar disparado, desemprego e instabilidade total.

Nesse sentido, o que Plínio (e a esquerda de verdade) propõe não se encaixa com essa lógica de acumulação capitalista que vivenciamos, romper com a estrutura social, política e econômica significa ônus pesado para todos nós, desde a classe A até a classe C e D. Mas a esquerda no poder, no caso, Plínio, se ele realmente pretende fazer todos esses rompimentos, nessa conjuntura o que ele faria é convocar a população para o apoiar, e recomeçar praticamente do zero, construir uma nação mais justa socialmente, juntar os cacos do caos econômico e social e reconstruir a economia em outra lógica, retirando drasticamente os privilégios da burguesia para socializar com as classes menos favorecidas. No primeiro momento então teríamos crise profunda, e em um segundo momento políticas de socialização das riquezas e implantação de uma nova lógica de acumulação e de política econômica e social, e no 3º momento o arranco econômico sob outro prisma. Seria a demolição de uma casa para construção de outra.

O que eu quis dizer com tudo isso? Primeiramente que não basta dizer “Eu acho certo dar calote na dívida”, “É um absurdo a concentração de terras no Brasil” e blá blá blá. Para mudar isso a sociedade terá que comprar uma briga, e comprar uma briga significa arcar também com o ônus do processo. Será que nossa classe média de “esquerda” está disposta a passar por uma crise profunda? Será que essas pessoas tem consciência mesmo do que significa uma ruptura? É necessário saber onde pisamos, socialismo não é Alice no País das Maravilhas! Da mesma forma, para aqueles que encaram Plínio como louco desvairado, lunático, extremista (no sentido pejorativo), saibam que o que ele propõe não é para esse “mundo”, é para outro mundo que ele pretende construir, ou que ele defende.

Nesse sentido, esse texto não é para falar bem ou mal da esquerda e do candidato Plínio Arruda, mas sim mostrar (ou discutir) as implicações de um verdadeiro governo de esquerda no Brasil. Para ambas as partes, para os pseudo-esquerdistas “habitantes” do Reino Encantado, e para os conservadores bitolados que só enxergam o que está diante de seus olhos.

Obs: A todo tempo argumentei partindo do princípio que Plínio Arruda realmente efetuaria todos os rompimentos necessários que ele defende. Não o conheço suficiente para afirmar que realmente o faria, é apenas uma hipótese. E o uso do termo socialismo na figura e no fim do texto não quer dizer que Plínio implantaria um sistema socialista aqui em seu sentido literal, mas sim que o socialismo é bandeira de luta dele, e as mudanças efetuadas iriam de encontro ao grande capital.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Por que o povo de Feira é tapado?



Porque o povo de Feira de Santana é tão tapado? Fico surpreso com essa cultura (ou falta de cultura) do povo dessa cidade.

Feira de Santana é uma cidade de aproximadamente 700 mil habitantes, que se localiza a 110km da capital (próximo, se comparado com a maioria das outras cidades). É uma cidade que possui uma grande universidade, a UEFS, que atrai estudantes de todo o estado. Feira tem como principal atividade econômica o comércio, que é destaque em todo o estado.

A princípio não existe uma explicação muito clara a respeito da falta (ou baixo nível) de efervessência cultural daqui de Feira, que a meu ver é um caso peculiar. Existem coisas bizarras que ocorrem aqui que me causa espanto. Como uma cidade de 700 mil habitantes não consegue bancar a vinda de uma banda como O Rappa por exemplo? Há uns 3 anos atrás (aproximadamente) houve um show dessa banda aqui, juntamente com uma banda de Axé (não lembro qual), algo totalmente sem sentido uma mistura de tal tipo, mas tive a oportunidade de conversar com o produtor do show e ele alegou que no show anterior de O Rappa aqui houve prejuízo, não houve público o suficiente, daí a mistura com bandas mais comerciais para que haja viabilidade econômica de se trazer bandas desse tipo. Aliás, esse tipo de mistura tem ocorrido de forma frequente com outras bandas também.

Feira não tem uma cultura teatral, poucas peças, e as que tem são mal divulgadas e esvaziadas, sem contar quando atores sentem vergonha alheia com o comportamento por vezes tapado do público. Presenciei um desses momentos na peça "O Cabaré da Raça" do Bando de Teatro Olodum (ótima peça por sinal), quando a platéia dava gargalhadas com a citação de piadas racistas pelos atores. Detalhe, as citações eram puramente de cunho crítico.

Mas o que culminou a minha reação de escrever esse texto, foi o que observei no Festival Feira Noise. O Feira Noise foi um festival de música alternativa, que extrapolou esse caráter também, havendo diversas outras atividades culturais. Um festival muito bem divulgado, trazendo 22 bandas, dentre bandas da cidade e de outras cidades e estados. Um ótimo evento, mas o que observei foi o esvaziamento, o espaço do Teatro Amélio Amorin, que não é grande, ficou longe de ser preenchido, isso no sábado, o dia que fui. No inicio das apresentações estava ainda pior, estava uma vergonha completa, cerca de 20 ou 30 presentes, só depois de muito tempo outras pessoas chegaram e acho que deu para cobrir ao menos os custos do evento. Não sei como foi no domingo, mas com certeza não foi muito diferente, e se bobiar até pior. A grande quantidade de pessoas que chegaram muito tempo depois do inicio das apresentações demonstra também certa indiferença das mesmas com o evento.

O fato é que é complicado se pensar em qualquer evento aqui que seja diferente de Calcinha Preta, Chiclete com Banana, etc. Feira de Santana, pela quantidade de habitantes deveria haver muito mais participaçao nos eventos culturais, assim até estimularia a ocorrência de outros. Mas é impressionante a falta de efervessência cultural dessa cidade.

Não quero entrar no discurso simplório de dizer que o feirense simplesmente é tapado porque é tapado mesmo, deixo isso para as resenhas de mesa de bar. Mas quero lançar a discussão, porque existe esse processo aqui? Será que é o caráter comercial da cidade, que faz com que as pessoas não criem raízes com Feira, sendo que boa parte da população está aqui de passagem? Será que a UEFS não consegue contaminar a cidade com suas pulsões culturais? Ou será até que não existe pulsões culturais suficientes na universidade? Será que Feira "cheira" a trabalho? De tal forma que seus habitantes se tornaram racionais ao ponto de pensarem somente em ganhar dinheiro? Ou será tudo isso junto?

Enfim, está lançada a questão, talvez identificando o "problema" possa-se estabelecer formas de incentivo à cultura aqui em Feira, e quem sabe Tabarópolis (como diria meu grande amigo e ex orientador Ricardo Caffé) um dia se torne um berço cultural?

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Aborto, uma concepção de vida!


Discutir legalização do aborto é algo complicado e polêmico, mas como adoro temas polêmicos, não poderia deixar de lançar minha opinião.

O discurso nesse aspecto tem tomado um caráter totalmente racional, frio, calculista, estão tentando excluir o juízo de valor da discussão sobre aborto, e isso eu acho inútil.

As discussões, sobretudo acadêmicas sobre legalização do aborto estão tratando o assunto como uma questão de saúde pública. Eu até concordo que a saúde pública deve ser pauta da discussão, mas não somente, não existe como excluir o juízo de valor desse tipo de discussão, é no mínimo uma forçação de barra esse discurso, é uma estratégia do pessoal que é favor da legalização, tentando tornar racional o discurso, apresentando dados sobre a mortalidade de mulheres pobres que fazem aborto de forma clandestina. Nesse sentido, o principal argumento desse pessoal é legalizar, para que as mulheres pobres possam fazer aborto de forma segura, já que legal ou não elas fazem do mesmo jeito.

Acontece que esse pensamento é equivocado, a lei tem uma capacidade imensa de transmitir valores para a sociedade. Basta observar o preconceito que a sociedade tem com as drogas ilegais, e a aceitação que tem com as drogas legais, ou seja, as opiniões sobre nossos posicionamentos tem forte influência da lei, do que é formalmente aceito. Nesse sentido, legalizar o aborto terá forte influência na forma pela qual as pessoas concebem o aborto, então as pessoas que são contra jamais concordarão com a legalização, mesmo sabendo que quem quer fazer faz mesmo sendo ilegal.

Não há como separar essa questão do juízo de valor, para quase todas as religiões o aborto é um assassinato, e nada, nenhum dado ou argumento fará esses religiosos aceitarem a legalização, porque seria como legalizar o assassinato. A biologia tenta arcar com a responsabilidade de conceituar a vida do ser humano, então o discurso utilizado é de que existe vida a partir do momento que existe cérebro. Esse é um critério igual a qualquer outro critério, eu posso muito bem dizer que a vida começa a partir do momento que existe coração batendo, ou que existe um zigoto, e eu não estaria menos correto que nenhum cientista. A final, o critério geral sobre a vida é de que existe vida a partir do momento que existe célula, ou seja, o critério sobre a existência de vida humana não está definido a priori, ao menos não do ponto de vista lógico da coisa (como é o caso do critério sobre existência de vida no geral).

Nesse sentido, acho inútil discutir aborto como uma questão de saúde pública apenas, e sendo uma questão que inevitavelmente perpassa sobre questões de valor, de concepção de vida, acho totalmente inútil discutir legalização do aborto. A meu ver o que precisa ser feito é um referendo sobre essa questão, é o mais justo, e representa a vontade da sociedade.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

O advento da distribuição imaterial da música


Que o surgimento do formato MP3, e os posteriores derivados, como WMA, dentre outros, foram (e estão sendo) um marco em relação à produção e distribuição musical, isso todos nós sabemos e estamos cansados de ler e ouvir falar sobre o assunto. O que não sei se a maioria das pessoas pararam para refletir é sobre o que significa isso para a relação do artista com o fã.

O mundo está se tornando cada vez mais prático, rápido, dinâmico, hoje as pessoas não levantam mais para mudar o canal da TV, podem “fazer” uma pizza em um minuto, falar com qualquer pessoa de qualquer lugar a qualquer momento, etc. Dentre essas coisas, elas podem também agora obterem o álbum da banda ou músico que quiserem em 15 ou 20 minutos (ou até 5 a depender da conexão) através do download. As pessoas fazem isso automaticamente, sem notarem a distância que esse processo está estabelecendo entre fãs e artistas.

O álbum é a representação material de uma obra imaterial, nesse sentido ele passa a ser então uma representação simbólica da obra. O processo de desaparecimento da representação simbólica da música, a meu ver, teve inicio com o surgimento dos CDs, pois a partir daí surge a pirataria. O álbum pirata não produz o mesmo efeito simbólico que o original, pois o mesmo não cria uma identidade entre o fã e o artista, não é a produção do artista, é uma cópia vulgar, barata e transgressora, já que é contra a lei. Antes disso, na era dos discos de vinil, existia uma maior identificação do artista com seus fãns, não existia pirataria (não que eu saiba ao menos), as pessoas compravam os álbuns por um preço que não era banal (isso é importante), e assim estabeleciam uma relação mais forte com o artista, o álbum nesse caso seria o mediador dessa relação. O crítico de arte John Ruskin, defendia que a obra de arte é um bem de luxo, portanto não pode ser vendida a um preço banal, isso faz todo o sentido.

O álbum nesse sentido, faz parte do processo de apreciação (ou apreensão) musical, o indivíduo que compra um CD original, ele no primeiro momento olha a capa, depois a contra-capa, tira o encarte, olha as fotos, as letras, todo o trabalho artístico ali presente, além de estar contribuindo e participando oficialmente (estatisticamene) daquela produção. Então existe uma espécie de ritual para apreensão da obra, ele se sente parte do processo. O antigo fã dos Beatles exibia com orgulho sua coleção de discos da banda, era a representação materializada de sua relação com a mesma, da mesma forma que um fã de Shakespeare exibe com orgulho sua coleção de livros do autor. Com essa tecnologia do download, mais do que isso, com a cultura do download e da imaterialidade total da produção musical, fica mais fluida a mediação entre artista e fã, fica mais fluida a identificação entre ambos também, não consigo imaginar um fã exibindo com orgulho sua coleção de arquivos dos Beatles (ou qualquer que seja) em seu computador. Isso não o representa enquanto fã, porque além das obras serem imateriais, a aquisição da mesma foi de graça e extremamente fácil e rápida.

Nesse sentido, a imaterialidade da distribuição das obras musicais, contribuindo para sua banalização, tem efeitos positivos e negativos, positivos porque facilita a distribuição, isso não pode ser negado, mas negativos por tornar mais fluida a representação da obra e o valor que os fãns atribuem à mesma.

Fazendo uma analogia, transformar um álbum em um arquivo de MP3, seria como transformar uma carta de amor em uma conversa por telefone.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Prostituição do profissional acadêmico


Se prostituir em uma profissão oriunda da academia nada mais é do que simplificar ou reduzir 4 ou 5 anos de estudo a assuntos banais ou vulgares. Geralmente é um processo promovido pela mídia, sobretudo a mídia sensacionalista. As profissões mais banalizadas são: Economista e psicólogo.

A cada 15 dias o Fantástico faz uma reportagem sobre economia doméstica, eles tentam mudar a abordagem, chegando até a colocar os filhos da família para comandarem o processo, mas no fim é sempre aquele mesmo tema massante. Ai sempre no fim da reportagem eles pegam tipo um doutor em economia pela UNICAMP para ensinar à família como economizar nos gastos domésticos. O economista acaba aceitando porque ele quer aparecer na “Plin Plin”, e a produção do programa quer ele lá para dar um ar de cientificidade (quase não consegui digitar essa palavra) na matéria, então fica esse pacto de mediocridade. Realmente existem algumas dicas que são importantes para se economizar nas despesas domésticas, mas 90% da economia não existe necessidade alguma de um terceiro para dar palpite, muito menos de um economista gabaritado. Economizar é simples, o problema é que as pessoas não querem mudar de padrão de vida e esperam que alguém lhe ofereça uma fórmula mágica para economizarem sem ônus nenhum. Quer economizar? Substitua o Nescal pelo Mágico; substitua o OMO pelo Ala; largue de ser preguiçoso e vá comprar pão naquela padaria mais longe que o pão é mais barato; pare de dormir com a TV ligada (o sleep time serve pra isso), é assim que se economiza. Enfim, eu morro de vergonha alheia quando vejo um economista com a calculadora na mão em uma reportagem do Fantástico, tentando inventar algo de novo na economia doméstica. No fundo ele sabe que é uma babaquice, mas ....

Com o psicólogo a sacanagem é ainda maior. Acontece muito dos programas pegarem um caso bizarro, tipo o do goleiro Bruno, e perguntarem a um psicólogo: “O que leva uma pessoa a fazer o que ele fez?” Nesse momento o alarme da vergonha alheia berra! Eu sinto vontade de desligar a TV, mas meu lado sádico me faz continuar ... hehe. O psicólogo sem saber o que falar, diz o que qualquer pessoa leiga fala: “Ele não soube lidar com a fama e o dinheiro” (só que ele fala isso de forma mais rebuscada para parecer menos ridículo). Mas é obvio que ele vai dizer isso! Ele não conhece Bruno, não acompanhou Bruno, não sabe como foi a infância de Bruno, nunca se quer conversou com o cara, querem que ele diga o que? Mas se ele aceitou estar se sujeitando a isso, não pode reclamar.

Outra coisa bizarra é colocar os psicólogos naqueles programas sensacionalistas tipo “Casos de Família”, nesse caso os níveis de vergonha alheia alcançam o clímax, é a verdadeira prostituição do profissional. Eles colocam um tema tipo “Minha filha(o) não quer trabalhar, o que eu faço?” Ai lá está uns 5 casos, filhos(as) e mães relatando seus casos, e claro, um(a) psicólogo(a) para orientar. A vergonha alheia já começa por haver uma pessoa naquele ambiente tentando levar aquilo tudo a sério (é muito cômico), sem falar da forçação de barra que é o psicólogo dando um diagnóstico dos casos ali, na hora, sem ter acompanhado ninguém, sem conhecer ninguém, enfim, mas o mais bizarro é realmente ele tentando transformar toda aquela palhaçada em algo sério.

OBS: A foto procurei no Google Imagens, essa foto é do Blog da Adriana Esteves, por isso tá esse site abaixo da foto, eu não tive saco pra tirar ele no Paint.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

6 coisas que não fazem sentido!



Ai estão 6 coisas que não fazem o menor sentido!

1 – Mulheres que pintam as unhas dos pés para calçar sapato: É um comportamento “inintendível” feminino, as mulheres vão pra uma festa a noite, ai durante o dia fazem as unhas dos pés, para depois irem à festa de sapato. Acho inclusive que isso pode refutar a teoria de que as mulheres se arrumam para as outras mulheres, acho que elas se arrumam para si mesmas, para se sentirem lindas e poderosas. É uma auto-consagração de sua beleza (isso foi forte).

2 – Vice: A existência do vice não faz o menor sentido, seja vice prefeito, vice governador, presidente, enfim ... A única utilidade do vice é assumir o cargo na falta do efetivo. Ou seja, quantos vices existem no Brasil, desde governadores, prefeitos, etc? O fato é que a sociedade gasta tufos de grana pagando esses caras pra absolutamente NADA. É uma questão de fácil resolução, basta, por exemplo, o presidente eleger um de seus ministros o vice, na ausência do presidente ele assumiria. No caso de prefeito, ele escolheria um de seus secretários, e assim também para governador. Até porque com o avanço dos meios de comunicação, pode-se delegar ordens e administrar mesmo a distância, o que reduz ainda mais a necessidade de alguém que substitua o efetivo.

3 – A Cultura do “pegar o resto da amiga”: Mais um comportamento feminino “inintendível”, e se apresenta de 2 formas opostas. Dentre as mulheres existe uma regra implícita em relação a relacionamentos afetivos. Se um cara fica com uma mulher e depois vai atrás da amiga dela, ela não ficará com ele porque segundo as mulheres ela estará pegando “o resto da amiga”. Da mesma forma se acontecer o contrário, se o cara levar um fora de uma mulher, na verdade ele está levando o fora de todas as suas amigas juntas também, pelo mesmo princípio de “não pegar o resto da amiga”. Tem lógica uma porra dessa??? Quer dizer que se o cara fica com uma desconhecida ou leva fora de uma desconhecida, a mulher não estará pegando o resto de ninguém, mas se for amiga é resto ... ai ai viu .... “Me deixe viu Varela!”

4 – Comprovante de depósito: Comprovante de depósito não serve pra porra nenhuma! Eu posso muito bem “depositar” R$ 1000,00 na conta de alguém e colocar o envelope vazio que sairá o comprovante de depósito constando que eu depositei os R$ 1000,00. Ou seja, na verdade o que comprova o depósito é o beneficiário confirmar o recebimento. Nesse sentido, para comprovar basta a pessoa informar ao beneficiário o horário do depósito e o valor, se bater com seu extrato, está confirmado. Então vamos ajudar a salvar nossas árvores, vamos fazer a campanha: DIGA NÃO AO COMPROVANTE DE DEPÓSITO!

“Colé vei, quer me fuder?”
(Maconheiro sobre a campanha)

"Acabar com os comprovantes de depósito é uma de nossas principais bandeiras"
(Marina Silva sobre a campanha)

5 – Papel Higiênico perfumado: É outra coisa que tento entender ... você já colocou desodorante com corpo suado? Fica aquele cheiro forte horroroso de perfume misturado com catinga não é? O mesmo princípio vale para papel higiênico perfumado. Pra que diabos a pessoa quer perfume no rabo? E quem acha que o perfume disfarça o mal cheiro da lixeira, está enganado, porque piora, fica aquele cheiro bizarro de merda perfumada. Portanto, papel higiênico perfumado não faz o menor sentido.

6 – Pedir a Deus depois do fato consumado: É uma mania que as pessoas tem de pedir a Deus ajuda depois que já não tem mais jeito, tipo: O sujeito faz uma prova e pede a Deus pra passar. Porra! Tu quer que Deus faça o que? Que ele faça com que o professor fique tonto na hora da correção e não perceba seus erros? Ou que ele faça uma mágica e mude o que está escrito na prova? É no mínimo uma sacanagem com Deus! Quando uma pessoa pede isso a ele acho que ele sente vontade de rumar um raio na cabeça dessa pessoa.
Portanto, se você quer ajuda de Deus, peça antes do fato estar consumado, para que ele possa te ajudar, no caso da prova, peça ajuda antes de fazer a prova.

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