quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ensino superior Público X Privado ... Até onde vale essa "guerra"?


Vivemos uma época de expansão das faculdades particulares, sobretudo daquelas à distância. Essa expansão tem origem nas leis que facilitam a implantação dessas instituições, e dos sistemas de financiamento do governo, como FIES e PROUNI. À medida que cresce o número dessas faculdades, cresce também a valorização simbólica em torno da faculdade pública, de modo que os estudantes destas constantemente reafirmam o valor e a qualidade das mesmas. Frases como “Hi ... foi mal, a minha é federal!” podem parecer algo sem importância, mas elas tem forte poder de enriquecimento simbólico.

Essa é uma questão complicada, porque ao mesmo tempo que ela é necessária, também criou algo destrutivo, que é o preconceito com alunos de faculdades particulares. A meu ver essa valorização simbólica é necessária para fortalecer a instituição pública, nesse sentido, o diploma de uma faculdade pública “falar mais alto” (a menos a princípio) que de uma particular a meu ver de certa maneira é importante, ainda que em certos casos essa valorização seja muito mais simbólica que concreta.

No entanto, tenho percebido que isso tem criado certo preconceito com os alunos das faculdades particulares, a coisa está saindo do campo da afirmação e partindo para o campo do sectarismo. Isso fica bastante evidente no comportamento dos estudantes de faculdades privadas, que sempre costumam ressaltar o quanto sua faculdade é difícil e boa. É preciso colocar as questões em pratos limpos, no geral as faculdades públicas são melhores, isso é indiscutível, basta comparar a pesquisa e extensão existente nas públicas em relação às particulares. Mas essa valorização está tomando um caráter preconceituoso, de modo que as pessoas duvidam da capacidade de um aluno da particular, os próprios alunos do ensino superior privado sentem vergonha de onde estudam. Duvida? Pergunte a uma pessoa qual curso ela faz, se ela estuda na pública muito provavelmente vai responder: Ex: “Faço nutrição na UFBA!” Se ela for da particular vai dizer: “Faço nutrição!”. Ou seja, ela não diz o nome da faculdade. Eu já presenciei situações de a pessoa ficar constrangida em dizer onde estuda, isso é complicado.

Estudar em faculdade pública não é sinônimo de maior inteligência ou capacidade, alguns cursos de baixa concorrência por exemplo é bastante fácil entrar. Sem contar que tem um monte de gente que se forma aos trancos e barrancos, alguns na base da pesca, outros fazendo final em quase todas as disciplinas, outros comprando trabalhos e a monografia na internet, e por ai vai. A instituição ajuda bastante, fato, mas não define a qualidade de nenhum profissional.

O recado que deixo então para ambas as partes é o seguinte. Se você estuda na instituição privada, por favor, não fique ressaltando que seu curso é difícil, isso é chato e só mostra o quanto você está insatisfeito lá. Para os estudantes das faculdades públicas, não menosprezem os alunos do ensino privado, futuramente um deles pode ser seu patrão, quem sabe?

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Novelas .... Por que elas são assim?


“Novela é assim mesmo!” Quem nunca escutou essa frase? Novela (uso o termo para me referir especificamente à telenovela) já sabemos como é ... previsível, mal feita e mentirosa. Quando surge alguma crítica em relação à vulgaridade na elaboração das mesmas, sempre se usa o argumento de que novela é assim mesmo. Mas por que será que novela é assim? Será que precisa realmente ser assim?

Existem alguns elementos que são realmente entraves que atrapalham na elaboração de um enredo de qualidade quando ele toma o caráter de novela, eles são basicamente os seguintes:

1º O caráter da produção: A novela é uma produção voltada inteiramente para o entretenimento, a proposta não é de oferecer algo de qualidade, mas sim de atrair audiência. É claro que o cinema precisa de bilheteria também, até para justificar o investimento, mas os filmes são divididos em categorias, existe filme para todo tipo de pessoa. Obvio que os filmes que um intelectual assiste não são os que passam na Sessão da Tarde. No caso das novelas é complicada essa divisão em categorias, já que uma rede de TV só pode transmitir uma novela por vez, a Globo não pode transmitir 3 ou 4 novelas em horário nobre ao mesmo tempo. Nesse sentido, a preferência é sempre uma produção que atinja a massa.

2º A divisão da exibição: Novela é diferente de filme, ela é exibida diariamente em capítulos (normalmente), dessa forma, o autor e diretor precisam organizar o enredo do modo que todos os dias aconteça algo marcante no fim do capítulo, para estimular o telespectador a assistir no dia seguinte, isso compromete em certa medida a existência de um enredo bem elaborado.

3º A necessidade de polimento: Como são produzidas para a grande massa, para população no geral, os enredos não podem conter elementos que possam causar repulsa em parte das pessoas, então são retiradas cenas fortes de violência, de sexo explícito, palavrões, críticas incisivas, etc. Além do polimento tem a questão da censura pela qual os produtores precisam tomar cuidado.

4º A falta de exigência do público médio: O público médio geralmente não é exigente, isso de certa forma acomoda os produtores a oferecerem algo de melhor qualidade.

5º A amplitude de núcleos: Diferente das séries, as novelas geralmente tem vários núcleos pelos quais o enredo transcorre, eles estão ligados a um núcleo central, mas tem uma independência relativa. Nas séries normalmente existe um núcleo central somente, o que torna mais fácil o trabalho da direção.

Tendo em vista os elementos apresentados, a única maneira de melhorar o nível das novelas é o público passar a ser mais exigente. Se o público médio mudar suas preferências as redes de TV terão de se adaptar, já que eles buscam justamente esse tipo de público.

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cala a boca, isso é ciência!


Muitas pessoas tem o costume de usar a atribuição científica para legitimar seu argumento. “Isso é provado cientificamente!” ou “Isso é ciência!”, são as frases mais comuns que se escuta em discussões a respeito de um tema qualquer. A ciência nesse caso é como um selo de garantia de qualidade, ou como uma “carta coringa” que se usa pra se vencer uma discussão, e o pior é que normalmente cola.

Primeiramente as pessoas nem param para refletir sobre o que é a ciência, tratam algo científico como uma verdade absoluta, inquestionável. Existem muitas definições de ciência, não existe um conceito exato sobre o termo, mas duas características que constituem a ciência são bem claras, a existência de um método racional para estudar o objeto, e de um critério. As pessoas na maioria das vezes nem se lembram em se questionar sobre os critérios que determinado estudo se utilizou, parece que ser científico põe o estudo em uma posição de blindagem. Os critérios utilizados para estudar algo podem ser equivocados, ou pode existir mais de um critério pra se estudar o mesmo objeto, e nem por isso deixará de ser ciência. Só para exemplificar, existe uma pesquisa que faz parte das estatísticas do IBGE chamada POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), dentre os critérios utilizados nos microdados da pesquisa, para caracterizar subnutrição eles usam um cálculo envolvendo peso e altura do indivíduo, um critério bastante questionável, já que não necessariamente peso em proporção à altura indica boa nutrição ou não. Mas a POF é uma pesquisa científica e rigorosa.

Outro erro é as pessoas confundirem explicação científica com prova científica. Tudo que é provado cientificamente é explicado, mas nem tudo que é explicado é provado. Nas ciências sociais por exemplo, a palavra “provado” quase não existe, o que existem são explicações. Explicar algo não é provar, pode-se fazer uma formulação rigorosa que explique determinado fenômeno, mas que não prove que a explicação é uma verdade. É ai que muitas pessoas usam a ciência pra legitimar seu argumento quando é conveniente, por exemplo: existe uma explicação social para as manifestações supostamente espirituais do candomblé, segundo alguns teóricos essas manifestações seriam representações psíquicas daquele contexto social. Certo, é uma explicação, mas não uma prova. À luz da sociologia não há como provar algo desse tipo, e essa explicação não necessariamente tem mais credibilidade que a explicação religiosa. Mas as pessoas (e até professores muitas vezes) usam a credibilidade desmedida que tem a ciência pra se impor em seu argumento: “Isso é um estudo científico!”, são colocações que inibem o “oponente” na discussão.

Mudando de ciência, indo para as ciências naturais, me irrita ver as pessoas tomando como fato algo que é uma mera hipótese ou teoria. Tem muitas teorias na biologia que explicam certas preferências através de necessidades biológicas, como aquela que diz que o homem prefere mulheres de ancas largas porque essa seria capaz fisicamente de ter uma gravidez de melhor qualidade, uma espécie de instinto do macho. E tem gente que trata isso como um fato, e não como hipótese. Falem isso para um sociólogo e vejam a resposta dele.

Ciência não é sinônimo de verdade, nem se deve usar o termo para fortalecer argumento nenhum, quem usa a ciência como escudo em discussões é porque no fundo sabe que seu argumento é questionável.

É isso, se leu expresse sua opinião clicando em uma das reações ou comentando. E se você pensou em criticar, vou logo avisando que esse blog é uma ciência.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Regionalismo Musical


“Você deveria escutar música de sua terra!” Quem nunca ouviu isso? É uma frase que você ou já disse, ou ouviu de alguém, ou escutou alguém falar para outrem. Ela é pronunciada principalmente por pseudo-intelectuais, que se acham cultos porque escutam Tom Zé. Essas pessoas acham que escutar, ou dar preferência a músicas de fora é uma espécie de alienação, de subordinação a outras culturas. Acho isso um tanto engraçado, porque a mesma pessoa que fala uma coisa do tipo, acha bonitinho quando um europeu se apaixona pelo samba, ou pela capoeira, estaria o europeu errado também? Quanto a isso acho importante colocar os pingos nos “is”.

Discriminação musical é algo que existe, não vamos também cair na ilusão de supor que não existe nenhuma resistência em aderir a estilos oriundos da periferia econômica, sobretudo em relação a ritmos africanos (isso em termo global), mas acontece que o mundo está repleto de estilos musicais divergentes, e as pessoas precisam ter a liberdade de apreciar aquilo que quiserem, que se sentirem mais atraídas. E nesse sentido também, supor que nosso gosto musical foi simplesmente formado pela sociedade não passa de outra asneira, o ser humano é uma mescla extremamente complexa de diversos elementos, reduzir todas as suas características de comportamento à influência do meio, para um pseudo-intelectual pode parecer Cult, mas pra mim é chulo ao extremo.

Voltando ao assunto em questão, quando falo de estilos, é necessário entender (ou aceitar) que nós não somos bons em tudo. Independente das causas, o Brasil pode ser o país do Samba, da Bossa Nova, do Forró, Sertanejo, etc, mas definitivamente não somos o país do rock por exemplo, e se for colocar em uma escala, nem entre os 5 primeiros ficaríamos com certeza. A Inglaterra está para o rock como a Brasil está para o samba, não existe rock no mundo que se compare ao rock inglês, e acabou! Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Yes, Iron Maiden, Black Sabbath, Rolling Stones, entre tantas outras bandas, fez da Inglaterra o país do rock, e não só em qualidade, mas também na originalidade. E não se trata somente de “dinossauros” do rock, existe um movimento recente no país, com uma sonoridade particular, que alguns chamam de progressivo moderno, de bandas como Muse e Radiohead (de maior destaque), que mantém o país no topo. Então não há o que discutir frente à obviedade, eles fazem rock como ninguém. Na frente do Brasil ainda existem outros países, como EUA, de bandas como Metallica e Kiss. No Heavy Metal moderno os europeus em geral dão uma surra nos sul-americanos, com destaque para a infinidade de bandas alemãs.

Algo que me irrita é ouvir dizer que eu tenho de escutar mais o rock brasileiro, eu não tenho de escutar o rock brasileiro, simplesmente porque o Brasil tem pouca representatividade no estilo. Bandas brasileiras que fazem sucesso lá fora (poucas), como Angra e Sepultura, fazem estilos que não surgiram aqui, o Brasil não exporta rock. O rock genuinamente brasileiro (se é que isso existe, mas ai é outro texto) para o mundo tem o mesmo impacto de jogar um balde d’água no mar.

Preferência é algo completamente diferente de atribuição de valor, ou seja, o problema seria supor que a música de fora é superior à nossa música, nisso sim existe uma subordinação a outras culturas, mas estabelecer preferências é a pura demonstração da liberdade de escolha. Quem gosta de rock então, por razões obvias tenderá a apreciar mais o rock de fora, e não há nada de estranho nisso. Ah .... e eu nem vou falar sobre frases do tipo: “Como você escuta música em inglês? O cara pode tah xingando sua mãe e você não sabe!” Acreditem, existem pessoas com mais de 15 anos de idade que falam isso!

Falei do rock porque tenho mais proximidade com o estilo, mas o argumento vale para outras vertentes, como Blues, Pop, e por ai vai!

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terça-feira, 15 de março de 2011

Senna X Schumacher ... Quem foi melhor?


Essa é uma polêmica insuperável na F1, os defensores do piloto alemão sempre irão ressaltar os 7 títulos que o mesmo conquistou, marca que o torna o maior campeão da história. Os defensores de Senna sempre irão ressaltar que o mesmo teve sua carreira interrompida, que poderia ter ganhado muito mais títulos, e que o piloto brasileiro protagonizou episódios inesquecíveis, como a corrida em que o brasileiro vence com 4 marchas quebradas.

Bem .... como Michael Schumacher e Ayrton Senna nunca tiveram a oportunidade de competir de verdade (ou seja, ambos com condições reais de chegar ao título), é extremamente complicado dizer qual dos 2 foi melhor. A análise que pretendo fazer aqui é racional, analisar os fatos, não somente resultados, mas também como as coisas aconteceram.

Schumacher foi 7 vezes campeão mundial, atrás dele está o argentino Juan Manuel Fangio, com 5 títulos, em 3º o francês Alain Prost com 4. Senna vem em 4º com 3 títulos, juntamente com mais 4 pilotos, dentre eles Nelson Piquet. Diferente de todos os pilotos citados acima, Senna teve a carreira interrompida, faleceu em 1994 da forma que todos já sabem, aos 34 anos. Schumacher se aposentou em 2006, aos 37 anos, depois retornou em 2010 às pistas, mas como coadjuvante. Se Senna tivesse se aposentado com a mesma idade de Schumacher, teria mais 4 temporadas pela frente (contando com a temporada interrompida), se iria ganhar mais títulos, só Deus sabe, mas é um fato que precisa ser colocado.

A nível de números o piloto alemão é inquestionável, além da hegemonia em títulos, bateu vários recordes, como número de poles, vitórias e voltas mais rápidas. No entanto, se analisarmos seus adversários, veremos que Schumacher jamais em sua carreira derrotou um grande piloto, na oportunidade que teve foi derrotado, contra Fernando Alonso em 2006. Dentre os adversários que rivalizaram com o alemão estão: Damon Hill, Kimi Räikkönen, Coulthard, Jacques Villeneuve e Mika Häkkinen. Dentre esses, o principal foi o ultimo. O finlandês Mika Häkkinen apesar de bi campeão, foi longe de ser destaque enquanto piloto, ganhou 2 títulos (1 deles em cima do alemão, em 1998) porque possuía carro superior. Em 2000 Schumacher triunfou sobre o finlandês e naquele ano Häkkinen se aposentou. Häkkinen demonstrava sua incompetência principalmente em pista molhada, de modo que caia de rendimento muito acima do comum. Além da falta de adversários de nível, Schumacher em sua sequência fenomenal de 5 títulos entre 2000 e 2004, pilotava uma máquina muito superior, como prova disso tem-se o fato de que o medíocre Rubens Barrichello (colega de equipe) foi vice em 2002 e 2004.

De forma oposta, Senna em sua carreira não teve vida fácil, enfrentou como principal adversário o tetra campeão Alain Prost, grande piloto, referência dentre os nomes da F1. Além do francês, enfrentou outro bom piloto, o inglês Nigel Mansell, campeão em 1992. Senna enfrentou Prost estando na mesma equipe (McLaren) em 1988 e 89, vencendo no 1º ano e perdendo no 2º, voltou a ser campeão em 1990 e 91, ainda na McLaren e Prost na Ferrari, em 1993 já na Willians Prost voltou a triunfar sobre Senna. Foi uma rivalidade como poucas na F1, de 1988 a 1993 (exceto em 92), os pilotos polarizaram a disputa dos títulos, alternando campeão e vice.

Nesse sentido, não dá para não levar em conta que Senna teve muito mais dificuldade no caminho em relação a Schumacher, inclusive não seria nenhum absurdo afirmar que os 7 títulos do alemão não valem os 3 do brasileiro. Nesse sentido, a análise de quem foi o melhor dos 2 precisa com certeza fugir dos números, mas pra mim a interrogação será eterna, a única forma de ter essa informação seria mesmo o confronto em condições iguais de equipamento.

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Falsa Humildade!!


Não leia o texto, ele é horrível, eu sou burro e escrevo mal!

Falsa humildade é um comportamento presente em boa parte das pessoas, e consiste em fingir ser humilde para esconder sua arrogância, ou às vezes para não parecer arrogante.

A falsa humildade é demonstrada basicamente discordando dos elogios, tipo você elogia uma mulher bonita e ela diz: “Que nada .. hehe ... são tão feinha .. !” Boa parte das mulheres fazem isso, e pra mim não há nada mais bizarro. Elas acham que estão enganando a quem? Mulher bonita sabe que é bonita, do mesmo modo que homem bonito sabe que é, fingir se achar feio é é algo que eu reprovo, e pra mim mostra justamente o contrário do que a pessoa quer mostrar. Geralmente quem finge discordar de elogios são as pessoas que mais “se acham”, é uma regrinha básica da psicologia reversa, quem é metido tenta esconder isso fingindo ser humilde em determinadas ocasiões. Mas claro que isso não é regra, existem aquelas pessoas que fingem discordar de elogios para não transparecer arrogância, fazem isso por uma convenção social que se criou, que concebe a pessoa que concorda com elogios como pessoa metida. Vale lembrar que o mesmo vale para qualquer outro tipo de elogio, seja inteligente, culto, honesto, e por ai vai.

Eu não tenho falsa humildade, se recebo elogios cabíveis simplesmente agradeço, não precisa concordar, apenas agradece caramba! Outro comportamento de certas pessoas é falar mal de si mesmas ou das coisas que elas próprias fazem, não sei se seria isso uma falsa humildade, mas enfim ... é uma maneira de se proteger contra críticas também, fazem isso pensando o seguinte: “Poxa, se eu mesmo digo que o que faço é ruim, as pessoas não vão esperar muito do que eu faço, então não vão criticar, ou não sentiriam necessidade mais de fazer a crítica”. Tah .... não vou ser tão radical, algumas pessoas fazem isso com medo das críticas, ou até por timidez de mostrar seu trabalho, mas boa parte o faz para se proteger das críticas, e isso é PATÉTICO! É uma maneira de inibir quem tem a perspectiva de criticar. Querem um exemplo? Vejam esse vlog abaixo, reparem no título do vlog, depois vejam um dos vídeos.

http://www.youtube.com/user/canalruim

Canal Ruim, esse é o título do Vlog. Ai você abre os vídeos e vê que eles são elaborados em certo grau, tem até figurino, e uma edição que dá certo trabalho. Ai você pensa: Pra que um indivíduo iria se dar o trabalho de fazer algo ruim pra postar no you tube? Na verdade o canal é ruim mesmo, mas quem o fez com certeza não acha, se ele se deu o trabalho de fazer é por que acha o que faz interessante (tem gosto pra tudo). Ele usou o título para passar a seguinte idéia: “Eu faço merda e assumo que faço merda, então não faz sentido você me criticar!”, o que pra mim é uma babaquice sem tamanho. Aliás, esse é um comportamento que tem se tornado típico nos vlogs, as pessoas falam mal do que fazem para se proteger de eventuais críticas. “Ah ... não assistam isso não, é uma bosta ... !” Quanto ao Canal Ruim, quem acha que estou exagerando quanto ao título, vejam o que ele fala no vídeo de apresentação do canal: "Ah ... estou gravando isso mas não sei se vou postar porque vai ficar horrível, e blá blá blá .... "

Então o recado que deixo é esse, não aja com falsa humildade, ainda que isso seja um requerimento social, e muito menos fale mal do que você é ou do que você faz para se proteger de eventuais críticas.

Ah ... e você leu o texto por que? Eu não disse que não era pra ler? Que o texto era ruim? Leu porque quis, eu disse pra não perder o tempo!

Pois é .... eu escrevi esse texto porque achei o tema interessante, e você, achou? Clique em uma das reações ou comente!

terça-feira, 1 de março de 2011

A decadência do Axé Music!


Definitivamente Axé não é a música que compõe os arquivos de meu MP4. No entanto, não curtir não significa odiar, repudiar, e muito menos impede que eu faça uma análise racional do estilo musical.

As origens do axé estão na década de 1950, quando Dodô e Osmar começaram a tocar o frevo pernambucano em rudimentares guitarras elétricas (batizadas de guitarras baianas) em cima de uma Fobica. Foi o ponta pé para o desenvolvimento de um estilo peculiar, que com a influência de outras vertentes, como forró, maracatu, reggae e calipso, se consolidou por volta do início da década de 80.

Escrevi um texto aqui no blog falando sobre a síndrome saudosista, que fala da mania das pessoas de hiper-valorizar o que é antigo. Mas como falo no inicio do texto, em alguns setores a música tem piorado, e um deles é o Axé Music.

Em 1º lugar vamos colocar os pingos nos “Is”, Axé é música de carnaval, produzida para entretenimento do público, foi um estilo que se desenvolveu juntamente com o carnaval, não dá para separar o Axé do evento. Então menos forçação de barra ao analisar o Axé enquanto música, ok?

Porém, até para entretenimento existe qualidade, e o que tenho observado ao longo de minha vida é uma decadência grande do estilo. Essa depreciação não é recente, já está em curso desde 15 ou 20 anos atrás. Quando era criança, lembro das músicas que eram tocadas no carnaval de Salvador, no geral costumavam ter muito mais qualidade. Claro que haviam as músicas bobas, como “Nega do cabelo duro” e Cia, mas existiam músicas com um nível maior de qualidade, que representavam de forma bastante significativa a baianidade, as peculiaridades da Bahia. As músicas tinham “cheiro” da Bahia. Isso sem falar da estética, tinham melodias muito mais apuradas e letras mais poéticas e de melhor nível.

Isso com certeza é surpreendente para algumas pessoas, sobretudo as mais novas, mas essa música abaixo é do Chiclete com Banana, com autoria também de Bel Marques, intitulada "Que força é essa?".



Agora me respondam se nos dias atuais se produz Axé desse nível, ou próximo disso. E para mostrar que a música acima não foi algo residual, ai vão links de outros exemplos de boas músicas daquela época.

http://www.youtube.com/watch?v=QEm3kExTVcs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Cq5b8VSBZjs
http://www.youtube.com/watch?v=vG2PtDvHDe4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=husQU3dRj7Y&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=AH5f0vnmiTQ&feature=fvwrel
http://www.youtube.com/watch?v=u8iXbbJQymk&feature=related

Porque o Axé tem piorado tanto? Hoje em dia observo as músicas tocadas, bandas bisonhas como Asa de Águia fazem o maior sucesso, Chiclete com Banana está longe de ser o que foi na de´cada de 80. Músicas como Dalila são destaque no evento, e por ai vai. Pra mim isso é resultado da mercantilização cada vez maior do carnaval de Salvador. De todos, é o carnaval que tem a representação cultural mais fluida, diferente de outros, como Rio e Olinda, que mantém as tradições há tantos anos. O carnaval de Salvador é muito mais voltado para o turista do que para o próprio baiano, o resultado é a perda da identidade do evento. Hoje diversos outros estilos musicais tocam no carnaval de Salvador: sertanejo, pop, rock, até a música clássica já “ousou” subir no trio elétrico.

Acho que infelizmente é um processo irreversível, levar o carnaval de volta às suas raízes pelo “chicote” é algo que mexe com muitos interesses e até mesmo com o gosto do público. Agora é aturar as Dalilas que virão a cada ano, e curtir do jeito que dá, a final, nem tudo está perdido ainda, mas do jeito que vai nossos netos poderão estar escutando samples ao invés das batidas do Olodum.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Preguiça Baiana: Um chute no saco dos sulistas!


Preguiça Baiana ... estereótipo que muita gente encara como simples brincadeira, tipo gaucho viado, mas no caso da piada onde a vítima é o baiano a brincadeira está carregada de outros sentidos por trás, sentidos xenofóbicos e pejorativos.

A piada do baiano preguiçoso carrega acima de tudo o sentido de atraso econômico, no sentido de que o sudeste e sul são desenvolvidos industrialmente, são modernos, e o nordeste é atrasado, atribuindo ao sulista o adjetivo de povo trabalhador, e ao nordestino o adjetivo de preguiçoso.

O problema não está na piada em si, nem na atribuição do adjetivo, mas sim na questão valorativa por trás do adjetivo. Existe uma perspectiva de inferioridade cultural quando se faz esse tipo de atribuição (ainda que implícita), que está atrelada à perspectiva de inferioridade econômica.

Para rebater esse tipo de discriminação os baianos costumam tentar provar que o baiano não é preguiçoso, e ai mostram números, fatos, etc, etc. Existe até uma dissertação que faz esse estudo, que chega à constatação de que o baiano trabalha mais que o povo do sudeste. Mas eu não vou entrar nesse mérito, prefiro tocar na raiz da questão.

É engraçado como o adjetivo “trabalhador” está carregado de um sentido valorativo positivo, e o contrário um sentido negativo. As pessoas esquecem que o trabalho a que elas se referem não é qualquer trabalho, não é a servidão do feudalismo, nem o trabalho de subsistência dos indígenas, mas sim o trabalho das relações capitalistas, trabalho da burocracia capitalista, que estabelece relação de patrão e empregado, com vistas à acumulação de capital. Nesse sentido, esse trabalho que realizamos não é natural do ser humano, é um trabalho que fomos condicionados socialmente e historicamente a fazer. Na época da revolução industrial a jornada de trabalho para as mulheres eram de 14 a 16 horas na Inglaterra, e de 10 a 12 para crianças. Hoje isso poderia ser considerado um absurdo, mas na época era normal, com certeza seu patrão iria rir de sua cara se você dissesse a ele que o correto seria 8 horas por dia. O ser humano tem uma tremenda capacidade de se adaptar a contextos adversos, a prova disso é que tem gente comendo lixo e sobrevivendo, ou seja, estar adaptado a um contexto não significa que aquilo é natural. Toda forma de trabalho supõe relações sociais prévias que o condicionaram.

Onde quis chegar com tudo isso? Simplesmente ao fato de que estar mais disposto ao trabalho da burocracia é um condicionamento social, portanto não pode (ou não deveria) carregar nenhum sentido de valor positivo nem negativo. O estado capitalista é muito mais presente no sul e sudeste devido ao processo de formação econômica do país, e isso obviamente condiciona a uma consolidação maior da cultura capitalista nessas regiões, que por sua vez condiciona a uma maior adaptação da sociedade ao trabalho da burocracia capitalista.

O termo preguiça baiana, dentre outras atribuições xenofóbicas, que consiste em supor que a Bahia e nordeste são menos evoluídos, carrega o caráter de evolução cultural, o que remete ao evolucionismo antropológico. É bom lembrar que a teoria evolucionista na antropologia (de teóricos como Morgan e Freezer) há mais de um século foi superada, portanto evolução cultural ou social é um termo retrógrado, atrasado, que cheira a mofo. Então quem é atrasado aqui caro sulista xenofóbico?

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A campanha que é um saco furado!


Campanha “Saco é um Saco”, promovida com a finalidade de reduzir o uso de sacolas de plástico por parte dos consumidores, por motivos óbvios de questão ambiental. A campanha consiste principalmente em estimular os consumidores a utilizarem sacolas retornáveis como substituição das plásticas. Abaixo vai o link do site da campanha.

http://www.sacoeumsaco.com.br/

Essa campanha de iniciativa do ministério do meio ambiente me parece mais o “Amigos da Escola do Meio Ambiente”. Segue a mesma lógica, jogar a responsabilidade do processo para quem menos deveria ou quem menos pode arcar. No caso específico, estão querendo jogar para o consumo uma responsabilidade que é da produção (em sua maior parte).

De acordo com a campanha, os consumidores devem, por consciência ambiental, substituir as sacolas plásticas pelas retornáveis, que em sua maioria são de pano. Essa campanha representa, antes de mais nada, uma sugestão ao consumidor que ele arque com o “mal estar” de carregar sacola de pano pra cima e pra baixo, sem falar de outra inconveniência, que é em determinadas situações ter de misturar no mesmo saco produtos de caráter diferentes, como de gênero alimentício e de limpeza.

Não estou condenando a campanha, nem sugerindo que a mesma não serve pra nada, acho sim que cada qual deve arcar com um custo se quisermos preservar o meio ambiente. Mas será que somente nós consumidores que temos que arcar com o processo? Será que somos nós que temos de dar o ponta pé inicial, ou assumir essa responsabilidade? Existe uma tendência de se transferir problemas nos quais o maior culpado é o setor produtivo, para os consumidores. A embalagem biodegradável é uma tecnologia que já existe há muito tempo, no entanto eu nunca na minha vida comprei um produto com embalagem desse tipo. Hoje já existem embalagens biodegradáveis até para produtos do gênero alimentício, mas onde estão elas? “Mas o custo é mais alto dessas embalagens!” Ah é? E porque o governo não oferece incentivos no IPI (Imposto sobre produtos Industrializados) para produtos com embalagens biodegradáveis (é só um exemplo)? Onde está a ação do governo nesse sentido? Não adianta reduzir o uso de sacolas de plástico e continuar consumindo produtos em embalagens de plástico.

A questão envolve muito mais elementos, não é tão simples, não haverá redução substancial do uso do plástico no mundo porque isso tem impactos econômicos para as indústrias do petróleo. Essas campanhas são apenas para “forrar o estômago” (como diria minha avó), elas ajudam, mas não resolvem o cerne problema. Não acho justo jogar para o consumo uma responsabilidade que em sua maior parte é da produção.

Quando a questão ambiental for prioridade, vão colocar no mercado carros movidos a água (essa tecnologia já existe há muito tempo) ou outras fontes de energia menos danosas, ou no mínimo vão tirar de circulação essa bizarrice que são os carros com motores que “bebem” combustível, de potência astronômica, com trocentas mil válvulas e cilindros. Se a redução do uso de plástico fosse realmente uma prioridade já existiam políticas incisivas do governo em relação ao uso dos biodegradáveis, desde incentivos fiscais à taxação de quem utiliza embalagem convencional. Portanto não venham querer me convencer de que a responsabilidade do meio ambiente está em minhas mãos (enquanto consumidor), ela está nas mãos de todos nós, e nós consumidores pouco podemos fazer em comparação com o que pode o setor produtivo. Todos precisam estarem dispostos e comprometidos a ajudar, mas o que não podemos é esquecer ou esconder os entraves econômicos e políticos que impedem a transformação de fato, muito menos deixar que esse tipo de campanha sirva de máscara para ludibriar a sociedade, desviando o olhar do centro do problema.

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