sábado, 20 de agosto de 2011

Candomblé e racismo sem cegueira!


Fazer qualquer tipo de referência pejorativa ao candomblé é encarado pelas pessoas do movimento negro como ato de racismo e preconceito religioso, mas principalmente racismo. No entanto, como acontece com boa parte dessas pessoas do movimento, só conseguem enxergar um lado da moeda, o lado que lhes convém.

Em relação ao candomblé, existe sim muita discriminação racial atrelada à religião, mas não simplesmente, existem mais questões por trás disso. Deve-se fazer um mínimo de esforço para sair do simplismo exacerbado e da cegueira ideológica institucionalizada. Muito se fala a respeito dos rituais ou trabalhos feitos no candomblé com intuitos pejorativos, com intenção de prejudicar uma pessoa ou uma instituição normalmente, mas podendo ter outras funções. São conhecidos vulgarmente como macumba ou rituais de magia negra. O argumento que se usa para refutar isso é de que não existe esse tipo de ritual na teologia do candomblé, mas sim na religião kiumbanda, que é uma vertente da Umbanda (religião brasileira que tem como peculiaridade o sincretismo entre religiões africanas, catolicismo e espiritismo). Fazendo uma breve pesquisa observei que realmente é verdade, o problema é que o campo prático é completamente diferente do campo teológico. No campo concreto o que se observa é uma inserção de práticas da religião kiumbanda (ou práticas similares) de forma incisiva no candomblé, de modo que tais práticas são exercidas de forma muito comum dentro da religião. Em suma, existem pais e mães de santo que praticam (normalmente vendem) rituais de magia negra, e não se trata de algo residual.

A quantidade de relatos nesse sentido de pessoas que foram ligadas ao candomblé não está no gibi, já ouvi diversos, e isso mancha e muito a imagem do candomblé. Muitas pessoas do candomblé também tem ligação com a Kiumbanda, ou não tem ligação mas exercem práticas similares. Isso é muito representativo, e não deve ser tratado como uma “externalidade”. A grande maioria das pessoas não vai ao Google pesquisar sobre isso, elas escutam os relatos e internalizam, então dizer que a aversão em relação ao candomblé não passa de racismo é um discurso reducionista, simplório e altamente conveniente. Em grande medida essa aversão é resultado da fluidez das fronteiras entre candomblé e kiumbanda, de modo que essa separação é complicada ou até ilusória. O que me motivou a escrever esse texto hoje inclusive, foi mais um relato que escutei, sobre uma pessoa ligada ao candomblé que em um desentendimento ameaçou encomendar trabalhos malignos para a pessoa com a qual se desentendeu.

E por favor, não me venham com esse discurso ridículo de relativizar o mal, como alguns usam: “Ah, o conceito de mal é relativo, depende da cultura!”. Se o mal é relativo meu amigo, então você não deveria lutar por causa nenhuma, porque se poderia então dizer que a própria discriminação pode ser algo bom. Quem realiza qualquer tipo de ação com intuito de prejudicar terceiros está praticando o mal e acabou, se quer relativizar isso o sanatório é o lugar mais indicado para fazer.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Andrade ... desconfiança ou discriminação?


Eu sinceramente fico indignado com a forma pela qual o ex jogador e técnico Andrade está sendo tratado aqui no Brasil, e principalmente por ter certeza que trata-se de racismo ou preconceito cultural.

Andrade em 2009 assumiu o Flamengo como interino ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, após a saída de Cuca, que fazia uma campanha ruim. Após 2 vitórias seguidas foi efetivado como treinador do Flamengo a pedido da torcida e dos jogadores, com os quais o treinador mantinha ótima relação. Passou por um pequeno período de turbulência devido a diversos desfalques no time, chegando a ficar na 14ª posição no inicio do 2º turno. Com a chegada de 2 reforços (Alvaro e Maldonado) e a estabilização dos problemas de contusões, o Flamengo comandado por Andrade protagonizou a maior arrancada da história do campeonato Brasileiro, saindo da 14ª posição para a conquista do título, no caso o sexto título brasileiro do Flamengo. Uma conquista que teve um personagem principal, o meia sérvio Petkovic, que aos 37 anos surpreendeu o Brasil sendo o maestro do time na campanha.

Pouco tempo depois Andrade foi demitido após perder a final do campeonato Carioca para Botafogo, o clube estava em crise interna devido principalmente aos problemas causados por Adriano, e o treinador não soube lidar com o “turbilhão” que é o Flamengo. Apesar de tudo foi uma saída no mínimo estranha, pois ele havia classificado o time para as oitavas de final da Libertadores. Mas enfim, ele saiu.

Após o fato o treinador ficou um bom tempo desempregado, assumindo o Brasiliense no final de 2010, com a missão de livrar o time do rebaixamento para a 3ª divisão. Sim, não é piada, o atual campeão brasileiro estava treinando um time da 2ª divisão. Ele não conseguiu livrar o time da degola, mas fez boa campanha. Pegou a equipe em 19º e deixou em 17º, não livrou o time do rebaixamento por muito pouco, por questão de saldo de gols. Depois disso foi demitido e está até os dias atuais desempregado, acreditem se quiser!

Porque um treinador campeão Brasileiro no 1º e único time que treinou (na 1ª divisão, claro) está desempregado? Existe lógica nisso? É desconfiança ou preconceito racial e cultural mesmo? No futebol Brasileiro é difícil a existência de um treinador negro, não me recordo de nenhum na 1ª divisão, Andrade não era para ter sido efetivado no cargo, ficou pelas vitórias iniciais e pelo apelo dos jogadores, e deu no que deu. Andrade foi campeão, e com méritos, ao contrário do que querem pregar (que Pet foi campeão praticamente sozinho), realizou mudanças na equipe que foram cruciais. A esse respeito, quem quiser ler, coloquei como anexo nos comentários os méritos do treinador taticamente.

Andrade é negro e não se expressa bem, além da pouca instrução tem um pequeno problema fonético, mas que de forma alguma prejudica na orientação aos jogadores. Será que um técnico branco campeão brasileiro ficaria desempregado? Técnico é o cérebro do time, o homem que pensa, que arma e faz “previsões”, será que não existe lá no fundo aquela semente racista que duvida da capacidade intelectual de um negro? Algo a se pensar, e na minha opinião Andrade está desempregado porque sofre racismo e preconceito cultural.

Andrade pode não ser letrado, pode ser simples, mas é campeão brasileiro, algo que muito branco engravatado não é.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A culpa é do capitalismo?


A culpa é do capitalismo? Até que ponto?

É moda dizer que o capitalismo é o culpado por tudo, a maioria das pessoas usa isso como frase de bolso, muitas vezes até acertam, mas nem sabem porque. No entanto, o que existe de asneiras ditas em relação a isso não está no gibi.

A desigualdade e a miséria são culpa do capitalismo? Sim e não! É culpa no sentido de que o modo de produção capitalista em sua estrutura de funcionamento não existe mecanismo de distribuição, mas sim de acumulação e competição, se existe alguma distribuição ela acontece por tabela ou por barganha, mas as engrenagens giram no sentido da acumulação. Humanizar o capitalismo é uma tarefa tão fácil quanto convencer os animais carnívoros a aprenderem a respeitar suas presas. Não existe igualdade em um capitalismo pleno, mas isso não quer dizer que o sistema foi sua causa. Desigualdade sempre existiu nas mais variadas formas, tanto no feudalismo quanto na antiguidade, o ser humano tem uma mania horrível de classificar os indivíduos com divergências de poder, seja econômico ou político. Portanto deve-se dizer que o capitalismo não superou as desigualdades, e não que as criou.

Costuma-se fazer vinculações absurdas com o capitalismo, como se a estrutura social e política feudal ou da antiguidade fosse uma coisa linda! Me surpreende estudantes “vomitarem” frases do tipo “O capitalismo macho e branco!”, como se a discriminação tivesse sido criada por esse sistema. Inclusive para o “Deus” mais seguido e menos lido da história, Marx, o capitalismo faz parte de um processo evolutivo da sociedade, o comunismo faria parte de um estágio final, ou seja, estamos hoje em uma etapa (capitalismo) que é mais evoluída que a anterior. Para Marx inclusive, ainda com toda a exploração da classe operária, a passagem da escravidão para o trabalho remunerado é uma evolução. Quanto ao machismo, imaginam o que seria das mulheres sem a relativa liberdade econômica que possuem hoje? Vamos comparar a liberdade feminina da sociedade capitalista com a medieval? Creio que as japonesas não querem voltar a ter que andar atrás de seus maridos (no sentido literal mesmo), como acontecia a menos de 100 anos atrás. E arte? O que seria da música sem o capitalismo? Viveríamos até hoje com os músicos sendo tratados como meros criados das cortes, compondo do modo que seu senhor ordenasse, com o mesmo prestígio de um faxineiro.

Nesse sentido, deve-se parar com vinculações e atribuições clichês e descabidas em relação ao capitalismo. Não é o modelo ideal de sociedade, mas também não criou a grande maioria dos problemas sociais a que costumam remeter, e se criou alguns problemas, por outro lado resolveu (ou amenizou) outros.

domingo, 17 de julho de 2011

Sistema de cotas


Como sou meio “tarado” por temas polêmicos, não poderia deixar de falar de vestibular e do sistema de cotas para negros e alunos do ensino público.

Primeiramente vamos desmistificar a questão das cotas para negros. Na prática isso não existe, já que o sistema funciona através de auto-declaração, de modo que qualquer um pode marcar um X em negro, no ponto referente à raça no formulário. Então o que existe são as cotas para aluno de ensino público.

É um tema polêmico, escuta-se muita coisa horrorosa quando se trata disso, as mais freqüentes são:

“Cotas para negros na verdade tratam eles como se fossem mais burros!”
“A cota é ruim porque gera discriminação entre os aprovados!”

Do outro lado também se escuta muita coisa bizarra, a pior que tive o desprazer foi:

“Universidade pública deveria ser para aluno do ensino público!”

Radicalismos e insanidades à parte, na verdade o sistema de cotas deve existir para atenuar as distorções sociais causadas pela má qualidade do ensino público nesse país. Aluno de colégio público é diferente de aluno de colégio privado (diferente não em capacidade, mas em realidade), então devem ser tratados como diferentes. Só que isso tem um problema que precisa ser corrigido!

O sistema de cotas tem um forte poder de inclusão social, mas não em cursos de concorrência baixa. Tenho certeza que um aprovado pelo sistema de cotas para cursos como medicina, direito, odontologia, engenharias, etc, terá total capacidade e comprometimento para concluir seu curso, a questão é quando se trata de cursos de concorrência baixa. Nesses o sistema de cotas pode trazer um efeito colateral, que é aprovar alunos despreparados ou descompromissados, tamanha a facilidade no ingresso. Na verdade isso já ocorre sem as cotas, elas só agravam o problema.

O problema todo está no método de estabelecer ponto de corte nos vestibulares, que calculam o desempenho do aluno em relação aos demais candidatos, ou quando há um ponto de corte fixo, é muito baixo (geralmente fazer 30% da prova). A meu ver isso precisa mudar, deve-se estabelecer um ponto de corte fixo e mais rigoroso, quem não atingir esse patamar mínimo não entra. “Ah, mais e se o nº de classificados for menor que o de vagas?” Entra só os classificados ué, no mestrado é assim, porque na graduação tem de ser diferente? No mestrado se tiver 20 vagas e a banca entender que só 15 tem aptidão para ingressar, só entram 15. O que não pode acontecer é o estado jogar dinheiro no lixo com alunos que entram no curso só por causa das festinhas da faculdade, ou para posar de universitário (e como tem gente assim!). Isso evita também que pessoas despreparadas entrem na universidade, ensino superior não deve ser usado para corrigir problemas do ensino médio!

Nesse sentido, sou a favor do sistema de cotas com essa mudança, ponto de corte fixo e mais rigoroso, para anular esse problema. Em vias práticas aconteceria da seguinte forma, de 40 vagas divididas entre cotistas e não cotistas (20 e 20), caso somente 15 cotistas se classificassem, outros não cotistas classificados cobririam essas vagas, e vice-versa.

sábado, 9 de julho de 2011

Qualidade musical existe?


No texto anterior toquei na questão do bom gosto musical, será que isso existe?

Muita gente gosta de falar que não existe música melhor que a outra, música é tudo igual em qualidade, se eu gosto de arrocha então, ninguém pode me dizer que Jazz é melhor que arrocha. Será que é assim mesmo?

Nesse aspecto eu gosto muito de fazer a comparação com o vinho. Eu posso preferir Padre Cícero a qualquer outro vinho, tenho direito de estabelecer uma preferência não é mesmo? Mas preferindo ou não o Padre Cícero, um Château Lafite Rothschild 1787 (vinho mais caro do mundo) será sempre um Château Lafite Rothschild 1787, Padre Cícero será sempre Padre Cícero. Ou seja, existem vinhos que são melhores, e isso não está passível de interpretação. Um vinho feito com frutas selecionadas, por especialistas, envelhecido por 10 anos, é um vinho muito mais elaborado que um que custa 3 reais, portanto é melhor, independente de seu gosto.

Na música pode-se fazer o mesmo tipo de inferência, uma música que é pobre em harmonia, melodia e poesia é uma música vulgar (no sentido do nível de elaboração), esta jamais poderá ser comparada com uma música bem elaborada. É importante destacar que quando falo de elaboração, não se trata somente de aperfeiçoamento técnico, mas sim de elaboração em todos os aspectos. Existem estilos musicais pouco elaborados nas letras, mas muito bem elaborados na harmonia e melodia (a Bossa Nova é um exemplo), ou o contrário. Nesse sentido, se você gosta de arrocha, funk, brega, etc, você gosta de uma música pobre, ruim, não tente forçar a barra em dizer que elas devem ser tratadas tal como uma Bossa Nova, um Jazz, rock, e por ai vai.

É claro que na música isso é muito mais complexo de se avaliar, até por que música é expressão, é arte, não seria uma análise linear como no vinho, que é um produto, mas dá pra se estabelecer algumas demarcações. “Você finge que me odeia, mas no fundo paga pau!”, isso é brega em qualquer lugar do mundo, não tem como ler esse verso e dizer que ele é expressivo, é o Padre Cícero da música. Portanto qualidade musical é algo que existe, ao menos no aspecto do nível de elaboração. Mas isso não significa que você só deve escutar músicas com alto nível de elaboração, posso escutar qualquer coisa, só não posso cair na ingenuidade de achar que música é tudo igual.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Preconceito Musical .... Você tem bom gosto?


Preconceito musical é quando a figura do músico interfere negativamente na sua concepção sobre a música que ele faz, ou quando um determinado conceito estereotipado sobre o artista ou o estilo que ele faz tem o mesmo efeito. Isso é mais comum do que a gente pensa, e se fomos fazer uma auto-reflexão, muita gente vai perceber que tem em certo grau.

As pessoas tem a mania de criar não só os Pop Stars, mas também os Pop Stars às avessas, no momento o mais notado é o tal do Justin Bieber (vulgo Justin Biba). Justin Bieber é um menino que ficou famoso através you tube, hoje é Pop Star, fatura milhões fazendo uma música Pop. Justin além de ser Pop Star é Pop Star às avessas, da mesma forma que tem um bando de fãs, tem um bando de gente que critica ele como se o mesmo fosse a representação da aberração musical, o mascote da música ruim. É proibido gostar de Justin Bieber se você é homem, se gostar é no mínimo viado. Justin causa essa repulsa e atração ao mesmo tempo por causa do estereótipo, ele usa batom rosa e é meio delicado (mentira, é muito delicado).

Mas se fomos analisar a música que Justin Bieber faz, veremos que é muito melhor do que funk, arrocha, tecno-brega (sei lá como escreve isso), e por ai vai, então se você não implica com esses troços que citei, não deveria implicar com Justin Bieber. A questão toda está no estereótipo formado, é a forma conjunta de se pensar, as pessoas estão perdendo o discernimento, pensando mais de forma conjunta do que individualmente. Justin faz uma música pop normal, música de boate, assim como trilhões fazem. “Ah, mas ele é fresco, isso me irrita!” E Fred Mercury não irrita ninguém porque? (pense 2 vezes antes de ir nos comentários dizer que estou comparando os dois artistas).

Da mesma forma que acontece com o Justin, ocorreu também com outros, como Hanson, Backstreetboys (não sei escrever e estou com preguiça de pesquisar no Google), Five, Sandy & Júnior, etc. E sabe qual o resultado disso? É vlogueiro fazendo vídeo pra esculhambar Justin Bieber e as bandas coloridas, e depois gravar clipe para a banda Zignal. Pra quem não conhece, essa banda é tão mela cueca que acho que até o Latino não consegue escutar uma faixa inteira. É sério ... tem gente por ai esculhambando as bandas coloridas e se achando mais inteligente porque escuta Jota Quest ... rsrsrs ... seria como eu esculhambar Malhação e me achar “melhor” porque assisto O Clone!

Eu gosto de tratar das coisas como elas são, e não como aparentam ser, ou como estão estereotipadas. Tem que parar com essa moda de falar mal dos artistas, olhe pra dentro de si e verás que tem um lado brega camuflado de “Bom gosto”, e outro mais cafona ainda que você não conta nem para seu travesseiro.

Aproveitando o gancho, queria convidar os leitores a revelarem seu lado cafona, vamos lá, não dói nada. Vou revelar o meu: Eu gosto de Roupa Nova! Escrevi isso e continuei vivo! Tem quem não ache Roupa Nova mela cueca? Muito bem, gosto de algumas músicas do Hanson também, e continuo sendo heterossexual.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Drogas ... como discutir legalização?


Acho que o tema da legalização ou descriminalização das drogas ainda é tratado de forma extremamente vulgar, ao menos no Brasil. As pessoas que são contra geralmente tratam as drogas (as ilegais) como causa relevante da perversão do mundo, legalizar seria a destruição da moral, e para alguns seria até a vitória do capeta. Para os que são a favor a única coisa que visam é a liberdade do ser humano como princípio, normalmente opinam em causa própria, na grande maioria são usuários.

É importante lembrar que vivemos em sociedade, e uma sociedade capitalista regida por uma burocracia estatal, então a coisa precisa ser discutida de maneira menos simplista. A questão não é tão fácil quanto parece, eu gostaria de ter o direito de não usar cinto de segurança por exemplo, na ótica da liberdade seria errado eu ser punido por algo que só pode afetar a mim mesmo, não é verdade? Acontece que o estado gasta tufos de dinheiro em acidentes de trânsito através do serviço do SUS principalmente, e para reduzir esse gasto precisa punir quem põe em risco sua integridade física. Em relação às drogas isso é algo que precisa ser posto em pauta, descriminalizando drogas perigosas como cocaína, êsctasy e LSD, o consumo iria aumentar inevitavelmente pelo impacto moral que transmite a lei, nesse sentido, o estado poderia bancar um aumento no gasto para o tratamento de pessoas com overdose ou qualquer outro problema oriundo dessas drogas? Quanto seria esse aumento do gasto? Outra pergunta é: O estado deve bancar esse tratamento?

Nessa questão do gasto do estado a discussão entre legalizar ou descriminalizar faz grade diferença, já que legalizando o estado poderia arrecadar impostos com essas drogas, aumentando sua receita, descriminalizando não. Acontece que o estado não pode legalizar algo do nada, sem preparar a sociedade para os efeitos disso. Tenho certeza que a maioria das pessoas não tem noção dos efeitos das drogas no organismo. Certo dia vi dados sobre o nível de informação das pessoas sobre AIDS aqui no Brasil e fiquei surpreso pela quantidade de pessoas que não tem noção sobre a doença, em relação às drogas não é diferente com certeza. Então antes de mais nada, o estado precisa preparar a sociedade para isso, e com a disparidade social que temos aqui, fazer com que essa informação chegue a todos com o mesmo nível de absorção seria algo muito complicado.

Do outro lado tem o pessoal que abomina qualquer perspectiva de legalização, não vamos esquecer que o álcool mata e é legal, assim como o cigarro, precisamos ser mais racionais pra analisar assuntos polêmicos. A questão é saber se nosso estado pode fazer a manobra da formalização dessa atividade de maneira qualitativa, em caso de legalização, e se em caso de descriminalização pode arcar com o ônus financeiro do processo. Além dessas, outras questões entram em pauta, como a capacidade do estado de por em prática a legislação, como no caso da venda de bebidas para menores que é proibida só no papel aqui, e também discutir se a legalização acabaria com o tráfico. Mas o texto ficaria grande se tudo de pertinente fosse discutido, fica para o leitor acrescentar algo ou não.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Destino existe?


Será que existe destino? Existem fatos que vão acontecer independente do que você faça? Ou fatos que tendem a acontecer, e acontecerão caso você não faça nada para impedir?

Eu acho que a maioria das pessoas acredita em destino mesmo que inconscientemente. Tipo ... tem gente que fala que destino não existe, mas costuma usar a expressão “Hoje não era dia!”, ou “Não era pra ser!”. Como assim? Essas expressões nada mais são do que indicação de um destino, algo desconhecido que conduz os fatos para um ponto, ou um caminho.

Pra mim quem acha que os acontecimentos são sempre 100% aleatórios são pessoas com certa dose de intransigência (muitas vezes ligado ao ateísmo), pessoas de mente fechada. Todos os dias vemos coisas impressionantes acontecerem, os exemplos são muitos.

Vejam esses 2 casos bastante parecidos, um deles daqui da Bahia inclusive:

http://jorgeyared.blogspot.com/2011/04/motociclista-azarado-morre-atropelado.html
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/corpos-de-mae-e-filha-que-morreram-em-acidente-na-br-101-sao-encaminhados-para-minas-gerais/

Qual a probabilidade de uma pessoa logo depois de escapar com vida de um acidente de trânsito, menos de meia hora depois sofrer outro e morrer? E qual a probabilidade de existir vários casos assim? Esses casos mais parecem com aquele filme Premonição. Acreditar na aleatoriedade desses fatos é o mesmo que acreditar que eu posso jogar um dado 30 vezes pra cima e cair todas as vezes em um mesmo número.

Falando em casos famosos, o mais badalado foi o dos Mamonas Assassinas, que nem preciso descrever.

Quem assiste futebol também costuma perceber esse tipo de coisa, às vezes tem aquele dia que nada dá certo para seu time, joga melhor a partida inteira, coloca 3 bolas na trave, ai o adversário vai e faz um gol de sorte.

Na verdade nem precisa analisar fatos externos, basta cada um observar sua própria vida e perceberá que em algum momento dela pareceu que havia algo conduzindo os fatos, algo inexplicável lhe “forçando” a ir para a algum lugar, ou para ficar com determinada pessoa, etc. Isso não é só coisa de cinema, ocorre também na vida real, tipo ... o sujeito fica com uma pessoa em uma festa, 3 dias depois encontra essa pessoa no ônibus e depois daí começam a namorar e se casam (Oh que lindo!). Esse tipo de coisa todo mundo conhece pelo menos uns 2 ou 3 casos.

Destino existe, só não enxerga quem não quer!

É isso, se leu clique em uma das reações, e quem tiver um caso a relatar, fique à vontade.

domingo, 5 de junho de 2011

Conhecimento Por Que? Para que? Para Quem?


De que serve a filosofia, a sociologia, a história? Quem é estudante dessas áreas corriqueiramente é questionado com essas perguntas. Tem gente que acha que o único conhecimento necessário é aquele que pode ser útil para o mundo concreto, prático. O mundo do pensamento, da pura reflexão não serve pra nada.

Baseado nessa perspectiva, até mesmo alguns profissionais dessas áreas ficam buscando justificativas utilitaristas para a existência dessas ciências, o que só demonstra sua incompreensão sobre área de conhecimento em que atua. Eu já escutei bizarrices de profissionais com currículo invejável a esse respeito, como: “É claro que existe utilidade para as ciências sociais, conhecer diversas culturas pode reduzir custos transacionais em relações dentre países!” É triste escutar isso de quem é referência para muitos. Ciências Sociais, como outras áreas do conhecimento, não precisa apresentar justificativa para sua própria existência, o requerimento dessa justificativa é uma perspectiva utilitarista de conhecimento e de educação, e é TAMBÉM por conta dessa perspectiva que as pessoas cada vez mais estão desaprendendo a pensar e aprendendo cada vez mais a executar, pra observar isso basta analisar as reformas curriculares que estão ocorrendo em alguns cursos como economia. Isso pode ser observado nas mais diversas áreas, dificilmente se encontra um médico que questiona os métodos que aprendeu por exemplo. Os cientistas estão cada vez mais lendo manuais e deixando de ler as obras. Na economia o conhecimento filosófico da ciência (economia política) está cada vez mais sendo enxugado dos currículos, o resultado disso são profissionais cada vez mais competentes para executar e incompetentes pra pensar.

Esse processo tem uma causa principal, o modo de produção capitalista, que faz com que todo conhecimento entre em convergência com o mercado, daí a justificativa prática (quase sempre econômica) para o conhecimento. Ou seja, o conhecimento por si só não serve, o que serve é o conhecimento que cria uma mercadoria ou um serviço.

Independente de aplicação, o conhecimento é importante, seja ele qual for. O conhecimento do “ser”, da sociedade, pode não ter relevância econômica, mas é importante para o ser humano. Aliás, lembrar que o ser humano é importante é bastante pertinente, principalmente nesse mundo onde as “coisas” se tornaram o centro das relações (só para citar o velho barbudo tão esculachado pelo povo que não aprendeu a pensar).

Em relação à medicina, abaixo vai um link de uma entrevista com um dos (poucos) médicos que aprendeu a pensar. Concordando ou não com seu polêmico livro, não dá para dizer que ele é somente um leitor dos manuais da faculdade.

http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_313515.shtml

Se leu é sempre importante que deixe seu comentário.