sexta-feira, 2 de março de 2012

Aborto, valores e pensamento coletivo


Já escrevi sobre esse tema em outra oportunidade, mas como faz bastante tempo, quero entrar nesse assunto novamente para falar da hipocrisia e oportunismo pelo qual o mesmo tem sido tratado, principalmente pelo movimento feminista ou pelos partidos de esquerda.

Você pode não acreditar, mas sou esquerdista, apesar de atacar a esquerda aqui nessa página por diversas vezes. Mas eu ataco da mesma forma que a mãe bate no filho, é por amor, hehe.

Nossas leis são construídas a partir de valores também, não somente por noção de bom senso ou em nome das liberdades. Por mais livre que seja o estado das amarras religiosas ou das tradições, os valores sempre farão parte das decisões a respeito do que a lei “pensa” ser correto ou não. Um sujeito manter relações com uma menina de menos de 14 anos é considerado estupro no Brasil (se ele for maior de idade), mesmo com consentimento da garota. Essa é uma lei que não parte nem das perspectivas de liberdade, nem da lógica do bom senso, mas sim de valores. A sociedade jurídica entende que uma menina com idade menor que 14 anos não está apta a decidir sobre sua vida sexual. Antes que algum maluco diga que estou falando mal da lei, não se trata disso, só estou apontando a partir de qual perspectiva foi criada a mesma. A eutanásia e pena de morte vão na mesma perspectiva, não há como julgar sem levar em conta os valores.

A questão do aborto também é algo que não pode fugir da esfera valorativa, trata-se de concepção de vida, alguns entendem que feto é um ser já no estágio humano, outros não, e essa questão é crucial, não dá para fugir dessa sinuca. Nesse sentido, o que os movimentos feministas ou de esquerda estão buscando é deixar a questão dos valores de lado e fazer uma análise estritamente técnica (objetiva), um atalho para aprovar a legalização do aborto. “Aborto, uma questão de saúde pública” é a fachada que utilizam para camuflar a esfera dos valores, a esfera subjetiva. Me surpreende inclusive, um movimento com ares de intelectualidade fazer esse tipo de coisa. Esse argumento parte da idéia de que o estado deve legalizar para evitar que mulheres morram fazendo aborto em “açougues”. Antes de ser uma questão de saúde pública, aborto é uma concepção de vida humana. Pode resmungar, xingar, gritar, rosnar, citar “versículos” de Marx, mas no fundo quem leu isso sabe que é uma verdade inexorável.

Em grande parte isso é culpa do atrofiamento da reflexão em nossa sociedade, as pessoas entram nos movimentos, sejam eles quais forem, e automaticamente compactuam com tudo que é “pregado”. O “efeito manada” não é só a Globo que promove, as pessoas se sentem mais confortáveis em pensar coletivamente, a esquerda também aliena, é bom salientar isso aos desavisados.

Como eu já sei o que se passa na cabeça desse povo, muitos nesse exato momento estão pensando assim: “Levar a questão para o campo dos valores só emperrará a discussão, não chegando nunca a um consenso!” Isso até soa bonitinho academicamente, mas sinto em lhe dizer que o debate técnico/científico também será complicadíssimo, visto que outros argumentos podem ser levantados, como por exemplo o aumento vertiginoso do gasto do SUS com abortos. Será que o SUS, que já é precário, deve arcar com custos de aborto, visto que gravidez não é doença? Essa é outra discussão que renderia bastante. Além do mais, no debate em si não precisa haver um consenso, para isso existem as urnas, creio que um referendo sobre legalização do aborto é a melhor solução.

Se gostou compartilhe o texto nas redes sociais. Estou também aceitando sugestões de temas para escrever aqui, visto que estou meio sem assunto ultimamente.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A festa das vadias


É Carnaval! Estamos no período do ano em que a moralidade pede licença para tomar uma cervejinha. É a festa legitimadora da pornografia, mulher pelada vira nu artístico, e promiscuidade vira curtição. Me refiro a moralidade não tomando a posição de quem defende a “moral” puritana e os “bons costumes” conservadores, mas no sentido da mesma moral que é pregada por nossa sociedade o resto do ano inteiro, e que no carnaval é um tanto deixada de lado. Não dá para falar desse assunto sem lembrar a declaração do baixista da banda de rock Queens of The Stone Age, que tentou tocar pelado no Rock in Rio de 2001, e alegou não entender o fato de ter sido impedido, pois no carnaval todos dançam pelados e não são reprimidos. Como responder isso? A solução é fazer vista grossa e dar aquela cartada de bolso, “Carnaval é Carnaval”, e isso por si só explica tudo.

Mas essa questão da putaria legitimada é ranzinzisse de minha parte para introduzir o texto, o que me incomoda de verdade nessa festa (especificamente a de Salvador) é outro tipo de putaria, aquela feita com o dinheiro público, isso em baixo de nossas fuças e com toda nossa cordialidade ignorante. O carnaval de Salvador é sem dúvida o mais escroto, não se surpreendam se inventarem uma forma de privatizar até a chamada pipoca. Acho que nem todos já pararam pra pensar que o baile de cordas e camarotes é a contradição em si, uma festa realizada em vias públicas que cobra ingresso para entrar. Nós construímos as avenidas e temos que pagar para entrar nelas nos dias da festa. E o que ganhamos com isso? Fumo! A pessoa pode argumentar dizendo que a avenida não é cedida, mas sim alugada, que a prefeitura cobra uma taxa para os trios e camarotes estarem ali. Realmente isso é verdade, mas é algo que nem merece a dignidade de ser citado frente aos valores vergonhosos que são cobrados. Para se montar um camarote a taxa cobrada é de R$ 10, 58 (fixo) + R$ 42,34 por metro quadrado. O trio elétrico paga 2,2 mil por dia, independente da expressividade do bloco. Se fomos olhar as cifras das receitas apurados, nos sentiremos as vadias mais esculachadas do mundo. O bloco Camaleão fatura somente com venda de abadás, 6,65 milhões, o Me Abraça 5,4, fora patrocínios. Os camarotes tem receitas que vão de 6,2 milhões (Nana Banana) a 14,4 milhões (Camarote Salvador). É bastante obvio que a arrecadação com as taxas não cobrem nem 1/4 do gasto que a prefeitura tem na organização do evento, despesa essa estimada em torno de 30 milhões.

Nesse sentido, para falar em termos mais claros, você cidadão baiano, paga para construir as avenidas, paga para organizar o carnaval, e é proibido de entrar na festa. Seria como o namorado de sua filha ir jantar em sua casa, comer toda sua comida, transar com sua filha em sua cama, apertar os peitinhos de sua esposa, dar um tabefe em sua cara, te chamar de trouxa e pedir o dinheiro do taxi, e você dar.

O masoquismo está lá na avenida, pessoas pagando para desfilarem em suas próprias casas, e dividindo em 12X no cartão. Mas como diria o gênio da trupe Fernando Anitelli, “Só não pode falar nada quando é baile de carnaval”. Então pra que esse discursinho sério? Vamos curtir, dar risada, nos divertir nesses 6 dias, pessoas que levam tudo a sério não curtem a vida, eles não saberão o que fazer com 14,4 milhões nos outros 359 dias do ano.

Referências:
http://www.revistabahiaemfoco.com.br/blog/archives/9902
http://sefaz-ba.jusbrasil.com.br/noticias/3025474/taxas-de-licenca-para-desfiles-de-blocos-poderao-ser-parceladas
http://www.bahianoticias.com.br/2011/imprime.php?tabela=principal_noticias&cod=34671

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Nossa majestade merece o trono?


Como esse “brogue” é quase uma coletânea de teorias de mesa de bar, outra discussão típica do alcoólico ambiente é se Pelé é ou não nossa majestade maior do futebol. Sobre esse assunto, surgem as teorias e explicações mais toscas possíveis.

O principal argumento de quem defende que Pelé não é Rei, é que naquele tempo se amarrava cachorro com lingüiça, frase que ficou famosa ao ser pronunciada por Felipão em 2002. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais o treinador está em decadência. Dentro desse argumento se falam as coisas mais horrorosas possíveis. Que era fácil jogar bola, que não existia marcação, que os goleiros eram horríveis, não existia tática, e por conta desses fatores qualquer jogadorzinho furreca dos dias atuais é melhor do que os de antigamente.

Do outro lado existem os saudosistas, o pessoal que defende com unhas e dentes os astros do passado, para eles Garrincha, Pelé, Zico e cia nunca serão superados por ninguém, Pelé é o Rei e acabou, e os atletas atuais só tem vigor físico e jogam por dinheiro.

É claro que ambos os lados estão errados, a coisa não pode ser analisada de maneira tão tendenciosa, cada um defendendo sua geração. É preciso haver um critério de raciocínio, e é isso que irei propor.

Não se pode comparar atletas de gerações diferentes recortando essas pessoas de seus contextos históricos. Como qualquer esporte, o futebol passou por um processo de evolução, e hoje se encontra muito mais desenvolvido institucionalmente e economicamente que há 30 ou 40 anos atrás. Hoje os clubes dispõem em fisioterapeutas, psicólogos, profissionais de saúde mais preparados, sem falar dos avanços da medicina no geral. Na parte estrutural, dispõem de centros de treinamento muito melhores, com sala de musculação, piscina para hidroginástica, dormitórios, etc. Sem contar os salários dos atletas, que lhe propiciam total tranqüilidade financeira. Nesse sentido, é uma total babaquice querer comparar um atleta dos dias atuais com os de outras gerações. Os próprios treinamentos foram ficando mais complexos e intensos, até a década de 60 os treinamentos de goleiro se limitavam a exercícios calistênicos, ginástica com pesos e exercícios técnicos de finalizações e cruzamentos de bola na área. Com o passar do tempo esse modelo de treinamento foi perdendo espaço para exercícios mais específicos, e a partir da década de 90 observou-se uma melhora na performance dos goleiros brasileiros. Além de tudo isso, antigamente a bola era de couro, muito mais pesada que a atual (de material sintético), basta pegar qualquer vídeo da década de 70 e ver a dificuldade dos laterais para fazer uma inversão.

Nesse sentido, é extremamente complicado querer por exemplo comparar Pelé com Messi, seria como comparar um físico do século XIX com um do século XXI, e dizer qual foi o melhor. Dessa forma, o único modo (ou critério) de se fazer uma análise desse tipo é comparar o indivíduo com os demais em sua época, e observar quem esteve mais à frente em seu contexto. Pelé foi protagonista da Copa do Mundo de 1958, “dando” o título à seleção brasileira aos 17 anos, isso só ele fez. Depois foi mais 2 vezes campeão do mundo, sendo protagonista mais uma vez em 1970. Pelo Santos foi 5 vezes campeão da Taça Brasil e 1 vez da Taça Roberto Gomes Pedrosa (totalizando 6 títulos nacionais), ganhou 10 vezes o campeonato paulista, 2 vezes a Libertadores e mundial. Após sua saída, o time da Vila amargou uma escassez de títulos que perdurou até 2002, portanto, Pelé foi essencial para todas as conquistas do Santos antes desse ano. Além de tudo isso, possui um número de gols invejável, 794 em jogos oficiais e 1282 no total, isso parando de jogar aos 37 anos.

Além da questão objetiva, dos números, há a questão subjetiva. Pelé era bom em todos os fundamentos, chutava com as 2 pernas, dava passe, cabeceava, finalizava bem, era veloz, algo jamais visto no futebol. Portanto, frente a tudo que foi apresentado, não tem como estimar como seria Pelé no futebol moderno, mas observa-se claramente que ele esteve anos luz à frente dos demais de sua época, algo que o torna Rei do futebol sem sombra de dúvidas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Papo com o criador


Um filósofo chamado Joaquim morre, e tem a incrível oportunidade de levar um papo com Deus em uma espécie de bar. O diálogo está transcrito a seguir:
Joaquim: - Deus? Fumou o que?
Deus: - Claro que sou, sei tudo sobre você, sei sobre você mais do que você mesmo!
Joaquim: - Prove!
Deus: - Não preciso disso ...
Joaquim: - Vai procurar o que fazer, só quero saber o que está acontecendo.
Deus: - Você morreu Joaquim, ou melhor, se matou.
Joaquim: - Isso eu sei, exagerei na dosagem.
Deus: - Pra quem achava que a morte seria um sono eterno, você não tem muito crédito pra duvidar que sou Deus.
Joaquim: - Deus não existe, se existisse minha mãe não teria morrido naquele terremoto. O Sr. não é o todo poderoso, misericordioso? Porque deixa essas coisas acontecerem?
Deus: - Não criei o mundo para os humanos, e sim os humanos para o mundo.
Joaquim: Hã?
Deus: - Terremoto existe desde que o planeta Terra foi criado, o natural é haver terremoto, são as placas se deslocando. A raça humana precisa se adaptar a esse fenômeno, pra isso dei um cérebro a vocês.
Joaquim: - Ah tah ... até se adaptar populações serão dizimadas.
Deus: - Adaptação faz parte da vida, você só sabe que uma determinada planta é venenosa porque em algum lugar na história alguém morreu comendo ela. Você me parece ser do tipo que pega a mulher com outro na cama e vende a cama pra resolver o problema ... rsrsrs.
Joaquim: - Deus também é piadista é?
Deus: - Criei tudo, até o humor.
Joaquim: - E porque você não intervêm pra impedir que as pessoas morram de forma desastrosa? Não é o poderosão?
Deus: - Às vezes faço isso, e quando acontece vocês dizem que foi sorte. Mas se eu fizer isso sempre vocês nunca vão aprender a lidar com essas situações. Continuarão burros pra sempre.
Joaquim: - Tá bom sabidão, e as guerras? Fome?
Deus: - Vocês inventam isso e a culpa é minha?
Joaquim: - E porque não as impede?
Deus: - Já parou pra pensar como seria se tudo de errado que você fosse fazer eu aparecesse com uma mãozinha dizendo “Não!”? Vocês se matariam de tédio ... rsrs. Por isso criei o livre arbítrio.
Joaquim: - Doenças, o que tem a me dizer?
Deus: - Controle populacional. Não fosse elas eu precisaria de outro planeta pra por vocês.
Joaquim: - Porque tudo que é bom faz mal ou é perigoso?
Deus: - Pra vocês aprenderem a lidar com o conflito entre razão e emoção.
Joaquim: - Você é muito frio, calculista. Deus não tem sentimento?
Deus: - Sim, mas não sou movido por ele obviamente. Inventei o sentimento, a criatura nunca domina o criador. O mesmo vale para a razão.
Joaquim: - E o que move suas ações?
Deus: - Não sei.
Joaquim: - Como não, você é Deus!
Deus: - Como não tenho criador, não sei o que move minhas ações, apenas faço.
Joaquim: Que doido! Quer dizer que isso tudo que o Sr. disse é verdade mesmo?
Deus: Quase tudo, a única coisa que menti é que na verdade não sou Deus, sou um filósofo também.
Joaquim: - Porque fez isso?
Deus: - Pra lhe mostrar que quando se tem argumentos pode-se defender qualquer coisa, inclusive o ateísmo. E a propósito, você não morreu, só está ainda meio azuado por conta da droga, estamos num bar, relaxe.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Bem vindo à Universidade!


Época de vestibular, ansiedade de quem está tentando ingressar e uma certa nostalgia de quem já saiu. Nesse período de PROSEL, resolvi tecer esse “textículo” para dar água na boca dos aspirantes ao canudo, que conseguiram “passar por cima” dos que morreram na praia da provinha escrota.

Universidade, só o nome já soa bastante sugestivo. Passa a idéia de universo, universo de conhecimento. É a época mais marcante da vida do indivíduo, ou você se encontra ou se perde, ou as duas coisas ... hehe.

A vivência universitária não é igual para todos, em primeiro lugar nem todos estudaram em uma universidade, alguns formaram em faculdade. A principal característica da universidade é englobar uma pluralidade de áreas do conhecimento em seus cursos. Quem deseja se aprofundar nessa caracterização, ai vai um link:

http://www.unimep.br/noticias.php?nid=1389

Outra questão é a dedicação integral ou não, tem pessoas que precisaram trabalhar e estudar ao mesmo tempo, essas tiveram a vivência universitária parcialmente tolhida com certeza. Por essas e outras questões, viver a universidade é uma coisa, fazer um curso de nível superior é outra.

Para quem viveu a universidade, com certeza foi um período inesquecível em suas vidas. É nesse espaço que suas características individuais possuem a liberdade e incentivo necessários para que se destaquem, principalmente para quem saiu da casa dos pais para fazer seu curso. Se você é CDF, encontrará ótimos motivos e pessoas para se tornar um intelectual, se gosta de festa, cuidado para não virar alcoólatra, se possui uma veia política, se tornará um militante, se gosta de namorar, pode comprar o estoque de preservativo. Há lugar para tudo e todos, você nunca terá uma oportunidade tão grande para lidar com as diferenças. Muitos mitos são quebrados e valores retrógrados destruídos, se você discriminar quem fuma maconha (por exemplo) possivelmente terá de estudar sozinho, ou você respeita ou dá um teco também. É o momento de sair do casulo, as preferências e desejos se tornam mais latentes, em um ambiente onde nada é estranho, qualquer coisa que se faça não surpreenderá ninguém. É também o momento de por em cheque a resistência de seu corpo, observar o limite de besteiras que você consegue comer em uma semana, quantas vezes consegue substituir o almoço por uma coxinha, e quantas noites consegue fazer o famigerado virote.

As pessoas idosas te vêem como um intelectual, seus pais te vêem como uma pessoa esforçada, ainda que você passe mais tempo no bar do que na biblioteca. A sociedade te vê como metido a priori, sua obrigação é mudar essa imagem. Da universidade também saem as histórias mais inusitadas e as lendas mais descaradas, a final, quando se junta loucos, pseudo-intelectuais, livros e álcool, tem-se o contexto propício para acontecer qualquer coisa.

Para quem está entrando, minha dica é fazer de tudo para não precisar trabalhar (emprego convencional) e estudar ao mesmo tempo, a época da universidade nunca voltará, e se voltar você estará mais velho e não terá o mesmo sabor. Cada um vive esse período de uma forma, alguns fazem da universidade a verdadeira babilônia, outros um caldeirão de efervescência intelectual, o que não se pode é fazer dela uma escola de 3º grau (uauu .. rimou!), é muito mais que isso. Boa sorte.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Nossa fábrica parou?


Não é a toa que dizem que Pelé é mais conhecido no mundo do que Jesus Cristo, a seleção com maior número de títulos mundiais da história representa a nação onde melhor se pratica esse esporte. Em matéria de futebol nós subvertemos as frases de efeito e podemos bater no peito e dizer “Nós ensinamos padre a rezar missa!”. Quem inventou foram os ingleses, mas o selo de qualidade verde e amarelo vale mais em qualquer recanto desse mundo.

Nada que foi exposto acima é novidade, no entanto, um tema que está sendo debatido recentemente é a crise de nosso futebol. A dúvida é se nossa fábrica parou ou se está apenas passando por uma fase de “manutenção”. Mais ou menos de 2006 pra cá o que se observa é uma total aridez no que diz respeito a surgimento de atletas de alto nível no Brasil, e os sintomas disso podem ser verificados em 3 pontos básicos: 1º Desempenho pífio da seleção; 2º “Invasão” de gringos em nossos clubes; 3º Inflação no mercado nacional.

Sobre a seleção, basta ver o que um dos melhores técnicos do Brasil está conseguindo fazer com ela, uma das piores campanhas da história. A escassez de novidades, atrelada ao aumento do poderio econômico dos clubes, está provocando um verdadeiro boom nos preços dos atletas. No momento, ser bom significa um salário de no mínimo 300 mil mensais. Quem acompanha o noticiário esportivo está presenciando com certeza a maior onda inflacionária da história de nosso mercado futebolístico. É um ótimo campo de estudo para economistas. Outro efeito do processo é a “invasão” de gringos, nunca se viu tantos estrangeiros em nosso país. Os clubes pressionados por suas torcidas para montarem elencos competitivos, acabam recorrendo a atletas principalmente da Argentina, Chile e Uruguai. Em meio a esse processo, os valores estão tomando dimensões tais, que a palavra “Caro” praticamente está em vias de extinção. Hoje o que importa é conseguir comprar, e a austeridade financeira dos clubes foi para as cucuias, até mesmo o comedido e requerido São Paulo está precisando abrir os cofres para contratar.

Ao ler o parágrafo anterior o leitor pode estar pensando em exagero de minha parte, que a crise não é tão “braba” assim. Vamos observar alguns fatos para mostrar que o momento é sim preocupante. Geralmente um time quando ganha um título de expressão apresenta um nome central, o destaque da competição. Na década de 80 Zico protagonizou as conquistas do Flamengo, Roberto Dinamite as do Vasco, Rivelino a do Flu. Mais recentemente, Robinho e Diego no Santos, Alex no Cruzeiro, Edmundo no Vasco, Kleberson no Atlético-PR, e por ai vai. No entanto, pegando os últimos 4 campeonatos brasileiros, veremos que não houve destaque nacional nos clubes campeões.

2008 – São Paulo Campeão – Desataque: Nenhum
2009 – Flamengo Campeão – Destaque: Petkovic (Gringo)
2010 – Fluminense Campeão – Destaque: Conca (Gringo)
2011 – Corinthians Campeão – Destaque: A Bola

Na Libertadores o cenário não se modifica muito, os 2 últimos campeões foram Inter e Santos, o clube da Vila ainda teve Neymar como destaque, um gato pingado frente à seca que assola nossa terrinha, o Inter ganhou a competição em 2010 com um time que se pode chamar de operário, outro que esteve longe de encher os olhos.

Só espero que a chuva volte a molhar nossa terra fértil, essas novelas sem protagonistas, ou com “galãs” pirateados, está me dando náuseas. Precisamos colocar essa fábrica pra trabalhar a todo vapor, e por os coadjuvantes natos em seus devidos lugares nas prateleiras.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O infinito do descompromisso da reflexão


Todo mundo já se fez a pergunta “Onde tudo começou?” Ateus ou crédulos, ninguém tem resposta para essa perguntinha escrota, que incomoda mais do que o oxiúrus¹. Muitas pessoas religiosas inclusive usam a criação do mundo como argumento para “bater” nos ateus, como se eles tivessem uma explicação para o surgimento de Deus. A respeito da criação (ou surgimento) estamos todos no mesmo barco, ninguém tem a resposta, e nunca terá.

Quando começo a pensar nesse assunto me dá uma inquietação, uma agonia, dá vontade de enlouquecer para não precisar mais pensar a esse respeito. Fica parecendo que é o limite da razão humana, como se a inteligência do homem fosse finita, existe resposta para tudo, menos para o ponto inicial. As coisas existem por quê? Por que eu existo? A lógica seria não existir nada, já que as coisas não podem surgir espontaneamente. Não se mate ainda, vou lhes apresentar uma teoria para essa pergunta, ou somente mais um motivo para você se matar, mas espere até o final.

Em um de meus descompromissados esforços mentais (e sem uso de drogas), cheguei a uma teoria que não ajuda em muita coisa, mas pelo menos é uma tentativa de conclusão. Na verdade o nada nunca existiu, o que chamam de vácuo não existe. Há uma energia infinita que a ciência ainda não detectou, que preenche todo o universo. Na verdade ela não preenche, porque preencher dá idéia de espaço (finito), essa energia é o tudo, e é o nada ao mesmo tempo, porque o tudo é o nada. Para chegar a esse raciocínio basta tirar da cabeça a idéia de nada, o nada é algo que não existe, foi um termo que inventaram, portanto se o nada não pode existir, não há porque pensar também na idéia de ponto inicial. Em vez de pensar “A existência não faz sentido”, deve-se pensar “A não existência não faz sentido”.

É uma loucura pensar nisso, e na verdade ao finalizar o texto começo a achar que não ajudei ninguém em nada (ou ninguém em tudo, já que o nada não existe). Mas é porque eu não tinha o que escrever, resolvi compartilhar essa masturbação mental.

Quem quiser aprender um pouquinho sobre vácuo, ai vai o link, alguma coisa útil eu precisava compartilhar hoje!

http://www.algosobre.com.br/fisica/vacuo.html

1 – Verme que causa a coceira no toba.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A era da frescura "intelectual"


Às vezes eu tenho que concordar, nem que seja parcialmente, com o jornalista escroto Rica Perrone, estamos na era do nhe nhe nhe, da frescura “intelectual” generalizada. Pessoas usam lutas que são sérias a priori, para uma espécie de sadomasoquismo vitimizador.

Vou contar uma historinha para vocês. Uma vez um sujeito estava sendo perseguido por um psicopata, o doente acompanhava seus passos e fazia ameaças, até o dia em que esse sujeito tomou coragem e reagiu, ameaçando também o maluco e seguindo seus passos para saber a melhor forma de se defender. O maníaco ao tomar conhecimento disso recuou e desistiu de perseguir o sujeito. Mas o sujeito na paranóia que estava continuou a perseguição ao psicopata, e sem perceber se transformou em um também.

Essa historinha pode ser abstraída para explicar o comportamento de um monte de gente que se diz discriminada e acaba perseguindo a discriminação. Torra minha paciência (por exemplo) feminista lunática que tem uma extrema “habilidade” de encontrar machismo em tudo e em todos. Toda vez que cito mulheres nesse blog as pessoas vem me chamar de machista (algumas), na ultima vez que isso aconteceu, fiz um texto sobre MODA, de caráter HUMORÍSTICO, falando que as mulheres deveriam se vestir para nós homens, e não para as amigas. Então veio o esquadrão feminista armado até os dentes soltando fogo pelas ventas: “Nós não temos que nos vestir para vocês!” É porque o homem se vestir para as mulheres é normal, mas mulher se vestir para os homens é estar se submetendo ao macho. A paranóia é tão grande que nem conseguem raciocinar antes de falar. Teve outros também, me chamaram de machista no texto “Multiplicador de Mulheres”. Eu sinceramente acho que tem gente que sentiria certa nostalgia se a discriminação acabasse, sério!

Escrevi um texto sobre a decadência do Axé Music e me disseram que a designação “Axé” é discriminação contra a música baiana, visto que as pessoas do sul/sudeste tentam reduzir a música baiana, que é muito diversa, em um estilo apenas. Quando um sujeito do sul então diz que Parangolé é Axé, ele está nos discriminando. Certo, acho que o rock é a música mais discriminada de todas, visto que só quem é desse campo sabe discernir os sub-estilos dentro do rock. Um jornalista chamar o Sepultura de Heavy Metal então é discriminação contra o rock e contra os ingleses. Aprenderam como funciona? Sulista, você tem obrigação de entender de música baiana, ok?

Estou de saco cheio desse tipo de gente, não sou psicólogo (Graças a Deus), não tenho obrigação nem aptidão pra realizar “implantes” de “mancômetro”. Mas como sou um cara gente boa, vou deixar uma dica de um filme que poderá ajudar, de um grande ator de comédia que ironicamente nessa produção não tenta fazer ninguém rir. Nem sempre estão tentando lhe “comediar” truta, pare de perseguir o que lhe persegue.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vestibular e a extinção do ensino médio


Vestibular: “Nunca vou passar!” disse o pessimista. “Não precisa estudar” disse o aspirante a Letras com Francês. “Tem que parar de beber e de namorar!” Vestibulando de medicina. “Minha mãe me inscreveu em administração” disse o adolescente sem rumo.

Dos 16 aos 18 anos, vestibular é uma palavra que soa mais tenso do que casamento para os homens que namoram há mais de 2 anos, sobretudo para os jovens de classe média, que são cobrados pelos resultados na provinha mais escrota de suas vidas. “Claro, eu investi nesse moleque a vida toda!” (Mãe). Perder significa para muitos uma big frustração, e cada vez que aquela tia gorda pergunta “Passou?”, é como enfiar o dedo com areia em sua ferida.

Muito se discute a respeito dos métodos de avaliação adotados nos vestibulares, realmente estão longe de serem os melhores, mas as circunstâncias não oferecem muitas alternativas. Alguns mesclam questões objetivas com subjetivas, o que é um avanço, mas ainda assim sempre será distorcida a avaliação do conhecimento. As questões são elaboradas muito mais para eliminar candidatos do que para avaliar, cheio de pegadinhas e alternativas bastante parecidas para confundir o candidato. Na redação, o candidato pisa muito mais os ovos do que escreve, com medo de dizer algo que o avaliador não irá gostar. No entanto, criticar esses métodos é um tanto complicado, porque para isso precisa-se propor um melhor dentro das viabilidades concretas e restrições orçamentárias. O que critico no vestibular não é a prova em si, mas a sombra que ela provoca no ensino médio, ou tem provocado.

O 3º ano nos colégios particulares foi extinto há muito tempo, o que existe hoje são cursinhos pré-vestibulares com caderneta e avaliação. Essas instituições fazem de tudo para atrair clientes, e o melhor método é a propaganda em aprovações nos vestibulares. Não questiono esses colégios, são instituições privadas que vivem de lucros e precisam concorrer com as demais, mas o governo precisa (ou precisaria) dar um basta nisso. A 1ª medida é proibir a adoção de módulos nos colégios, e voltar com os livros didáticos. Os módulos são extremamente compactados e não ensinam o assunto, ensinam a passar no vestibular, o que não cai não interessa. A segunda questão é proibir os professores de fazerem das provas do 3º ano mini vestibulares, quase um simulado com nota. As questões abertas são importantes na formação do aluno, não podem ser descartadas. Sem contar que o professor precisa elaborar questões também, para “impor” seu método de avaliação, e não ficar fazendo Ctrl C Ctrl V em questões de vestibular.

É preciso parar com essa mania que temos aqui no Brasil de adaptar a fase anterior à fase posterior, quando na verdade deveria ser o contrário. No curso de economia a tendência está sendo a mesma, estão adaptando a graduação à prova de seleção da pós, isso é bizarro. Ensino médio é ensino médio, pré-vestibular é pré-vestibular, quem quiser passar entre em um cursinho ou estude em casa, o que não se pode é comprometer o aprendizado em prol de uma prova escrota que só serve para definir quem entra e quem fica para a próxima.

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