segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sou foda!

Marx .... ahhh Marx, figurinha tão carimbada no círculo de estudantes das áreas de humanas. É o intelectual mais estudado da história sem sombra de dúvida, e o menos compreendido também. O meio onde o teórico recebe as críticas mais rasteiras é no curso de Ciência Econômicas, ataques em 99% dos casos disparados por estudantes cheios de espinha na cara, que mal sabem onde fica o banheiro da faculdade. Isso é explicado pelo perfil dos estudantes de economia no geral, que se dividem basicamente em dois tipos. 1 – Escolheram um curso fácil de passar no vestibular. 2 – Gostariam muito de entender quando William Bonner fala que a bolsa caiu.

Eu ingressei no curso de economia como o segundo tipo, e sei que se trata de um bando de jovens que entram “de pau duro” no curso, cheios de vontade de entender o Jornal da Globo. A depender do centro em que estiverem, caem na onda das frases de bolso (dos professores) e começam a ridicularizar o incompreendido Karl Marx. Do outro lado da barricada tem os marxistas, em boa parte constituídos por pseudo-intelectuais (portanto pseudo-marxistas) esquerdistas leitores de sumário de livro. Em sua maioria estudantes do curso de história. São os “marxistas Testemunho de Jeová”, que até andariam com “O Capital” em baixo do braço, se tivessem lido.

O marxismo foi tão vulgarizado que os verdadeiros estudiosos do intelectual criaram outra designação para se diferenciarem, se auto-intitulando marxianos, e usando o termo “marxistas” para se referir aos vulgares. Essa vulgarização também dá munição para os meninos de espinha na cara, que pentelham Marx todo fim de semana na mesa de bar.

Independente do sadomasoquismo que fazem com o coitado do Marx, é importante lembrar: O que ele representou para a ciência nada tem a ver com as interpretações chulas e oportunistas feitas na posteridade. Marx é sem sombra de dúvidas o maior intelectual da história das ciências. Você riu? Certo, então cite outro cientista que possui prestígio mundial em 4 áreas do conhecimento. Marx tem cadeira cativa na Ciência Política, Sociologia, História e Economia. Eu poderia até citar Geografia e Pedagogia, mas para evitar polêmica deixa pra lá. O alemão foi realmente muito fodão, e essa é uma verdade inexorável, doa a quem doer.

Se você é estudante de economia com espinhas na cara, está perdoado, pode esculachar Marx à vontade, suas palavras não serão escutadas pela sociedade acadêmica (apesar de ser uma puta falta de sacanagem). Mas se você já é um sujeito de carreira sólida, cuidado com as blasfêmias e os discursos vulgares, desdenhar do velho barbudo por si só é atestado de falta de conhecimento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Greve de professores ... pelo direito de roubar com dignidade!

Vivemos a era da greve, raro é o funcionário público que não está “parado”. Recentemente aqui na Bahia chegou ao fim uma greve que durou 115 dias, que foi a dos professores da rede estadual. A revolta é geral em torno do governador Jaques Wagner, que se negou a negociar. Eu apoio a causa da greve, principalmente pelo governador não ter cumprido uma promessa em relação a benefícios já conquistados. Mas me sinto na obrigação de comentar a respeito da cara de pau que possui boa parte desses professores.

Brasileiro é o povo mais cínico que existe no mundo (deve ser), aqui o sujeito lhe rouba e ainda te mete um processo por você reagir ao assalto. Na hora de reclamar todo mundo levanta o dedo pra exigir seus supostos direitos, mas na hora de cumprir seus deveres ... que deveres né?

Toda greve de professores é um festival melodramático de quem luta pelo direito de roubar com dignidade. A final pessoal, colocando na ponta do lápis, em porcentagem, qual a parcela dos professores da rede pública que merece um aumento? Hã? Sou aluno da rede pública no ensino superior, e vejo o assalto aos cofres públicos que rola todo mês, por professores incompetentes ou descompromissados com a educação. Gente que por ter doutorado na Europa, EUA e o escambau, se acha no direito de fazer o que quiser dentro de uma sala de aula. Gente que acha que o salário que recebe todo mês é um prêmio por ter passado no concurso. No ensino médio a coisa é pior, é de lá que saem as histórias mais toscas possíveis, como de um professor de matemática em minha cidade natal que deu 1 aula durante o ano inteiro. E parece que quanto menor a cidade pior é a realidade. Mas esse mesmo pessoal na hora da greve está lá xingando o governador de ladrão, escroto, hipócrita (acredite se quiser), mentiroso, neoliberal, etc. Como eu havia dito, nunca duvide da capacidade de um brasileiro em ser cínico. Se me perguntarem se sou a favor de greve de professores, tendo a dizer que sim, porque os competentes e dedicados não podem pagar pelos vaga-bundos. Mas que é revoltante ver um ladrão julgando o outro, ah, isso é!!

Eu queria fazer uma pequena enquete aqui, gostaria que todo aluno da rede pública que lesse o texto escrevesse informando quantos de seus professores você acha que merece um aumento, ponderando com o universo. Tipo: “Tenho por volta X professores e acho que Y deles merece aumento.” Quero ver se chegaremos a 50%, duvido!

domingo, 5 de agosto de 2012

Futebol é Telecatch com bola, pare de assistir!

Nunca foi tão moda como agora falar em conspiração no futebol, PQP! Acho que o facebook tem um efeito danoso para a sociedade, que é espalhar qualquer coisa com uma eficiência absurda. Para algo espalhar na rede social basta você fazer uma coisa bonitinha no CorelDraw, com foto, desenho, e colocar uma frase de impacto, tipo uma que está rolando na rede, que é: “A Skin incentiva o estupro”. Tem gente que curte sem saber do que se trata, sério. Se a pessoa ao menos procurar saber e analisar a questão com um mínimo de imparcialidade, verá que não passa alucinações das feministas, que parece que deram pra fumar absorvente sujo, só pode.

No futebol a coisa é mais irritante ainda, basta ter um erro de arbitragem a favor de Flamengo ou Corinthians que tico e teco começam a se morder, daí saem as teorias conspiratórias mais psicopatas possíveis, que dão origem a postagens rasteiras e dossiês esquizofrênicos. Em 2010 saiu um dossiê tentando provar que o título brasileiro estava armado para ser do Corinthians, no final da competição o clube do Parque São Jorge ficou em 3º. Como assim? Mas não tava armado cambada? Na verdade nem precisa ser um desses 2 clubes os supostos vilões, se a partida for contra um time do nordeste o vilão pode ser qualquer uma das equipes grandes.

O Flamengo é o mais visado de todos, há quem ache que o clube da Gávea nunca ganhou um título por méritos, todos eles foram armados .... rsrs. Não estou exagerando, já li um dossiê em que o autor afirmava que o Flamengo moralmente só tem 2 Brasileiros no máximo, o resto foi armação. Há inclusive quem ache que na decisão do Brasileiro de 1992 o Flamengo comprou todos os jogadores do Botafogo (sem exagero). Pra essas pessoas só tenho uma coisa a dizer? Por que você assiste futebol? Quero muito obter essa resposta, se é tudo armado pra que porra você assiste? É masoquismo? Porque se for eu acho mais coerente torcer pro Bahia logo de uma vez ... hehe.

Corrupção no futebol sempre existiu, não sou inocente ao ponto de achar que o esporte se resume às 4 linhas, mas também não sou recalcado ou retardado a ponto de achar que tudo está armado, ou pior, achar que meu time é um santo e os outros são corruptos. Futebol envolve muitos interesses, mas acho que quanto mais o público se aproxima do esporte, através da imprensa e dos meios de comunicação, fica cada vez mais complicado “mexer os pauzinhos” fora de campo. Na época de Pelé a maioria acompanhava os jogos pelo rádio, a outra parte ia ao estádio, não havia os recursos que temos hoje para avaliar a arbitragem por exemplo. Um árbitro poderia fazer absurdos em campo que a repercussão seria irrisória. Hoje está tudo muito claro, imagens de 500 mil ângulos diferentes, e fora de campo um batalhão de jornalistas loucos por um furo. A prova disso é que a armação da MSI/Corinthians em 2005 foi toda desmascarada.

A mais nova suposta conspiração é da CBF ter adiado o jogo do Flamengo para ajudar o time, os atleticanos acreditam cegamente que um clube que não consegue nem pagar a conta de telefone é capaz de fazer algum tipo de armação. O meu recado está dado, se realmente acha que o futebol é um teatrinho, um telecatch com bola, então para de assistir Zé Ruela. Porque se eu acreditasse nisso iria preferir colocar na simulação do PS3 e assistir, seria mais emocionante. Mas se não acha, então senta a bunda na cadeira e assiste o jogo que nem um homenzinho, ok?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Relatos de um ex Headbanger

Adolescência é o período da afirmação do indivíduo, e essa pode vir de duas formas: se distinguindo ou se igualando. Em outros termos, seguindo as normas ou se opondo a elas. Todo adolescente com forte necessidade de afirmação segue um desses caminhos, ou vira um(a) garoto(a) Malhação ou entra em alguma tribo, que pode ser punk, headbanger, gótico, e por ai vai.

Fui adolescente (obvio), e onde vivi, interior da Bahia, se enquadrar no padrão significava ir para as festas que rolavam na cidade (forró, pagode e axé) e namorar (mostrar que você namora). Se a pessoa fizesse as 2 coisas já era aceito na rodinha dos pops. Nesse meio ser popular é o máximo, um menino popular pode ser feio como o demônio que pega quem ele quiser. Do outro lado tem as tribos, que se opõem ao padrão. Eu era um adolescente tímido e caseiro, além de não ter muito sucesso no esforço para gostar das músicas da moda. Resultado, virei um Headbanger.

Headbanger (que na tradução literal significa batedor de cabeça) é o cara que escuta metal (só metal), anda de preto nas ruas (mesmo no sol quente), bebe, e principalmente, fala mal dos playboyzinhos pagodeiros filhos da puta. Na verdade o playboyzinho pagodeiro filho da puta não é muito menos babaca que o Headbanger, ambos seguem normas bisonhas para se firmar, a única diferença é que o segundo escuta algo um pouco melhor em média. Mas não dá para negar a imbecilidade de quem vai ao cemitério de noite beber só para dizer que é o mórbido transgressor. Eu não fiz isso, mas 90% faz. Não dá para negar a imbecilidade de quem acha que Bon Jovi é um lixo e Napalm Death é foda. Os Headbangers se acham Cult, inteligentes, e batem cabeça ao som de Devoured By Vermin – Canibal Corpse, que pra eles é arte de alto nível, anos luz à frente de Bossa Nova, Soul, Pop, ou qualquer outra coisa. Então se você é Headbanger e está lendo isso, saiba que você é babaca. Mas não se desespere, adolescência é a fase da vida que temos o direito de ser babaca. Direito não, é quase um dever, precisamos de histórias idiotas pra contar a nossos filhos.

É importante não confundir Headbanger com qualquer pessoa que escuta metal, hoje ainda escuto algumas bandas e nem por isso me considero um. Headbanger é o que faz parte da tribo, segue as normas e adota as práticas. É nessas normas que as babaquices se multiplicam, sobretudo nos critérios pra definir qual banda é true, qual é poser, qual é boa, qual a ruim, etc. No mundo do metal a banda precisa pensar se vale a pena evoluir, pois pode perder público. O tosco é muito valorizado, é cru, espontâneo. O mais elaborado é comercial, poser. Com certeza os headbangers acham o primeiro álbum do Viper mais foda que o 2º, porque é muito mais cru (eu chamo de feito “nas coxa”).Tecnicamente falando o 2º da banda está anos luz na frente, em todos os aspectos, só que se tornou mais melódico, então nos valores headbangers ficou mais poser ... rsrs. Lembro da vez em que um amigo disse que me mostraria o melhor álbum de Death Metal da história, eu estava ansioso e levei um K7 pra ele gravar. Tratava-se de Possessed – Seven Churches. Escutei e tive certeza de que no mundo headbanger ser tosco era bom. O segundo álbum dessa banda era muito melhor elaborado, mas era tratado como inferior.

Eu era um headbanger meio heterodoxo, não compactuava com muitas coisas, mas ainda assim não deixava de ser babaca, fingia a mim mesmo que eu era aquilo.

O recado que dou para quem é headbanger, é que você daqui a uns 4/5 vai olhar pra trás e rir de tudo isso. Você tem esse comportamento porque sente necessidade de se diferenciar, se firmar em algum grupo, ser aceito. Mas isso só é compreensível até no máximo 22 anos, mais do que isso começa a ficar preocupante. Eu parei aos 19 e estou limpo até hoje (glória pai). Pode me xingar nos comentários, você pode usar seu passe livre de adolescente para falar qualquer coisa, eu já fiz isso um dia. Só peço uma coisa, copia o link e volta a ler daqui a 4 anos, ok?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Toda brincadeira tem regras

Liberdade sexual é a palavra de ordem que tem esquentado o movimento feminista. Recentemente tivemos a Marcha das Vadias em vários lugares do país, que teve como algumas das principais reivindicações a liberdade sexual feminina e o direito de andar sem camisa como os homens. É preciso ter em mente que pudor é algo que existe até mesmo para os homens. O que percebo não é uma tentativa de busca pela liberdade no sentido amplo, mas de se igualar aos homens.

Por que o pudor tem sido tão combatido por esses movimentos? Será que é possível uma sociedade sem pudores? O mesmo é necessariamente algo ruim? Já que a busca é por um mundo com total liberdade sexual, vamos descrever como seria esse mundo? Bem ... já que o sexo deveria ser visto como algo tão comum quanto tomar um sorvete, visto que biologicamente não há nada que indique que a prática sexual deve ter regras, viveríamos então em uma sociedade poligâmica, onde as pessoas andariam nuas pelas ruas e fariam sexo com quem desejassem, a hora que desejassem, sem que ninguém olhasse torto. Estou montando um cenário extremo (de propósito), mas não incoerente.

Nesse cenário os pais poderiam estar assistindo TV na sala e sua filha (ou filho) no sofá ao lado transando com o vizinho, e seria algo do cotidiano. O sujeito conheceria uma mulher na fila do banco, a chamaria pra transar, depois dariam um até logo. Isso parece improvável, mas como todas as regras de conduta são culturais, essa sim seria a verdadeira liberdade sexual. Pergunto: Seria mais legal assim?

As pessoas deveriam refletir se querem realmente uma liberdade total, pois pra mim muitas vezes o próprio prazer é estimulado ou potencializado pelas regras de conduta. Ainda bastante jovem, achei o máximo quando vi um peito ao vivo pela primeira vez. Com a mesma animação, toda menina da idade se juntava com as amigas para ver filme pornô escondida dos pais. As vestes servem como elemento para esconder os órgãos do desejo e, ao esconder, excitam, promovem a fantasia e, por que não a magia? Todo o encanto em torno do sexo só é possível porque existem regras sociais que “regulam” sua prática. Às vezes, burlar essas regras é o que há de mais interessante, e isso vale para homens e mulheres. Só existe sedução porque existe pudor, a final, a sedução nada mais é do que convencer alguém a fazer o que ela já quer fazer. As regras não inventaram o sexo, mas reinventaram, criaram toda uma magia e uma fantasia, e a sociedade precisa pensar se quer mesmo viver sem elas. Isso pode parecer machista, pois dizem que o ônus das regras recaem somente sobre as mulheres, o que não é verdade. O machismo também atinge os homens, que são cobrados para possuir virilidade e atitude (iniciativa) sempre. Tudo que é cobrado das mulheres é inversamente cobrado dos homens. É claro que o maior prejuízo recai sobre as mulheres, mas machismo não se trata de uma relação maniqueísta.

Penso que as regras de conduta em relação ao sexo não devem ser radicais, pois o ônus é grande, sobretudo para as mulheres. Mas se elas se tornarem demasiadamente frouxas o encanto pode ser perdido, e com isso parte do prazer. Se duvida disso, pergunte para uma adolescente qual a sensação de sair de casa escondida para transar com o namorado. Depois pergunte se seria melhor se o pai dela a deixasse transar com o namorado no sofá da sala.

A regra só deve mudar quando seu ônus supera o bônus. Guardem seus seios como parte do desejo, é muito mais interessante e provocante. Bob Marley disse: “Se você segue todas as regras acaba perdendo a diversão”. Eu digo: Se você acaba com elas também. Toda brincadeira tem regras. Pular o muro é mais divertido do que derrubá-lo. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vida de interior é um saco ...

Acho que tudo que vem da roça e do interior é um pé no saco. Quando falo interior é interiorzão mesmo, cidade de 30 mil habitantes. Fico besta, a até com certa inveja de quem consegue desejar a vida de interior. É uma tranqüilidade torturante pra mim.

Apesar de ter nascido em interior, me considero um sujeito bastante urbano, até porque Jacobina não é muito pequena, dá pra sair na rua e não ver as mesmas caras que vi ontem pelo menos. Vida de interiorzão é algo que não desejo nem com dinheiro no bolso. É tranqüila, porém vazia, cujo principal entretenimento é “cumer água” escutando Pablo (não adianta, você será obrigado a escutar) enquanto fala com todas as pessoas que passam na rua. Tá bom, na melhor das hipóteses você fará isso escutando Paula Fernandes. Ao voltar pra casa você encontra com um amigo ou vizinho, e fica trocando um dedinho de prosa com ele, ouvindo ele falar das mulheres gostosas da cidade (dentre as 15 existentes) e da próxima festa que vai ter (de arrocha ou forró). Quem mora em cidade de menos de 50 mil habitantes conhece todas as mulheres bonitas que lá moram, a graça é esperar as meninas de 12 anos chegarem aos 16 para ter algo novo no pedaço (na verdade estou sendo educado, o povo não espera chegar aos 16, mas não posso fazer apologia à pedofilia).

Não há muito o que fazer nesses lugares. Não tem cinema, um bar diferenciado, universidade, teatro, estádio, um show que preste, nada! Qual a graça de viver no interior? Eu não tenho nada contra os idosos, mas sinceramente, é depressivo ver eles ficarem 2 horas falando da chuva.

Gosto de zoada, shooping, aglomeração na rua, conversar com gente diferente todos os dias, prédios, e tudo que a vida urbana pode proporcionar. Gosto de modernidade, letreiros, outdoors, arquitetura moderna, asfalto, gente excêntrica, fast food, e por ai vai. Me desculpem os historiadores, mas acho arquitetura antiga feia. Sejam sinceros, aquelas casas com janelas de 500m2 são bonitas? O moderno é mais bonito, e podem me apedrejar.

Eu acho que entre os pseudo-intelectuais existe muita valorização forçada dos aspectos culturais mais antigos. Tem gente que acha que devo gostar de samba de roda pra valorizar minha cultura. Minha cultura? No ambiente em que vivi isso não existia, porque é minha cultura? A primeira vez que vi uma apresentação de samba de roda foi na faculdade, e assisti aquilo como quem vai a um museu ver uma obra de arte, algo muito distante de mim.

Vou corrigir alguns jargões usados por quem ama vida de interior. “Respirar ar fresco” = Não tem o que fazer, por isso percebe o nível de poluição do ar. “Sair de casa de madrugada sem perigo” = Tédio. “Bater papo com o cara da mercearia” = Pedir pra comprar fiado, quem se fode é ele. “Ter amizades verdadeiras” = Fofocar todo dia com uma pessoa fixa. “Custo de vida menor” = Claro, você ganha pouco mané. “Viver com tranqüilidade” = Não viver. “Conhecer todo mundo” = Motivo ideal para se cortar os pulsos.

Como podem ver, não há motivos para achar a vida de interior legal, mas isso é só uma opinião, não xinguem minha mãezinha nos comentários.

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sábado, 16 de junho de 2012

Traição é Traição ...


.... romance é romance, amor é amor e um lance é um lance. Por que as pessoas tem tanta dificuldade em lidar com isso?

Tudo que o ser humano faz é buscando a felicidade. Ele briga, mata, ama, se arrepende, rouba, transa, etc, tudo buscando um maior bem estar. Portanto o sujeito que trai, não o faz para sacanear ninguém (às vezes sim, mas são casos particulares), mas sim para ser feliz. Acontece que tudo na vida tem um preço, um risco e um retorno, e achar que pode escapar dessa regrinha básica é o que leva muita gente a não saber lidar com traição, romance, amor e lance.

Não vejo problema nenhum em relacionamento aberto, se você acha que é capaz de namorar com uma pessoa e permitir que ela fique com outras, vá em frente e seja feliz, quem sou eu para recriminar? A questão é que as pessoas querem relacionamento fechado para o outro e aberto para si. Trocando em miúdos, é a traição. Ser solteiro tem vantagens, assim como há vantagens também em namorar. O solteiro curte mais; fica com várias pessoas; não tem DR; não tem ninguém para lhe encher a paciência; e por ai vai. Quem namora perde tudo isso, mas ganha um(a) companheiro(a) para os momentos bons e difíceis, além do prazer que é estar com alguém que gosta. Esse é o dilema dos relacionamentos, e o ser humano, visando maximizar o bem-estar, faz o que? Tenta juntar as duas coisas. Só que como a regrinha é implacável, mais cedo ou mais tarde a “fatura” vem, e quanto mais demora, mais cara ela é. Quem trai corre o risco de ser pego, e se ama a(o) parceira(o), além disso tem o “custo” do remorso. Como podemos ver, não há bem-estar sem abdicação de algo.

Alguns mitos precisam ser quebrados. Quem disse que quem não trai não sente vontade de trair? Quem disse que mulher é biologicamente monogâmica e o homem o contrário? O homem descaradamente arranjou um argumento para trair, de que o macho sente necessidade de copular com diversas fêmeas, e isso tem explicação na biologia, pois o macho tem a capacidade de engravidar várias ao mesmo tempo, enquanto a fêmea só engravida de um só. É uma puta de uma forçação de barra esse argumento, que além de ser bastante conveniente, é um assassinato à antropologia e à sociologia. O homem em média trai muito mais que a mulher, e isso pode até ter influência biológica, mas ninguém pode afirmar em que medida isso influencia, visto que o caráter cultural é muito forte nessa questão.

Mulher que trai é vadia, vaga-bunda, puta. O homem que trai é no máximo canalha para as mulheres. Para os homens ele sempre será um sujeito normal, traindo ou não. O peso cultural recai somente nas costas das mulheres, que mesmo se puderem trair sem que ninguém saiba, as próprias irão saber, portanto se sentirão putas. É uma ingenuidade descomunal achar que a mulher é incapaz de trair por puro prazer, ou até mesmo de sentir vontade. “Mulher para trair precisa de um motivo, homem para trair precisa de uma mulher” (Arnaldo Jabor). Até mesmo cronista famoso entra no senso comum de “o homem é assim, a mulher é assado”. Essa frase foi recortada de uma crônica do Jabor, na qual ele monta um modelo medonho de gêneros, um amontoado de frases de bolso com estereótipos retrógrados e dogmáticos. Mas o mundo do faz de conta de Jabor está presente na cabeça da maioria das pessoas, que continuam com a mesma visão “novelesca” da vida. A repressão velada da sexualidade feminina leva os sujeitos a naturalizarem os comportamentos sexuais para conservarem estereótipos que lhe são convenientes. “Todo homem trai” camufla o verdadeiro sentido da frase, que é “O homem precisa trair, a mulher não”. Se o homem que trai fosse recriminado pela sociedade, será que os homens iriam trair tanto? E a mulher que trai, se fosse vista pelas outras como “esperta”, como seria a realidade nesse aspecto? Mas as pessoas preferem os jargões de Jabor e cia. E a reflexão? A vida é mais fácil sem ela ...

E como mato a cobra o mostro o pau, ai vai o link do comentado texto de Jabor. É um texto perigoso, para quem assiste novela mexicana não é recomendável, a pessoa corre o risco de acreditar.
http://pensador.uol.com.br/frase/MzUwMzk5/

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ego é o motor do mundo?


Ego, segundo a psicanálise, representa os desejos do “Eu”, as satisfações, o prazer. Tudo isso configurado na realidade do indivíduo. No cotidiano o ego é usado para designar a vaidade principalmente, como na frase “Ele me elogiou e meu ego foi lá pra cima!”

Já está mais que superada a idéia de que o desejo de enriquecimento material (acumulação) é algo natural ao ser humano, discurso bastante utilizado por pessoas que usam o senso comum de forma arbitrária. Quanto a isso, a sociedade indígena está ai para nos provar o contrário. Só que uma coisa é ambição por riqueza, outra é ambição de maneira geral.

Quando se fala em ambição, logo remetemos a idéia à riqueza. No entanto, as pessoas se esquecem que reconhecimento ou prestígio são também riquezas, mas riquezas simbólicas. O sujeito pode se esforçar muito para conquistar algo que não lhe trará maior padrão de consumo, mas com certeza lhe concederá maior prestígio. Um artista que atua em um campo musical pouco rentável, não busca nessa ação um reconhecimento financeiro, mas um reconhecimento artístico, simbólico. Vale lembrar que prestígio e dinheiro são formas diferentes de satisfazer o ego, o primeiro através do prazer proporcionado pelo reconhecimento social por seu trabalho, o segundo pelo prazer do consumo, conforto, e ostentação (que não deixa de ser prestígio também). A ostentação (reconhecimento social de sua riqueza) e o prazer proporcionado pelo consumo, são satisfações diferentes que tem separação bastante fluida.

Um matemático, mesmo na antiguidade clássica, desenvolveu suas teorias e cálculos para ajudar o mundo (que lindo!)? Creio que não, acredito que o impulso que leva alguém a se dedicar a algo, no geral seja um impulso egoísta, que visa satisfazer o ego. Você pode questionar: “Mas a pessoa pode fazer algo por amor, como existem pessoas que amam a medicina!” Uma coisa não exclui a outra, o indivíduo pode amar a medicina, mas não passaria 6 anos na faculdade se a profissão não tivesse reconhecimento nem financeiro nem social. Nesse sentido, pode-se inferir que o ego é o motor que move o mundo. A ciência, as artes, tudo foi desenvolvido por conta do ego, da satisfação de ambições.

Então ser vaidoso é normal? Sim! Ninguém faz nada de graça, sem esperar retorno. O reconhecimento social que determinada pessoa possui, ela pode não expressar, mas tenha certeza, ela tem orgasmos ao perceber isso. Por isso que uma ótima forma de desenvolver determinado setor é oferecendo riqueza ou criando hierarquia social, para estimular os indivíduos a buscar as devidas recompensas se empenhando naquilo. Na academia a titulação de pós doutor é muito mais um mecanismo de diferenciação social do que resposta a uma necessidade que visa a qualificação do profissional.

Nesse sentido, para as pessoas que alcançaram algum tipo de reconhecimento, humildade é algo que só existe na aparência. A diferença entre a pessoa humilde e a metida é que a primeira finge melhor. Se existisse humildade o mundo estaria fodido! Ela só pode existir em casos em que o reconhecimento independe das ações da pessoa, como ser filho do presidente por exemplo. O que deveria incomodar não são as pessoas vaidosas, mas sim as que não se enxergam, achando que são muito mais do que realmente são; aquelas que menosprezam terceiros para se diferenciar; ou aquelas vaidosas em momentos inoportunos.O mundo precisa acabar com essa babaquice de “exigir” das pessoas uma humildade aparente. “Eu sou bom!” deveria ser encarado como atitude de sensatez, e não de arrogância.

Com tudo isso não nego a existência do altruísmo, só acho as coisas podem conviver paralelamente, cada qual em seu campo. É muita ingenuidade supor que um cientista estudou a vida inteira para ajudar o mundo, ou que um pianista treina 10 horas por dia para levar uma música de alto nível à sociedade.

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sábado, 26 de maio de 2012

Mulheres, vistam-se para nós! Pt II

Eu não pretendia, mas vocês mulheres me levaram a escrever a parte II desse texto. Para quem está chegando agora, foi um texto que publiquei dando dicas de moda feminina na visão masculina.

No primeiro que postei, fui acusado de machismo por conta do título. Espero que dessa vez apenas mulheres que nasceram com mancômetro apareçam para dar o ar da graça (quem inventou essa expressão escrota?) nos comentários. E olha que dessa vez coloquei uma foto mais comportadinha pra fazer média.

De início vou meio que repetir um comentário a respeito de uma peça que já havia mencionado. É que descobri o nome do diabo da calça, é a tal da Corset. Não sei por que, mas esse nome me lembrou a Cosette, do livro Os Miseráveis de Victor Hugo. Em fim, a calça é isso ai:


Vai pra guerra? Pra que essa porra até quase os peitos? É uma ótima peça para se proteger de um tarado, só isso.

Outra que está na moda é a tal da Saruel, e como foi complicado descobrir o nome disso, obrigado papai Google. Tudo que uma calça precisa fazer é valorizar as curvas da mulher, mas essa daí com certeza foi projetada por quem curte um volume a mais. Então só uma dica, usando isso suas chances de arrumar um namorado caem 300%. Talvez você arrume um amigo estilista. Olha esse troço:


Tem também os shorts com a parte de dentro do bolso aparecendo. What porra is this? Vai ser brega assim no quinto dos infernos! PQP! Nem o Falcão usaria um troço desses.


E pra finalizar, não tenho foto disso que vou falar, mas vou descrever. Algumas adolescentes estão passando gel no cabelo e jogando uma mexa de um lado para o outro por cima da testa, próximo aos olhos. Se você faz isso, só tenho uma coisa a lhe dizer: Deus tem um plano para sua vida irmã!

Se você leu o texto e achou que estou tratando a mulher como objeto sexual, você sofre de Schizofeminite aguda, seu caso é grave, procure um especialista.

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