terça-feira, 15 de março de 2011

Senna X Schumacher ... Quem foi melhor?


Essa é uma polêmica insuperável na F1, os defensores do piloto alemão sempre irão ressaltar os 7 títulos que o mesmo conquistou, marca que o torna o maior campeão da história. Os defensores de Senna sempre irão ressaltar que o mesmo teve sua carreira interrompida, que poderia ter ganhado muito mais títulos, e que o piloto brasileiro protagonizou episódios inesquecíveis, como a corrida em que o brasileiro vence com 4 marchas quebradas.

Bem .... como Michael Schumacher e Ayrton Senna nunca tiveram a oportunidade de competir de verdade (ou seja, ambos com condições reais de chegar ao título), é extremamente complicado dizer qual dos 2 foi melhor. A análise que pretendo fazer aqui é racional, analisar os fatos, não somente resultados, mas também como as coisas aconteceram.

Schumacher foi 7 vezes campeão mundial, atrás dele está o argentino Juan Manuel Fangio, com 5 títulos, em 3º o francês Alain Prost com 4. Senna vem em 4º com 3 títulos, juntamente com mais 4 pilotos, dentre eles Nelson Piquet. Diferente de todos os pilotos citados acima, Senna teve a carreira interrompida, faleceu em 1994 da forma que todos já sabem, aos 34 anos. Schumacher se aposentou em 2006, aos 37 anos, depois retornou em 2010 às pistas, mas como coadjuvante. Se Senna tivesse se aposentado com a mesma idade de Schumacher, teria mais 4 temporadas pela frente (contando com a temporada interrompida), se iria ganhar mais títulos, só Deus sabe, mas é um fato que precisa ser colocado.

A nível de números o piloto alemão é inquestionável, além da hegemonia em títulos, bateu vários recordes, como número de poles, vitórias e voltas mais rápidas. No entanto, se analisarmos seus adversários, veremos que Schumacher jamais em sua carreira derrotou um grande piloto, na oportunidade que teve foi derrotado, contra Fernando Alonso em 2006. Dentre os adversários que rivalizaram com o alemão estão: Damon Hill, Kimi Räikkönen, Coulthard, Jacques Villeneuve e Mika Häkkinen. Dentre esses, o principal foi o ultimo. O finlandês Mika Häkkinen apesar de bi campeão, foi longe de ser destaque enquanto piloto, ganhou 2 títulos (1 deles em cima do alemão, em 1998) porque possuía carro superior. Em 2000 Schumacher triunfou sobre o finlandês e naquele ano Häkkinen se aposentou. Häkkinen demonstrava sua incompetência principalmente em pista molhada, de modo que caia de rendimento muito acima do comum. Além da falta de adversários de nível, Schumacher em sua sequência fenomenal de 5 títulos entre 2000 e 2004, pilotava uma máquina muito superior, como prova disso tem-se o fato de que o medíocre Rubens Barrichello (colega de equipe) foi vice em 2002 e 2004.

De forma oposta, Senna em sua carreira não teve vida fácil, enfrentou como principal adversário o tetra campeão Alain Prost, grande piloto, referência dentre os nomes da F1. Além do francês, enfrentou outro bom piloto, o inglês Nigel Mansell, campeão em 1992. Senna enfrentou Prost estando na mesma equipe (McLaren) em 1988 e 89, vencendo no 1º ano e perdendo no 2º, voltou a ser campeão em 1990 e 91, ainda na McLaren e Prost na Ferrari, em 1993 já na Willians Prost voltou a triunfar sobre Senna. Foi uma rivalidade como poucas na F1, de 1988 a 1993 (exceto em 92), os pilotos polarizaram a disputa dos títulos, alternando campeão e vice.

Nesse sentido, não dá para não levar em conta que Senna teve muito mais dificuldade no caminho em relação a Schumacher, inclusive não seria nenhum absurdo afirmar que os 7 títulos do alemão não valem os 3 do brasileiro. Nesse sentido, a análise de quem foi o melhor dos 2 precisa com certeza fugir dos números, mas pra mim a interrogação será eterna, a única forma de ter essa informação seria mesmo o confronto em condições iguais de equipamento.

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Falsa Humildade!!


Não leia o texto, ele é horrível, eu sou burro e escrevo mal!

Falsa humildade é um comportamento presente em boa parte das pessoas, e consiste em fingir ser humilde para esconder sua arrogância, ou às vezes para não parecer arrogante.

A falsa humildade é demonstrada basicamente discordando dos elogios, tipo você elogia uma mulher bonita e ela diz: “Que nada .. hehe ... são tão feinha .. !” Boa parte das mulheres fazem isso, e pra mim não há nada mais bizarro. Elas acham que estão enganando a quem? Mulher bonita sabe que é bonita, do mesmo modo que homem bonito sabe que é, fingir se achar feio é é algo que eu reprovo, e pra mim mostra justamente o contrário do que a pessoa quer mostrar. Geralmente quem finge discordar de elogios são as pessoas que mais “se acham”, é uma regrinha básica da psicologia reversa, quem é metido tenta esconder isso fingindo ser humilde em determinadas ocasiões. Mas claro que isso não é regra, existem aquelas pessoas que fingem discordar de elogios para não transparecer arrogância, fazem isso por uma convenção social que se criou, que concebe a pessoa que concorda com elogios como pessoa metida. Vale lembrar que o mesmo vale para qualquer outro tipo de elogio, seja inteligente, culto, honesto, e por ai vai.

Eu não tenho falsa humildade, se recebo elogios cabíveis simplesmente agradeço, não precisa concordar, apenas agradece caramba! Outro comportamento de certas pessoas é falar mal de si mesmas ou das coisas que elas próprias fazem, não sei se seria isso uma falsa humildade, mas enfim ... é uma maneira de se proteger contra críticas também, fazem isso pensando o seguinte: “Poxa, se eu mesmo digo que o que faço é ruim, as pessoas não vão esperar muito do que eu faço, então não vão criticar, ou não sentiriam necessidade mais de fazer a crítica”. Tah .... não vou ser tão radical, algumas pessoas fazem isso com medo das críticas, ou até por timidez de mostrar seu trabalho, mas boa parte o faz para se proteger das críticas, e isso é PATÉTICO! É uma maneira de inibir quem tem a perspectiva de criticar. Querem um exemplo? Vejam esse vlog abaixo, reparem no título do vlog, depois vejam um dos vídeos.

http://www.youtube.com/user/canalruim

Canal Ruim, esse é o título do Vlog. Ai você abre os vídeos e vê que eles são elaborados em certo grau, tem até figurino, e uma edição que dá certo trabalho. Ai você pensa: Pra que um indivíduo iria se dar o trabalho de fazer algo ruim pra postar no you tube? Na verdade o canal é ruim mesmo, mas quem o fez com certeza não acha, se ele se deu o trabalho de fazer é por que acha o que faz interessante (tem gosto pra tudo). Ele usou o título para passar a seguinte idéia: “Eu faço merda e assumo que faço merda, então não faz sentido você me criticar!”, o que pra mim é uma babaquice sem tamanho. Aliás, esse é um comportamento que tem se tornado típico nos vlogs, as pessoas falam mal do que fazem para se proteger de eventuais críticas. “Ah ... não assistam isso não, é uma bosta ... !” Quanto ao Canal Ruim, quem acha que estou exagerando quanto ao título, vejam o que ele fala no vídeo de apresentação do canal: "Ah ... estou gravando isso mas não sei se vou postar porque vai ficar horrível, e blá blá blá .... "

Então o recado que deixo é esse, não aja com falsa humildade, ainda que isso seja um requerimento social, e muito menos fale mal do que você é ou do que você faz para se proteger de eventuais críticas.

Ah ... e você leu o texto por que? Eu não disse que não era pra ler? Que o texto era ruim? Leu porque quis, eu disse pra não perder o tempo!

Pois é .... eu escrevi esse texto porque achei o tema interessante, e você, achou? Clique em uma das reações ou comente!

terça-feira, 1 de março de 2011

A decadência do Axé Music!


Definitivamente Axé não é a música que compõe os arquivos de meu MP4. No entanto, não curtir não significa odiar, repudiar, e muito menos impede que eu faça uma análise racional do estilo musical.

As origens do axé estão na década de 1950, quando Dodô e Osmar começaram a tocar o frevo pernambucano em rudimentares guitarras elétricas (batizadas de guitarras baianas) em cima de uma Fobica. Foi o ponta pé para o desenvolvimento de um estilo peculiar, que com a influência de outras vertentes, como forró, maracatu, reggae e calipso, se consolidou por volta do início da década de 80.

Escrevi um texto aqui no blog falando sobre a síndrome saudosista, que fala da mania das pessoas de hiper-valorizar o que é antigo. Mas como falo no inicio do texto, em alguns setores a música tem piorado, e um deles é o Axé Music.

Em 1º lugar vamos colocar os pingos nos “Is”, Axé é música de carnaval, produzida para entretenimento do público, foi um estilo que se desenvolveu juntamente com o carnaval, não dá para separar o Axé do evento. Então menos forçação de barra ao analisar o Axé enquanto música, ok?

Porém, até para entretenimento existe qualidade, e o que tenho observado ao longo de minha vida é uma decadência grande do estilo. Essa depreciação não é recente, já está em curso desde 15 ou 20 anos atrás. Quando era criança, lembro das músicas que eram tocadas no carnaval de Salvador, no geral costumavam ter muito mais qualidade. Claro que haviam as músicas bobas, como “Nega do cabelo duro” e Cia, mas existiam músicas com um nível maior de qualidade, que representavam de forma bastante significativa a baianidade, as peculiaridades da Bahia. As músicas tinham “cheiro” da Bahia. Isso sem falar da estética, tinham melodias muito mais apuradas e letras mais poéticas e de melhor nível.

Isso com certeza é surpreendente para algumas pessoas, sobretudo as mais novas, mas essa música abaixo é do Chiclete com Banana, com autoria também de Bel Marques, intitulada "Que força é essa?".



Agora me respondam se nos dias atuais se produz Axé desse nível, ou próximo disso. E para mostrar que a música acima não foi algo residual, ai vão links de outros exemplos de boas músicas daquela época.

http://www.youtube.com/watch?v=QEm3kExTVcs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Cq5b8VSBZjs
http://www.youtube.com/watch?v=vG2PtDvHDe4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=husQU3dRj7Y&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=AH5f0vnmiTQ&feature=fvwrel
http://www.youtube.com/watch?v=u8iXbbJQymk&feature=related

Porque o Axé tem piorado tanto? Hoje em dia observo as músicas tocadas, bandas bisonhas como Asa de Águia fazem o maior sucesso, Chiclete com Banana está longe de ser o que foi na de´cada de 80. Músicas como Dalila são destaque no evento, e por ai vai. Pra mim isso é resultado da mercantilização cada vez maior do carnaval de Salvador. De todos, é o carnaval que tem a representação cultural mais fluida, diferente de outros, como Rio e Olinda, que mantém as tradições há tantos anos. O carnaval de Salvador é muito mais voltado para o turista do que para o próprio baiano, o resultado é a perda da identidade do evento. Hoje diversos outros estilos musicais tocam no carnaval de Salvador: sertanejo, pop, rock, até a música clássica já “ousou” subir no trio elétrico.

Acho que infelizmente é um processo irreversível, levar o carnaval de volta às suas raízes pelo “chicote” é algo que mexe com muitos interesses e até mesmo com o gosto do público. Agora é aturar as Dalilas que virão a cada ano, e curtir do jeito que dá, a final, nem tudo está perdido ainda, mas do jeito que vai nossos netos poderão estar escutando samples ao invés das batidas do Olodum.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Preguiça Baiana: Um chute no saco dos sulistas!


Preguiça Baiana ... estereótipo que muita gente encara como simples brincadeira, tipo gaucho viado, mas no caso da piada onde a vítima é o baiano a brincadeira está carregada de outros sentidos por trás, sentidos xenofóbicos e pejorativos.

A piada do baiano preguiçoso carrega acima de tudo o sentido de atraso econômico, no sentido de que o sudeste e sul são desenvolvidos industrialmente, são modernos, e o nordeste é atrasado, atribuindo ao sulista o adjetivo de povo trabalhador, e ao nordestino o adjetivo de preguiçoso.

O problema não está na piada em si, nem na atribuição do adjetivo, mas sim na questão valorativa por trás do adjetivo. Existe uma perspectiva de inferioridade cultural quando se faz esse tipo de atribuição (ainda que implícita), que está atrelada à perspectiva de inferioridade econômica.

Para rebater esse tipo de discriminação os baianos costumam tentar provar que o baiano não é preguiçoso, e ai mostram números, fatos, etc, etc. Existe até uma dissertação que faz esse estudo, que chega à constatação de que o baiano trabalha mais que o povo do sudeste. Mas eu não vou entrar nesse mérito, prefiro tocar na raiz da questão.

É engraçado como o adjetivo “trabalhador” está carregado de um sentido valorativo positivo, e o contrário um sentido negativo. As pessoas esquecem que o trabalho a que elas se referem não é qualquer trabalho, não é a servidão do feudalismo, nem o trabalho de subsistência dos indígenas, mas sim o trabalho das relações capitalistas, trabalho da burocracia capitalista, que estabelece relação de patrão e empregado, com vistas à acumulação de capital. Nesse sentido, esse trabalho que realizamos não é natural do ser humano, é um trabalho que fomos condicionados socialmente e historicamente a fazer. Na época da revolução industrial a jornada de trabalho para as mulheres eram de 14 a 16 horas na Inglaterra, e de 10 a 12 para crianças. Hoje isso poderia ser considerado um absurdo, mas na época era normal, com certeza seu patrão iria rir de sua cara se você dissesse a ele que o correto seria 8 horas por dia. O ser humano tem uma tremenda capacidade de se adaptar a contextos adversos, a prova disso é que tem gente comendo lixo e sobrevivendo, ou seja, estar adaptado a um contexto não significa que aquilo é natural. Toda forma de trabalho supõe relações sociais prévias que o condicionaram.

Onde quis chegar com tudo isso? Simplesmente ao fato de que estar mais disposto ao trabalho da burocracia é um condicionamento social, portanto não pode (ou não deveria) carregar nenhum sentido de valor positivo nem negativo. O estado capitalista é muito mais presente no sul e sudeste devido ao processo de formação econômica do país, e isso obviamente condiciona a uma consolidação maior da cultura capitalista nessas regiões, que por sua vez condiciona a uma maior adaptação da sociedade ao trabalho da burocracia capitalista.

O termo preguiça baiana, dentre outras atribuições xenofóbicas, que consiste em supor que a Bahia e nordeste são menos evoluídos, carrega o caráter de evolução cultural, o que remete ao evolucionismo antropológico. É bom lembrar que a teoria evolucionista na antropologia (de teóricos como Morgan e Freezer) há mais de um século foi superada, portanto evolução cultural ou social é um termo retrógrado, atrasado, que cheira a mofo. Então quem é atrasado aqui caro sulista xenofóbico?

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A campanha que é um saco furado!


Campanha “Saco é um Saco”, promovida com a finalidade de reduzir o uso de sacolas de plástico por parte dos consumidores, por motivos óbvios de questão ambiental. A campanha consiste principalmente em estimular os consumidores a utilizarem sacolas retornáveis como substituição das plásticas. Abaixo vai o link do site da campanha.

http://www.sacoeumsaco.com.br/

Essa campanha de iniciativa do ministério do meio ambiente me parece mais o “Amigos da Escola do Meio Ambiente”. Segue a mesma lógica, jogar a responsabilidade do processo para quem menos deveria ou quem menos pode arcar. No caso específico, estão querendo jogar para o consumo uma responsabilidade que é da produção (em sua maior parte).

De acordo com a campanha, os consumidores devem, por consciência ambiental, substituir as sacolas plásticas pelas retornáveis, que em sua maioria são de pano. Essa campanha representa, antes de mais nada, uma sugestão ao consumidor que ele arque com o “mal estar” de carregar sacola de pano pra cima e pra baixo, sem falar de outra inconveniência, que é em determinadas situações ter de misturar no mesmo saco produtos de caráter diferentes, como de gênero alimentício e de limpeza.

Não estou condenando a campanha, nem sugerindo que a mesma não serve pra nada, acho sim que cada qual deve arcar com um custo se quisermos preservar o meio ambiente. Mas será que somente nós consumidores que temos que arcar com o processo? Será que somos nós que temos de dar o ponta pé inicial, ou assumir essa responsabilidade? Existe uma tendência de se transferir problemas nos quais o maior culpado é o setor produtivo, para os consumidores. A embalagem biodegradável é uma tecnologia que já existe há muito tempo, no entanto eu nunca na minha vida comprei um produto com embalagem desse tipo. Hoje já existem embalagens biodegradáveis até para produtos do gênero alimentício, mas onde estão elas? “Mas o custo é mais alto dessas embalagens!” Ah é? E porque o governo não oferece incentivos no IPI (Imposto sobre produtos Industrializados) para produtos com embalagens biodegradáveis (é só um exemplo)? Onde está a ação do governo nesse sentido? Não adianta reduzir o uso de sacolas de plástico e continuar consumindo produtos em embalagens de plástico.

A questão envolve muito mais elementos, não é tão simples, não haverá redução substancial do uso do plástico no mundo porque isso tem impactos econômicos para as indústrias do petróleo. Essas campanhas são apenas para “forrar o estômago” (como diria minha avó), elas ajudam, mas não resolvem o cerne problema. Não acho justo jogar para o consumo uma responsabilidade que em sua maior parte é da produção.

Quando a questão ambiental for prioridade, vão colocar no mercado carros movidos a água (essa tecnologia já existe há muito tempo) ou outras fontes de energia menos danosas, ou no mínimo vão tirar de circulação essa bizarrice que são os carros com motores que “bebem” combustível, de potência astronômica, com trocentas mil válvulas e cilindros. Se a redução do uso de plástico fosse realmente uma prioridade já existiam políticas incisivas do governo em relação ao uso dos biodegradáveis, desde incentivos fiscais à taxação de quem utiliza embalagem convencional. Portanto não venham querer me convencer de que a responsabilidade do meio ambiente está em minhas mãos (enquanto consumidor), ela está nas mãos de todos nós, e nós consumidores pouco podemos fazer em comparação com o que pode o setor produtivo. Todos precisam estarem dispostos e comprometidos a ajudar, mas o que não podemos é esquecer ou esconder os entraves econômicos e políticos que impedem a transformação de fato, muito menos deixar que esse tipo de campanha sirva de máscara para ludibriar a sociedade, desviando o olhar do centro do problema.

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

6 coisas que não fazem sentido Pt II


Para os desavisados, eu já havia publicado uma postagem com esse título, portanto essa é a parte II.

Ai vão mais 6 coisas que não fazem sentido!

1 – A expressão “Não precisa ficar Nervoso”: Essa é uma expressão popular que eu, você e todo mundo usa, mas é uma das mais idiotas que existe. O sujeito vai apresentar um seminário, está hiper nervoso, ai vem aquele ombro amigo e diz: “Não precisa ficar nervoso!” Nossa! Que confortante heim!!! Quase colo de mãe um conselho desse! Ninguém fica nervoso porque precisa, hoje em dia quando alguém me fala essa frase sinto vontade de dizer: “Ah não? Que bom, eu achava que precisava!!” Na verdade se eu tiver intimidade eu falo. Então quando alguém estiver nervoso, tente mostrar motivos para ele ficar menos nervoso, e não dizer que não precisa. Em caso de apresentação de seminário, diga coisas do tipo: “Olha, me disseram que esse professor passa todo mundo!”. Isso sim funciona.

2 – Não sentar em lugar quente da bunda de terceiros: Eu não sei porque porra as pessoas ainda continuam cultivando o hábito de não sentar em lugar quente da bunda de outros. Você está em um ônibus, em pé, ai uma pessoa que estava sentada sai, então fica aquela rodinha de pessoas ao redor do banco esperando o local esfriar. Quando isso acontece comigo no ônibus não vão esperar, porque eu vou e sento, ai fica uns com cara de raiva e outros com cara de nojo. Tem até quem acredite que se pega hemorróida sentando em lugar quente de terceiros. Como é isso? Tipo ... hemorróida é provocada por uma bactéria que só sobrevive em temperaturas acima de 25º? Eu acho engraçado é que quando o ônibus lotado para no terminal e sai aquele monte de gente, os que entram não querem nem saber se está quente ou não o lugar, o problema é ver quem tava sentado ... ai é problema.

3 – Juntar dinheiro no porquinho: Eu não consigo entender o comportamento de quem junta grana em porquinho, sinceramente. Conheço várias pessoas que compraram um porquinho e disseram tipo: “Vou juntar dinheiro pra dar entrada em uma moto, todo dia coloco 1 real no porquinho!” Hã? Queee?? Qual é a diferença de você receber seu salário e separar 30 reais retardado? Separa na gaveta, ou envelope, sei lá. “Ah, mas se eu fizer isso eu não me controlo e gasto!” Então você não precisa de um porquinho, você precisa de um psicólogo, quebre o porquinho e pague uma seção. Tem gente que tem essa coisa de quando tem moeda na carteira fala que sente vontade de gastar. Como é isso? É tipo .. “Não quero chupar chiclete, mas já que estou com trocado vou chupar só pra gastar!!” Rai ai viu ...

4º A expressão “Seus pais são seus melhores amigos”: Outra coisa sem lógica. Seus pais não são seus melhores amigos, seus pais são seus pais e acabou. Ninguém liga pro pai e diz “Pai, sabe aquela morena da faculdade que tinha te falado? Peguei ontem, muito gostosa!” Existem coisas que você só conta para seus pais, e existem coisas que só conta para seu melhor amigo, simples assim.

5º Velocidade máxima dos automóveis: Eu fico analisando quanta tecnologia e trabalho existe para se multar uma pessoa que excedeu o limite de velocidade. Sensores nas rodovias, com uma câmera de 500.000 Megapixels de definição (isso foi um exagero proposital Troll), para fotografar as placas dos veículos, sem falar dos guardas. Grana essa que que poderia ser economizada vertiginosamente com uma coisa bastante simples. Basta criar uma lei limitando a velocidade máxima dos veículos comercializados, o governo economizaria tufos de grana e seria muito mais eficiente. A velocidade máxima permitida nas rodovias gira em torno de 110 e 120 km/h, no entanto existem carros sendo comercializados que chegam ao dobro dessa velocidade. Pra que um carro precisa correr 240 km/h? Pra fazer pega?

6º Mãe: É ... mãe não faz sentido realmente. A mãe fica 9 meses com o bacuri na barriga, se cuidando, enjoando, etc. Quando pare passa um tempão perdendo noites, gastando tufos de grana com fraudas descartáveis e tudo mais. Ai a criança cresce, vira bandido, traficante, estuprador, deputado, senador, e ainda assim a mãe continua defendendo, amando, e ainda leva lanchinho pra ele na prisão. Mãe é uma das coisas mais sem sentido que existe.

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Manual do Liso


O liso precisa de subterfúgios para sobreviver na selva do mundo capitalista, e não somente sobreviver, sobreviver com dignidade, pois como diria Arnaldo Antunes “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!”

Nesse sentido, irei passar aqui algumas dicas de economia e de como otimizar os gastos sem dar uma de mão de vaca. Práticas como: Guardar cotonete que usou só um lado, juntar resto de sabonete pra cozinhar e fazer um grande, fazer xixi no banho pra economizar água, usar papel higiênico carrascudo, é coisa de mão de vaca! Mão de vaca é aquele tipo de pessoa que faz esforço para economizar coisas que não valem o esforço, ou se submetem a algum tipo de mal estar para economizar coisas pequenas, essa é a definição de mão de vaca. Ai está a diferença entre mão de vaca e econômico. Vou dar umas dicas de como economizar sem ser mão de vaca, economizar com dignidade.

O primeiro ponto refere-se à economia em mesa de bar. Em mesa de bar, quando tá aquela galera enorme, geralmente quando chega a conta ninguém fica calculando quanto ficou certinho pra cada um, cada qual coloca uma quantia e paga a conta. Já pensou dividir a conta e ficar tipo R$ 7,65 pra cada? Ai vai cada um no balcão pagar sua parte? Não, se você propor isso vai ficar chato. Então em mesa de bar vá sempre com dinheiro trocado, pois quando chega a conta quem se ferra é quem têm dinheiro graúdo, pois vai sempre colocar a maior parte, enquanto os outros só completam a conta. Então divida sua grana em notas de 2, 5 e 10 Reais, para você colocar o valor que acha justo, e isso não é ser mão de vaca!

O segundo ponto é referente a restaurante. Olha ... ser pobre é uma condição social, mas ter “espírito” de pobre é preocupante! Então pelo amor de Deus, se você for em um bom restaurante rodízio (algo que não acontece com muita freqüência para os lisos), só coma coisas caras!! Só pegue picanha, filé, etc. Canso de ver gente ir pra rodízio comer lingüiça e franco! Porra! Tu tem que morrer pobre mesmo! Tu quer dinheiro pra que?

Outro ponto referente a restaurantes, agora os que vendem comida a quilo. Uma dica é nunca colocar nada com osso, e nada que você não vá comer, pois isso tudo pesa e você paga. Às vezes a pessoa coloca partes do frango com osso, ou a carne de sertão e linguiça que vem dentro do feijão, depois nem come. E isso não é ser mão de vaca, ser mão de vaca é encher o prato de batata frita e alface pra parecer que está comendo muito e depois ficar com fome a tarde toda.

A ultima dica é referente ao sabonete. Todo mundo joga fora o finalzinho do sabonete, vamos supor que esse finalzinho representa 2,5g do sabonete. Sendo assim, quanto maior o sabonete, menor o desperdício. Isso é proporção, se você usa um sabonete de 50g, estará jogando fora 2,5g e consumindo 47,5g, ou seja, 95% do sabonete será consumido, mas se você usa um de 100g, estará consumindo 97,5% do sabonete. Então quanto maior o sabonete maior a economia. E isso não dá nenhum trabalho, é só comprar sabonetes maiores.

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tecnologias Inúteis


O mundo está ficando cada vez mais moderno (tenho certeza que pelo menos 70% dos vestibulandos introduzem a redação dessa forma quando o tema é modernidade ou tecnologia). A cada dia novos aparelhos e utensílios surgem para facilitar nossas vidas. Tah ... mentira, eles surgem para vender. E é justamente nesse sentido que quando não se tem mais o que inventar, tentam empurrar goela abaixo um monte de parafernália que não serve pra porra nenhuma, tudo isso tendo como combustível o fetiche que a tecnologia exerce nas pessoas.

A grande maioria dos aparelhos ou funções de aparelhos tem alguma utilidade de fato, mas também existe uma parcela considerável que só serve para vender para pessoas sem noção que são taradas por tecnologia. Vou falar de alguns exemplos.

Os novos celulares estão vindo com uma função que você pode mudar de música movimentando o celular para o lado, a função é possibilitada por um sensor. Nem precisa dizer por que é uma tecnologia inútil né? O engraçado é ver pessoas que tem celular com essa função tentando explicar porque é útil, é muito cômico.

Outra tecnologia inútil são os comandos de voz. Na verdade eu nem diria que é uma tecnologia inútil, em alguns casos chega a ser uma “destecnologia”. Lembro-me quando a operadora Oi resolveu colocar o atendimento através da merda desse comando de voz, era um verdadeiro inferno, você precisava falar sem sotaque, de forma pausada, muito bem pronunciada, e em um ambiente silencioso para não atrapalhar, e quando a porra do computador não entendia soltava aquela mensagem “agradável”: “Desculpe, não compreendi, fale novamente qual serviço deseja consultar”. Isso sem falar das vezes que ele entendia errado. A função está presente em alguns aparelhos também, e o que é pior .... tem gente que usa e acha o máximo, coitados dos gagos ....

Eu não poderia deixar de citar as escovas de dente. Você vai num supermercado e tem lá um monte de espécies de escova, cada uma mais excêntrica que a outra. Acho que já lançaram todos os formatos possíveis de cerdas de escova, tem em formato de onda, entrelaçada, com a frente grande, em círculos, com as laterais maiores, etc, etc etc. Quando não houver mais formas de modelar, acho que vão criar uma escova que já vem com pasta nas cerdas. Tudo isso é inútil, os próprios dentistas falam que a única característica necessária na escova é que seja macia, só. E eu nem vou falar dos cabos emborrachados ....

Bateria eletrônica ... outra inutilidade. Quando inventaram esse troço esqueceram de consultar os bateristas se eles iriam gostar. Eu não conheço nenhuma banda de grande porte que utilize essa bateria, e o motivo é simples. Tocar um instrumento não é só fazer com que saia o som, tocar é emoção, é prazer, e para um baterista, bater em um pedaço de borracha e sair um som de prato, depois bater em outro pedaço de borracha e sair som de caixa, é o fim da emoção. Claro que tem gente que usa, mas a invenção definitivamente não vigou, pelo motivo comentado acima e também pela estética que é horrível.

E agora o momento cômico da postagem, que é um troço que achei no Google, um utensílio cuja finalidade é fazer com que os ovos cozidos fiquem quadrados. Ai em baixo vai o link com o vídeo para não dizerem que estou inventando, e eu nem vou comentar sobre o que um indivíduo faz com um ovo quadrado, porque existem menores de 16 anos que lêem esse blog.

http://bagarai.com.br/ovos-quadrados.html

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Futebol Feminino e Preconceito


O futebol feminino é uma modalidade que está sendo extremamente difícil de vigar, são anos de luta, que está dando resultado, mas percebo que uma pequena evolução é a custa de muito suor.

Existe ainda muito preconceito em torno desse tema, os homens em sua maioria não assistem futebol feminino, e as mulheres também não. “Ah, é bizarro de mais!”; “É muito lento”; “A diferença é gritante em relação ao masculino” .... declarações como essa são corriqueiramente escutadas quando se trata do assunto. Acontece que as pessoas não param pra pensar que em todos os esportes que exigem condicionamento físico a diferença entre masculino e feminino é gritante. No basquete a diferença é tão gritante quanto no futebol talvez, quase não há enterrada na modalidade feminina do esporte, é outra coisa, outra forma de jogar. No vôlei também se percebe diferença grande, o feminino é muito mais lento e com menor força nos ataques. As mulheres nunca irão se equiparar aos homens nesses tipos de esporte, por causas que é desnecessário mencionar tamanha a obviedade. No entanto, isso não quer dizer que as mulheres não podem apresentar um bom espetáculo, basta o público saber separar as coisas, e não querer comparar homem com mulher.

A modalidade feminina do futebol tem apresentado substancial evolução, quando era criança lembro que as competições eram duras de se ver, “não existia” tática, era um bando de perna de pau correndo atrás da bola, de cada 10 tentativas de chute eram 4 furadas e 3 caneladas. Mas hoje já percebo uma evolução substancial, nos campeonatos mundiais seleções como a dos EUA já apresentam uma disciplina tática bastante consistente, no Brasil nem tanto, mas a evolução no geral é bastante significativa se compararmos com 10 ou 15 anos atrás. Isso significa que as mulheres sabem jogar bola, falta apenas os meios se tornarem propícios para isso acontecer, pois ainda falta melhorar em muitos aspectos.

O futebol feminino precisa de incentivo, e é uma ingenuidade achar que o mesmo virá da iniciativa privada, ou querer cobrar isso da mesma. O capital privado segue o rastro do lucro, onde não vale a pena investir, ou onde o retorno não compensa o risco, o capital não vai. Nesse sentido, acho bastante pertinente chamar a atenção em primeiro lugar das mulheres. Se o esporte é feminino e está precisando de incentivo, quem tem de tomar a iniciativa e levantar a bandeira da modalidade são as irmãs de sexo, fica complicado vigar se nem as mulheres assistem. Então você que é feminista e reclama da falta de incentivo ao esporte, o primeiro passo é começar a assistir, e se possível freqüentar estádios. Hoje muita gente tem TV por assinatura, então se você (mulher) passar a assistir, estará pelo menos aumentando a audiência no momento da transmissão do jogo.

Outra coisa que sou a favor é de medidas mais incisivas por parte da FIFA para estimular o esporte. Como o capital privado descontrolado nunca correrá para onde não tem lucro, a solução é o controle do mesmo. Nesse sentido, uma medida que pode ser tomada é criar algum tipo de lei para atrelar o investimento no futebol masculino ao futebol feminino, por exemplo: De todo investimento realizado na modalidade masculina, uma porcentagem será por lei investida na feminina. Ou seja, imaginando que essa porcentagem seja 10%, se uma empresa investe 10 milhões no futebol masculino, terá de investir 1 milhão no feminino. No caso de clubes que desenvolvem as 2 modalidades o processo seria parecido, 10% do investimento privado recebido teria de ser destinado à modalidade feminina. Bem ... eu não sei se burocraticamente existe possibilidade da implantação de uma lei como essa, nem se a FIFA legalmente tem esse poder, mas é só um exemplo de como se pode forçar o investimento no futebol feminino, é claro que o espaço está aberto para o surgimento de várias outras idéias ainda melhores.

Mas é bom lembrar que qualquer lei que se crie será inútil se não passar a existir uma cultura de futebol feminino, nada adianta se as mulheres não desenvolverem apreço pelo esporte. Nas olimpíadas não vejo comoção das mulheres para torcer pela seleção feminina, são poucas as que se movimentam. O mínimo que se exige de quem reclama é que faça ao menos o que está a seu alcance.

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