sábado, 14 de maio de 2011

Padrão de beleza existe?


Achar alguém bonito é algo derivado de uma cultura, ou de nossos instintos?

Frequentemente se ouve falar que nosso padrão de beleza é um padrão europeu, que as pessoas brancas são consideradas mais bonitas no geral por uma questão de dominação cultural, que é fruto também de uma dominação econômica. Nesse sentido é que surgiu a concepção de que todas as raças são igualmente bonitas, e na opinião das pessoas essa homogeneidade não existe por questões culturais, onde a “concepção” dissimulada ou inconsciente de raças ou culturas mais evoluídas interferiria nas concepções de beleza.

Acho muito radicalismo simplesmente dizer que beleza é cultural e pronto, e acho ingenuidade achar que as questões culturais não interferem. Nós seres-humanos também somos constituídos por instintos, e como tal estabelecemos preferências sexuais independente de questões culturais. Ninguém acha bonito alguém de testa exagerada, ou com dentes tortos, dentre outras tantas formas de apresentar um caractere feio. Se eu posso estabelecer preferências dentre indivíduos de uma mesma raça, porque não posso estabelecer preferência dentre raças?

Eu particularmente (como diria Romário) tenho uma admiração pelos traços indígenas e orientais, eu não fui condicionado a isso, a beleza oriental e indígena não é o hegemônico na mídia, de forma alguma, mas é um gosto particular que possuo. Então vamos ter cuidado ao definir padrão de beleza, e também julgar o gosto das pessoas como sendo discriminatório ou não. Gostar do que é “excêntrico” é normal, mas gostar do que é “padrão” é alienação ou discriminação? Muita calma nessa hora!

Acredito que o padrão de beleza existe e ao mesmo tempo não existe, se tudo fosse condicionado por esse padrão não existiria filme pornô com pessoas gordas, os gostos fora dos padrões estão ai, homens que gostam de mulheres gordas, ou muito magras, mulheres que gostam de homens carecas, e por ai vai. Outra questão é: Até que ponto a cultura forma os padrões e até que ponto os padrões formam a cultura? O mundo da moda tenta há muito tempo “impor” através dos meios de comunicação (principalmente revistas) um padrão que não colou, que é a mulher muito magra. Até que ponto os padrões são digeridos? E de que forma que esses padrões são formados? Como acontece a comunicação entre o que é “imposto” culturalmente e o que é preferido biologicamente? Creio ser uma boa reflexão.

É bom lembrar que a afirmação “Isso é cultural” não tem valor nenhum se você não consegue explicar porque é cultural.

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domingo, 1 de maio de 2011

Inglês ... a língua musical!


Inglês é uma língua mais musical que o português!!!

“Você é um americanizado, alienado da Globo!” (pseudo-intelectual sobre a afirmação)

Para muitos fazer uma afirmação desse tipo realmente seria fruto de uma alienação à cultura norte-americana, mas quero mostrar que não tem nada a ver.

Inglês é uma língua extremamente musical, e mais musical que o português, isso devido a questões fonéticas. Vamos à questão!

O principal fator que leva a esse raciocínio é a divisão silábica da língua inglesa, sendo que a quantidade de monossílabas é muito maior do que no português, além disso, no geral a quantidade de sílabas menor. Abaixo estão alguns exemplos para efeito de ilustração:

Monossílabas:

beer / cer-ve-ja
book / li-vro
car / car-ro
dream / so-nho
house / ca-sa
milk / lei-te
speak / fa-lar
trip / vi-a-gem
white / bran-co

Outras:

gram-mar / gra-má-ti-ca
mo-dern / mo-der-no
na-ture / na-tu-re-za
te-le-phone / te-le-fo-ne
com-pu-ter / com-pu-ta-dor
air-plane / a-vi-ão
psy-cho-lo-gy / psi-co-lo-gi-a

Em frases esse fenômeno tende a ficar mais evidente:

Let's-work (2 sílabas) / Va-mos-tra-ba-lhar (5 sílabas)
I-like-be-er (4 sílabas) / Eu-gos-to-de-cer-ve-ja (7 sílabas)
How-old-are you? (4 sílabas) / Quan-tos-a-nos-vo-cê-tem? (7 sílabas)
Did-you-watch-that-mo-vie? (6 sílabas) / Vo-cê-as-sis-tiu-à-que-le-fil-me? (10 sílabas)

Nesse sentido, não há dúvidas de que é muito mais fácil encaixar uma frase em inglês em uma melodia, do que encaixar uma frase em português. Não somente pelo tamanho das palavras, mas também pela articulação das mesmas, que pela estrutura contém um menor número de pausas na pronúncia.

Outra questão são as possibilidades de contrações. A língua inglesa abre uma infinidade de possibilidades desse tipo, de modo que ao compor o indivíduo tem certa liberdade em escolher o tamanho da frase que ele quer. Ex:

I have / I’ve
I Will / I’ll
I am / I’m
We are / We’re
I would / I’d

Sendo assim, se a frase ficar grande e não encaixar na melodia, pode-se tentar reduzir ela se existirem possibilidades de contrações, e isso sem mudar em nada a leitura da frase.

A língua inglesa então apresenta uma “plasticidade” grande, bem maior em relação ao português, algo que a torna uma língua mais musical. Em relação a outras línguas como Japonês e Francês eu não saberia dizer com precisão, mas acredito que é difícil uma língua ser mais musical que o inglês. Isso pode desagradar alguns bairristas fanáticos, mas estou tratando de termos técnicos, e não de questões culturais.

Os exemplos foram retirados do seguinte site: http://www.sk.com.br/sk-pron.html

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domingo, 24 de abril de 2011

Os astros medíocres da música!


Quem são nossos verdadeiros astros da música? Muita gente discorda de mim em relação ao argumento que vou utilizar, até me chamam de chato ... está bem, eu reconheço que sou pouco chato às vezes, mas em grande medida é porque costumo analisar as coisas de forma racional, quase sempre. E o ponto em questão é que eu não dou muito valor a músicos que não produzem música.

Quando digo isso já espero logo aquela frase que é quase um jargão “Ah .. mas existe o compositor e o cantor, eles se completam”. Primeiramente é bom deixar claro que essa separação é algo muito mais presente nas músicas mais voltadas para o mercado massificado, por exemplo, no Axé music isso é muito evidente, de modo que os artistas estabelecem parcerias com compositores. Em estilos que possuem público mais direcionado, como no rock, isso ocorre pouco, o que é hegemônico são as bandas produzirem suas próprias músicas. Portanto essa separação compositor/cantor (ou banda) é algo que de forma alguma precisa existir.

Eu fico observando as pessoas tratarem músicos como ícones, ou fenômenos, sem analisar racionalmente o que essa pessoa representa para a música, o que ela de fato contribui para a música. Para quem é fã pode parecer absurdo, mas Maria Rita é só uma bela voz, mais nada. Ela está muito longe de ser o novo fenômeno da MPB. “Ah, mas ela canta muito bem!”. Canta, concordo, é uma linda voz, mas lindas vozes eu abro o you tube e vejo aos montes, eu vou no festival Vozes da Terra e encontro até melhores que ela. Então Maria Rita não passa de mais uma, o diferencial foi o fato de ser filha de uma ícone da MPB, e por conta disso as portas se abriram muito mais facilmente. O mesmo vale para Sandy & Júnior, Luan Santana (esse inclusive a voz é bem normalzinha), boa parte das bandas de Axé, e por ai vai.

Nesse sentido, isso não é um questão de gosto, eu não suporto Zezé di Camargo, pra mim ele canta como um bode com fome, mas não dá pra comparar ele com Luan Santana, Zezé é um artista que se fez, ele estourou com uma música dele (um pé no saco a música, mas enfim .. ), Luan Santana é um artista fabricado, tem talento? Tem! É afinado, tem carisma .... mas não se faz como artista, depende dos outros, depende de toda uma estrutura por trás dele, se tirar tudo que está por trás dele não sobra quase nada.

A não ser que se trate de um cantor ou instrumentista com execução fenomenal, como Fred Mercury ou Ney Matogrosso, quem não tem seu sucesso pautado em suas produções deve ser tratado como merece, ou seja, como mais um.

É claro que a indústria fonográfica também transforma produções ruins em sucessos, mas não vou entrar nesse mérito, quero tratar somente da questão dos artistas que não produzem e que muitas vezes são referenciados como grandes artistas, ou fenômenos.

Não estou falando para dispensar os artistas que faço referência no texto, gosto de Maria Rita por exemplo, acho inclusive que muitas músicas de outros artistas ficaram melhores na interpretação dela, é somente uma questão de bom senso, não posso chamar de fenômeno alguém que não tem nada de especial.

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Violins - Direito de Ser Nada


Vou ceder um espaço dessa página “oculta” pra falar dessa banda, que pelo que vem produzindo nos últimos anos merece 1 hora dessa madrugada chata de pós quarta feira, em que meu time me fez raiva.

Direito de Ser Nada acabou de sair do forno, mais novo trabalho do Violins, banda de Goiânia que desde 2001 vem produzindo um rock independente de ótima qualidade. Com forte influência do rock Inglês, de bandas como Radiohead e Muse, os goianos liderados pelo compositor, vocalista e guitarrista Beto Cupertino, vem produzindo uma sonoridade bastante diferente, com melodias e letras marcantes, e que mesclam distorções agressivas com uma estética bastante nostálgica. Na verdade para definir a estética dessa banda seria necessário uma análise de cada álbum, já que no decorrer dos 7 já lançados as variações na roupagem sempre são muito intensas.

Aliás ... intenso é a palavra certa para designar tudo que se refere ao Violins, com letras sempre fortes e por vezes polêmicas, Beto Cupertino aborda temas geralmente referente à religiosidade e a questões existencialistas. A análise do “ser” está bastante presente em suas composições, e é destaque na nova obra prima “Direito de Ser Nada”, como sempre, mais um álbum conceitual da banda. Pra quem não sabe, álbum conceitual é aquele em que existe um tema central, no qual todas as letras giram em torno desse. Nesse sentido, a partir desse título deixo as mentes dos leitores fluírem imaginando o conteúdo da obra.

Quem me conhece sabe que não sou muito de meias palavras, então o que acho bom falo com a mesma intensidade que falaria se fosse ruim, e não tenho nenhum receio em arriscar dizer que Beto Cupertino é o maior letrista do rock do país hoje. Talvez até pela carência de rock de qualidade no Brasil, mas não enxergo outro. É realmente surpreendente como ele produz tanta música boa em curto espaço de tempo, sendo o único compositor da banda, e mantendo um ritmo de lançamento de um álbum por ano.

Violins é o tipo da banda que pra conhecer precisa escutar pelo menos 3 álbuns, já que a banda está sempre se “mutacionando” e se reinventando, trazendo sempre uma estética diferente. Esse álbum acredito ser o mais fácil de digerir, pra quem quer conhecer a banda, sugiro escutar esse primeiro.

Para baixar o novo álbum, o download está disponível no site da banda, com opções para o modo gratuito e pago. Abaixo está o link.

http://www.violins.com.br/

É sempre bom ajudar a dar um UP em bandas de qualidade, que lutam no “submundo” da música independente, que não pagam jabá e não ficam nas tardes de domingo fingindo aturar aquele gordo (ou ex gordo) chato e sua platéia de andróides.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ensino superior Público X Privado ... Até onde vale essa "guerra"?


Vivemos uma época de expansão das faculdades particulares, sobretudo daquelas à distância. Essa expansão tem origem nas leis que facilitam a implantação dessas instituições, e dos sistemas de financiamento do governo, como FIES e PROUNI. À medida que cresce o número dessas faculdades, cresce também a valorização simbólica em torno da faculdade pública, de modo que os estudantes destas constantemente reafirmam o valor e a qualidade das mesmas. Frases como “Hi ... foi mal, a minha é federal!” podem parecer algo sem importância, mas elas tem forte poder de enriquecimento simbólico.

Essa é uma questão complicada, porque ao mesmo tempo que ela é necessária, também criou algo destrutivo, que é o preconceito com alunos de faculdades particulares. A meu ver essa valorização simbólica é necessária para fortalecer a instituição pública, nesse sentido, o diploma de uma faculdade pública “falar mais alto” (a menos a princípio) que de uma particular a meu ver de certa maneira é importante, ainda que em certos casos essa valorização seja muito mais simbólica que concreta.

No entanto, tenho percebido que isso tem criado certo preconceito com os alunos das faculdades particulares, a coisa está saindo do campo da afirmação e partindo para o campo do sectarismo. Isso fica bastante evidente no comportamento dos estudantes de faculdades privadas, que sempre costumam ressaltar o quanto sua faculdade é difícil e boa. É preciso colocar as questões em pratos limpos, no geral as faculdades públicas são melhores, isso é indiscutível, basta comparar a pesquisa e extensão existente nas públicas em relação às particulares. Mas essa valorização está tomando um caráter preconceituoso, de modo que as pessoas duvidam da capacidade de um aluno da particular, os próprios alunos do ensino superior privado sentem vergonha de onde estudam. Duvida? Pergunte a uma pessoa qual curso ela faz, se ela estuda na pública muito provavelmente vai responder: Ex: “Faço nutrição na UFBA!” Se ela for da particular vai dizer: “Faço nutrição!”. Ou seja, ela não diz o nome da faculdade. Eu já presenciei situações de a pessoa ficar constrangida em dizer onde estuda, isso é complicado.

Estudar em faculdade pública não é sinônimo de maior inteligência ou capacidade, alguns cursos de baixa concorrência por exemplo é bastante fácil entrar. Sem contar que tem um monte de gente que se forma aos trancos e barrancos, alguns na base da pesca, outros fazendo final em quase todas as disciplinas, outros comprando trabalhos e a monografia na internet, e por ai vai. A instituição ajuda bastante, fato, mas não define a qualidade de nenhum profissional.

O recado que deixo então para ambas as partes é o seguinte. Se você estuda na instituição privada, por favor, não fique ressaltando que seu curso é difícil, isso é chato e só mostra o quanto você está insatisfeito lá. Para os estudantes das faculdades públicas, não menosprezem os alunos do ensino privado, futuramente um deles pode ser seu patrão, quem sabe?

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Novelas .... Por que elas são assim?


“Novela é assim mesmo!” Quem nunca escutou essa frase? Novela (uso o termo para me referir especificamente à telenovela) já sabemos como é ... previsível, mal feita e mentirosa. Quando surge alguma crítica em relação à vulgaridade na elaboração das mesmas, sempre se usa o argumento de que novela é assim mesmo. Mas por que será que novela é assim? Será que precisa realmente ser assim?

Existem alguns elementos que são realmente entraves que atrapalham na elaboração de um enredo de qualidade quando ele toma o caráter de novela, eles são basicamente os seguintes:

1º O caráter da produção: A novela é uma produção voltada inteiramente para o entretenimento, a proposta não é de oferecer algo de qualidade, mas sim de atrair audiência. É claro que o cinema precisa de bilheteria também, até para justificar o investimento, mas os filmes são divididos em categorias, existe filme para todo tipo de pessoa. Obvio que os filmes que um intelectual assiste não são os que passam na Sessão da Tarde. No caso das novelas é complicada essa divisão em categorias, já que uma rede de TV só pode transmitir uma novela por vez, a Globo não pode transmitir 3 ou 4 novelas em horário nobre ao mesmo tempo. Nesse sentido, a preferência é sempre uma produção que atinja a massa.

2º A divisão da exibição: Novela é diferente de filme, ela é exibida diariamente em capítulos (normalmente), dessa forma, o autor e diretor precisam organizar o enredo do modo que todos os dias aconteça algo marcante no fim do capítulo, para estimular o telespectador a assistir no dia seguinte, isso compromete em certa medida a existência de um enredo bem elaborado.

3º A necessidade de polimento: Como são produzidas para a grande massa, para população no geral, os enredos não podem conter elementos que possam causar repulsa em parte das pessoas, então são retiradas cenas fortes de violência, de sexo explícito, palavrões, críticas incisivas, etc. Além do polimento tem a questão da censura pela qual os produtores precisam tomar cuidado.

4º A falta de exigência do público médio: O público médio geralmente não é exigente, isso de certa forma acomoda os produtores a oferecerem algo de melhor qualidade.

5º A amplitude de núcleos: Diferente das séries, as novelas geralmente tem vários núcleos pelos quais o enredo transcorre, eles estão ligados a um núcleo central, mas tem uma independência relativa. Nas séries normalmente existe um núcleo central somente, o que torna mais fácil o trabalho da direção.

Tendo em vista os elementos apresentados, a única maneira de melhorar o nível das novelas é o público passar a ser mais exigente. Se o público médio mudar suas preferências as redes de TV terão de se adaptar, já que eles buscam justamente esse tipo de público.

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cala a boca, isso é ciência!


Muitas pessoas tem o costume de usar a atribuição científica para legitimar seu argumento. “Isso é provado cientificamente!” ou “Isso é ciência!”, são as frases mais comuns que se escuta em discussões a respeito de um tema qualquer. A ciência nesse caso é como um selo de garantia de qualidade, ou como uma “carta coringa” que se usa pra se vencer uma discussão, e o pior é que normalmente cola.

Primeiramente as pessoas nem param para refletir sobre o que é a ciência, tratam algo científico como uma verdade absoluta, inquestionável. Existem muitas definições de ciência, não existe um conceito exato sobre o termo, mas duas características que constituem a ciência são bem claras, a existência de um método racional para estudar o objeto, e de um critério. As pessoas na maioria das vezes nem se lembram em se questionar sobre os critérios que determinado estudo se utilizou, parece que ser científico põe o estudo em uma posição de blindagem. Os critérios utilizados para estudar algo podem ser equivocados, ou pode existir mais de um critério pra se estudar o mesmo objeto, e nem por isso deixará de ser ciência. Só para exemplificar, existe uma pesquisa que faz parte das estatísticas do IBGE chamada POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), dentre os critérios utilizados nos microdados da pesquisa, para caracterizar subnutrição eles usam um cálculo envolvendo peso e altura do indivíduo, um critério bastante questionável, já que não necessariamente peso em proporção à altura indica boa nutrição ou não. Mas a POF é uma pesquisa científica e rigorosa.

Outro erro é as pessoas confundirem explicação científica com prova científica. Tudo que é provado cientificamente é explicado, mas nem tudo que é explicado é provado. Nas ciências sociais por exemplo, a palavra “provado” quase não existe, o que existem são explicações. Explicar algo não é provar, pode-se fazer uma formulação rigorosa que explique determinado fenômeno, mas que não prove que a explicação é uma verdade. É ai que muitas pessoas usam a ciência pra legitimar seu argumento quando é conveniente, por exemplo: existe uma explicação social para as manifestações supostamente espirituais do candomblé, segundo alguns teóricos essas manifestações seriam representações psíquicas daquele contexto social. Certo, é uma explicação, mas não uma prova. À luz da sociologia não há como provar algo desse tipo, e essa explicação não necessariamente tem mais credibilidade que a explicação religiosa. Mas as pessoas (e até professores muitas vezes) usam a credibilidade desmedida que tem a ciência pra se impor em seu argumento: “Isso é um estudo científico!”, são colocações que inibem o “oponente” na discussão.

Mudando de ciência, indo para as ciências naturais, me irrita ver as pessoas tomando como fato algo que é uma mera hipótese ou teoria. Tem muitas teorias na biologia que explicam certas preferências através de necessidades biológicas, como aquela que diz que o homem prefere mulheres de ancas largas porque essa seria capaz fisicamente de ter uma gravidez de melhor qualidade, uma espécie de instinto do macho. E tem gente que trata isso como um fato, e não como hipótese. Falem isso para um sociólogo e vejam a resposta dele.

Ciência não é sinônimo de verdade, nem se deve usar o termo para fortalecer argumento nenhum, quem usa a ciência como escudo em discussões é porque no fundo sabe que seu argumento é questionável.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Regionalismo Musical


“Você deveria escutar música de sua terra!” Quem nunca ouviu isso? É uma frase que você ou já disse, ou ouviu de alguém, ou escutou alguém falar para outrem. Ela é pronunciada principalmente por pseudo-intelectuais, que se acham cultos porque escutam Tom Zé. Essas pessoas acham que escutar, ou dar preferência a músicas de fora é uma espécie de alienação, de subordinação a outras culturas. Acho isso um tanto engraçado, porque a mesma pessoa que fala uma coisa do tipo, acha bonitinho quando um europeu se apaixona pelo samba, ou pela capoeira, estaria o europeu errado também? Quanto a isso acho importante colocar os pingos nos “is”.

Discriminação musical é algo que existe, não vamos também cair na ilusão de supor que não existe nenhuma resistência em aderir a estilos oriundos da periferia econômica, sobretudo em relação a ritmos africanos (isso em termo global), mas acontece que o mundo está repleto de estilos musicais divergentes, e as pessoas precisam ter a liberdade de apreciar aquilo que quiserem, que se sentirem mais atraídas. E nesse sentido também, supor que nosso gosto musical foi simplesmente formado pela sociedade não passa de outra asneira, o ser humano é uma mescla extremamente complexa de diversos elementos, reduzir todas as suas características de comportamento à influência do meio, para um pseudo-intelectual pode parecer Cult, mas pra mim é chulo ao extremo.

Voltando ao assunto em questão, quando falo de estilos, é necessário entender (ou aceitar) que nós não somos bons em tudo. Independente das causas, o Brasil pode ser o país do Samba, da Bossa Nova, do Forró, Sertanejo, etc, mas definitivamente não somos o país do rock por exemplo, e se for colocar em uma escala, nem entre os 5 primeiros ficaríamos com certeza. A Inglaterra está para o rock como a Brasil está para o samba, não existe rock no mundo que se compare ao rock inglês, e acabou! Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Yes, Iron Maiden, Black Sabbath, Rolling Stones, entre tantas outras bandas, fez da Inglaterra o país do rock, e não só em qualidade, mas também na originalidade. E não se trata somente de “dinossauros” do rock, existe um movimento recente no país, com uma sonoridade particular, que alguns chamam de progressivo moderno, de bandas como Muse e Radiohead (de maior destaque), que mantém o país no topo. Então não há o que discutir frente à obviedade, eles fazem rock como ninguém. Na frente do Brasil ainda existem outros países, como EUA, de bandas como Metallica e Kiss. No Heavy Metal moderno os europeus em geral dão uma surra nos sul-americanos, com destaque para a infinidade de bandas alemãs.

Algo que me irrita é ouvir dizer que eu tenho de escutar mais o rock brasileiro, eu não tenho de escutar o rock brasileiro, simplesmente porque o Brasil tem pouca representatividade no estilo. Bandas brasileiras que fazem sucesso lá fora (poucas), como Angra e Sepultura, fazem estilos que não surgiram aqui, o Brasil não exporta rock. O rock genuinamente brasileiro (se é que isso existe, mas ai é outro texto) para o mundo tem o mesmo impacto de jogar um balde d’água no mar.

Preferência é algo completamente diferente de atribuição de valor, ou seja, o problema seria supor que a música de fora é superior à nossa música, nisso sim existe uma subordinação a outras culturas, mas estabelecer preferências é a pura demonstração da liberdade de escolha. Quem gosta de rock então, por razões obvias tenderá a apreciar mais o rock de fora, e não há nada de estranho nisso. Ah .... e eu nem vou falar sobre frases do tipo: “Como você escuta música em inglês? O cara pode tah xingando sua mãe e você não sabe!” Acreditem, existem pessoas com mais de 15 anos de idade que falam isso!

Falei do rock porque tenho mais proximidade com o estilo, mas o argumento vale para outras vertentes, como Blues, Pop, e por ai vai!

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