sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cultura e o dogma científico do intocável

Depois que a antropologia admitiu a premissa de que nenhuma cultura é menos evoluída (ou pior) que outra, passou a ser proibido criticar a cultura alheia, como se fosse um pecado científico. Nesse sentido, uma série de hipocrisias e equívocos foram sendo cometidos.

A concepção de que nenhuma cultura é superior às demais, parte do princípio de que só é possível fazer tal julgamento partindo de valores, portanto, de um modelo de cultura como referência. Como os valores são construções sociais, seria então arbitrário julgar a cultura alheia como inferior. Mas o que as pessoas (e até mesmo antropólogos) precisam compreender, é que isso é uma base teórica para a definição de cultura enquanto algo subjetivo, não quer dizer que na prática eu não possa estabelecer julgamentos.

Julgar a cultura alheia não é "pecado", desde que eu o faça me utilizando de uma lente para enxergá-la. Ou seja, no campo da completa subjetividade, qualquer julgamento é arbitrário, mas se eu QUISER enxergar a cultura sob a ótica da liberdade por exemplo, posso sim fazer. Na verdade fazemos isso o tempo todo, mas muitos não enxergam, e se tornam hipócritas. Eu não posso criticar um índio que mata o filho que nasceu deficiente, mas posso criticar um cara que discrimina um gay. Como é isso? Que critério é esse? Se a cultura alheia não pode ser julgada, porque posso julgar minha própria cultura? É bom lembrar que a cultura que faço parte não foi construída por mim, e sim herdada.

Não poder julgar a cultura alheia significa não poder julgar a minha também, por uma simples questão de lógica, visto que o meu vizinho reproduz algo tão quanto um índio, ou um japonês. Nesse sentido, se não posso criticar um índio que mata seu filho, também não posso criticar um sujeito que discrimina gays. Ambos são motivados por questões culturais.

Feminismo, socialismo, movimento gay, movimento negro, qualquer tipo de luta contra a discriminação parte de valores, concepções de como a sociedade deve ser, de rompimento com os padrões. Portanto, esses movimentos JULGAM a sociedade a partir de uma “lente”, que é a lente da liberdade e da igualdade. E acredite, liberdade e igualdade são valores.

Vamos então parar com essa retórica de bolso para tirar ondinha de intelectual na mesa do bar. Todos temos o direito de criticar o que quisermos, inclusive a cultura alheia. Criticar não é sinônimo de dizer que a pessoa faz aquilo por impulsos individuais, mas sim dizer que aquilo está errado e pronto, é fazer a mesma coisa que fazemos todos os dias com nossos amigos, vizinhos e familiares. Sua cultura não é melhor do que a dos outros, portanto não trate a do outro como “café com leite”. É de um centralismo absurdo tratar a própria cultura como dinâmica e a do outro como intocável.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cantadas de Torcedor

Tricolor Carioca: Chega a pé, de cabelo escovado, unha feita e roupa da Lacoste. Dá um jeito de dizer que seu carro está na oficina, enquanto tenta convencê-la que é de boa família.

Botafoguense: Virgem, chega nervoso, com discurso planejado. Tropeça na calçada, ela ri da situação, ele coloca o dedo na cara da moça e diz o quanto ela é patricinha e manipulada pela Globo.

Flamenguista: Chega de nariz empinado, com celular tocando funk em volume máximo e diz: “Já é ou já era?” A moça larga o vascaíno e fica com ele. Dois dias depois ela o trai com um torcedor do Volta Redonda.

São Paulino: Desliga o celular para o “amigo” não ligar, chega educadamente e pede a mão da moça em casamento, oferecendo uma aliança de diamante. A moça fica emocionada e diz que quer terminar a conversa em sua casa. Ele aceita, mas fala que só faz sexo depois do casamento.

Corinthiano: Chega todo sujo, de pochete e palito na boca. Diz que tem um pau de 20 cm, leva um fora e vai assistir jogo do Corinthians pra esquecer.

Santista: Recita 5 poesias de um autor desconhecido, leva rosas vermelhas, caixa de bombom e um vinho do porto. Fica 40 minutos dizendo o quanto é romântico, inteligente e diferente dos outros homens. A moça enche o saco e vai para praia com as amigas.

Atleticano: Chega deprimido, fica 2 horas falando o quanto está carente. Promete dar casa, comida e roupa lavada. A moça dá um fora e ele liga para a mãe dela para chorar e dizer o quanto a ama.

Gremista: Chega todo bruto, segura a moça pelo braço e diz o que sente vontade de fazer com ela. A moça grita e um torcedor do Internacional chega de Hilux para salva-la.

Tricolor Baiano: Vai ao encontro com a moça, no meio do caminho lembra que tem jogo do Bahia e para em um bar para ver. A moça fica esperando, enche o saco e dá para um torcedor do Vitória.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Danilo Gentili: Humor ácido para pessoas insossas

Muito se tem discutido a respeito do teor humorístico utilizado por talentos do “novo humor” brasileiro, derivado do Stand Up norte-americano. As figuras mais conhecidas e polêmicas são Rafinha Bastos e Danilo Gentili. O primeiro acabou se dando mal ao fazer uma piada escrota com Wanessa Camargo, saiu da Band e está na Rede TV. O segundo ainda está na Band, mas vem criando algumas polêmicas com piadas agressivas e de conteúdo racista. O fato divide opiniões, existem os admiradores do humorista, que acreditam que o humor sempre será agressivo, pois não existe piada sem “vítima”, e do outro lado todo o resto da população, que acha que precisa haver limite até no humor. Existe também quem admira o humorista mas discorda de certas piadas.

A maior polêmica com Danilo foi sobre uma piada racista disparada pelo twitter, que dizia: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?" Além da polêmica isso gerou um processo judicial que nem sei em que pé anda. A outra polêmica famosa teve como vítima a comunidade judaica, com a seguinte frase também no twitter: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz". Dessa vez o humorista pediu desculpas.

Em relação à piada racista Danilo escreveu um texto em seu blog se justificando e ironizando os politicamente corretos. O texto foi bastante compartilhado nas redes sociais, com a chamada: “Esse é o problema de mexer com gente inteligente”. Li a famigerada resposta de Danilo aos politicamente corretos e percebi o quanto as pessoas se deixam levar por meia dúzia de frases de efeito. Danilo é inteligente sim, e bastante articulado, mas quando se faz uma merda, nem o maior gênio do mundo consegue se justificar. Ele se esforçou, mas só os ingênuos engoliram seus argumentos, que podem ser vistos nesse link: http://senale.wordpress.com/2010/06/20/racismo-resposta-de-danilo-gentilli/.

O fato é que apesar de ser difícil fazer humor sem vítima, existem vários tipos e níveis de agressividade. Chamar uma loira de burra é completamente diferente de chamar um negro de burro, sobretudo porque o estereótipo “loira burra” se restringe ao campo da piada, no caso do negro não. Ninguém realmente acha que uma mulher pode ser burra pela cor do cabelo, mas muitos acham que a cor da pele pode estar ligada à inteligência. Uma coisa é o campo da piada, outra é o mundo real. Os negros sofrem com o racismo desde 1500, e as implicações são severas, basta observar qual é a cor da população pobre e marginalizada do país. Indo nesse mesmo caminho, a comparação de negro com macaco tem um sentido simbólico muito mais pesado do que chamar um gordo de baleia. Não estou dizendo que chamar gordo de baleia é legal, e sim que existe um abismo de diferença entre gordo/baleia e negro/macaco. O negro não “é” só feio, “é” burro, incapaz, ladrão e até mesmo inferior. Então o teor da piada racista será sempre infinitamente mais pesado que o teor de piadas de loira, português, japonês, gordo, etc, que não estabelecem conexão com o mundo real, ou se restringem a questões frívolas, como por exemplo o tamanho do pênis.

Danilo adora usar frases de efeito em programas de TV para se justificar, e se vacilarem ele é capaz de falar merda e ainda sair por cima, a depender de quem argumente contra ele. Só existe uma maneira de parar de ser fantoche de gente inteligente, é ser inteligente também. Caso contrário você pode se tornar consumidor de qualquer merda, como no vídeo abaixo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O amor é racional

Em termos de relacionamento a maior lorota ensinada é a de que o amor é uma coisa irracional, que o coração fala uma língua diferente da do cérebro. É esse o discurso utilizado para se tentar justificar paixões que a pessoa muitas vezes tem vergonha de dizer quais os reais motivos.

Se o amor fosse essa coisa totalmente irracional, seria possível uma pessoa se apaixonar por outra mesmo odiando todas as características dessa pessoa. As pessoas se atraem pelas características que tem apreço, e não por uma força inexplicável. O problema é que falta coragem para admitir que um traço considerado ruim lhe atrai.

Preferência é algo subjetivo, mas a partir do momento que a pessoa escolhe parceiros de acordo com determinadas características pré-definidas, a escolha está no campo da razão, e não da emoção. O que pode ter um viés irracional é a preferência, não o amor. Existem muitas mulheres por ai que adoram um canalha, mas para camuflar essa preferência dizem: “Não mandamos em nosso coração!” Lorota!!. Admita que você adora um pilantra. O mesmo vale para homens, alguns não conseguem esquecer aquela que lhe deu vários cornos. Tenha a coragem de explicar porque você gosta dela. Você não ama a pessoa, ama as características dela. Se achar outra “igual” vai amar do mesmo jeito. Acontece que nos atraímos por um conjunto, e não por um traço apenas, é ai que mora a enganação. Precisamos de um mínimo de auto-reflexão para saber explicar porque gostamos de determinada pessoa. E acredite, sempre há explicação. Então não existe essa história de “segui o meu coração”, isso é frase pronta de novela de Manuel Carlos. Sempre seguimos nossa razão!

O leitor pode então citar casos em que pessoas de contextos distintos se apaixonaram, tipo a burguesinha que se casou com um pobre lascado. Isso não muda em nada o raciocínio, nesses casos o que ela dá valor e admira em um homem não tem relação com classe social, e vice versa. E existem também as preferências excêntricas, eu conheço casos estranhos, de gente sentir atração por criminosos por exemplo. Como já havia dito, as preferências podem ter um viés irracional.

Outra frase de bolso que muitos usam é “foi amor à primeira vista”. Amor à primeira vista é aquele que deu certo, o que deu errado a gente toma 5 cervejas e esquece. Quantas vezes nos encantamos com uma pessoa e depois isso não dá em nada? Nesses casos, porque não usamos a mesma frase “foi amor à primeira vista?” Onde está a coerência?

O que falei nesse texto pode parecer meio obvio, mas muita gente acredita nessas conversas fiadas. Vamos aprender a enfiar o dedo em nossas próprias feridas e explicar nossas paixões sem usar o escudo do coração.

Vou aproveitar para parafrasear uma amiga, sua frase cabe bem no contexto: “Até mesmo a loucura está dentro da razão” (Ana Clara Teixeira)

Gostou do texto? Então deixe seu coração falar mais alto e compartilhe no facebook. Hehe.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sou foda!

Marx .... ahhh Marx, figurinha tão carimbada no círculo de estudantes das áreas de humanas. É o intelectual mais estudado da história sem sombra de dúvida, e o menos compreendido também. O meio onde o teórico recebe as críticas mais rasteiras é no curso de Ciência Econômicas, ataques em 99% dos casos disparados por estudantes cheios de espinha na cara, que mal sabem onde fica o banheiro da faculdade. Isso é explicado pelo perfil dos estudantes de economia no geral, que se dividem basicamente em dois tipos. 1 – Escolheram um curso fácil de passar no vestibular. 2 – Gostariam muito de entender quando William Bonner fala que a bolsa caiu.

Eu ingressei no curso de economia como o segundo tipo, e sei que se trata de um bando de jovens que entram “de pau duro” no curso, cheios de vontade de entender o Jornal da Globo. A depender do centro em que estiverem, caem na onda das frases de bolso (dos professores) e começam a ridicularizar o incompreendido Karl Marx. Do outro lado da barricada tem os marxistas, em boa parte constituídos por pseudo-intelectuais (portanto pseudo-marxistas) esquerdistas leitores de sumário de livro. Em sua maioria estudantes do curso de história. São os “marxistas Testemunho de Jeová”, que até andariam com “O Capital” em baixo do braço, se tivessem lido.

O marxismo foi tão vulgarizado que os verdadeiros estudiosos do intelectual criaram outra designação para se diferenciarem, se auto-intitulando marxianos, e usando o termo “marxistas” para se referir aos vulgares. Essa vulgarização também dá munição para os meninos de espinha na cara, que pentelham Marx todo fim de semana na mesa de bar.

Independente do sadomasoquismo que fazem com o coitado do Marx, é importante lembrar: O que ele representou para a ciência nada tem a ver com as interpretações chulas e oportunistas feitas na posteridade. Marx é sem sombra de dúvidas o maior intelectual da história das ciências. Você riu? Certo, então cite outro cientista que possui prestígio mundial em 4 áreas do conhecimento. Marx tem cadeira cativa na Ciência Política, Sociologia, História e Economia. Eu poderia até citar Geografia e Pedagogia, mas para evitar polêmica deixa pra lá. O alemão foi realmente muito fodão, e essa é uma verdade inexorável, doa a quem doer.

Se você é estudante de economia com espinhas na cara, está perdoado, pode esculachar Marx à vontade, suas palavras não serão escutadas pela sociedade acadêmica (apesar de ser uma puta falta de sacanagem). Mas se você já é um sujeito de carreira sólida, cuidado com as blasfêmias e os discursos vulgares, desdenhar do velho barbudo por si só é atestado de falta de conhecimento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Greve de professores ... pelo direito de roubar com dignidade!

Vivemos a era da greve, raro é o funcionário público que não está “parado”. Recentemente aqui na Bahia chegou ao fim uma greve que durou 115 dias, que foi a dos professores da rede estadual. A revolta é geral em torno do governador Jaques Wagner, que se negou a negociar. Eu apoio a causa da greve, principalmente pelo governador não ter cumprido uma promessa em relação a benefícios já conquistados. Mas me sinto na obrigação de comentar a respeito da cara de pau que possui boa parte desses professores.

Brasileiro é o povo mais cínico que existe no mundo (deve ser), aqui o sujeito lhe rouba e ainda te mete um processo por você reagir ao assalto. Na hora de reclamar todo mundo levanta o dedo pra exigir seus supostos direitos, mas na hora de cumprir seus deveres ... que deveres né?

Toda greve de professores é um festival melodramático de quem luta pelo direito de roubar com dignidade. A final pessoal, colocando na ponta do lápis, em porcentagem, qual a parcela dos professores da rede pública que merece um aumento? Hã? Sou aluno da rede pública no ensino superior, e vejo o assalto aos cofres públicos que rola todo mês, por professores incompetentes ou descompromissados com a educação. Gente que por ter doutorado na Europa, EUA e o escambau, se acha no direito de fazer o que quiser dentro de uma sala de aula. Gente que acha que o salário que recebe todo mês é um prêmio por ter passado no concurso. No ensino médio a coisa é pior, é de lá que saem as histórias mais toscas possíveis, como de um professor de matemática em minha cidade natal que deu 1 aula durante o ano inteiro. E parece que quanto menor a cidade pior é a realidade. Mas esse mesmo pessoal na hora da greve está lá xingando o governador de ladrão, escroto, hipócrita (acredite se quiser), mentiroso, neoliberal, etc. Como eu havia dito, nunca duvide da capacidade de um brasileiro em ser cínico. Se me perguntarem se sou a favor de greve de professores, tendo a dizer que sim, porque os competentes e dedicados não podem pagar pelos vaga-bundos. Mas que é revoltante ver um ladrão julgando o outro, ah, isso é!!

Eu queria fazer uma pequena enquete aqui, gostaria que todo aluno da rede pública que lesse o texto escrevesse informando quantos de seus professores você acha que merece um aumento, ponderando com o universo. Tipo: “Tenho por volta X professores e acho que Y deles merece aumento.” Quero ver se chegaremos a 50%, duvido!

domingo, 5 de agosto de 2012

Futebol é Telecatch com bola, pare de assistir!

Nunca foi tão moda como agora falar em conspiração no futebol, PQP! Acho que o facebook tem um efeito danoso para a sociedade, que é espalhar qualquer coisa com uma eficiência absurda. Para algo espalhar na rede social basta você fazer uma coisa bonitinha no CorelDraw, com foto, desenho, e colocar uma frase de impacto, tipo uma que está rolando na rede, que é: “A Skin incentiva o estupro”. Tem gente que curte sem saber do que se trata, sério. Se a pessoa ao menos procurar saber e analisar a questão com um mínimo de imparcialidade, verá que não passa alucinações das feministas, que parece que deram pra fumar absorvente sujo, só pode.

No futebol a coisa é mais irritante ainda, basta ter um erro de arbitragem a favor de Flamengo ou Corinthians que tico e teco começam a se morder, daí saem as teorias conspiratórias mais psicopatas possíveis, que dão origem a postagens rasteiras e dossiês esquizofrênicos. Em 2010 saiu um dossiê tentando provar que o título brasileiro estava armado para ser do Corinthians, no final da competição o clube do Parque São Jorge ficou em 3º. Como assim? Mas não tava armado cambada? Na verdade nem precisa ser um desses 2 clubes os supostos vilões, se a partida for contra um time do nordeste o vilão pode ser qualquer uma das equipes grandes.

O Flamengo é o mais visado de todos, há quem ache que o clube da Gávea nunca ganhou um título por méritos, todos eles foram armados .... rsrs. Não estou exagerando, já li um dossiê em que o autor afirmava que o Flamengo moralmente só tem 2 Brasileiros no máximo, o resto foi armação. Há inclusive quem ache que na decisão do Brasileiro de 1992 o Flamengo comprou todos os jogadores do Botafogo (sem exagero). Pra essas pessoas só tenho uma coisa a dizer? Por que você assiste futebol? Quero muito obter essa resposta, se é tudo armado pra que porra você assiste? É masoquismo? Porque se for eu acho mais coerente torcer pro Bahia logo de uma vez ... hehe.

Corrupção no futebol sempre existiu, não sou inocente ao ponto de achar que o esporte se resume às 4 linhas, mas também não sou recalcado ou retardado a ponto de achar que tudo está armado, ou pior, achar que meu time é um santo e os outros são corruptos. Futebol envolve muitos interesses, mas acho que quanto mais o público se aproxima do esporte, através da imprensa e dos meios de comunicação, fica cada vez mais complicado “mexer os pauzinhos” fora de campo. Na época de Pelé a maioria acompanhava os jogos pelo rádio, a outra parte ia ao estádio, não havia os recursos que temos hoje para avaliar a arbitragem por exemplo. Um árbitro poderia fazer absurdos em campo que a repercussão seria irrisória. Hoje está tudo muito claro, imagens de 500 mil ângulos diferentes, e fora de campo um batalhão de jornalistas loucos por um furo. A prova disso é que a armação da MSI/Corinthians em 2005 foi toda desmascarada.

A mais nova suposta conspiração é da CBF ter adiado o jogo do Flamengo para ajudar o time, os atleticanos acreditam cegamente que um clube que não consegue nem pagar a conta de telefone é capaz de fazer algum tipo de armação. O meu recado está dado, se realmente acha que o futebol é um teatrinho, um telecatch com bola, então para de assistir Zé Ruela. Porque se eu acreditasse nisso iria preferir colocar na simulação do PS3 e assistir, seria mais emocionante. Mas se não acha, então senta a bunda na cadeira e assiste o jogo que nem um homenzinho, ok?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Relatos de um ex Headbanger

Adolescência é o período da afirmação do indivíduo, e essa pode vir de duas formas: se distinguindo ou se igualando. Em outros termos, seguindo as normas ou se opondo a elas. Todo adolescente com forte necessidade de afirmação segue um desses caminhos, ou vira um(a) garoto(a) Malhação ou entra em alguma tribo, que pode ser punk, headbanger, gótico, e por ai vai.

Fui adolescente (obvio), e onde vivi, interior da Bahia, se enquadrar no padrão significava ir para as festas que rolavam na cidade (forró, pagode e axé) e namorar (mostrar que você namora). Se a pessoa fizesse as 2 coisas já era aceito na rodinha dos pops. Nesse meio ser popular é o máximo, um menino popular pode ser feio como o demônio que pega quem ele quiser. Do outro lado tem as tribos, que se opõem ao padrão. Eu era um adolescente tímido e caseiro, além de não ter muito sucesso no esforço para gostar das músicas da moda. Resultado, virei um Headbanger.

Headbanger (que na tradução literal significa batedor de cabeça) é o cara que escuta metal (só metal), anda de preto nas ruas (mesmo no sol quente), bebe, e principalmente, fala mal dos playboyzinhos pagodeiros filhos da puta. Na verdade o playboyzinho pagodeiro filho da puta não é muito menos babaca que o Headbanger, ambos seguem normas bisonhas para se firmar, a única diferença é que o segundo escuta algo um pouco melhor em média. Mas não dá para negar a imbecilidade de quem vai ao cemitério de noite beber só para dizer que é o mórbido transgressor. Eu não fiz isso, mas 90% faz. Não dá para negar a imbecilidade de quem acha que Bon Jovi é um lixo e Napalm Death é foda. Os Headbangers se acham Cult, inteligentes, e batem cabeça ao som de Devoured By Vermin – Canibal Corpse, que pra eles é arte de alto nível, anos luz à frente de Bossa Nova, Soul, Pop, ou qualquer outra coisa. Então se você é Headbanger e está lendo isso, saiba que você é babaca. Mas não se desespere, adolescência é a fase da vida que temos o direito de ser babaca. Direito não, é quase um dever, precisamos de histórias idiotas pra contar a nossos filhos.

É importante não confundir Headbanger com qualquer pessoa que escuta metal, hoje ainda escuto algumas bandas e nem por isso me considero um. Headbanger é o que faz parte da tribo, segue as normas e adota as práticas. É nessas normas que as babaquices se multiplicam, sobretudo nos critérios pra definir qual banda é true, qual é poser, qual é boa, qual a ruim, etc. No mundo do metal a banda precisa pensar se vale a pena evoluir, pois pode perder público. O tosco é muito valorizado, é cru, espontâneo. O mais elaborado é comercial, poser. Com certeza os headbangers acham o primeiro álbum do Viper mais foda que o 2º, porque é muito mais cru (eu chamo de feito “nas coxa”).Tecnicamente falando o 2º da banda está anos luz na frente, em todos os aspectos, só que se tornou mais melódico, então nos valores headbangers ficou mais poser ... rsrs. Lembro da vez em que um amigo disse que me mostraria o melhor álbum de Death Metal da história, eu estava ansioso e levei um K7 pra ele gravar. Tratava-se de Possessed – Seven Churches. Escutei e tive certeza de que no mundo headbanger ser tosco era bom. O segundo álbum dessa banda era muito melhor elaborado, mas era tratado como inferior.

Eu era um headbanger meio heterodoxo, não compactuava com muitas coisas, mas ainda assim não deixava de ser babaca, fingia a mim mesmo que eu era aquilo.

O recado que dou para quem é headbanger, é que você daqui a uns 4/5 vai olhar pra trás e rir de tudo isso. Você tem esse comportamento porque sente necessidade de se diferenciar, se firmar em algum grupo, ser aceito. Mas isso só é compreensível até no máximo 22 anos, mais do que isso começa a ficar preocupante. Eu parei aos 19 e estou limpo até hoje (glória pai). Pode me xingar nos comentários, você pode usar seu passe livre de adolescente para falar qualquer coisa, eu já fiz isso um dia. Só peço uma coisa, copia o link e volta a ler daqui a 4 anos, ok?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Toda brincadeira tem regras

Liberdade sexual é a palavra de ordem que tem esquentado o movimento feminista. Recentemente tivemos a Marcha das Vadias em vários lugares do país, que teve como algumas das principais reivindicações a liberdade sexual feminina e o direito de andar sem camisa como os homens. É preciso ter em mente que pudor é algo que existe até mesmo para os homens. O que percebo não é uma tentativa de busca pela liberdade no sentido amplo, mas de se igualar aos homens.

Por que o pudor tem sido tão combatido por esses movimentos? Será que é possível uma sociedade sem pudores? O mesmo é necessariamente algo ruim? Já que a busca é por um mundo com total liberdade sexual, vamos descrever como seria esse mundo? Bem ... já que o sexo deveria ser visto como algo tão comum quanto tomar um sorvete, visto que biologicamente não há nada que indique que a prática sexual deve ter regras, viveríamos então em uma sociedade poligâmica, onde as pessoas andariam nuas pelas ruas e fariam sexo com quem desejassem, a hora que desejassem, sem que ninguém olhasse torto. Estou montando um cenário extremo (de propósito), mas não incoerente.

Nesse cenário os pais poderiam estar assistindo TV na sala e sua filha (ou filho) no sofá ao lado transando com o vizinho, e seria algo do cotidiano. O sujeito conheceria uma mulher na fila do banco, a chamaria pra transar, depois dariam um até logo. Isso parece improvável, mas como todas as regras de conduta são culturais, essa sim seria a verdadeira liberdade sexual. Pergunto: Seria mais legal assim?

As pessoas deveriam refletir se querem realmente uma liberdade total, pois pra mim muitas vezes o próprio prazer é estimulado ou potencializado pelas regras de conduta. Ainda bastante jovem, achei o máximo quando vi um peito ao vivo pela primeira vez. Com a mesma animação, toda menina da idade se juntava com as amigas para ver filme pornô escondida dos pais. As vestes servem como elemento para esconder os órgãos do desejo e, ao esconder, excitam, promovem a fantasia e, por que não a magia? Todo o encanto em torno do sexo só é possível porque existem regras sociais que “regulam” sua prática. Às vezes, burlar essas regras é o que há de mais interessante, e isso vale para homens e mulheres. Só existe sedução porque existe pudor, a final, a sedução nada mais é do que convencer alguém a fazer o que ela já quer fazer. As regras não inventaram o sexo, mas reinventaram, criaram toda uma magia e uma fantasia, e a sociedade precisa pensar se quer mesmo viver sem elas. Isso pode parecer machista, pois dizem que o ônus das regras recaem somente sobre as mulheres, o que não é verdade. O machismo também atinge os homens, que são cobrados para possuir virilidade e atitude (iniciativa) sempre. Tudo que é cobrado das mulheres é inversamente cobrado dos homens. É claro que o maior prejuízo recai sobre as mulheres, mas machismo não se trata de uma relação maniqueísta.

Penso que as regras de conduta em relação ao sexo não devem ser radicais, pois o ônus é grande, sobretudo para as mulheres. Mas se elas se tornarem demasiadamente frouxas o encanto pode ser perdido, e com isso parte do prazer. Se duvida disso, pergunte para uma adolescente qual a sensação de sair de casa escondida para transar com o namorado. Depois pergunte se seria melhor se o pai dela a deixasse transar com o namorado no sofá da sala.

A regra só deve mudar quando seu ônus supera o bônus. Guardem seus seios como parte do desejo, é muito mais interessante e provocante. Bob Marley disse: “Se você segue todas as regras acaba perdendo a diversão”. Eu digo: Se você acaba com elas também. Toda brincadeira tem regras. Pular o muro é mais divertido do que derrubá-lo.