sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Roberto Carlos ... Rei? De onde?


Sempre questionei o fato de Roberto Carlos ter recebido o rótulo de Rei da nossa música, quem me conhece sabe e está cansado de ouvir isso ... rsrs. Nesse sentido, não me deterei aqui apenas aos argumentos de mesa de bar, e irei propor um critério para me fundamentar em relação a esse posicionamento.

Na minha opinião, um sujeito para receber tal rótulo precisa estar dentro de alguns requisitos. São eles:

1 – Ter um nível de qualidade musical considerável, que seja de modo geral respeitado como tal (esse é o aspecto mais subjetivo).

2 – Produzir uma música que represente a cultura do país, seja na estética ou nas letras.

3 – Ter uma representatividade ampla no país, não se restringindo a culturas locais (de certas regiões).

Dessa forma, pode-se observar 2 coisas. 1º Não é nada fácil se adequar a esses requisitos, e 2º Ser Rei não significa de forma alguma ser o melhor.

Nesse sentido, seguindo os requisitos citados, Roberto Carlos pode até atender ao primeiro e ultimo, mas ao segundo de forma alguma. O mesmo desde o início da carreira produz uma música que não tem enraizamento cultural brasileiro. Começou na década de 60 no movimento Jovem Guarda, fazendo um rock ‘n’ roll esteticamente copiado do rock inglês e americano, inclusive foi um movimento em que se fazia muitas versões de músicas de bandas inglesas, sobretudo Beatles. As letras falavam de amor e de cotidiano, mas de uma maneira desenraizada, sem produzir uma identidade com a cultura nacional. Eram músicas voltadas ao entretenimento, bastante comerciais e de aderência bastante ampla. Com o passar do tempo, Roberto Carlos se transformou em um cantor romântico, mas continuou produzindo música com representatividade nacional bastante rarefeita.

Não há nada na música de Roberto Carlos que se possa dizer: “Isso é Brasil!”, então porque rotular esse cantor como Rei da música brasileira?

Não estou tirando os méritos do cantor, acho que ele foi um cara que soube “barganhar” com o mercado de certa forma, produzir músicas comerciais sem cair na total vulgaridade estética. Apenas acho que o mesmo não representa nosso país. Quanto a seu sucesso fenomenal, é bom lembrar que ele fez parte de um movimento de cunho não político em uma época de ditadura, na qual vários artistas estavam produzindo músicas politizadas e de encontro ao sistema. Então a Jovem Guarda foi um movimento que teve portas escancaradas na mídia e em qualquer lugar, o que facilitou bastante na popularização. Não que eu ache que a música politizada é melhor que a que não é, falo isso apenas para tratar de fama, oportunidades e popularidade.

De acordo com esses critérios, Roberto Carlos está muito longe de ser o Rei de nossa música. Quem é nosso Rei então? Não sei ... complicado definir, e a perspectiva do texto não é essa. Talvez um sambista, ou alguém da Bossa Nova ... pensei em Luiz Gonzaga, mas sua música tem representatividade um tanto restrita, ficando mais no âmbito regional. Em relação às letras poderia ser Raul, Cazuza, ou Renato Russo. Enfim ... é muito complicado. A única coisa que sei é que o trono continua desocupado .... a majestade que está ai reina um outro povo, e não o meu!

OBS: Os critérios que utilizei são meus, não existe critério para definir quem deve ou não ser o rei da música de um país. Criei os mesmos por achar coerente sua aplicação.

É isso, concorda com o texto? Comente ou marque em uma das reações abaixo. Se discordar é importante justificar ... e se quer defender alguém enquanto merecedor do rótulo de Rei da música brasileira, poste ai sua defesa! Fui ...

sábado, 27 de novembro de 2010

Precisamos combater o combate ao tráfico!


Mais um conflito entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro, dessa vez com maior intensidade, mas nada de muito diferente, as pessoas com medo de sair nas ruas, bala perdida pra todo lado, e salve-se quem puder. Muitos traficantes estão sendo presos, a polícia está sendo mais incisiva porque os mesmos passaram dos limites dessa vez, tocaram fogo em vários veículos como represaria pela transferência de alguns presidiários traficantes.

Eu fico observando os cariocas na internet, sobretudo no twitter, falando que todo esse conflito é um mal necessário, que é preciso realmente combater o tráfico, e blá blá blá. Outros falando que a culpa de tudo isso é de quem sustenta o tráfico, inclusive o vlogueiro mais popular do momento, Felipe Neto. Os políticos a mesma coisa, sempre prometendo apertar o cerco contra o tráfico.

Será que os problemas se resolveriam combatendo o tráfico, ou as pessoas tomando “consciência” e parando de consumir drogas? Será que o tráfico de drogas é o cerne do problema? O que aconteceria se acabassem hoje com o tráfico? O que fariam os traficantes e todas as pessoas ligadas que vivem do processo? Iriam para as filas de empregos? Fariam concursos públicos? Pegariam o pouco que sobrou de capital e montariam um barzinho na esquina? Creio que não, a maioria esmagadora com certeza continuaria no mundo do crime de outras formas, com assaltos, crimes pela internet, seqüestro relâmpago, e por ai vai. Essas pessoas estão acostumadas a ganhar dinheiro fácil e em quantidade considerável, entraram no tráfico para não se submeterem ao salário mínimo, portanto continuarão fazendo o mesmo de outras maneiras. Dessa forma, em termos de criminalidade urbana, acabar com o tráfico, como quer a maior parte da sociedade, não resolveria nada, ou até agravaria o problema.

Vamos desmistificar essa questão, o estado não combate o tráfico, ele regula. É o que acontece com a pirataria, as barracas vendendo CDs pirata estão ai nos centros das cidades para todo mundo ver, se houvesse um interesse de acabar com isso, já teria sido feito há muito tempo. O estado precisa regular a pirataria da mesma forma que precisa regular o tráfico, ou seja, não pode deixar que ambos os processos escapem dos limites toleráveis, é isso que acontece na minha opinião. O que está ocorrendo no Rio, daqui a 15 dias estará tudo estabilizado novamente, o tráfico continuará atuando, a polícia vai afrouxar a rédea, e tudo voltará ao “normal”.

O estado não pode combater a pirataria de forma mais incisiva porque isso significa aumento vertiginoso da taxa de desemprego (formais e informais). No caso do tráfico, não apenas isso, mas também porque o processo requer alto investimento e mexe com muitos interesses. A questão é: Precisamos combater o tráfico de drogas? Na minha opinião, não dessa forma, não apenas através do enfrentamento. Bater de frente com o tráfico gastaria tufos de dinheiro público, e o resultado seria o aumento da criminalidade urbana, além do caos causado pelo próprio processo. Sem falar do aumento da pobreza nas favelas.

Tráfico de drogas não é a causa, mas sim um sintoma de um processo muito maior, que é a exclusão social. Combater o tráfico sem um programa incisivo e eficiente de inclusão social, não serve para porra nenhuma! É preciso combater incluindo, e não excluindo. Se for para fazer dessa forma é melhor deixar do jeito que está. Se nossa sociedade quiser exterminar o tráfico de drogas de forma inclusiva, terá de pensar em outra forma de sociedade, outra forma de capitalismo, pois nessa lógica econômica e política que vivenciamos não existem recursos suficientes para efetuar tal manobra. Nesse sentido, lembra do “louco” do Plínio? Que queria fazer auditoria da dívida pública? Pois é .... comecem a pensar nessas loucuras se quiserem uma mudança de fato, e não a troca de um problema por outro.

OBS: Fiz um comentário em resposta a um questionamento que serve como anexo. É bom ler principalmente em caso de discordância.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pseudo-intelectuais


Pseudo-intelectual, designação utilizada corriqueiramente quando se quer fazer referência a alguém que se mostra intelectual sem o ser na essência.

Eles se dividem em 2 tipos básicos, os pseudo-intelectuais acadêmicos e os pseudo-intelectuais Cult, ou pseudo-cult (Cult não no sentido literal, mas no sentido estereotipado, que é um indivíduo não somente culto, mas excêntrico sobretudo). O primeiro tipo é uma espécie que dá na academia, pessoas que querem transparecer intelectualidade por questão de ego, mas não possuem conhecimento substancial de fato. Essas pessoas tem o hábito de decorar nome de autores, para eles importa mais os nomes dos autores do que o conteúdo de fato, porque tudo que ele precisa é citar o autor em uma conversa de mesa de bar ou em suas intervenções em sala de aula. Então qualquer texto, resenha ou artigo que lêem, fazem questão de decorar o nome do autor, ainda que o autor não tenha grande representatividade. Além disso, eles tem como prática sair lendo a introdução ou o 1º capítulo de várias obras. O pseudo-intelectual lê pouco, então para transparecer conteúdo ele usa desse subterfúgio, com isso ele conhecerá superficialmente várias obras, mas poderá citar esses autores e essas obras quando quiser se passar por intelectual. Outro hábito bastante frequente nessas pessoas é forçar vocabulário rebuscado quando falam ou escrevem. Costumam falar difícil em ocasiões ou espaços que não há necessidade para tal, às vezes até cometem gafes usando termos que não cabem no contexto. Uma coisa é falar de forma rebuscada naturalmente, isso ocorre quando o indivíduo leu tantos autores com linguagem rebuscada que naturalmente ao se comunicar utiliza esses termos. Outra coisa é forçar o uso de termos mais complexos ou científicos, típico dos pseudo-intelectuais.

Eu acho bizarro esse tipo de prática. E antes que alguém ache que estou me auto-intitulando intelectual de verdade, não sou intelectual, não leio tanto assim, mas também não fico lendo introdução de livro pra dizer que conheço a obra e o autor, se pego algo para ler costumo ir até o fim, ou até onde a obra tem pertinência para o que quero apreender.

O outro tipo, o pseudo-cult, são aquelas pessoas que forçam uma excentricidade para posarem de Cult. Atualmente está muito na moda isso aqui no Brasil no meio musical, sobretudo no meio alternativo, pessoas sem conhecimento musical de fato, se passando por intelectuais do meio, utilizando um estereótipo (o termo é utilizado não somente com referência a estética) que transmite essa idéia. Sabe aquela pessoa que você vê, troca uma idéia rápida, e fica parecendo que ela conhece muito de música, e depois você vê que ela só conhece 5 ou 6 bandas? É isso! Esse tipo é também muito visto em movimento estudantil, pessoas de aparência e atitudes excêntricas, que compartilham ideais revolucionários que pouco conhecem. Esses na verdade aderem ao movimento para posarem de intelectual, forçam um estereótipo propositalmente a fim de fazerem ligação com essa característica, tem discurso incisivo, mas um pouco mais de papo e percebe-se que tem pouco conteúdo. Diferem portanto do novato no movimento, que conhece pouco mas está lá para aprender e contribuir, estimulado por sua perspectiva ideológica.

Se você lê introdução de livro (ou 1º capítulo) ou usa qualquer outro subterfúgio para transparecer intelectualidade, por favor, mude, não há nada mais patético do que isso. Ainda há tempo, Deus tem um plano para sua vida irmão!!

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sábado, 20 de novembro de 2010

Viva o Busão!!


Ônibus, esse meio de transporte coletivo tão massacrado pelas pessoas. O sonho de boa parte da classe média é deixar de andar de ônibus, existe uma espécie de satanização do ônibus (tá, exagerei, mas é pra dar uma ênfase mesmo ... hehe). Ônibus é tudo de ruim, é apertado, desconfortável, para toda hora, dá 500 mil voltas pra chegar no destino, um povo mal educado, que fede, faz mais calor também quando está lotado, faz zoada com os ferros batendo, isso quando não tem um chato te enchendo a paciência durante o percurso.

Certo, ônibus é uma “disgraça” mesmo. Mas teremos de conviver com ele, não existe espaço nas metrópoles para tantos carros se cada um resolvesse ter um, seria um verdadeiro caus. O ônibus vai continuar existindo, aumentando ou não o acesso pelos carros. Se a frota de carros chegar a um limite insustentável as prefeituras dessas cidades terão de criar formas de desestimular o uso dos mesmos, como pedágio nas avenidas mais movimentadas ou tornar o sistema de rodízio mais incisivo. Então vamos aprender a conviver com o velho busão, e lutar para que seu serviço melhore a cada dia.

Já pensaram nas coisas boas que o busão proporciona? Acho que todo tipo de aglomeração de pessoas é positivo em determinado aspecto. Já pararam pra pensar em quantas amizades já fizeram no busú? Eu já fiz algumas, hoje mesmo fiz uma em um episódio irritante de pegar o ônibus errado, que foi amenizado pela companhia dessa pessoa. Acho que todo mundo tem uma história pra contar derivada de um busú.

A sociedade está ficando cada vez mais individualista com o surgimento das comodidades, as pessoas nem percebem que ao terem um computador em cada quarto elas interagem menos com os familiares, não existe mais aquela reunião no lar pra ver TV, cada qual tem sua TV no quarto. As crianças não brigam mais, isso é um absurdo!! Hoje em dia você pergunta para uma criança como foi sua 1ª briga e ela diz que foi no Street Fighter. As brigas são importantes para as pessoas aprenderem a respeitar seus limites e a entender o lado do outro. A sociedade contemporânea está se tornando cada vez mais egoísta, sem que as pessoas percebam. A perda de interação causada pelas comodidades não é compensada com outras formas de interação, diferentemente dos problemas causados pela comodidade física, que pode ser compensado com academia.

Não estou fazendo uma apologia contra os carros, nem contra a disseminação de computadores, pelo amor de Deus (falo isso pelas experiências passadas aqui no blog de interpretações bizarras)! Faço apenas uma reflexão em relação aos “efeitos colaterais” das comodidades proporcionadas pela sociedade contemporânea.

Então viva o busão!! É um meio de transporte que ajuda na questão da redução de emissão de poluentes, ajuda no desafogo do trânsito urbano e de quebra “força” as pessoas a interagirem mais. Vamos lutar para que seja cada vez mais prazeroso se utilizar desse mecanismo, para que a necessidade de se ter um carro se torne menos gritante.

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domingo, 14 de novembro de 2010

A síndrome saudosista na música


Síndrome saudosista na música é a valorização inerte daquilo que é antigo nesse campo. Valorização inerte porque é uma valorização que não está pautada em um conteúdo que a explique. É como se a música fosse um vinho, quanto mais velha melhor fica.

É preciso cuidado ao dizer que algo na música, ou algum estilo musical têm piorado, discurso esse utilizado corriqueiramente por pessoas mais velhas. Realmente em alguns aspectos a música tem piorado, mas de forma genérica, falar desse processo requer uma análise mais racional e menos tendenciosa.

Lembro-me de certa vez que estava com um tio meu em um réveillon, onde tocava uma banda que tinha um repertório formado principalmente por marchinhas de carnaval. Então ele disse: ”Isso é que é música de qualidade, música de alto nível, e não essas coisas que vocês escutam hoje em dia!” Hã? Que? Marchinha de carnaval é música de alto nível? “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta pro neném não chorar ... ”; “Ei, você ai, me dá um dinheiro ai, me dá um dinheiro ai ... ” Essas e outras eram as marchinhas que estavam tocando lá, músicas com um padrão rítmico extremamente quadrado, letras minúsculas e repetitivas, e melodias de fácil assimilação ao extremo. Além do total empobrecimento técnico, as marchinhas não apresentam um enraizamento cultural forte, diferentemente do samba, elas surgiram na Europa, e foram trazidas para o Brasil de forma copiada (tendo como uma das principais precursoras Chiquinha Gonzaga) em um primeiro momento, depois houveram adaptações em relação à cultura brasileira (carioca principalmente). Então não há motivo para achar que as marchinhas eram músicas de alto nível, ou que eram melhores em termos de qualidade em relação às músicas populares dos dias atuais, que são tocadas nos carnavais. Eram músicas de carnaval, voltadas muito mais para o entretenimento do público do que para qualquer outra coisa.

Não apenas nesse campo, mas no campo do rock a síndrome saudosista é muito freqüente. No nosso caso, existe uma hiper-valorização do “rock” brasileiro dos anos 80, em detrimento do rock atual, mas não apenas nesse sentido estrito, em detrimento da música jovem atual. É necessário entender 2 coisas nesse aspecto, 1º que muitas das bandas dos anos 80 taxadas como rock nem pode possuir tal rótulo, muitas delas eram pop, outras pop-rock, a titulação nessa época era algo complicado e muitas vezes até ridículo. Outra questão é que as produções artísticas são datadas, existiu no Brasil (sobretudo em Brasília) um movimento de bandas com letras de protesto porque passávamos por um processo de redemocratização, então existia um contexto histórico particular. Não vai mais haver outro movimento como aquele, da mesma forma que nunca mais vai existir tropicalismo, ou arte grega. Foi uma época também em que a atitude me parece ter sido mais importante do que a qualidade das obras, era “proibido” ter um vocalista bom no Rock Brasileiro dos anos 80, Titãs, Plebe Rude, Kid Abelha, Camisa de Vênus, Paralamas, Barão Vermelho (Cazuza), dentre outras, tinham péssimos vocalistas, poucas bandas se salvavam nesse aspecto. Sem falar que boa parte dessas bandas eram grosseiras na estética, transparecendo uma total preocupação com as letras. Então não é que piorou a música jovem ou o rock brasileiro, é que houveram mudanças. Por exemplo, no século XXI passou a existir aqui um movimento alternativo muito interessante, de bandas como Los Hermanos, Teatro Mágico, Vanguart, O Círculo, etc. É um movimento que tem tomado uma densidade bastante representativa, onde as bandas misturam samba, Indy, bossa nova, rock, dentre outras vertentes, com letras que falam basicamente de cotidiano. São bandas de bastante qualidade, geralmente não tem característica de protesto, mas são riquíssimas em melodia, harmonia e arranjos, coisa que faltava nas bandas mencionadas dos anos 80, que eram muito mais quadradas.

Então deve-se ter bastante cuidado ao dizer que a música brasileira no geral ou na música jovem tem piorado, cair no discurso de que a música de protesto é melhor que a música que fala de amor ou cotidiano é algo absurdo e chulo. Até porque existem protestos que nem mereceriam serem feitos, de tão clichê e rasos que são. Involução/evolução e mudança são coisas completamente diferentes, mas corriqueiramente confundido por muitas pessoas.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Celebridades e os campos de valores


Eu não entendo por que as pessoas tendem a observar tanto as celebridades pelo lado pessoal, e não pelo profissional. É irritante ver fãs discutindo porque alguém disse que seu ídolo é gay, mercenário, ou metido, e blá blá blá. Algo irritante também é ver pessoas tentando tirar o crédito do trabalho de alguém por questões que não tem nenhuma ligação com a carreira profissional do indivíduo.

Dia desses recebi um e-mail de uma psicóloga escaldando Cazuza, dizendo que ficou assustada com o filme sobre ele, que o mesmo não é exemplo para os jovens, por que era traficante, gay, drogado, porra louca, etc, etc. O e-mail era uma espécie de apelo para que os pais não deixem seus filhos cultivar esse tipo de ídolo. Certo, Cazuza realmente foi um traficante, porra louca, drogado, etc. Mas ai me pergunto: E kiko?

Outro caso bizarro foi Lobão no programa de Raul Gil, naquele quadro de tirar o chapéu (eu realmente não sei por que estava assistindo isso, mas enfim ... ), onde o mesmo não tirou o chapéu para o jogador Kaká porque o atleta se casou virgem. Ele definiu Kaká como o Júnior (da ex dupla Sandy & Júnior) do futebol brasileiro. Eu não sabia que existia uma ligação entre futebol e sexo, será que quanto mais tempo a pessoa demorar pra fazer sexo, mais curta será sua carreira? Ahhh ... deve ser por isso que Kaká está com tantos problemas na virilha!! Realmente Lobão, você tem razão, é um absurdo um jogador de futebol se casar virgem.

Recentemente tivemos outro exemplo desse comportamento das pessoas nas eleições presidenciais, quando pessoas ligadas ao candidato Serra dispararam acusações via e-mail contra a candidata Dilma, acusações de que ela seria lésbica! Ohhhh ... que absurdo! Como uma lésbica pode governar um país?

Eu não quero saber se Cazuza era porra louca e criminoso, não quero saber se Kaká casou virgem ou não, muito menos se Dilma é lésbica, isso não tem ligação nenhuma com o que essas pessoas representam publicamente. Cazuza foi músico, e não um político, ele não tem que dar exemplo de moral a ninguém, quem é fã dele, é por suas músicas, e ponto final. Kaká é jogador de futebol, sua vida sexual nada tem a ver com sua profissão. Quem poderia reclamar da castidade dele seria sua namorada, e não os apreciadores do esporte. O mesmo vale para a presidente eleita Dilma, sua orientação sexual não tem nenhuma relação com sua função.

Então pelo amor de Deus!! Vamos parar com essa babaquice! Vamos aprender a separar os campos de valores, o campo de valor político não tem relação com o campo de valor moral no que se refere à orientação sexual. Se Dilma tivesse o caráter de Cazuza, ai sim isso poderia ter implicações, a final, ser traficante e drogado tem relação com o campo de valores da política.

Eu sou fã desse indivíduo aqui, André Matos.



Mas eu estou pouco me lixando para coisas relacionadas à sua vida externa ao campo musical. Muitos fãs babacas ficam discutindo se ele é gay ou não, eu restrinjo-me ao André Matos músico, pra mim pouco importa se ele queima ou não a rosca. Agora se eu ficar sabendo que algumas de suas músicas foram plagiadas, ai sim ele cairia em meu conceito, pois isso é uma ética do campo musical. Fora desse espaço, é tudo retardisse de fã. Eu não sou mãe do André Matos!!

É claro que separar completamente os campos de valores não é assim tão fácil, em um caso como o do goleiro Bruno, fica complicado o fã continuar o tendo enquanto ídolo depois do ocorrido, mas ali é um caso extremo, pois tratou-se de um crime hediondo e de uma forma que chocou o país. O que defendo é que as pessoas tenham o mínimo de discernimento nesse aspecto.


Esse indivíduo aqui é soberbo, uma das criaturas mais arrogantes do meio musical, mas é um puta de um guitarrista, e é isso que importa para seus fãs, ou ao menos para uma parte dos fãs. Isso não quer dizer que não faz diferença alguma ser ou não arrogante, quer dizer que ser arrogante não invalida sua competência.

As celebridades são pessoas normais, isso todo mundo sabe, mas a maioria não consegue internalizar. As pessoas parecem que vêem seus ídolos como seres “sintéticos”. É preciso ser um pouco mais racional e sensato para analisar a carreira dessas pessoas, e principalmente saber separar os campos de valores.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Xenofobia, uma história contada pela vítima!


Xenofobia, aversão a indivíduos de outros países, regiões ou cidades. Um tipo de preconceito que está em destaque no momento por conta do caso de Mayara Petruso, que disparou frases xenofóbicas no twitter. A xenofobia especificamente desse caso se refere-se ao preconceito do pessoal do sul/sudeste do país em relação ao pessoal do norte/nordeste, sobretudo o nordeste. É um preconceito que toma referência do nordestino como pessoas burras e pobres principalmente, mas o que é mais explícita é a rotulação de burro. Eu já fui vítima de xenofobia, certa vez conversando com uma goiana no MSN, a mesma disse algo que não compreendi, então disse que não havia entendido, então ela disse: - Não entendeu? Entendo, você é bahiano! Sim, ela escreveu bahiano! O destino me deu a faca e o queijo na mão, então além de dar um grande sermão nela, revidei chamando ela de burra e pedi para que aprendesse a escrever antes de chamar alguém de burro. Obviamente que minha agressividade foi por conta do preconceito, e não pelo erro em si.

Mas por que existe esse rótulo de nordestino burro? Será que ele tem cabimento? De fato os índices sociais - que incluem educação - são piores no nordeste quando se compara com o sul/sudeste, principalmente com o sul. Esses índices geraram pobreza, o que fez com que os nordestinos na década de 70 saíssem para buscar melhores condições de vida no sudeste e sul, principalmente sudeste. Boa parte da composição das favelas das grandes metrópoles desses lugares nasceram desse processo. Bando de filhos da puta esses nordestinos, não é mesmo? Vão para lá se apropriar do que não é deles! E ainda levam a marginalidade junto! Certo, mas como ocorreu todo esse processo?

Voltando um pouco no tempo e ampliando um pouco o conceito, remetemos à questão africana. Nós nordestinos também não podemos posar de vítimas do processo como um todo, já que reproduzimos aqui o mesmo tipo de preconceito, quando discriminamos os africanos. Da mesma forma que o pessoal do sul/sudeste também sofre discriminação enquanto brasileiros lá fora. É somente uma questão de foco. A questão a ser tratada aqui é como essas regiões se tornaram tão diferentes em termos de desenvolvimento. É um erro tratar o desenvolvimento de uma região de forma separada, o desenvolvimento se dá como um todo, o processo que tornou a Europa desenvolvida foi o mesmo que tornou a África e a América Latina subdesenvolvidos. O processo que tornou o nordeste uma região subdesenvolvida (no âmbito nacional), foi o mesmo que tornou o sul/sudeste desenvolvido. Acontece que o modo de produção capitalista se desenvolve criando desigualdades, faz parte da essência do sistema, para se tornarem desenvolvidos, os europeus precisaram explorar os africanos e os latino-americanos, no primeiro momento sob a forma de estabelecimento de colônias, e no segundo momento sob imperialismo no comercio internacional. Da mesma forma, o sul/sudeste é mais desenvolvido que o nordeste porque para haver um processo de desenvolvimento dependente no Brasil, houve a “necessidade” da manutenção de um dualismo estrutural no Brasil, onde basicamente as regiões agrárias (norte/nordeste) alimentaram o processo de industrialização do sul/sudeste. Alguns teóricos até usam o termo sub-imperialismo para designar esse processo. Não vou entrar nos pormenores aqui porque o texto ficará muito grande, e o assunto aqui não é economia, mas quem quiser se aprofundar, autores como Fernando Henrique Cardoso e Celso Furtado tratam do assunto.

Então a xenofobia em si não faz sentido. Todos somos resultado de um mesmo processo, processo esse onde uns foram desfavorecidos no fim das contas, e outros favorecidos. E vamos pensar em xenofobia também de forma mais abrangente e menos conveniente, vamos pensar na forma como discriminamos os africanos, tanto racialmente quanto intelectualmente. O ser humano essencialmente é igual no âmbito geral, o que nos torna diferentes são as ações cultivadas ao longo da história.

Fazemos parte da mesma região, nossa região chama-se Planeta Terra!

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amigos Descartáveis


Amigo descartável é aquele que estabelecemos uma relação relâmpago em algum momento de nossa vida. Seja em uma enorme fila, seja em uma viagem de transporte coletivo, essas pessoas preenchem nosso tédio ou nossa ansiedade naquele espaço de tempo. Comigo já ocorreu algumas vezes, sobretudo em ônibus, quando você começa a conversar com aquela pessoa durante a viagem, algumas vezes o papo é muito bom, a viagem termina, você se despede daquela pessoa para muito provavelmente nunca mais a encontrar de novo.

É algo um tanto estranho, ao menos eu acho, se despedir para sempre de uma pessoa que você conversou por horas. Algumas pessoas inclusive tem facilidade de se abrir, 10 minutos de conversa com seu amigo descartável e já está falando sobre coisas bastante íntimas, isso às vezes me assusta. Aliás, comigo isso é bem freqüente, não sei por qual motivo as pessoas vêem em mim uma pessoa que está disposta a escutar confissões, e mais do que isso, ver em mim uma pessoa de confiança.

Às vezes quando gosto do amigo(a) descartável fico com vontade de manter contato, mas quando se trata de mulher, se você pede o msn ela vai achar que você está a fim dela, então é meio complicado, já fiz isso algumas vezes, mas as pessoas estranham um pouco. Eu não sei se só eu acho estranho se desvincular do amigo(a) descartável sem nenhum pingo de apego, mas a maioria acha estranho se você pedir o orkut, msn ou qualquer outra forma de contato. Alguns ficam em minha memória, e às vezes lembro e penso: “Como será que essa pessoa está?” Só eu faço isso será?

Existe também os amigos descartáveis chatos, são os que conversam de mais, e geralmente coisas chatas e repetitivas, esses tem certa compulsão por conversar, então estão sempre à espreita de uma “presa” para alugar, sempre à caça de um amigo descartável. Nesse sentido, é necessário aprender a identificar os amigos descartáveis chatos, vou ensinar algumas técnicas. Um dia desses, estava eu no ponto para pegar ônibus para Cachoeira, um cara no ponto me viu e falou comigo: - E aê! Eu não o conhecia, mas cumprimentei o rapaz. Daqui a pouco ele perguntou se eu estava indo para Cachoeira, e eu respondi que sim, foi quando ele lançou: - Cachoeiraaaa .... ê cidade quente! Chato detected!! Corra! Essa forma de puxar uma conversa é típica de uma pessoa chata. Como detectei logo, não dei adiantamento pra cortar pela raiz, sentei longe dele no ônibus. Então esses comentários são comuns desse tipo de pessoa, falar do clima, chuva, falar de política do nada .... é típico de chatos, em muitos casos são da 3ª idade. Existe também os que começam a reclamar de algo, pra que você comente sobre a reclamação dele, é ai que ele te prende. Então aprenda a evitar essas pessoas. A não ser que você seja uma pessoa caridosa a ponto de não se incomodar com isso.

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sábado, 30 de outubro de 2010

O "lunático" Plínio Arruda e a construção da ruptura. Onde estamos pisando de fato?


Esse texto está sendo escrito de certa forma um tanto tardia, é verdade, deveria ter sido escrito durante o 1º turno das eleições. Mas como eu escrevo inspirado em inquietações, e não só pelo momento oportuno, só agora resolvi posta-lo.

Estive refletindo sobre essa questão do rompimento político aqui no Brasil, como seria, e isso foi assunto de um debate ocorrido em sala de aula também, na matéria do professor Diogo. Observo muitas pessoas criticarem o Lula pelo mesmo não ter rompido com a estrutura política, econômica e social aqui no Brasil, alegando ser essencial esse rompimento (e eu assino em baixo). Boa parte dessas pessoas votaram no candidato Plínio Arruda do PSOL, por achar que é o candidato que pode romper essas com estruturas aqui no Brasil. Mas fico a refletir, será que essas pessoas sabem em que chão estão pisando?

Por outro lado tem as pessoas que votam no PT ou no PSDB que chamam Plínio de louco, por achar que suas propostas são impraticáveis. Será que essas pessoas também sabem em que chão estão pisando pra fazer esse tipo de julgamento?
Vamos analisar como seria Plínio Arruda no poder? Além disso vamos fazer de conta também que ele teria base política na câmara e no senado para ter viabilidade de governar.

Em 1º lugar, antes dele vencer as eleições, só o fato de ele estar na frente das pesquisas eleitorais, isso geraria uma tremenda fuga de capitais do Brasil, fuga de capitais também representa fuga de dólares, que acarretaria em disparo do dólar, déficit na balança de pagamentos (balança financeira + balança comercial), disparo do risco país, dentre outros efeitos por tabela. Ao se eleger esses efeitos se agravariam ainda mais, devido à total desconfiança dos investidores estrangeiros que tem capitais aplicados aqui. Os investimentos no setor real também cairiam vertiginosamente pelo mesmo motivo. Ao tomar medidas como auditoria da dívida externa, onerar as grandes riquezas e aluguel compulsório dos imóveis inutilizados, a desconfiança e descontentamento dos investidores chegaria a níveis alarmantes, risco país “estourando”, investimentos no setor imobiliário indo para as cucuias, dentre outros efeitos. Enfim, crise generalizada no setor real e financeiro, dólar disparado, desemprego e instabilidade total.

Nesse sentido, o que Plínio (e a esquerda de verdade) propõe não se encaixa com essa lógica de acumulação capitalista que vivenciamos, romper com a estrutura social, política e econômica significa ônus pesado para todos nós, desde a classe A até a classe C e D. Mas a esquerda no poder, no caso, Plínio, se ele realmente pretende fazer todos esses rompimentos, nessa conjuntura o que ele faria é convocar a população para o apoiar, e recomeçar praticamente do zero, construir uma nação mais justa socialmente, juntar os cacos do caos econômico e social e reconstruir a economia em outra lógica, retirando drasticamente os privilégios da burguesia para socializar com as classes menos favorecidas. No primeiro momento então teríamos crise profunda, e em um segundo momento políticas de socialização das riquezas e implantação de uma nova lógica de acumulação e de política econômica e social, e no 3º momento o arranco econômico sob outro prisma. Seria a demolição de uma casa para construção de outra.

O que eu quis dizer com tudo isso? Primeiramente que não basta dizer “Eu acho certo dar calote na dívida”, “É um absurdo a concentração de terras no Brasil” e blá blá blá. Para mudar isso a sociedade terá que comprar uma briga, e comprar uma briga significa arcar também com o ônus do processo. Será que nossa classe média de “esquerda” está disposta a passar por uma crise profunda? Será que essas pessoas tem consciência mesmo do que significa uma ruptura? É necessário saber onde pisamos, socialismo não é Alice no País das Maravilhas! Da mesma forma, para aqueles que encaram Plínio como louco desvairado, lunático, extremista (no sentido pejorativo), saibam que o que ele propõe não é para esse “mundo”, é para outro mundo que ele pretende construir, ou que ele defende.

Nesse sentido, esse texto não é para falar bem ou mal da esquerda e do candidato Plínio Arruda, mas sim mostrar (ou discutir) as implicações de um verdadeiro governo de esquerda no Brasil. Para ambas as partes, para os pseudo-esquerdistas “habitantes” do Reino Encantado, e para os conservadores bitolados que só enxergam o que está diante de seus olhos.

Obs: A todo tempo argumentei partindo do princípio que Plínio Arruda realmente efetuaria todos os rompimentos necessários que ele defende. Não o conheço suficiente para afirmar que realmente o faria, é apenas uma hipótese. E o uso do termo socialismo na figura e no fim do texto não quer dizer que Plínio implantaria um sistema socialista aqui em seu sentido literal, mas sim que o socialismo é bandeira de luta dele, e as mudanças efetuadas iriam de encontro ao grande capital.

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