segunda-feira, 4 de março de 2013

+ ou - Estado?


Objeto de brigas ideológicas entre esquerdistas e conservadores, a presença do estado na economia é um assunto polêmico e, rende calorosos debates. A final, qual a vantagem de se ter um estado “grande”, ou um estado bastante presente? Qual a vantagem de se ter um estado “enxuto”? Creio que o tema não deve ser discutido de forma religiosa, é preciso deixar os jargões e os dogmas de lado.

Os EUA é um país que serve como referência de uma economia com estado bastante enxuto, do outro lado tem-se os países europeus, com estados muito presentes. A priori o sujeito pode pensar automaticamente que na Europa é melhor e ponto final. Só que não existe almoço de graça, um estado grande implica em alta carga tributária e, consequentemente, altas taxas de desemprego. Essa conseqüência não é regra, mas a tendência é que altas cargas de impostos se reflitam no número de empregos da economia. É por conta disso que os países europeus convivem com taxas de desemprego que giram em torno de 8%, enquanto os EUA convive com taxas menores. Para se ter uma idéia, trazendo dados anteriores à crise econômica, em 2007 a taxa de desemprego na terra do Capitão América foi de 4,5%, no mesmo ano a Alemanha registrou 8,4%, e a França 7,9%. Nesse sentido, pode-se dizer que existe uma sinuca: Mais emprego/menos impostos ou menos empregos/mais impostos/mais benefícios sociais? É uma pergunta que cabe. Tratando de forma bem simplista: É melhor ter educação pública e saúde pública de qualidade ou ter mais empregos e menos impostos? No Brasil essa dicotomia não se aplica, visto que temos carga tributária e taxa de desemprego européia, mas não usufruímos dos benefícios sociais disso, muito por conta da corrupção.

Além dos serviços prestados, o estado pode demonstrar seu tamanho através da atuação em setores produtivos, financeiros ou de serviços, as chamadas empresas estatais. A briga ideológica geralmente se dá com argumentos intransigentes: de um lado alegam que o estado é ineficiente, do outro que o estado deve ser grande a todo custo, se possível que seja dono de tudo. Se trazermos para o contexto brasileiro, onde tudo se torna mais complexo, veremos que não é tão trivial falar desse assunto. Alguns setores necessitam de um maior incentivo à inovação, de modo que a exposição à concorrência (em todos os sentidos) e aos riscos tendem a trazer ganhos em eficiência, sobretudo quando se trata de uma cultura oportunista e corporativista como a brasileira. Por outro lado, um estado sem participação alguma nesses setores, pode acarretar em impotência do governo em estabelecer políticas econômicas e grande vulnerabilidade a crises econômicas. Em ambiente de crise o setor privado tende a demitir, e as demissões por sua vez reduzem o consumo agregado, podendo gerar um efeito em cascata de demissões. As estatais teriam então um papel anticíclico nesse aspecto. No lado da autonomia do governo para estabelecer políticas, ano passado tivemos um forte exemplo da importância do Banco do Brasil e Caixa Econômica, utilizados como meios para o governo exercer na prática sua política monetária, puxando a taxa de juros para baixo.

Tendo em vista toda a complexidade do assunto, eu creio que um estado presente é importante, mas é preciso ter cuidado com o tamanho do mesmo em alguns contextos. Defendo um estado que garanta que todos os cidadãos tenham os serviços básicos de qualidade, para que tenham as mesmas oportunidades, mas ao mesmo tempo deve-se ter uma grande atenção a respeito de certos benefícios (não essenciais), simplesmente “abrir as torneiras” pode trazer um custo social danoso. Penso também que alguns setores estratégicos devem ter presença de estatais, para que o governo tenha autonomia para estabelecer políticas e, reduzir a vulnerabilidade econômica do país. Mas creio também que o setor privado não deve ser sufocado, mas sim regulamentado.

Com as novas configurações do blogspot, não consigo mais colocar a foto ao lado do texto, só acima. Se alguém souber como faz, agradeço a contribuição.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Vlog Stars


Quando o you tube criou a possibilidade de cada usuário ter seu canal, apareceu um grupo de pessoas, que no Brasil tiveram como precursores Felipe Neto e PC Siqueira, fazendo uma espécie de Blog em vídeo. Ou seja, em vez de escreverem textos, o pessoal começou a fazer vídeos, para falar qualquer coisa. O problema é que esse povo fez sucesso, e agora são os “Vlog Stars”.

A partir do sucesso dos sujeitos citados, disseminaram os vlogueiros pelo país. Um monte de gente tentando fazer sucesso como Felipe Neto e PC Siqueira, mas estarão eternamente na sombra desses dois. O PC há tempos que grava vídeos em casa, falando qualquer coisa que der na telha, as piores possíveis. O outro foi o sujeito que “descobriu” que Restart é uma merda, assim como Colírios da Capricho e Justin Bieber. Até então todos achavam que Restart e Justin Bieber eram do nipe de Mozart. Felipe Neto é o cara das críticas "originais", reclama das modinhas mais toscas possíveis, se achando inovador e cult. Mas há quem goste ... e como!

O estrelato desses vlogueiros deixa muito claro 2 fenômenos: 1º O brasileiro ao “se libertar” da TV não melhorou seu gosto por entretenimento. 2º Existe uma “doença cultural” (não sei se apenas aqui) que leva as pessoas a se sentirem bem acompanhando a vida de alguém. É a porra do Reality Show, que chegou também no you tube. Não existe a mínima condição de alguém ver um vídeo como esse abaixo e dizer que é massa, bacana, etc. Isso na verdade é um Reality Show com a grife do espaço alternativo (ou independente). Uma menina bonita falando de sua vida e um monte de gente assistindo só porque ela é bonita.



Canais como esse existe em bando na internet. Como sou um curioso e alguém que curte humor, pesquiso essas paradas, e posso garantir: 95% não serve nem para assistir enquanto a pessoa toma café.
A Gabbie (do vídeo acima) é a vlogueira mais famosa. É até bonitinha e simpática, mas não faz nada que acrescente em absolutamente nada. Se fosse feia ninguém assistiria.

Felizmente existe a parte boa da tecnologia, o canal do you tube está sendo aproveitado para vídeos bacanas de humor como no canal Porta dos Fundos, ou Os Barbichas. Falando especificamente de Vlogs, só consigo recomendar um, que é "Os Carai", de um pessoal de Irecê-BA, com certeza o melhor do país. Mas não é surpresa, já que baiano é o povo mais criativo no Brasil. Nem tudo está perdido .... ainda.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Os trilhos da vida ... ou a vida dos trilhos

Os budistas dizem que o destino é como se fosse o trilho de um trem, e que todos nós temos diversos trilhos em nossas vidas, “pegamos” aquele condizente com as decisões que tomamos ao longo de nossa existência. Ou seja, a vida é como uma viagem de trem, mas existem opções para o “maquinista” mudar de trilho. São nossas decisões. A idéia de trilho deixa também clara a noção de que existe um destino pré-definido em cada um desses trilhos, nossa liberdade de escolha se restringe a qual pegaremos.

Carnaval, nada para um liso como eu fazer, cenário perfeito para reflexões completamente descompromissadas. Baseado no que expus no 1º parágrafo, estive refletindo sobre alguns caminhos que a vida tem me levado e, me perguntando como seria minha vida “no outro trilho”. No meu caso, a vida não deu muitas oportunidades de escolha, eu fui praticamente guiado pelos acontecimentos. Acho que minha vida tem diversos trilhos, mas todos os outros estão fechados. Ao longo de minha existência enxerguei muitos caminhos alternativos, mas todos eles estavam lá só para dizer que existia uma outra vida para mim, mas não poderei acessá-la. Ou seja, eu sempre me senti bastante guiado pela “força” do destino, algumas vezes até de forma impressionante.

Talvez o que eu falei na frase anterior seja verdade, ou talvez eu tenha deixado minha vida no “piloto automático”, como no filme Click. Acho que todos nós temos um trilho principal, o qual seguiremos até o fim caso não façamos nada de diferente. Quando falo diferente, é algo diferente do previsível para nossa personalidade e caráter. Paralelo a esse trilho principal existem os alternativos, que só se abrem caso tomemos decisões surpreendentes. Caso contrário, ficaremos no piloto automático.

Quantas pessoas nesse mundo já foram para um trilho alternativo? Queria deixar claro também que mudar de vida nem sempre é sinônimo de sair do piloto automático, muitas pessoas (por exemplo) nasceram pobres, mas inteligentes, então com certeza o caminho natural será a mudança de vida. Mudança de trilho requer “auto-flagelação”, tomadas de decisões excêntricas para nós mesmos.

Se isso que falo é realmente verdade, eu gostaria muito de saber como seriam meus outros trilhos, minhas outras vidas em diversos outros lugares, em “dimensões” paralelas a essa. Mas como sou um sujeito conservador, acho que continuarei no piloto automático. E você? Está no piloto automático? Já parou para pensar como seria sua vida se lá atrás você não tivesse tomado aquela decisão “previsível”?

Para os que não acreditam em destino, peço para observarem como suas vidas são guiadas como uma espécie de trem, lhe jogando para um lado e para o outro. Como nos sentimos meio impotentes em relação a isso. Verá que às vezes não passamos de fantoches de nós mesmos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Todos nós somos culpados!

Mais uma tragédia no Brasil, dessa vez com requintes de indignação da população brasileira.

Está mais do que claro que essa tragédia não é obra do acaso, houve negligência. O que não consigo concordar é com esse pensamento coletivo que se formou nas ultimas 48 horas, satanizando o estado e o dono do estabelecimento.

Aqui no Brasil temos uma mania muito forte de fazer julgamento pelos efeitos, e não pelas causas. O sujeito que quer linchar um cara que ao atravessar o sinal vermelho atropelou seu filho, muito provavelmente já fez a mesma coisa um dia, mas não aconteceu nada. É de uma incoerência descomunal tratar certos deslizes de forma permissiva e depois que acontece uma tragédia jogar “nos peito” do “protagonista” toda a culpa.

Quantos já deixaram de ir a uma boate por não haver saída de emergência ou pela boate sempre estar excessivamente lotada? Até antes da tragédia, se eu dissesse a meus amigos: “Cara, não vou lá não, não tem saída de emergência, é perigoso!” muito provavelmente iriam me chamar de fresco, ou dizer que estou inventando desculpa esfarrapada. Quantas boates no país obedecem 100% as normas de segurança? Quantas reclamações a esse respeito existem? Quantas pessoas realmente se incomodam com isso?

Eu sei que muitos desconhecem as normas de segurança, mas também creio que certas coisas são tão evidentes que é inegável o descaso não só do proprietário, mas também de quem usufrui do espaço. Basta ver a planta da tal boate incendiada para verificar o absurdo que é aquela estrutura. Também tenho informações de que o local do ocorrido sempre foi excessivamente lotado. Mas eu pergunto: alguém se incomodou antes? Se incomodar depois não adianta.

O fato é que a cultura brasileira é muito permissiva, as pessoas acham que as coisas nunca acontecerão com elas, tudo aqui pode. Essa é uma culpa que não deve ser jogada SOMENTE nas costas do estado ou do proprietário. É claro que as maiores parcelas de culpa são desses agentes, mas não sejamos idiotas e convenientes ao ponto de tirar o nosso da reta. É uma tragédia causada por um câncer gerado em nossa sociedade, o “tumor” da cultura do “tudo pode”, do “isso é besteira”. Uma hora dá merda!

Essa tragédia não aconteceu no dia 27/01, ela começou a acontecer desde que todos os agentes envolvidos, incluindo clientes, foram negligentes com a vida alheia e, com suas próprias vidas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O homem perfeito da vida real

Existem diferenças do homem perfeito dos contos de fadas (e novelas) para o da vida real. O homem perfeito da teoria representa não só o que a mulher gostaria de ter, mas também o que ela gostaria de gostar. Na prática a mulher não consegue gostar do modelo de homem perfeito.

Na teoria o homem perfeito seria aquele cara educado, sincero, romântico, honesto, fiel, humilde, engraçado, amoroso, bom filho, bom marido, bom pai, blá blá blá. Na prática esse cara é corno. Sei que você está querendo me matar ao ler isso, aconselho que vá tomar um copo d’água e volte com o psicológico desarmado. Voltou? Já consegue enxergar que existe verdade nisso?

O homem perfeito simplesmente não pode ser perfeito, porque as mulheres simplesmente não gostam de relacionamento certinho. O homem perfeito do mundo real é aquele que sabe deixar a mulher apreensiva, com dúvidas, angustiada. O homem perfeito jamais deixa a mulher ter certeza de algo, seja para o lado bom ou para o lado ruim, ele será uma eterna incógnita. Ele não é nem fiel nem infiel, nem ama nem é indiferente, não é bom e nem mau, nem humilde nem metido, nem sincero nem falso, ele é simplesmente perfeito.

Para a mulher os combustíveis de um relacionamento são a dúvida e a contradição, no dia em que ela tiver certeza absoluta de algo, a relação começa a ruir. A mulher não gosta de dominar, gosta de ser dominada, se o homem se colocar em uma posição vulnerável a contagem regressiva para a ruína da relação será disparada. Trocando em miúdos, a mulher se sente absolutamente desconfortável se ele gostar mais dela do que ela dele. Como se os papéis tivessem invertidos.

A mulher acima de tudo busca um homem que a proteja, daí a explicação para elas se sentirem atraídas por quem oferece segurança financeira, mas essa necessidade de segurança pode se revelar de outras formas. Ela pode até se impor, mostrar que não é submissa, mas também não aceita estar em posição dominante, sob nenhuma hipótese. A mulher definitivamente não gosta de ser a manda chuva da relação. A dependência que a mulher deseja não é escancarada, é implícita, sobretudo psicológica, “Eu não consigo viver sem ele” encaixa bem melhor do que “Ele não consegue viver sem mim”.

O mundo tem mudado bastante em questão de relações de gênero, mas algumas características persistem, e muitas vezes de forma velada. A mulher no geral ainda sente grande necessidade de ser passiva em um relacionamento. Tudo isso são resquícios de velha cultura machista, que faz com que as sementes das relações tradicionais da sociedade germinem até os dias atuais, camufladas do pano de fundo da naturalidade: “O homem é assim, a mulher é assado”. A mulher não é assim, ela foi treinada para ser assim, e vice-versa. Vamos acabar com essas frases de bolso. Quer ser feminista? O primeiro passo é se questionar: “Que tipo de homem eu desejo?” Usei a palavra desejo de propósito, porque querer muitas vezes é diferente de desejar.

Só pra avisar, me antecipando ao nhe nhe nhe que com certeza virá, me refiro à mulher de maneira geral, na média, e não a todas, ok?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A redenção dos "pecadores"

80% dos textos dessa página não críticas, quem não me conhece deve achar que sou um sujeito mal humorado pra cacete .. rsrs. Pois bem, chegou o momento da redenção, de afagar o defunto. Hoje resolvi falar bem de quem dificilmente recebe elogios.

Globo – Eu sei que a Globo apoiou a ditadura, que é de direita escrota e que se pudesse mandava assassinar Hugo Chávez. Isso qualquer pseudo-intelectual leitor de subtítulo de notícias do UOL sabe. Eu concordo com tudo isso, a emissora é escrota mesmo. Mas será que ela tem tamanha hegemonia somente pelas concessões políticas de que se beneficiou durante sua história? Certeza que não, a Globo tem uma qualidade que nenhuma emissora conseguiu chegar perto até hoje. Cinco segundos vendo uma novela da Record e já dá para saber que não é novela da Globo. Por que? Por que a diferença de qualidade é gritante. O mesmo vale para transmissão esportiva, dentre outros fatores. Felizmente ou infelizmente, a Globo é a melhor. E não é só por que tem dinheiro, a Record também tem. Foi uma qualidade construída durante anos seguindo à risca um padrão de qualidade criado pela própria emissora, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”.

Xuxa – Outra massacrada, principalmente por fazer parte do time da Plin Plin. O principal argumento é de que ela namorou com Pelé e Senna com interesses profissionais. Pode ser, mas eu vou dar 5 minutos para você me dizer uma apresentadora melhor que ela para lidar com o público infantil. Pensou? O que veio em sua cabeça? Eliana? Essa não né? Mara Maravilha? Essa também não? rsrs ...
Com a série de DVDs “Xuxa Só para Baixinhos”, a apresentadora mostrou que ninguém lida melhor com a gurizada do que ela, e ponto final.

Galvão Bueno – Esse é piada pronta, existem milhões de pérolas do Galvão rolando na net. Galvão é um pé no saco mesmo, mas mesmo assim é o melhor narrador do Brasil. Ninguém transmite emoção como ele na arte de narrar. O vídeo abaixo ilustra muito bem o que quero dizer.



Dunga – O técnico revolucionou o futebol brasileiro, conseguiu fazer com que existisse um movimento anti-seleção brasileira no país do futebol. Nem precisa ressaltar o quanto ele é massacrado. Na época confesso que eu também malhava bastante o sujeito, mas hoje vejo que injustiças foram cometidas.
A seleção de Dunga tinha campanha impecável até as quartas de final da Copa, ganhou Copa das Confederações e Copa América, sem contar a liderança das eliminatórias. Mesmo assim era muito criticado. Dunga teve deméritos, que não foram poucos, mas teve méritos que precisam ser reconhecidos. 1º Montou um sistema defensivo excelente. 2º Devolveu à “seleção de estrelinhas intocáveis” o espírito guerreiro perdido em 2006. O Brasil era competitivo, foi eliminado da Copa em falhas individuais. Depois de sua saída, o que temos? Melhorou? Pois é ...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Os protegidos do além

Quantas coisas você já fez na infância que hoje você não faria nem a pau? Quantas dessas coisas você se surpreende por ter sobrevivido?

Os ateus vão pirar, mas criança parece que tem um campo de força que a protege. A mulecada faz o diabo e volta pra casa sã e salva, 365 vezes no ano. Cada um tem suas histórias para contar, e eu tenho a minha também. Durante cerca de 4 anos, quando eu era criança, jogávamos bola (junto com o povo do bairro) dentro de uma fonte luminosa sem água. Era uma espécie de piscina rasa sem água no meio da praça, jogávamos no azulejo (cheio de buracos) sem um pingo de preocupação. Qual a probabilidade e alguém bater a cabeça na quina da fonte? Olhando, alguém que fosse questionado com certeza diria que era um alto risco, sobretudo quando chovia. Agora me pergunte se alguma vez nesses 4 anos alguém bateu a cabeça na quina da fonte luminosa. NINGUÉM! E nós não deixávamos de jogar quando chovia.

Todo mundo tem histórias inusitadas a esse respeito, sobretudo homens, o que me faz supor que criança deve ter um guardião, uma força, espírito, anjo, sei lá, qualquer coisa sobrenatural que compense sua falta de maturidade. Eu não deixaria um filho meu fazer metade das coisas que eu fiz, mas eu fiz e estou vivo ... hehe.

Talvez esse tipo de coisa esteja se perdendo, o máximo de risco que as crianças dessa geração correm é levar um tiro no Call of Duty. Mas nada pode ser feito a esse respeito, as coisas simplesmente mudam, o que nos resta é o sentimento saudosista de lembrar e dizer aos mais jovens: “Minha infância teve isso e isso!”

Se você fazia maluquice também na infância, conte sua história. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que imaginamos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Modelos Econômicos: Por que? Para que?

“Modelos econômicos não explicam a realidade!” “Modelos são reducionistas!”. Se você é economista ou estudante da área, provavelmente já escutou frases desse tipo. Eu já escutei muito, e toda vez que acontece sinto vontade de dar “tapa ôi” no sujeito. São frases emitidas principalmente por quem estuda economia e tem dificuldade com matemática, ou por estudantes de economia esquerdistas. Também é usada por sociólogos e antropólogos, que meio que estabelecem uma rivalidade imbecil com os economistas (e vice versa). E tem também os historiadores, que acham que a história explica qualquer coisa.

Pois bem, usarei um conceito de um clássico da sociologia para explicar os modelos econômicos. Para Max Weber a realidade é irracional, é constituída por um “emaranhado” de ações sociais, sem direção comum. Portanto, a realidade é impossível de ser apreendida (explicada) em sua totalidade. O que os cientistas sociais fazem é racionalizá-la, através do que ele chama de “Tipos ideais”. Tipo ideal nada mais é do que selecionar um conjunto de ações sociais que me permita estabelecer um raciocínio a respeito de um fenômeno, para tentar explicá-lo. É exatamente por isso que o mesmo fenômeno pode ser explicado de diversas formas. Os modelos econômicos são passam de tipos ideais, uma racionalização da realidade irracional, portanto reducionismo, uma tentativa de apreensão do inapreensível.

O economista trabalha com um alto grau de objetividade, por isso seu nível de redução também é alto. Para estabelecer um raciocínio coerente precisa deixar à margem do modelo diversas variáveis. Mas qual a vantagem disso? A vantagem é que é melhor ter uma explicação (ainda que limitada) do que não ter nada. Para melhor entender como raciocina um economista, vamos tratar de algo bastante irracional e subjetivo. Por exemplo, traição. O que leva um sujeito a trair? O que determina uma traição? Essa com certeza é uma pergunta sem resposta, mas um economista pode ajudar nisso, fazendo suposições e eliminando algumas variáveis. Vamos ver?

Quem trai, o faz para maximizar seu bem estar, ainda que haja remorso ou risco de ser pego. Nesse sentido, vamos usar a fórmula de lucro para fazer uma abstração:

L = R – C

L – Lucro
R – Receita
C – Custo

A receita seria a utilidade (bem estar) proporcionada pela traição, o custo (desutilidade) se dividiria em remorso (que é fixo) e o sofrimento causado por uma possível descoberta por parte da(o) parceira(o) “legítima(o)” (variável, dependendo do risco de ser pego). Chegaríamos então à seguinte equação:

L = R – C1 – bC2

Onde,

L = Saldo
R = Utilidade (prazer, bem estar)
C1 = Custo do remorso (desutilidade, fixa)
C2 = Custo do mal estar (desutilidade) em caso de descoberta (depende do risco)
b = Coeficiente de risco (entre 0 e 1)

Se no final do cálculo der L > 0, valeria a pena a traição. Supondo valores para ilustrar, pode-se ter:

L = 10 – 5 – 0,3 (10)

Nesse caso a pessoa acharia que vale a pena trair.

Esse modelo é uma redução da realidade, obvio. Existe uma dificuldade imensa de mensuração desses valores. Mas se o sujeito conseguir propor mensurações, como: O prazer é o dobro do remorso e o risco é mínimo, esse cálculo poderia servir para alguma coisa. Mesmo que seja impossível utilizá-lo no mundo prático, ele pode servir ao menos para ajudar a entender a realidade.


Os modelos são a melhor forma para se chegar à realidade de forma racional, mesmo partindo da completa subjetividade (como no exemplo citado). O mundo precisa de respostas objetivas para algumas questões, criticar os modelos não vai ajudar em nada nesse aspecto. Em vez de criticar, crie um modelo melhor, contribuirá muito mais.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"Sincero", com toda sinceridade ...

Escreverei simples e diretas palavras para expor uma inquietação, a de desmistificar esse conceito ético social que tende a valorizar pessoas francas.
Pessoas que dizem sempre a verdade na cara gostam de bater no peito e dizer com orgulho “Eu falo na cara!”, como se isso fosse uma grande vantagem. Mas alguém já reparou que pessoas sinceras de mais, 90% do que dizem na cara são sobre defeitos alheios? Por que será? Por que essas pessoas não são tão sinceras pra elogiar os outros?

A resposta é bem simples, na verdade essas pessoas não são sinceras de verdade, elas se camuflam de uma falsa sinceridade como válvula de escape para seus problemas de adequação e suas frustrações. Pessoas que tem problemas de convivência social e se escondem atrás de uma pseudo-virtude. Não dizer na cara não é ser falso, e sim uma forma de garantir o bom convívio com as pessoas ao nosso redor. Falsidade é mentir, dizer o contrário do que achamos, e não omitir. Poucas pessoas estão evoluídas o suficiente para escutar a verdade (seja ela qual for) o tempo inteiro, então poupar certos comentários é uma forma sensatez. Insensato é quem dispara críticas de forma inoportuna ou sem uma real necessidade.

Excesso de sinceridade na verdade não passa de um eufemismo para a representação de uma personalidade orgulhosa, egoísta, insensível e arrogante. No geral são pessoas que tem dificuldade de aceitar a opinião alheia, bem como seus próprios defeitos, por isso não aceitam os defeitos alheios. Quer fazem um teste? Observe como normalmente as pessoas muito sinceras são também arrogantes e orgulhosas.

Se você tem mania de dizer tudo na cara e acha isso uma virtude, sinto lhe dizer, mas você não passa de uma pessoa com problemas de adequação, que covardemente usa a sinceridade para tentar colorir o seu cinzento universo interior. A vida é um jogo, o problema não está em quem joga certo, mas sim em quem não consegue jogar. Não conheço nenhum “sincero” que tenha mais amigos que eu, ou tenha conseguido algo com isso.