80% dos textos dessa página não críticas, quem não me conhece deve achar que sou um sujeito mal humorado pra cacete .. rsrs. Pois bem, chegou o momento da redenção, de afagar o defunto. Hoje resolvi falar bem de quem dificilmente recebe elogios.
Globo – Eu sei que a Globo apoiou a ditadura, que é de direita escrota e que se pudesse mandava assassinar Hugo Chávez. Isso qualquer pseudo-intelectual leitor de subtítulo de notícias do UOL sabe. Eu concordo com tudo isso, a emissora é escrota mesmo. Mas será que ela tem tamanha hegemonia somente pelas concessões políticas de que se beneficiou durante sua história? Certeza que não, a Globo tem uma qualidade que nenhuma emissora conseguiu chegar perto até hoje. Cinco segundos vendo uma novela da Record e já dá para saber que não é novela da Globo. Por que? Por que a diferença de qualidade é gritante. O mesmo vale para transmissão esportiva, dentre outros fatores. Felizmente ou infelizmente, a Globo é a melhor. E não é só por que tem dinheiro, a Record também tem. Foi uma qualidade construída durante anos seguindo à risca um padrão de qualidade criado pela própria emissora, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”.
Xuxa – Outra massacrada, principalmente por fazer parte do time da Plin Plin. O principal argumento é de que ela namorou com Pelé e Senna com interesses profissionais. Pode ser, mas eu vou dar 5 minutos para você me dizer uma apresentadora melhor que ela para lidar com o público infantil. Pensou? O que veio em sua cabeça? Eliana? Essa não né? Mara Maravilha? Essa também não? rsrs ...
Com a série de DVDs “Xuxa Só para Baixinhos”, a apresentadora mostrou que ninguém lida melhor com a gurizada do que ela, e ponto final.
Galvão Bueno – Esse é piada pronta, existem milhões de pérolas do Galvão rolando na net. Galvão é um pé no saco mesmo, mas mesmo assim é o melhor narrador do Brasil. Ninguém transmite emoção como ele na arte de narrar. O vídeo abaixo ilustra muito bem o que quero dizer.
Dunga – O técnico revolucionou o futebol brasileiro, conseguiu fazer com que existisse um movimento anti-seleção brasileira no país do futebol. Nem precisa ressaltar o quanto ele é massacrado. Na época confesso que eu também malhava bastante o sujeito, mas hoje vejo que injustiças foram cometidas.
A seleção de Dunga tinha campanha impecável até as quartas de final da Copa, ganhou Copa das Confederações e Copa América, sem contar a liderança das eliminatórias. Mesmo assim era muito criticado. Dunga teve deméritos, que não foram poucos, mas teve méritos que precisam ser reconhecidos. 1º Montou um sistema defensivo excelente. 2º Devolveu à “seleção de estrelinhas intocáveis” o espírito guerreiro perdido em 2006. O Brasil era competitivo, foi eliminado da Copa em falhas individuais. Depois de sua saída, o que temos? Melhorou? Pois é ...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Os protegidos do além
Quantas coisas você já fez na infância que hoje você não faria nem a pau? Quantas dessas coisas você se surpreende por ter sobrevivido?
Os ateus vão pirar, mas criança parece que tem um campo de força que a protege. A mulecada faz o diabo e volta pra casa sã e salva, 365 vezes no ano. Cada um tem suas histórias para contar, e eu tenho a minha também. Durante cerca de 4 anos, quando eu era criança, jogávamos bola (junto com o povo do bairro) dentro de uma fonte luminosa sem água. Era uma espécie de piscina rasa sem água no meio da praça, jogávamos no azulejo (cheio de buracos) sem um pingo de preocupação. Qual a probabilidade e alguém bater a cabeça na quina da fonte? Olhando, alguém que fosse questionado com certeza diria que era um alto risco, sobretudo quando chovia. Agora me pergunte se alguma vez nesses 4 anos alguém bateu a cabeça na quina da fonte luminosa. NINGUÉM! E nós não deixávamos de jogar quando chovia.
Todo mundo tem histórias inusitadas a esse respeito, sobretudo homens, o que me faz supor que criança deve ter um guardião, uma força, espírito, anjo, sei lá, qualquer coisa sobrenatural que compense sua falta de maturidade. Eu não deixaria um filho meu fazer metade das coisas que eu fiz, mas eu fiz e estou vivo ... hehe.
Talvez esse tipo de coisa esteja se perdendo, o máximo de risco que as crianças dessa geração correm é levar um tiro no Call of Duty. Mas nada pode ser feito a esse respeito, as coisas simplesmente mudam, o que nos resta é o sentimento saudosista de lembrar e dizer aos mais jovens: “Minha infância teve isso e isso!”
Se você fazia maluquice também na infância, conte sua história. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que imaginamos.
Os ateus vão pirar, mas criança parece que tem um campo de força que a protege. A mulecada faz o diabo e volta pra casa sã e salva, 365 vezes no ano. Cada um tem suas histórias para contar, e eu tenho a minha também. Durante cerca de 4 anos, quando eu era criança, jogávamos bola (junto com o povo do bairro) dentro de uma fonte luminosa sem água. Era uma espécie de piscina rasa sem água no meio da praça, jogávamos no azulejo (cheio de buracos) sem um pingo de preocupação. Qual a probabilidade e alguém bater a cabeça na quina da fonte? Olhando, alguém que fosse questionado com certeza diria que era um alto risco, sobretudo quando chovia. Agora me pergunte se alguma vez nesses 4 anos alguém bateu a cabeça na quina da fonte luminosa. NINGUÉM! E nós não deixávamos de jogar quando chovia.
Todo mundo tem histórias inusitadas a esse respeito, sobretudo homens, o que me faz supor que criança deve ter um guardião, uma força, espírito, anjo, sei lá, qualquer coisa sobrenatural que compense sua falta de maturidade. Eu não deixaria um filho meu fazer metade das coisas que eu fiz, mas eu fiz e estou vivo ... hehe.
Talvez esse tipo de coisa esteja se perdendo, o máximo de risco que as crianças dessa geração correm é levar um tiro no Call of Duty. Mas nada pode ser feito a esse respeito, as coisas simplesmente mudam, o que nos resta é o sentimento saudosista de lembrar e dizer aos mais jovens: “Minha infância teve isso e isso!”
Se você fazia maluquice também na infância, conte sua história. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que imaginamos.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Modelos Econômicos: Por que? Para que?
“Modelos econômicos não explicam a realidade!” “Modelos são reducionistas!”. Se você é economista ou estudante da área, provavelmente já escutou frases desse tipo. Eu já escutei muito, e toda vez que acontece sinto vontade de dar “tapa ôi” no sujeito. São frases emitidas principalmente por quem estuda economia e tem dificuldade com matemática, ou por estudantes de economia esquerdistas. Também é usada por sociólogos e antropólogos, que meio que estabelecem uma rivalidade imbecil com os economistas (e vice versa). E tem também os historiadores, que acham que a história explica qualquer coisa.
Pois bem, usarei um conceito de um clássico da sociologia para explicar os modelos econômicos. Para Max Weber a realidade é irracional, é constituída por um “emaranhado” de ações sociais, sem direção comum. Portanto, a realidade é impossível de ser apreendida (explicada) em sua totalidade. O que os cientistas sociais fazem é racionalizá-la, através do que ele chama de “Tipos ideais”. Tipo ideal nada mais é do que selecionar um conjunto de ações sociais que me permita estabelecer um raciocínio a respeito de um fenômeno, para tentar explicá-lo. É exatamente por isso que o mesmo fenômeno pode ser explicado de diversas formas. Os modelos econômicos são passam de tipos ideais, uma racionalização da realidade irracional, portanto reducionismo, uma tentativa de apreensão do inapreensível.
O economista trabalha com um alto grau de objetividade, por isso seu nível de redução também é alto. Para estabelecer um raciocínio coerente precisa deixar à margem do modelo diversas variáveis. Mas qual a vantagem disso? A vantagem é que é melhor ter uma explicação (ainda que limitada) do que não ter nada. Para melhor entender como raciocina um economista, vamos tratar de algo bastante irracional e subjetivo. Por exemplo, traição. O que leva um sujeito a trair? O que determina uma traição? Essa com certeza é uma pergunta sem resposta, mas um economista pode ajudar nisso, fazendo suposições e eliminando algumas variáveis. Vamos ver?
Quem trai, o faz para maximizar seu bem estar, ainda que haja remorso ou risco de ser pego. Nesse sentido, vamos usar a fórmula de lucro para fazer uma abstração:
L = R – C
L – Lucro
R – Receita
C – Custo
A receita seria a utilidade (bem estar) proporcionada pela traição, o custo (desutilidade) se dividiria em remorso (que é fixo) e o sofrimento causado por uma possível descoberta por parte da(o) parceira(o) “legítima(o)” (variável, dependendo do risco de ser pego). Chegaríamos então à seguinte equação:
L = R – C1 – bC2
Onde,
L = Saldo
R = Utilidade (prazer, bem estar)
C1 = Custo do remorso (desutilidade, fixa)
C2 = Custo do mal estar (desutilidade) em caso de descoberta (depende do risco)
b = Coeficiente de risco (entre 0 e 1)
Se no final do cálculo der L > 0, valeria a pena a traição. Supondo valores para ilustrar, pode-se ter:
L = 10 – 5 – 0,3 (10)
Nesse caso a pessoa acharia que vale a pena trair.
Esse modelo é uma redução da realidade, obvio. Existe uma dificuldade imensa de mensuração desses valores. Mas se o sujeito conseguir propor mensurações, como: O prazer é o dobro do remorso e o risco é mínimo, esse cálculo poderia servir para alguma coisa. Mesmo que seja impossível utilizá-lo no mundo prático, ele pode servir ao menos para ajudar a entender a realidade.
Os modelos são a melhor forma para se chegar à realidade de forma racional, mesmo partindo da completa subjetividade (como no exemplo citado). O mundo precisa de respostas objetivas para algumas questões, criticar os modelos não vai ajudar em nada nesse aspecto. Em vez de criticar, crie um modelo melhor, contribuirá muito mais.
Pois bem, usarei um conceito de um clássico da sociologia para explicar os modelos econômicos. Para Max Weber a realidade é irracional, é constituída por um “emaranhado” de ações sociais, sem direção comum. Portanto, a realidade é impossível de ser apreendida (explicada) em sua totalidade. O que os cientistas sociais fazem é racionalizá-la, através do que ele chama de “Tipos ideais”. Tipo ideal nada mais é do que selecionar um conjunto de ações sociais que me permita estabelecer um raciocínio a respeito de um fenômeno, para tentar explicá-lo. É exatamente por isso que o mesmo fenômeno pode ser explicado de diversas formas. Os modelos econômicos são passam de tipos ideais, uma racionalização da realidade irracional, portanto reducionismo, uma tentativa de apreensão do inapreensível.
O economista trabalha com um alto grau de objetividade, por isso seu nível de redução também é alto. Para estabelecer um raciocínio coerente precisa deixar à margem do modelo diversas variáveis. Mas qual a vantagem disso? A vantagem é que é melhor ter uma explicação (ainda que limitada) do que não ter nada. Para melhor entender como raciocina um economista, vamos tratar de algo bastante irracional e subjetivo. Por exemplo, traição. O que leva um sujeito a trair? O que determina uma traição? Essa com certeza é uma pergunta sem resposta, mas um economista pode ajudar nisso, fazendo suposições e eliminando algumas variáveis. Vamos ver?
Quem trai, o faz para maximizar seu bem estar, ainda que haja remorso ou risco de ser pego. Nesse sentido, vamos usar a fórmula de lucro para fazer uma abstração:
L = R – C
L – Lucro
R – Receita
C – Custo
A receita seria a utilidade (bem estar) proporcionada pela traição, o custo (desutilidade) se dividiria em remorso (que é fixo) e o sofrimento causado por uma possível descoberta por parte da(o) parceira(o) “legítima(o)” (variável, dependendo do risco de ser pego). Chegaríamos então à seguinte equação:
L = R – C1 – bC2
Onde,
L = Saldo
R = Utilidade (prazer, bem estar)
C1 = Custo do remorso (desutilidade, fixa)
C2 = Custo do mal estar (desutilidade) em caso de descoberta (depende do risco)
b = Coeficiente de risco (entre 0 e 1)
Se no final do cálculo der L > 0, valeria a pena a traição. Supondo valores para ilustrar, pode-se ter:
L = 10 – 5 – 0,3 (10)
Nesse caso a pessoa acharia que vale a pena trair.
Esse modelo é uma redução da realidade, obvio. Existe uma dificuldade imensa de mensuração desses valores. Mas se o sujeito conseguir propor mensurações, como: O prazer é o dobro do remorso e o risco é mínimo, esse cálculo poderia servir para alguma coisa. Mesmo que seja impossível utilizá-lo no mundo prático, ele pode servir ao menos para ajudar a entender a realidade.
Os modelos são a melhor forma para se chegar à realidade de forma racional, mesmo partindo da completa subjetividade (como no exemplo citado). O mundo precisa de respostas objetivas para algumas questões, criticar os modelos não vai ajudar em nada nesse aspecto. Em vez de criticar, crie um modelo melhor, contribuirá muito mais.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
"Sincero", com toda sinceridade ...
Escreverei simples e diretas palavras para expor uma inquietação, a de desmistificar esse conceito ético social que tende a valorizar pessoas francas.
Pessoas que dizem sempre a verdade na cara gostam de bater no peito e dizer com orgulho “Eu falo na cara!”, como se isso fosse uma grande vantagem. Mas alguém já reparou que pessoas sinceras de mais, 90% do que dizem na cara são sobre defeitos alheios? Por que será? Por que essas pessoas não são tão sinceras pra elogiar os outros?
A resposta é bem simples, na verdade essas pessoas não são sinceras de verdade, elas se camuflam de uma falsa sinceridade como válvula de escape para seus problemas de adequação e suas frustrações. Pessoas que tem problemas de convivência social e se escondem atrás de uma pseudo-virtude. Não dizer na cara não é ser falso, e sim uma forma de garantir o bom convívio com as pessoas ao nosso redor. Falsidade é mentir, dizer o contrário do que achamos, e não omitir. Poucas pessoas estão evoluídas o suficiente para escutar a verdade (seja ela qual for) o tempo inteiro, então poupar certos comentários é uma forma sensatez. Insensato é quem dispara críticas de forma inoportuna ou sem uma real necessidade.
Excesso de sinceridade na verdade não passa de um eufemismo para a representação de uma personalidade orgulhosa, egoísta, insensível e arrogante. No geral são pessoas que tem dificuldade de aceitar a opinião alheia, bem como seus próprios defeitos, por isso não aceitam os defeitos alheios. Quer fazem um teste? Observe como normalmente as pessoas muito sinceras são também arrogantes e orgulhosas.
Se você tem mania de dizer tudo na cara e acha isso uma virtude, sinto lhe dizer, mas você não passa de uma pessoa com problemas de adequação, que covardemente usa a sinceridade para tentar colorir o seu cinzento universo interior. A vida é um jogo, o problema não está em quem joga certo, mas sim em quem não consegue jogar. Não conheço nenhum “sincero” que tenha mais amigos que eu, ou tenha conseguido algo com isso.
Pessoas que dizem sempre a verdade na cara gostam de bater no peito e dizer com orgulho “Eu falo na cara!”, como se isso fosse uma grande vantagem. Mas alguém já reparou que pessoas sinceras de mais, 90% do que dizem na cara são sobre defeitos alheios? Por que será? Por que essas pessoas não são tão sinceras pra elogiar os outros?
A resposta é bem simples, na verdade essas pessoas não são sinceras de verdade, elas se camuflam de uma falsa sinceridade como válvula de escape para seus problemas de adequação e suas frustrações. Pessoas que tem problemas de convivência social e se escondem atrás de uma pseudo-virtude. Não dizer na cara não é ser falso, e sim uma forma de garantir o bom convívio com as pessoas ao nosso redor. Falsidade é mentir, dizer o contrário do que achamos, e não omitir. Poucas pessoas estão evoluídas o suficiente para escutar a verdade (seja ela qual for) o tempo inteiro, então poupar certos comentários é uma forma sensatez. Insensato é quem dispara críticas de forma inoportuna ou sem uma real necessidade.
Excesso de sinceridade na verdade não passa de um eufemismo para a representação de uma personalidade orgulhosa, egoísta, insensível e arrogante. No geral são pessoas que tem dificuldade de aceitar a opinião alheia, bem como seus próprios defeitos, por isso não aceitam os defeitos alheios. Quer fazem um teste? Observe como normalmente as pessoas muito sinceras são também arrogantes e orgulhosas.
Se você tem mania de dizer tudo na cara e acha isso uma virtude, sinto lhe dizer, mas você não passa de uma pessoa com problemas de adequação, que covardemente usa a sinceridade para tentar colorir o seu cinzento universo interior. A vida é um jogo, o problema não está em quem joga certo, mas sim em quem não consegue jogar. Não conheço nenhum “sincero” que tenha mais amigos que eu, ou tenha conseguido algo com isso.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Cultura: Uma visão alternativa do alternativo
É legal valorizar aspectos de nossa cultura tradicional, é até bonito recordar da nossa infância, dos costumes, etc. Mas em alguns seguimentos observo que existe uma tendência abusiva de se exaltar o antigo, o tradicional, em detrimento de tudo que é moderno. O mundo capitalista, urbanizado, racionalizado, é satanizado a todo instante. O legal mesmo é a vida simples, de interior, onde os laços sociais são mais “apertados”, não é mesmo? O tempo de nossos avós, o forrozinho, as cantigas, as lendas, etc. Isso sim era bom, hoje está tudo uma merda. O capitalismo, um sistema que é culpado por todas as mazelas da humanidade (a final, o mundo era um paraíso antes dele), chegou para destruir as culturas tradicionais, homogeneizar, transformar tudo em fast food, até mesmo a arte. O sistema fez com que as pessoas se tornassem mais egoístas, racionais, escrotas, é a lógica do mundo urbanizado.
A verdade é que a suposta homogeneização cultural provocada pelo capitalismo tem efeitos perversos, mas não somente. Pergunte para uma mãe solteira se ela preferiria viver no tempo de seus avós. Faça a mesma pergunta a um gay. A convivência urbana é por si só mais diversa e individualista, as pessoas se conhecem menos e ao mesmo tempo precisam se relacionar com o diferente, isso promove uma deterioração dos valores “originais”. Ilustrando, a mãe solteira que há 50 anos teria muito pouco estímulo para se tornar independente, hoje ela pode trabalhar, estudar, se sustentar e se impor, porque no mundo racionalizado as regras legais falam mais alto que os costumes. A racionalização reduziu então a vulnerabilidade e flexibilizou as relações.
Quando você for pagar de saudosista, valorizando o antigo, o tradicional, como uma espécie de afirmação, exalte também o machismo, a homofobia e o racismo, bem como outros diversos tipos de discriminação e valores perversos. Tudo isso também faz parte da cultura e dos valores tradicionais.
Se existe uma vantagem no capitalismo, é a maior liberdade de valores. Não que o sistema tenha acabado com a discriminação, mas seu mecanismo de funcionamento, que tende a ser mais meritocrático e racional, enfraquece os laços sociais. O processo de destruição (ou homogeneização) cultural é como uma quimioterapia, corrói o que é bom e o que é ruim. O que não se pode aceitar são análises rasas e tendenciosas sobre o que significa a destruição da cultura tradicional.
Coloque um sujeito de uma metrópole em um lugar provinciano e ele vai dizer: “Aqui tem muita fofoca!” Faça o contrário e vai escutar: “Não existe amizade aqui como no interior!” São os dois lados da mesma moeda, portanto é mais complexo do que parece. Eu acho que tem muita mulher no Oriente Médio que sonha com uma destruição cultural ...
A verdade é que a suposta homogeneização cultural provocada pelo capitalismo tem efeitos perversos, mas não somente. Pergunte para uma mãe solteira se ela preferiria viver no tempo de seus avós. Faça a mesma pergunta a um gay. A convivência urbana é por si só mais diversa e individualista, as pessoas se conhecem menos e ao mesmo tempo precisam se relacionar com o diferente, isso promove uma deterioração dos valores “originais”. Ilustrando, a mãe solteira que há 50 anos teria muito pouco estímulo para se tornar independente, hoje ela pode trabalhar, estudar, se sustentar e se impor, porque no mundo racionalizado as regras legais falam mais alto que os costumes. A racionalização reduziu então a vulnerabilidade e flexibilizou as relações.
Quando você for pagar de saudosista, valorizando o antigo, o tradicional, como uma espécie de afirmação, exalte também o machismo, a homofobia e o racismo, bem como outros diversos tipos de discriminação e valores perversos. Tudo isso também faz parte da cultura e dos valores tradicionais.
Se existe uma vantagem no capitalismo, é a maior liberdade de valores. Não que o sistema tenha acabado com a discriminação, mas seu mecanismo de funcionamento, que tende a ser mais meritocrático e racional, enfraquece os laços sociais. O processo de destruição (ou homogeneização) cultural é como uma quimioterapia, corrói o que é bom e o que é ruim. O que não se pode aceitar são análises rasas e tendenciosas sobre o que significa a destruição da cultura tradicional.
Coloque um sujeito de uma metrópole em um lugar provinciano e ele vai dizer: “Aqui tem muita fofoca!” Faça o contrário e vai escutar: “Não existe amizade aqui como no interior!” São os dois lados da mesma moeda, portanto é mais complexo do que parece. Eu acho que tem muita mulher no Oriente Médio que sonha com uma destruição cultural ...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Cultura e o dogma científico do intocável
Depois que a antropologia admitiu a premissa de que nenhuma cultura é menos evoluída (ou pior) que outra, passou a ser proibido criticar a cultura alheia, como se fosse um pecado científico. Nesse sentido, uma série de hipocrisias e equívocos foram sendo cometidos.
A concepção de que nenhuma cultura é superior às demais, parte do princípio de que só é possível fazer tal julgamento partindo de valores, portanto, de um modelo de cultura como referência. Como os valores são construções sociais, seria então arbitrário julgar a cultura alheia como inferior. Mas o que as pessoas (e até mesmo antropólogos) precisam compreender, é que isso é uma base teórica para a definição de cultura enquanto algo subjetivo, não quer dizer que na prática eu não possa estabelecer julgamentos.
Julgar a cultura alheia não é "pecado", desde que eu o faça me utilizando de uma lente para enxergá-la. Ou seja, no campo da completa subjetividade, qualquer julgamento é arbitrário, mas se eu QUISER enxergar a cultura sob a ótica da liberdade por exemplo, posso sim fazer. Na verdade fazemos isso o tempo todo, mas muitos não enxergam, e se tornam hipócritas. Eu não posso criticar um índio que mata o filho que nasceu deficiente, mas posso criticar um cara que discrimina um gay. Como é isso? Que critério é esse? Se a cultura alheia não pode ser julgada, porque posso julgar minha própria cultura? É bom lembrar que a cultura que faço parte não foi construída por mim, e sim herdada.
Não poder julgar a cultura alheia significa não poder julgar a minha também, por uma simples questão de lógica, visto que o meu vizinho reproduz algo tão quanto um índio, ou um japonês. Nesse sentido, se não posso criticar um índio que mata seu filho, também não posso criticar um sujeito que discrimina gays. Ambos são motivados por questões culturais.
Feminismo, socialismo, movimento gay, movimento negro, qualquer tipo de luta contra a discriminação parte de valores, concepções de como a sociedade deve ser, de rompimento com os padrões. Portanto, esses movimentos JULGAM a sociedade a partir de uma “lente”, que é a lente da liberdade e da igualdade. E acredite, liberdade e igualdade são valores.
Vamos então parar com essa retórica de bolso para tirar ondinha de intelectual na mesa do bar. Todos temos o direito de criticar o que quisermos, inclusive a cultura alheia. Criticar não é sinônimo de dizer que a pessoa faz aquilo por impulsos individuais, mas sim dizer que aquilo está errado e pronto, é fazer a mesma coisa que fazemos todos os dias com nossos amigos, vizinhos e familiares. Sua cultura não é melhor do que a dos outros, portanto não trate a do outro como “café com leite”. É de um centralismo absurdo tratar a própria cultura como dinâmica e a do outro como intocável.
A concepção de que nenhuma cultura é superior às demais, parte do princípio de que só é possível fazer tal julgamento partindo de valores, portanto, de um modelo de cultura como referência. Como os valores são construções sociais, seria então arbitrário julgar a cultura alheia como inferior. Mas o que as pessoas (e até mesmo antropólogos) precisam compreender, é que isso é uma base teórica para a definição de cultura enquanto algo subjetivo, não quer dizer que na prática eu não possa estabelecer julgamentos.
Julgar a cultura alheia não é "pecado", desde que eu o faça me utilizando de uma lente para enxergá-la. Ou seja, no campo da completa subjetividade, qualquer julgamento é arbitrário, mas se eu QUISER enxergar a cultura sob a ótica da liberdade por exemplo, posso sim fazer. Na verdade fazemos isso o tempo todo, mas muitos não enxergam, e se tornam hipócritas. Eu não posso criticar um índio que mata o filho que nasceu deficiente, mas posso criticar um cara que discrimina um gay. Como é isso? Que critério é esse? Se a cultura alheia não pode ser julgada, porque posso julgar minha própria cultura? É bom lembrar que a cultura que faço parte não foi construída por mim, e sim herdada.
Não poder julgar a cultura alheia significa não poder julgar a minha também, por uma simples questão de lógica, visto que o meu vizinho reproduz algo tão quanto um índio, ou um japonês. Nesse sentido, se não posso criticar um índio que mata seu filho, também não posso criticar um sujeito que discrimina gays. Ambos são motivados por questões culturais.
Feminismo, socialismo, movimento gay, movimento negro, qualquer tipo de luta contra a discriminação parte de valores, concepções de como a sociedade deve ser, de rompimento com os padrões. Portanto, esses movimentos JULGAM a sociedade a partir de uma “lente”, que é a lente da liberdade e da igualdade. E acredite, liberdade e igualdade são valores.
Vamos então parar com essa retórica de bolso para tirar ondinha de intelectual na mesa do bar. Todos temos o direito de criticar o que quisermos, inclusive a cultura alheia. Criticar não é sinônimo de dizer que a pessoa faz aquilo por impulsos individuais, mas sim dizer que aquilo está errado e pronto, é fazer a mesma coisa que fazemos todos os dias com nossos amigos, vizinhos e familiares. Sua cultura não é melhor do que a dos outros, portanto não trate a do outro como “café com leite”. É de um centralismo absurdo tratar a própria cultura como dinâmica e a do outro como intocável.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Cantadas de Torcedor
Tricolor Carioca: Chega a pé, de cabelo escovado, unha feita e roupa da Lacoste. Dá um jeito de dizer que seu carro está na oficina, enquanto tenta convencê-la que é de boa família.
Botafoguense: Virgem, chega nervoso, com discurso planejado. Tropeça na calçada, ela ri da situação, ele coloca o dedo na cara da moça e diz o quanto ela é patricinha e manipulada pela Globo.
Flamenguista: Chega de nariz empinado, com celular tocando funk em volume máximo e diz: “Já é ou já era?” A moça larga o vascaíno e fica com ele. Dois dias depois ela o trai com um torcedor do Volta Redonda.
São Paulino: Desliga o celular para o “amigo” não ligar, chega educadamente e pede a mão da moça em casamento, oferecendo uma aliança de diamante. A moça fica emocionada e diz que quer terminar a conversa em sua casa. Ele aceita, mas fala que só faz sexo depois do casamento.
Corinthiano: Chega todo sujo, de pochete e palito na boca. Diz que tem um pau de 20 cm, leva um fora e vai assistir jogo do Corinthians pra esquecer.
Santista: Recita 5 poesias de um autor desconhecido, leva rosas vermelhas, caixa de bombom e um vinho do porto. Fica 40 minutos dizendo o quanto é romântico, inteligente e diferente dos outros homens. A moça enche o saco e vai para praia com as amigas.
Atleticano: Chega deprimido, fica 2 horas falando o quanto está carente. Promete dar casa, comida e roupa lavada. A moça dá um fora e ele liga para a mãe dela para chorar e dizer o quanto a ama.
Gremista: Chega todo bruto, segura a moça pelo braço e diz o que sente vontade de fazer com ela. A moça grita e um torcedor do Internacional chega de Hilux para salva-la.
Tricolor Baiano: Vai ao encontro com a moça, no meio do caminho lembra que tem jogo do Bahia e para em um bar para ver. A moça fica esperando, enche o saco e dá para um torcedor do Vitória.
Botafoguense: Virgem, chega nervoso, com discurso planejado. Tropeça na calçada, ela ri da situação, ele coloca o dedo na cara da moça e diz o quanto ela é patricinha e manipulada pela Globo.
Flamenguista: Chega de nariz empinado, com celular tocando funk em volume máximo e diz: “Já é ou já era?” A moça larga o vascaíno e fica com ele. Dois dias depois ela o trai com um torcedor do Volta Redonda.
São Paulino: Desliga o celular para o “amigo” não ligar, chega educadamente e pede a mão da moça em casamento, oferecendo uma aliança de diamante. A moça fica emocionada e diz que quer terminar a conversa em sua casa. Ele aceita, mas fala que só faz sexo depois do casamento.
Corinthiano: Chega todo sujo, de pochete e palito na boca. Diz que tem um pau de 20 cm, leva um fora e vai assistir jogo do Corinthians pra esquecer.
Santista: Recita 5 poesias de um autor desconhecido, leva rosas vermelhas, caixa de bombom e um vinho do porto. Fica 40 minutos dizendo o quanto é romântico, inteligente e diferente dos outros homens. A moça enche o saco e vai para praia com as amigas.
Atleticano: Chega deprimido, fica 2 horas falando o quanto está carente. Promete dar casa, comida e roupa lavada. A moça dá um fora e ele liga para a mãe dela para chorar e dizer o quanto a ama.
Gremista: Chega todo bruto, segura a moça pelo braço e diz o que sente vontade de fazer com ela. A moça grita e um torcedor do Internacional chega de Hilux para salva-la.
Tricolor Baiano: Vai ao encontro com a moça, no meio do caminho lembra que tem jogo do Bahia e para em um bar para ver. A moça fica esperando, enche o saco e dá para um torcedor do Vitória.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Danilo Gentili: Humor ácido para pessoas insossas
Muito se tem discutido a respeito do teor humorístico utilizado por talentos do “novo humor” brasileiro, derivado do Stand Up norte-americano. As figuras mais conhecidas e polêmicas são Rafinha Bastos e Danilo Gentili. O primeiro acabou se dando mal ao fazer uma piada escrota com Wanessa Camargo, saiu da Band e está na Rede TV. O segundo ainda está na Band, mas vem criando algumas polêmicas com piadas agressivas e de conteúdo racista. O fato divide opiniões, existem os admiradores do humorista, que acreditam que o humor sempre será agressivo, pois não existe piada sem “vítima”, e do outro lado todo o resto da população, que acha que precisa haver limite até no humor. Existe também quem admira o humorista mas discorda de certas piadas.
A maior polêmica com Danilo foi sobre uma piada racista disparada pelo twitter, que dizia: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?" Além da polêmica isso gerou um processo judicial que nem sei em que pé anda. A outra polêmica famosa teve como vítima a comunidade judaica, com a seguinte frase também no twitter: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz". Dessa vez o humorista pediu desculpas.
Em relação à piada racista Danilo escreveu um texto em seu blog se justificando e ironizando os politicamente corretos. O texto foi bastante compartilhado nas redes sociais, com a chamada: “Esse é o problema de mexer com gente inteligente”. Li a famigerada resposta de Danilo aos politicamente corretos e percebi o quanto as pessoas se deixam levar por meia dúzia de frases de efeito. Danilo é inteligente sim, e bastante articulado, mas quando se faz uma merda, nem o maior gênio do mundo consegue se justificar. Ele se esforçou, mas só os ingênuos engoliram seus argumentos, que podem ser vistos nesse link: http://senale.wordpress.com/2010/06/20/racismo-resposta-de-danilo-gentilli/.
O fato é que apesar de ser difícil fazer humor sem vítima, existem vários tipos e níveis de agressividade. Chamar uma loira de burra é completamente diferente de chamar um negro de burro, sobretudo porque o estereótipo “loira burra” se restringe ao campo da piada, no caso do negro não. Ninguém realmente acha que uma mulher pode ser burra pela cor do cabelo, mas muitos acham que a cor da pele pode estar ligada à inteligência. Uma coisa é o campo da piada, outra é o mundo real. Os negros sofrem com o racismo desde 1500, e as implicações são severas, basta observar qual é a cor da população pobre e marginalizada do país. Indo nesse mesmo caminho, a comparação de negro com macaco tem um sentido simbólico muito mais pesado do que chamar um gordo de baleia. Não estou dizendo que chamar gordo de baleia é legal, e sim que existe um abismo de diferença entre gordo/baleia e negro/macaco. O negro não “é” só feio, “é” burro, incapaz, ladrão e até mesmo inferior. Então o teor da piada racista será sempre infinitamente mais pesado que o teor de piadas de loira, português, japonês, gordo, etc, que não estabelecem conexão com o mundo real, ou se restringem a questões frívolas, como por exemplo o tamanho do pênis.
Danilo adora usar frases de efeito em programas de TV para se justificar, e se vacilarem ele é capaz de falar merda e ainda sair por cima, a depender de quem argumente contra ele. Só existe uma maneira de parar de ser fantoche de gente inteligente, é ser inteligente também. Caso contrário você pode se tornar consumidor de qualquer merda, como no vídeo abaixo.
A maior polêmica com Danilo foi sobre uma piada racista disparada pelo twitter, que dizia: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?" Além da polêmica isso gerou um processo judicial que nem sei em que pé anda. A outra polêmica famosa teve como vítima a comunidade judaica, com a seguinte frase também no twitter: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz". Dessa vez o humorista pediu desculpas.
Em relação à piada racista Danilo escreveu um texto em seu blog se justificando e ironizando os politicamente corretos. O texto foi bastante compartilhado nas redes sociais, com a chamada: “Esse é o problema de mexer com gente inteligente”. Li a famigerada resposta de Danilo aos politicamente corretos e percebi o quanto as pessoas se deixam levar por meia dúzia de frases de efeito. Danilo é inteligente sim, e bastante articulado, mas quando se faz uma merda, nem o maior gênio do mundo consegue se justificar. Ele se esforçou, mas só os ingênuos engoliram seus argumentos, que podem ser vistos nesse link: http://senale.wordpress.com/2010/06/20/racismo-resposta-de-danilo-gentilli/.
O fato é que apesar de ser difícil fazer humor sem vítima, existem vários tipos e níveis de agressividade. Chamar uma loira de burra é completamente diferente de chamar um negro de burro, sobretudo porque o estereótipo “loira burra” se restringe ao campo da piada, no caso do negro não. Ninguém realmente acha que uma mulher pode ser burra pela cor do cabelo, mas muitos acham que a cor da pele pode estar ligada à inteligência. Uma coisa é o campo da piada, outra é o mundo real. Os negros sofrem com o racismo desde 1500, e as implicações são severas, basta observar qual é a cor da população pobre e marginalizada do país. Indo nesse mesmo caminho, a comparação de negro com macaco tem um sentido simbólico muito mais pesado do que chamar um gordo de baleia. Não estou dizendo que chamar gordo de baleia é legal, e sim que existe um abismo de diferença entre gordo/baleia e negro/macaco. O negro não “é” só feio, “é” burro, incapaz, ladrão e até mesmo inferior. Então o teor da piada racista será sempre infinitamente mais pesado que o teor de piadas de loira, português, japonês, gordo, etc, que não estabelecem conexão com o mundo real, ou se restringem a questões frívolas, como por exemplo o tamanho do pênis.
Danilo adora usar frases de efeito em programas de TV para se justificar, e se vacilarem ele é capaz de falar merda e ainda sair por cima, a depender de quem argumente contra ele. Só existe uma maneira de parar de ser fantoche de gente inteligente, é ser inteligente também. Caso contrário você pode se tornar consumidor de qualquer merda, como no vídeo abaixo.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
O amor é racional
Em termos de relacionamento a maior lorota ensinada é a de que o amor é uma coisa irracional, que o coração fala uma língua diferente da do cérebro. É esse o discurso utilizado para se tentar justificar paixões que a pessoa muitas vezes tem vergonha de dizer quais os reais motivos.
Se o amor fosse essa coisa totalmente irracional, seria possível uma pessoa se apaixonar por outra mesmo odiando todas as características dessa pessoa. As pessoas se atraem pelas características que tem apreço, e não por uma força inexplicável. O problema é que falta coragem para admitir que um traço considerado ruim lhe atrai.
Preferência é algo subjetivo, mas a partir do momento que a pessoa escolhe parceiros de acordo com determinadas características pré-definidas, a escolha está no campo da razão, e não da emoção. O que pode ter um viés irracional é a preferência, não o amor. Existem muitas mulheres por ai que adoram um canalha, mas para camuflar essa preferência dizem: “Não mandamos em nosso coração!” Lorota!!. Admita que você adora um pilantra. O mesmo vale para homens, alguns não conseguem esquecer aquela que lhe deu vários cornos. Tenha a coragem de explicar porque você gosta dela. Você não ama a pessoa, ama as características dela. Se achar outra “igual” vai amar do mesmo jeito. Acontece que nos atraímos por um conjunto, e não por um traço apenas, é ai que mora a enganação. Precisamos de um mínimo de auto-reflexão para saber explicar porque gostamos de determinada pessoa. E acredite, sempre há explicação. Então não existe essa história de “segui o meu coração”, isso é frase pronta de novela de Manuel Carlos. Sempre seguimos nossa razão!
O leitor pode então citar casos em que pessoas de contextos distintos se apaixonaram, tipo a burguesinha que se casou com um pobre lascado. Isso não muda em nada o raciocínio, nesses casos o que ela dá valor e admira em um homem não tem relação com classe social, e vice versa. E existem também as preferências excêntricas, eu conheço casos estranhos, de gente sentir atração por criminosos por exemplo. Como já havia dito, as preferências podem ter um viés irracional.
Outra frase de bolso que muitos usam é “foi amor à primeira vista”. Amor à primeira vista é aquele que deu certo, o que deu errado a gente toma 5 cervejas e esquece. Quantas vezes nos encantamos com uma pessoa e depois isso não dá em nada? Nesses casos, porque não usamos a mesma frase “foi amor à primeira vista?” Onde está a coerência?
O que falei nesse texto pode parecer meio obvio, mas muita gente acredita nessas conversas fiadas. Vamos aprender a enfiar o dedo em nossas próprias feridas e explicar nossas paixões sem usar o escudo do coração.
Vou aproveitar para parafrasear uma amiga, sua frase cabe bem no contexto: “Até mesmo a loucura está dentro da razão” (Ana Clara Teixeira)
Gostou do texto? Então deixe seu coração falar mais alto e compartilhe no facebook. Hehe.
Se o amor fosse essa coisa totalmente irracional, seria possível uma pessoa se apaixonar por outra mesmo odiando todas as características dessa pessoa. As pessoas se atraem pelas características que tem apreço, e não por uma força inexplicável. O problema é que falta coragem para admitir que um traço considerado ruim lhe atrai.
Preferência é algo subjetivo, mas a partir do momento que a pessoa escolhe parceiros de acordo com determinadas características pré-definidas, a escolha está no campo da razão, e não da emoção. O que pode ter um viés irracional é a preferência, não o amor. Existem muitas mulheres por ai que adoram um canalha, mas para camuflar essa preferência dizem: “Não mandamos em nosso coração!” Lorota!!. Admita que você adora um pilantra. O mesmo vale para homens, alguns não conseguem esquecer aquela que lhe deu vários cornos. Tenha a coragem de explicar porque você gosta dela. Você não ama a pessoa, ama as características dela. Se achar outra “igual” vai amar do mesmo jeito. Acontece que nos atraímos por um conjunto, e não por um traço apenas, é ai que mora a enganação. Precisamos de um mínimo de auto-reflexão para saber explicar porque gostamos de determinada pessoa. E acredite, sempre há explicação. Então não existe essa história de “segui o meu coração”, isso é frase pronta de novela de Manuel Carlos. Sempre seguimos nossa razão!
O leitor pode então citar casos em que pessoas de contextos distintos se apaixonaram, tipo a burguesinha que se casou com um pobre lascado. Isso não muda em nada o raciocínio, nesses casos o que ela dá valor e admira em um homem não tem relação com classe social, e vice versa. E existem também as preferências excêntricas, eu conheço casos estranhos, de gente sentir atração por criminosos por exemplo. Como já havia dito, as preferências podem ter um viés irracional.
Outra frase de bolso que muitos usam é “foi amor à primeira vista”. Amor à primeira vista é aquele que deu certo, o que deu errado a gente toma 5 cervejas e esquece. Quantas vezes nos encantamos com uma pessoa e depois isso não dá em nada? Nesses casos, porque não usamos a mesma frase “foi amor à primeira vista?” Onde está a coerência?
O que falei nesse texto pode parecer meio obvio, mas muita gente acredita nessas conversas fiadas. Vamos aprender a enfiar o dedo em nossas próprias feridas e explicar nossas paixões sem usar o escudo do coração.
Vou aproveitar para parafrasear uma amiga, sua frase cabe bem no contexto: “Até mesmo a loucura está dentro da razão” (Ana Clara Teixeira)
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