quinta-feira, 28 de março de 2013

O dilema da família moderna


A mulher na sociedade contemporânea vive um big dilema: quer ser independente, mas ao mesmo tempo quer ser mãe participando ativamente da criação dos filhos. Na verdade esse é o dilema do casal moderno. Recentemente a justiça chegou junto e regularizou de vez a profissão das empregadas domésticas no geral, de modo que ter uma babá não é mais algo barato e, se for (não pagar os direitos), passa a ser perigoso.

Ainda que se possa pagar uma profissional desse tipo, os pais querem participar da criação dos filhos de forma mais ativa e, vê-los somente pela noite pode não ser algo positivo. Como resolver isso? Como permitir que a mulher seja independente sem que a criação dos filhos seja quase totalmente delegada a babás?

Eu creio que a solução nesse case deve ser buscada com grande objetividade e sensatez por parte do casal. Em 1º lugar, é necessário saber se existe condição financeira para pagar uma babá e, se vale à pena. Creio que seja meio irracional ir para o mercado de trabalho ganhar mil reais e pagar um salário mínimo para uma babá, isso é quase que pagar para trabalhar. Se a mulher não tem condições de arrumar um emprego para ganhar pelo menos 2 mil, que fique em casa com os filhos. O inverso também vale. Se o casal estiver evoluído o suficiente para aceitar que o homem fique em casa, não vejo problemas. Mas é bom lembrar que isso é algo difícil de lidar, é necessário um alto grau de evolução do casal.

Outro ponto que acredito que poderia ser mudado é a lei, oferecendo benefício de redução de carga horária para mulheres com filhos menores de 2 anos. Mas uma lei como essa traria uma série de implicações. O setor público lidaria com isso sem maiores problemas, mas o setor privado faria de tudo para não empregar mulheres nessas condições. A legislação poderia reduzir a carga horária e proibir as empresas de questionar as mulheres a esse respeito, no momento da seleção. Mas isso é complicadíssimo de se aplicar com eficiência, a simples recusa em responder a pergunta entregaria o “doce”. Portanto, reduzir carga horária para beneficiar mulheres com filhos é um tiro que pode sair pela culatra.

Esse e o dilema da família moderna, que tem cada vez mais mulheres buscando independência, mas ao mesmo tempo precisando decidir o que fazer com os filhos e, jogar o pepino “nos peito” da avó nem sempre é algo possível, ou saudável.

Frente ao que foi apresentado, deixo aberto para o debate, já que a solução parece bem complicada.

terça-feira, 19 de março de 2013

Dissecando: Religião, Fé e Ateus ...

Normalmente as discussões sobre religião são polarizadas, trazendo: de um lado os ateus, muitas vezes com uma enciclopédia de argumentos histórico/sociológicos para jogar na lama a fé e as instituições religiosas, sobretudo quando se trata de cristianismo. Do outro lado tem os religiosos, imbuídos de sua fé, não se importando muito com as questões econômicas e políticas que circundam a religião. Se colocarmos um cristão e um ateu para debaterem, certamente o segundo vencerá a discussão com sobras, e o cristão mesmo derrotado abraçará sua fé e não dará ouvidos ao sujeito. Isso faz com que os ateus (não qualquer ateu, os que estudam) de certa forma se sintam superiores, mais sábios, livres das amarras da fé, “desalienados”.

Acontece que a fé e a religião pedem uma análise para além da sociologia e da história (que são análises externas). Analisar a religião externamente é contextualizá-la e perceber todos os condicionantes culturais, políticos e econômicos envolvidos no desenvolvimento da mesma. Isso é bastante importante, mas é limitado. Religião está diretamente ligada a questões místicas, impalpáveis, portanto, ligada a uma vivência bastante particular, que somente quem faz parte pode apreender por inteiro. Um ateu não sabe o que é se sentir melhor ao entrar em uma igreja; não sabe como é obter uma cura sem explicações médicas; não sabe como é pedir algo a uma suposta energia (Deus) e aquilo chegar até a pessoa inexplicavelmente. A vivência religiosa é exclusiva de quem participa, não podendo jamais ser apreendida por um agente externo. Portanto, um ateu nunca será capaz de compreender a religião e a fé em sua plenitude, sua opinião será sempre a de um observador, com uma luneta na mão.

Analisar a religião requer um esforço dialético, apreender a mesma tanto internamente quanto externamente. Quem está envolvido precisa se fazer de observador às vezes, e vice versa. Só que há um problema, seria muito difícil um ateu ter uma visão interna. Ir a um culto e observar com o olhar “estranho” é o mesmo que não estar lá. Nesse sentido, é inevitável a conclusão inexorável de que somente um religioso é capaz de apreender a fé e a religião em sua plenitude. Mas poucos conseguem. São poucos os que conseguem “cortar na própria carne”, usar uma luneta e se colocar no papel do observador. Mas isso é possível.

O recado que deixo é: jamais se sinta menos sábio ou fraco por ser religioso, ainda que você perca feio numa discussão com um ateu. Saiba que você é o “soldado” e ele é o cara que lê sobre “guerra”. Ou seja, ele pode ter mais informações, mas só você sabe de verdade o que é uma “guerra”.

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domingo, 10 de março de 2013

Os "Vergonha de Feira"


Hoje o maior clube do interior da Bahia afundou de vez e, talvez para a eternidade. O Fluminense de Feira vive momentos difíceis há muito tempo e, a “tragédia” de hoje já era anunciada. Em parte pelos problemas administrativos do clube, do outro lado existe também a falta de apoio do cidadão feirense.

Sou flamenguista, todos sabem. Nasci em Jacobina-BA, em uma família de flamenguistas, perpetuei a tradição familiar e ainda criança já amava o clube. Na minha terra natal, torcer para times do Rio e São Paulo é algo bastante comum e, ninguém se importa com isso, até porque faz pouco tempo que o futebol baiano passou a ter espaço na TV aberta. Quando cheguei em Feira, me surpreendi com pessoas falando mal de mim por torcer para time do sudeste, alegando que o futebol nordestino é oprimido pela mídia dominante, bem como pelas condições da formação econômica do país. Essas pessoas alegam que todo baiano, por motivo de afirmação, deve torcer para time da Bahia.

Esse seria um discurso coerente se não existisse futebol no interior do estado, futebol esse oprimido pela mídia da capital baiana (dominante). A Rede Bahia, filiada da Rede Globo, pratica no âmbito estadual o que a Globo faz em âmbito nacional: Exaltar o futebol de sua região (Salvador) e deixar à margem todo o restante. Outras afiliadas como a TV Aratu não ficam atrás nesse processo. O resultado é um verdadeiro ritual de fingimento de que o futebol do interior do estado não existe, ou é irrelevante. É dessa forma que surgem quadros como “Jair e Vicentino”, que nada mais é do que um retrato da polarização do futebol baiano em somente 2 equipes, Bahia e Vitória.

O que me espanta aqui em Feira é a completa falta de reflexão das pessoas que me chamam de “Vergonha da Bahia” e, colocam a camisa de um time da capital. Seria cômico se não fosse tão trágico. Todo mundo sabe o quanto o futebol do interior da Bahia já foi oprimido pela influência política dos times da capital, sobretudo quando se fala do Esporte Clube Bahia, que já ganhou diversos títulos estaduais através de corrupção e politicagem, envolvendo até supostas compras de árbitros (não comprovadas, claro). Foram os tempos de Maracajá. Mas na verdade até hoje é possível verificar beneficiamento ao clube quando o mesmo enfrenta um time do interior. O Bahia tem uma força política enorme dentro do estado, algo que sem sombra de dúvidas sempre impôs barreiras para o crescimento de clubes do interior.

Quando uso esse argumento com alguém que se atreve a me chamar de vergonha da Bahia, geralmente a pessoa fala que estou forçando a barra. Meu caro, se você acha que isso é irrelevante, você está declarando aos sete ventos que o futebol do interior não deve ser levado a sério. Hoje o Flu de Feira “morreu”, mas já estava na UTI há muito tempo. E o feirense, coitado, continuará acreditando piamente que torce para time de sua região.

Sou flamenguista e, hoje acho que racionalmente o correto mesmo é torcer para time da região. Mas futebol é muito mais que razão e, infelizmente já passei da idade de escolher meu time. O Flamengo já faz parte de mim. Só que pelo menos tenho a dignidade de dizer os fatos como eles são, não me escondo atrás de uma frustração camuflada de afirmação, nem finjo que minha verdadeira região é irrelevante para “gozar com o pau dos outros”.

segunda-feira, 4 de março de 2013

+ ou - Estado?


Objeto de brigas ideológicas entre esquerdistas e conservadores, a presença do estado na economia é um assunto polêmico e, rende calorosos debates. A final, qual a vantagem de se ter um estado “grande”, ou um estado bastante presente? Qual a vantagem de se ter um estado “enxuto”? Creio que o tema não deve ser discutido de forma religiosa, é preciso deixar os jargões e os dogmas de lado.

Os EUA é um país que serve como referência de uma economia com estado bastante enxuto, do outro lado tem-se os países europeus, com estados muito presentes. A priori o sujeito pode pensar automaticamente que na Europa é melhor e ponto final. Só que não existe almoço de graça, um estado grande implica em alta carga tributária e, consequentemente, altas taxas de desemprego. Essa conseqüência não é regra, mas a tendência é que altas cargas de impostos se reflitam no número de empregos da economia. É por conta disso que os países europeus convivem com taxas de desemprego que giram em torno de 8%, enquanto os EUA convive com taxas menores. Para se ter uma idéia, trazendo dados anteriores à crise econômica, em 2007 a taxa de desemprego na terra do Capitão América foi de 4,5%, no mesmo ano a Alemanha registrou 8,4%, e a França 7,9%. Nesse sentido, pode-se dizer que existe uma sinuca: Mais emprego/menos impostos ou menos empregos/mais impostos/mais benefícios sociais? É uma pergunta que cabe. Tratando de forma bem simplista: É melhor ter educação pública e saúde pública de qualidade ou ter mais empregos e menos impostos? No Brasil essa dicotomia não se aplica, visto que temos carga tributária e taxa de desemprego européia, mas não usufruímos dos benefícios sociais disso, muito por conta da corrupção.

Além dos serviços prestados, o estado pode demonstrar seu tamanho através da atuação em setores produtivos, financeiros ou de serviços, as chamadas empresas estatais. A briga ideológica geralmente se dá com argumentos intransigentes: de um lado alegam que o estado é ineficiente, do outro que o estado deve ser grande a todo custo, se possível que seja dono de tudo. Se trazermos para o contexto brasileiro, onde tudo se torna mais complexo, veremos que não é tão trivial falar desse assunto. Alguns setores necessitam de um maior incentivo à inovação, de modo que a exposição à concorrência (em todos os sentidos) e aos riscos tendem a trazer ganhos em eficiência, sobretudo quando se trata de uma cultura oportunista e corporativista como a brasileira. Por outro lado, um estado sem participação alguma nesses setores, pode acarretar em impotência do governo em estabelecer políticas econômicas e grande vulnerabilidade a crises econômicas. Em ambiente de crise o setor privado tende a demitir, e as demissões por sua vez reduzem o consumo agregado, podendo gerar um efeito em cascata de demissões. As estatais teriam então um papel anticíclico nesse aspecto. No lado da autonomia do governo para estabelecer políticas, ano passado tivemos um forte exemplo da importância do Banco do Brasil e Caixa Econômica, utilizados como meios para o governo exercer na prática sua política monetária, puxando a taxa de juros para baixo.

Tendo em vista toda a complexidade do assunto, eu creio que um estado presente é importante, mas é preciso ter cuidado com o tamanho do mesmo em alguns contextos. Defendo um estado que garanta que todos os cidadãos tenham os serviços básicos de qualidade, para que tenham as mesmas oportunidades, mas ao mesmo tempo deve-se ter uma grande atenção a respeito de certos benefícios (não essenciais), simplesmente “abrir as torneiras” pode trazer um custo social danoso. Penso também que alguns setores estratégicos devem ter presença de estatais, para que o governo tenha autonomia para estabelecer políticas e, reduzir a vulnerabilidade econômica do país. Mas creio também que o setor privado não deve ser sufocado, mas sim regulamentado.

Com as novas configurações do blogspot, não consigo mais colocar a foto ao lado do texto, só acima. Se alguém souber como faz, agradeço a contribuição.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Vlog Stars


Quando o you tube criou a possibilidade de cada usuário ter seu canal, apareceu um grupo de pessoas, que no Brasil tiveram como precursores Felipe Neto e PC Siqueira, fazendo uma espécie de Blog em vídeo. Ou seja, em vez de escreverem textos, o pessoal começou a fazer vídeos, para falar qualquer coisa. O problema é que esse povo fez sucesso, e agora são os “Vlog Stars”.

A partir do sucesso dos sujeitos citados, disseminaram os vlogueiros pelo país. Um monte de gente tentando fazer sucesso como Felipe Neto e PC Siqueira, mas estarão eternamente na sombra desses dois. O PC há tempos que grava vídeos em casa, falando qualquer coisa que der na telha, as piores possíveis. O outro foi o sujeito que “descobriu” que Restart é uma merda, assim como Colírios da Capricho e Justin Bieber. Até então todos achavam que Restart e Justin Bieber eram do nipe de Mozart. Felipe Neto é o cara das críticas "originais", reclama das modinhas mais toscas possíveis, se achando inovador e cult. Mas há quem goste ... e como!

O estrelato desses vlogueiros deixa muito claro 2 fenômenos: 1º O brasileiro ao “se libertar” da TV não melhorou seu gosto por entretenimento. 2º Existe uma “doença cultural” (não sei se apenas aqui) que leva as pessoas a se sentirem bem acompanhando a vida de alguém. É a porra do Reality Show, que chegou também no you tube. Não existe a mínima condição de alguém ver um vídeo como esse abaixo e dizer que é massa, bacana, etc. Isso na verdade é um Reality Show com a grife do espaço alternativo (ou independente). Uma menina bonita falando de sua vida e um monte de gente assistindo só porque ela é bonita.



Canais como esse existe em bando na internet. Como sou um curioso e alguém que curte humor, pesquiso essas paradas, e posso garantir: 95% não serve nem para assistir enquanto a pessoa toma café.
A Gabbie (do vídeo acima) é a vlogueira mais famosa. É até bonitinha e simpática, mas não faz nada que acrescente em absolutamente nada. Se fosse feia ninguém assistiria.

Felizmente existe a parte boa da tecnologia, o canal do you tube está sendo aproveitado para vídeos bacanas de humor como no canal Porta dos Fundos, ou Os Barbichas. Falando especificamente de Vlogs, só consigo recomendar um, que é "Os Carai", de um pessoal de Irecê-BA, com certeza o melhor do país. Mas não é surpresa, já que baiano é o povo mais criativo no Brasil. Nem tudo está perdido .... ainda.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Os trilhos da vida ... ou a vida dos trilhos

Os budistas dizem que o destino é como se fosse o trilho de um trem, e que todos nós temos diversos trilhos em nossas vidas, “pegamos” aquele condizente com as decisões que tomamos ao longo de nossa existência. Ou seja, a vida é como uma viagem de trem, mas existem opções para o “maquinista” mudar de trilho. São nossas decisões. A idéia de trilho deixa também clara a noção de que existe um destino pré-definido em cada um desses trilhos, nossa liberdade de escolha se restringe a qual pegaremos.

Carnaval, nada para um liso como eu fazer, cenário perfeito para reflexões completamente descompromissadas. Baseado no que expus no 1º parágrafo, estive refletindo sobre alguns caminhos que a vida tem me levado e, me perguntando como seria minha vida “no outro trilho”. No meu caso, a vida não deu muitas oportunidades de escolha, eu fui praticamente guiado pelos acontecimentos. Acho que minha vida tem diversos trilhos, mas todos os outros estão fechados. Ao longo de minha existência enxerguei muitos caminhos alternativos, mas todos eles estavam lá só para dizer que existia uma outra vida para mim, mas não poderei acessá-la. Ou seja, eu sempre me senti bastante guiado pela “força” do destino, algumas vezes até de forma impressionante.

Talvez o que eu falei na frase anterior seja verdade, ou talvez eu tenha deixado minha vida no “piloto automático”, como no filme Click. Acho que todos nós temos um trilho principal, o qual seguiremos até o fim caso não façamos nada de diferente. Quando falo diferente, é algo diferente do previsível para nossa personalidade e caráter. Paralelo a esse trilho principal existem os alternativos, que só se abrem caso tomemos decisões surpreendentes. Caso contrário, ficaremos no piloto automático.

Quantas pessoas nesse mundo já foram para um trilho alternativo? Queria deixar claro também que mudar de vida nem sempre é sinônimo de sair do piloto automático, muitas pessoas (por exemplo) nasceram pobres, mas inteligentes, então com certeza o caminho natural será a mudança de vida. Mudança de trilho requer “auto-flagelação”, tomadas de decisões excêntricas para nós mesmos.

Se isso que falo é realmente verdade, eu gostaria muito de saber como seriam meus outros trilhos, minhas outras vidas em diversos outros lugares, em “dimensões” paralelas a essa. Mas como sou um sujeito conservador, acho que continuarei no piloto automático. E você? Está no piloto automático? Já parou para pensar como seria sua vida se lá atrás você não tivesse tomado aquela decisão “previsível”?

Para os que não acreditam em destino, peço para observarem como suas vidas são guiadas como uma espécie de trem, lhe jogando para um lado e para o outro. Como nos sentimos meio impotentes em relação a isso. Verá que às vezes não passamos de fantoches de nós mesmos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Todos nós somos culpados!

Mais uma tragédia no Brasil, dessa vez com requintes de indignação da população brasileira.

Está mais do que claro que essa tragédia não é obra do acaso, houve negligência. O que não consigo concordar é com esse pensamento coletivo que se formou nas ultimas 48 horas, satanizando o estado e o dono do estabelecimento.

Aqui no Brasil temos uma mania muito forte de fazer julgamento pelos efeitos, e não pelas causas. O sujeito que quer linchar um cara que ao atravessar o sinal vermelho atropelou seu filho, muito provavelmente já fez a mesma coisa um dia, mas não aconteceu nada. É de uma incoerência descomunal tratar certos deslizes de forma permissiva e depois que acontece uma tragédia jogar “nos peito” do “protagonista” toda a culpa.

Quantos já deixaram de ir a uma boate por não haver saída de emergência ou pela boate sempre estar excessivamente lotada? Até antes da tragédia, se eu dissesse a meus amigos: “Cara, não vou lá não, não tem saída de emergência, é perigoso!” muito provavelmente iriam me chamar de fresco, ou dizer que estou inventando desculpa esfarrapada. Quantas boates no país obedecem 100% as normas de segurança? Quantas reclamações a esse respeito existem? Quantas pessoas realmente se incomodam com isso?

Eu sei que muitos desconhecem as normas de segurança, mas também creio que certas coisas são tão evidentes que é inegável o descaso não só do proprietário, mas também de quem usufrui do espaço. Basta ver a planta da tal boate incendiada para verificar o absurdo que é aquela estrutura. Também tenho informações de que o local do ocorrido sempre foi excessivamente lotado. Mas eu pergunto: alguém se incomodou antes? Se incomodar depois não adianta.

O fato é que a cultura brasileira é muito permissiva, as pessoas acham que as coisas nunca acontecerão com elas, tudo aqui pode. Essa é uma culpa que não deve ser jogada SOMENTE nas costas do estado ou do proprietário. É claro que as maiores parcelas de culpa são desses agentes, mas não sejamos idiotas e convenientes ao ponto de tirar o nosso da reta. É uma tragédia causada por um câncer gerado em nossa sociedade, o “tumor” da cultura do “tudo pode”, do “isso é besteira”. Uma hora dá merda!

Essa tragédia não aconteceu no dia 27/01, ela começou a acontecer desde que todos os agentes envolvidos, incluindo clientes, foram negligentes com a vida alheia e, com suas próprias vidas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O homem perfeito da vida real

Existem diferenças do homem perfeito dos contos de fadas (e novelas) para o da vida real. O homem perfeito da teoria representa não só o que a mulher gostaria de ter, mas também o que ela gostaria de gostar. Na prática a mulher não consegue gostar do modelo de homem perfeito.

Na teoria o homem perfeito seria aquele cara educado, sincero, romântico, honesto, fiel, humilde, engraçado, amoroso, bom filho, bom marido, bom pai, blá blá blá. Na prática esse cara é corno. Sei que você está querendo me matar ao ler isso, aconselho que vá tomar um copo d’água e volte com o psicológico desarmado. Voltou? Já consegue enxergar que existe verdade nisso?

O homem perfeito simplesmente não pode ser perfeito, porque as mulheres simplesmente não gostam de relacionamento certinho. O homem perfeito do mundo real é aquele que sabe deixar a mulher apreensiva, com dúvidas, angustiada. O homem perfeito jamais deixa a mulher ter certeza de algo, seja para o lado bom ou para o lado ruim, ele será uma eterna incógnita. Ele não é nem fiel nem infiel, nem ama nem é indiferente, não é bom e nem mau, nem humilde nem metido, nem sincero nem falso, ele é simplesmente perfeito.

Para a mulher os combustíveis de um relacionamento são a dúvida e a contradição, no dia em que ela tiver certeza absoluta de algo, a relação começa a ruir. A mulher não gosta de dominar, gosta de ser dominada, se o homem se colocar em uma posição vulnerável a contagem regressiva para a ruína da relação será disparada. Trocando em miúdos, a mulher se sente absolutamente desconfortável se ele gostar mais dela do que ela dele. Como se os papéis tivessem invertidos.

A mulher acima de tudo busca um homem que a proteja, daí a explicação para elas se sentirem atraídas por quem oferece segurança financeira, mas essa necessidade de segurança pode se revelar de outras formas. Ela pode até se impor, mostrar que não é submissa, mas também não aceita estar em posição dominante, sob nenhuma hipótese. A mulher definitivamente não gosta de ser a manda chuva da relação. A dependência que a mulher deseja não é escancarada, é implícita, sobretudo psicológica, “Eu não consigo viver sem ele” encaixa bem melhor do que “Ele não consegue viver sem mim”.

O mundo tem mudado bastante em questão de relações de gênero, mas algumas características persistem, e muitas vezes de forma velada. A mulher no geral ainda sente grande necessidade de ser passiva em um relacionamento. Tudo isso são resquícios de velha cultura machista, que faz com que as sementes das relações tradicionais da sociedade germinem até os dias atuais, camufladas do pano de fundo da naturalidade: “O homem é assim, a mulher é assado”. A mulher não é assim, ela foi treinada para ser assim, e vice-versa. Vamos acabar com essas frases de bolso. Quer ser feminista? O primeiro passo é se questionar: “Que tipo de homem eu desejo?” Usei a palavra desejo de propósito, porque querer muitas vezes é diferente de desejar.

Só pra avisar, me antecipando ao nhe nhe nhe que com certeza virá, me refiro à mulher de maneira geral, na média, e não a todas, ok?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A redenção dos "pecadores"

80% dos textos dessa página não críticas, quem não me conhece deve achar que sou um sujeito mal humorado pra cacete .. rsrs. Pois bem, chegou o momento da redenção, de afagar o defunto. Hoje resolvi falar bem de quem dificilmente recebe elogios.

Globo – Eu sei que a Globo apoiou a ditadura, que é de direita escrota e que se pudesse mandava assassinar Hugo Chávez. Isso qualquer pseudo-intelectual leitor de subtítulo de notícias do UOL sabe. Eu concordo com tudo isso, a emissora é escrota mesmo. Mas será que ela tem tamanha hegemonia somente pelas concessões políticas de que se beneficiou durante sua história? Certeza que não, a Globo tem uma qualidade que nenhuma emissora conseguiu chegar perto até hoje. Cinco segundos vendo uma novela da Record e já dá para saber que não é novela da Globo. Por que? Por que a diferença de qualidade é gritante. O mesmo vale para transmissão esportiva, dentre outros fatores. Felizmente ou infelizmente, a Globo é a melhor. E não é só por que tem dinheiro, a Record também tem. Foi uma qualidade construída durante anos seguindo à risca um padrão de qualidade criado pela própria emissora, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”.

Xuxa – Outra massacrada, principalmente por fazer parte do time da Plin Plin. O principal argumento é de que ela namorou com Pelé e Senna com interesses profissionais. Pode ser, mas eu vou dar 5 minutos para você me dizer uma apresentadora melhor que ela para lidar com o público infantil. Pensou? O que veio em sua cabeça? Eliana? Essa não né? Mara Maravilha? Essa também não? rsrs ...
Com a série de DVDs “Xuxa Só para Baixinhos”, a apresentadora mostrou que ninguém lida melhor com a gurizada do que ela, e ponto final.

Galvão Bueno – Esse é piada pronta, existem milhões de pérolas do Galvão rolando na net. Galvão é um pé no saco mesmo, mas mesmo assim é o melhor narrador do Brasil. Ninguém transmite emoção como ele na arte de narrar. O vídeo abaixo ilustra muito bem o que quero dizer.



Dunga – O técnico revolucionou o futebol brasileiro, conseguiu fazer com que existisse um movimento anti-seleção brasileira no país do futebol. Nem precisa ressaltar o quanto ele é massacrado. Na época confesso que eu também malhava bastante o sujeito, mas hoje vejo que injustiças foram cometidas.
A seleção de Dunga tinha campanha impecável até as quartas de final da Copa, ganhou Copa das Confederações e Copa América, sem contar a liderança das eliminatórias. Mesmo assim era muito criticado. Dunga teve deméritos, que não foram poucos, mas teve méritos que precisam ser reconhecidos. 1º Montou um sistema defensivo excelente. 2º Devolveu à “seleção de estrelinhas intocáveis” o espírito guerreiro perdido em 2006. O Brasil era competitivo, foi eliminado da Copa em falhas individuais. Depois de sua saída, o que temos? Melhorou? Pois é ...