
Esse texto está sendo escrito de certa forma um tanto tardia, é verdade, deveria ter sido escrito durante o 1º turno das eleições. Mas como eu escrevo inspirado em inquietações, e não só pelo momento oportuno, só agora resolvi posta-lo.
Estive refletindo sobre essa questão do rompimento político aqui no Brasil, como seria, e isso foi assunto de um debate ocorrido em sala de aula também, na matéria do professor Diogo. Observo muitas pessoas criticarem o Lula pelo mesmo não ter rompido com a estrutura política, econômica e social aqui no Brasil, alegando ser essencial esse rompimento (e eu assino em baixo). Boa parte dessas pessoas votaram no candidato Plínio Arruda do PSOL, por achar que é o candidato que pode romper essas com estruturas aqui no Brasil. Mas fico a refletir, será que essas pessoas sabem em que chão estão pisando?
Por outro lado tem as pessoas que votam no PT ou no PSDB que chamam Plínio de louco, por achar que suas propostas são impraticáveis. Será que essas pessoas também sabem em que chão estão pisando pra fazer esse tipo de julgamento?
Vamos analisar como seria Plínio Arruda no poder? Além disso vamos fazer de conta também que ele teria base política na câmara e no senado para ter viabilidade de governar.
Em 1º lugar, antes dele vencer as eleições, só o fato de ele estar na frente das pesquisas eleitorais, isso geraria uma tremenda fuga de capitais do Brasil, fuga de capitais também representa fuga de dólares, que acarretaria em disparo do dólar, déficit na balança de pagamentos (balança financeira + balança comercial), disparo do risco país, dentre outros efeitos por tabela. Ao se eleger esses efeitos se agravariam ainda mais, devido à total desconfiança dos investidores estrangeiros que tem capitais aplicados aqui. Os investimentos no setor real também cairiam vertiginosamente pelo mesmo motivo. Ao tomar medidas como auditoria da dívida externa, onerar as grandes riquezas e aluguel compulsório dos imóveis inutilizados, a desconfiança e descontentamento dos investidores chegaria a níveis alarmantes, risco país “estourando”, investimentos no setor imobiliário indo para as cucuias, dentre outros efeitos. Enfim, crise generalizada no setor real e financeiro, dólar disparado, desemprego e instabilidade total.
Nesse sentido, o que Plínio (e a esquerda de verdade) propõe não se encaixa com essa lógica de acumulação capitalista que vivenciamos, romper com a estrutura social, política e econômica significa ônus pesado para todos nós, desde a classe A até a classe C e D. Mas a esquerda no poder, no caso, Plínio, se ele realmente pretende fazer todos esses rompimentos, nessa conjuntura o que ele faria é convocar a população para o apoiar, e recomeçar praticamente do zero, construir uma nação mais justa socialmente, juntar os cacos do caos econômico e social e reconstruir a economia em outra lógica, retirando drasticamente os privilégios da burguesia para socializar com as classes menos favorecidas. No primeiro momento então teríamos crise profunda, e em um segundo momento políticas de socialização das riquezas e implantação de uma nova lógica de acumulação e de política econômica e social, e no 3º momento o arranco econômico sob outro prisma. Seria a demolição de uma casa para construção de outra.
O que eu quis dizer com tudo isso? Primeiramente que não basta dizer “Eu acho certo dar calote na dívida”, “É um absurdo a concentração de terras no Brasil” e blá blá blá. Para mudar isso a sociedade terá que comprar uma briga, e comprar uma briga significa arcar também com o ônus do processo. Será que nossa classe média de “esquerda” está disposta a passar por uma crise profunda? Será que essas pessoas tem consciência mesmo do que significa uma ruptura? É necessário saber onde pisamos, socialismo não é Alice no País das Maravilhas! Da mesma forma, para aqueles que encaram Plínio como louco desvairado, lunático, extremista (no sentido pejorativo), saibam que o que ele propõe não é para esse “mundo”, é para outro mundo que ele pretende construir, ou que ele defende.
Nesse sentido, esse texto não é para falar bem ou mal da esquerda e do candidato Plínio Arruda, mas sim mostrar (ou discutir) as implicações de um verdadeiro governo de esquerda no Brasil. Para ambas as partes, para os pseudo-esquerdistas “habitantes” do Reino Encantado, e para os conservadores bitolados que só enxergam o que está diante de seus olhos.
Obs: A todo tempo argumentei partindo do princípio que Plínio Arruda realmente efetuaria todos os rompimentos necessários que ele defende. Não o conheço suficiente para afirmar que realmente o faria, é apenas uma hipótese. E o uso do termo socialismo na figura e no fim do texto não quer dizer que Plínio implantaria um sistema socialista aqui em seu sentido literal, mas sim que o socialismo é bandeira de luta dele, e as mudanças efetuadas iriam de encontro ao grande capital.
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