
Mais um conflito entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro, dessa vez com maior intensidade, mas nada de muito diferente, as pessoas com medo de sair nas ruas, bala perdida pra todo lado, e salve-se quem puder. Muitos traficantes estão sendo presos, a polícia está sendo mais incisiva porque os mesmos passaram dos limites dessa vez, tocaram fogo em vários veículos como represaria pela transferência de alguns presidiários traficantes.
Eu fico observando os cariocas na internet, sobretudo no twitter, falando que todo esse conflito é um mal necessário, que é preciso realmente combater o tráfico, e blá blá blá. Outros falando que a culpa de tudo isso é de quem sustenta o tráfico, inclusive o vlogueiro mais popular do momento, Felipe Neto. Os políticos a mesma coisa, sempre prometendo apertar o cerco contra o tráfico.
Será que os problemas se resolveriam combatendo o tráfico, ou as pessoas tomando “consciência” e parando de consumir drogas? Será que o tráfico de drogas é o cerne do problema? O que aconteceria se acabassem hoje com o tráfico? O que fariam os traficantes e todas as pessoas ligadas que vivem do processo? Iriam para as filas de empregos? Fariam concursos públicos? Pegariam o pouco que sobrou de capital e montariam um barzinho na esquina? Creio que não, a maioria esmagadora com certeza continuaria no mundo do crime de outras formas, com assaltos, crimes pela internet, seqüestro relâmpago, e por ai vai. Essas pessoas estão acostumadas a ganhar dinheiro fácil e em quantidade considerável, entraram no tráfico para não se submeterem ao salário mínimo, portanto continuarão fazendo o mesmo de outras maneiras. Dessa forma, em termos de criminalidade urbana, acabar com o tráfico, como quer a maior parte da sociedade, não resolveria nada, ou até agravaria o problema.
Vamos desmistificar essa questão, o estado não combate o tráfico, ele regula. É o que acontece com a pirataria, as barracas vendendo CDs pirata estão ai nos centros das cidades para todo mundo ver, se houvesse um interesse de acabar com isso, já teria sido feito há muito tempo. O estado precisa regular a pirataria da mesma forma que precisa regular o tráfico, ou seja, não pode deixar que ambos os processos escapem dos limites toleráveis, é isso que acontece na minha opinião. O que está ocorrendo no Rio, daqui a 15 dias estará tudo estabilizado novamente, o tráfico continuará atuando, a polícia vai afrouxar a rédea, e tudo voltará ao “normal”.
O estado não pode combater a pirataria de forma mais incisiva porque isso significa aumento vertiginoso da taxa de desemprego (formais e informais). No caso do tráfico, não apenas isso, mas também porque o processo requer alto investimento e mexe com muitos interesses. A questão é: Precisamos combater o tráfico de drogas? Na minha opinião, não dessa forma, não apenas através do enfrentamento. Bater de frente com o tráfico gastaria tufos de dinheiro público, e o resultado seria o aumento da criminalidade urbana, além do caos causado pelo próprio processo. Sem falar do aumento da pobreza nas favelas.
Tráfico de drogas não é a causa, mas sim um sintoma de um processo muito maior, que é a exclusão social. Combater o tráfico sem um programa incisivo e eficiente de inclusão social, não serve para porra nenhuma! É preciso combater incluindo, e não excluindo. Se for para fazer dessa forma é melhor deixar do jeito que está. Se nossa sociedade quiser exterminar o tráfico de drogas de forma inclusiva, terá de pensar em outra forma de sociedade, outra forma de capitalismo, pois nessa lógica econômica e política que vivenciamos não existem recursos suficientes para efetuar tal manobra. Nesse sentido, lembra do “louco” do Plínio? Que queria fazer auditoria da dívida pública? Pois é .... comecem a pensar nessas loucuras se quiserem uma mudança de fato, e não a troca de um problema por outro.
OBS: Fiz um comentário em resposta a um questionamento que serve como anexo. É bom ler principalmente em caso de discordância.
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