quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sociedade do Consumo


Cada vez mais as pessoas desejam coisas diferentes, faz parte do ser humano querer sempre algo que não se tem, ou nunca experimentou na vida. Alguns pensam assim, eu prefiro pensar que nossa cultura nos tornou assim.

Não quero dar uma de monge tibetano, mas eu acho meio esquizofrênico certas taras que as pessoas tem em relação ao consumo. Pra mim o bem estar propiciado pelo consumo é proporcional à utilidade do mesmo, ou seja, consumo aquilo que tem alguma utilidade, e não aquilo que só serve para ostentar.

Muita gente trata com naturalidade certos tipos de aquisições que pra mim é puro luxo, tipo um sujeito que compra um carro (Sedan) de motor 2.2, pra que porra ele quer essa potência? Pra fazer pega nas rodovias? Pra mostrar para a sociedade: “Meu carro é foda e eu tenho grana pra abastecer ele!” Quem souber de outra serventia me diga por favor. Tem gente solteiro também comprando carros imensos, ou casas imensas, pra que uma pessoa que mora só quer uma casa com 3 banheiros? Que tara doida é essa?

Tem aquelas pessoas que gostam de consumir produtos de grife também, ele paga 50% do valor no produto e 50% na marca, para mostrar ao mundo “Eu consumo a marca X, vejam como eu tenho grana pessoal!” Querem fazer uma experiência? Coloca um produto de grife na prateleira e diz para o cliente: “Nós damos 10% de desconto se apagarmos a marca do produto e colocarmos uma etiqueta de uma marca ruim!” Ninguém compra! Qual a designação para uma pessoa que paga R$ 500,00 para escreverem um nome em uma roupa? Quem é o louco aqui? “Ah, mas roupa de grife tem qualidade!” Claro que tem, é obrigação ter, mas em 90% dos casos o preço não é justificado pela qualidade.

Nessa questão o sexo feminino precisa ser ressaltado, as mulheres adoram consumir coisas sem necessidade. Mulher comprando é como usuário de drogas, sempre tem uma desculpa, mas a gente sabe que é vício. “Comprei esse cachecol porque nunca se sabe né, vai que a temperatura cai aqui em Salvador!”

Jogadores de futebol que ganham 300 mil por mês, se ficam um mês sem receber entram no desespero, por quê? Porque arranjam um jeito de comprometer uma renda desse porte. Essa é nossa sociedade fútil, pessoas querem algo para mostrar às outras, e não porque é necessário ou útil ter. Se fomos encarar a realidade, veremos que uma família pequena, que possui uma renda de 6 mil por mês, pode viver folgada e bem, ter uma boa casa, um bom carro, plano de saúde, educação particular e viajar todas as férias, qualquer desejo acima disso é sintoma da esquizofrenia da cultura capitalista do consumo.

Gostou? Compartilhe nas redes sociais, você pode salvar uma alma perdida que está prestes a dar R$ 300,00 em uma calça jeans, irmão.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bens duráveis que não duram


Todo mundo sabe que os bens duráveis de hoje já não são tão duráveis como os de outrora, uma parte sabe que isso é proposital, outra parte ainda acha que as indústrias não conseguem mais fazer bens duráveis duráveis.

O tema de hoje é inspirado em minha geladeira, a qual tenho um xodó especial (mentira, não tive grana pra comprar uma nova) desde quando adquiri. É um refrigerador que não sei a marca (por respeito à ela não direi o motivo), e quando comprei já aparentava estar com um pé na cova, mas está há 6 anos comigo, agüentando firme, sem problemas de ordem técnica, só de estética. Coloquei o apelido dela de “menina sonsa”, porque quem vê não dá nada, mas agüenta um pau danado. Deve ter uns 30 anos de uso no mínimo, mas se deixar congela água até na parte de baixo. Porque as de hoje em dia pedem arrego antes de “soprar as velinhas”?

A resposta é bem clara: Dar rotatividade à indústria de bens de consumo duráveis, a final, nós que somos lisos e gostamos de gastar nossa grana comendo besteira na rua, não compraríamos uma TV nova se a nossa não pifasse. “Isso é uma conspiração do grande capital contra as classes oprimidas!” (Militante do PS**). Na verdade as classes oprimidas também comem desse pirão, o alto consumo desses bens provocado pela rápida depreciação dos mesmos, gera emprego e faz girar a roda da economia. Nesse sentido, em um sistema capitalista a alta depreciação dos bens duráveis é necessária. “Seu reacionário de merda! E as pessoas que não podem comprar uma TV a cada 5 anos?” O que tem a ver o c** com as calças? Má distribuição de renda não tem a ver com a dinâmica de produção da indústria, e sim com as políticas econômicas e sociais adotadas no país. Se os bens durassem 50 anos o povo não precisaria trocar sempre, mas também teria menos empregos, e a má distribuição de renda não seria resolvida.

Lendo isso a pessoa pode pensar: “Mas já que é por isso, então porque eles não fazem um produto que dure menos ainda? Tipo 2 anos?” Porque existe a concorrência, se fizerem isso vai aparecer uma concorrente esperta lançando um que dura mais, então isso é meio que um equilíbrio de interesses empresariais.

Então é isso, quando sua TV ou seu carro der pau, xingue por ser pobre e não poder comprar outro, mas não porque a indústria é escrota.

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Ando meio sem tema para escrever, quem quiser dar uma idéia de algum assunto polêmico, coloca nos comentários. Só não peçam pra eu falar mal das bandas coloridas please!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mulheres, vistam-se para nós!


Mulher se veste para as outras mulheres, isso uma tautologia, ou melhor, na linguagem teen, #fato. Não é minha intenção aqui tentar compreender isso, porque seria desperdício de tempo, só queria lembrar a elas que os homens possuem um gosto, e eles reparam nas coisas que vocês vestem. Então aqui vão dicas de moda de quem gosta de mulher, às vezes é preciso lembrar que suas amigas não gostam de mulheres, nem seu cabeleleiro.

A primeira coisa (literalmente) que é preciso abominar de vez são os sapatinhos com lacinho na frente, aquela coisa bisonha, escabrosa e broxante. “Pesquisadores da universidade de Sidney constataram que o sapatinho com lacinho na frente hoje é o maior causador de impotência sexual.” É sério! Mulheres, vocês realmente gostam dessa tosqueira? Olha pra esse troço!



Outra coisa são aquelas calças que a parte que enfia o cinto é bem larga, essa é outra peça anti-tesônica. Eu não achei foto disso porque não sei o nome, só sei que é troncho. Saia ou calça, qualquer peça de baixo tem que estar abaixo do umbigo, a década de 80 já acabou faz tempo, favor dar um F5. Cinto largo ou com fivelão só serve mesmo para bater em assaltante, a idade média acabou, favor, F5.



Podem me bater se quiserem, mas maiô é uma peça feita para mulheres que não querem mostrar o corpo. Mas se o corpo é bonito, mostre muié, você não vai arder no mármore do inferno. Ninguém em sã consciência prefere ver isso ...



Em vez de ver isso!



Maiô é uma sunga esticada até o pescoço, só isso.

Tem também os óculos tipo Black Kamen Rider, que assassina qualquer mulher. Pegaram os óculos do Reginaldo Rossi, aumentaram e começaram a dizer que era bonito e o povo acreditou, foi assim que esse óculos virou febre.



A ultima dica é em relação à adaptação da roupa ao corpo. Mulher com corpo quadrado NÃO PODE usar calça, ok? Calça foi feita para as que tem a bunda redonda, quem tem corpo quadrado usa vestido, meus olhos agradecem. O mesmo vale para as magrinhas, se for uma magrinha torneada, pode a calça, se não, cai no vestido. “Ah, mas pra usar vestido sempre tem que ter dinheiro!” Eu não criei a indústria têxtil, não tenho nada a ver com isso. O vestido não é para esconder nada, é uma questão de adaptação, bom senso.

Bolsa, batom, esmalte, essas coisas não fazem diferença, qualquer um serve.

É isso moças, mulheres e senhoritas, essa é minha visão de moda feminina, simples e direta. Quem gostou compartilha nas redes sociais, quem não gostou fala mal do texto do facebook.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Balanço do Brasileirão 2011


Foi um campeonato muito disputado como sempre, o título mais uma vez foi decidido somente na ultima rodada, dessa vez somente 2 clubes chegaram lá com chances, Vasco e Corinthians. Vasco era a sensação do ano, depois de 10 anos de profunda crise e 3 anos após o rebaixamento, o time da colina montou um elenco forte, equilibrado, e entrou na competição cheio de gás após a conquista da Copa do Brasil. No entanto, como é bastante comum em qualquer conquista, o pós título do Vasco foi um tanto sonolento, as 5 rodadas posteriores ao triunfo foram ruins, com o clube conquistando somente uma vitória (1 vitória, 2 derrotas e 2 empates), e no final das contas o preço do desleixo foi caro e o time terminou a competição na “tradicional” posição de vice, para a alegria dos rivais.

O Corinthians que não tem nada a ver com isso começou a competição a mil por hora, as 10 primeiras rodadas foram avassaladoras, 8 vitórias e 2 empates, abrindo distância em relação aos demais e fazendo uma boa camada de gordura para queimar lá na frente. Essa gordura foi muito bem administrada e mesmo com uma equipe sem brilho o clube do Parque São Jorge levou o caneco, com todos os méritos. O Campeonato Brasileiro é uma maratona, ganha quem é mais regular.

Outra equipe que começou a competição com trajes de gala e pinta de campeão foi o Flamengo, tendo no elenco Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, uma espécie de Batman e Robin. A equipe disputou na ponta por um bom tempo, mas só para não perder o costume, entrou em crise e ficou 10 jogos sem vencer. Ameaçou uma arrancada perto do final, reacendendo as esperanças, mas a falta de banco e a má fase de nomes como Léo Moura e do Gaúcho pesaram, e o time teve de se contentar com a vaga na libertadores.

Outros 2 que ameaçaram o título corinthiano foram Botafogo e Fluminense. O 1º impulsionado principalmente por 2 contratações aparentemente discretas que acabaram vigando, Elkerson e Cortês. Chegou a disputar na ponta da tabela, mas próximo da reta final (como sempre) nuvens negras pairaram sobre General Severiano e o final da história foi a triste 9ª colocação. O Fluminense chegou a disputar o título até a 36ª rodada, mas a péssima campanha nos clássicos impediu que o time das Laranjeiras chegasse à reta final brigando, e o clube que recebeu a maior injeção de investimentos acabou na 3ª colocação.

A surpresa (ou ameaça de surpresa) da competição foi o Figueirense, que perto do final deu uma de coelho doido e chegou a colar nos líderes, mas o time não suportou o peso dos trajes de galã e “na hora do vamo ver” não conseguiu vencer nem o seu rival lanterna, acabou fora do G-5.

Lá em baixo, a areia movediça do Z-4 estava sedenta para afundar mais um grande, o Cruzeiro era a bola da vez. A arapuca foi armada, o Atlético-PR venceu o clássico da ultima rodada e iria afundar o azulão, mas o Galo manteve sua postura de fiel meretriz e foi sodomizado pelo rival em Sete Lagoas em uma goleada histórica. Mais um ano triste para o Galo, e o Z-4 terminou dando a velha raquetada e mandando de volta para a segundona mais um que estava ainda com as malas em punho, o América-MG, que afundou junto com Atlético-PR, Avaí e Ceará.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Picaretagem no jornalismo


Jornalismo é sem sombra de dúvidas a profissão mais vulgarizadas do mundo, qualquer Zé ruela pode ser jornalista. Em parte isso acontece por necessidade, existem muitas rádios pelo país, e exigir diploma de todos os “jornalistas” que trabalham nas mesmas é algo impraticável. Mas ocorre também por conta da velha cultura brasileira da contratação por “peixada”, e nossa paciência é testada a todo instante por conta disso.

No meio esportivo a coisa é ainda mais feia, parece que por se tratar de esporte as pessoas acham que não se deve levar tão a sério assim. Saber comentar o esporte é algo que no contexto atual é exigir de mais, se o jornalista souber perguntar, já pode ser considerado bom. Se eu conseguisse lembrar de todas as perguntas idiotas feitas pelos jornalistas esportivos seria necessário um texto só para citá-las, no momento lembro de 2, uma delas feita em um jogo Flamengo X Palmeiras, o Palmeiras vencia por 1 a 0 e estava levando pressão do Flamengo, no intervalo o repórter abordou um jogador do Palmeiras e soltou a bomba: “O Flamengo pressionou bastante o Palmeiras nesse fim de 1º tempo, o Palmeiras precisa evitar essa pressão?” A sorte dele é que não foi Romário, se tivesse sido o baixinho diria “Não, nós gostamos de levar pressão!”. A outra foi em um clássico (não lembro qual), e o repórter pergunta ao centro avante de um dos times (ele havia feito um gol): “Você sempre sonhou em fazer um gol em um clássico como esse?” Pra quem não assiste futebol, a função de um centro avante em um time de futebol é fazer gols, seria como perguntar a um pescador: “Você sempre sonhou conseguir pegar um peixe em um rio como esse?” No futebol você tem que rir pra não chorar, a coisa é feia. A pessoa tem todo tempo do mundo pra formular uma pergunta decente, e pergunta isso?

Fora do mundo esportivo também tem bizarrices, teve um caso cômico e famoso, na entrevista do Fantástico com o vocalista do Iron Maiden Bruce Dickinson. O mico já começou nos comentários antes da entrevista, quando ele fala que o som da banda não mudou, demonstrando desconhecimento total. Aliás, essa é uma mania freqüente dos "picaretas armados de microfone", comentar o que desconhece. Mas o king kong veio na entrevista, quando ele perguntou a Bruce (que também é piloto de avião): “Quando você fala com os passageiros eles reconhecem sua voz?” Bruce, não sei se ironicamente ou educadamente, respondeu: “Não, quando faço os anúncios, eu falo, não canto!” É claro que foi uma pergunta tosca, ninguém conhece a voz de Bruce conversando, mas sim cantando. Abaixo vai o vídeo para não dizerem que estou inventando, e podem ver que além dos micos, a matéria é bem chula.



Quando alguém dá um torrão em um jornalista, é chamado de metido, como aconteceu mais de uma vez com a banda Los Hermanos. Engraçado que o músico é metido, mas o jornalista picareta não é criticado. Se um cara sem diploma de odontologia monta consultório e começa a extrair dente do povo, é um picareta, mas gente que entra de gaiato na profissão de jornalismo, que faz matérias com a mesma qualidade que eu passo ferro em minha roupa, é só uma pessoa que está se esforçando pra trabalhar e sustentar seus filhinhos. Me poupem ... quem exerce função sem o devido preparo é um picareta, e ponto final.

Abaixo vão 2 vídeos de entrevistas com a banda mais sacaneada pelos jornalistas. Em ambos você sente vontade de colocar as mãos no rosto tamanha a vergonha alheia.





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sábado, 5 de novembro de 2011

Bullying .... nhe nhe nhe ou assunto sério?


Existe moda mais moda do que falar de Bullying? O caso se tornou pauta das mesas de bar, noticiários e programas de TV no ultimo ano, muito por conta do caso do gordinho americano Zangief, que ficou famoso no you tube. De lá pra cá existem basicamente 2 opiniões a respeito do assunto: 1º Aqueles que acham que qualquer tipo de opressão ao ser humano, seja com agressão física ou piadinhas, deve ser combatido. Do outro lado tem o pessoal que acha que existe muita frescura ou muito nhe nhe nhe nesse assunto, que piadinhas na época do colégio são normais, e quem se abate com elas, esse sim tem problema.

Em muitos textos sobre assuntos polêmicos eu não tomei uma posição aqui no blog, mas sobre esse irei tomar. As pessoas que acham que piadinhas são normais e fazem parte da vida, precisam entender 2 coisas: 1º Existem piadas e piadas, uma coisa é um colega pagar um mico e eu zuar com ele por uma semana, outra coisa é ele ser gordo ou gay e eu passar um ano inteiro soltando piadinhas. 2º As pessoas são diferentes umas da outras, existem aquelas que tem auto-estima elevada e são expansivas, de modo que tiram de letra qualquer piadinha infame, mas existem aquelas com maior dificuldade de se relacionar socialmente, e essas sim podem se abater com piadas que se tornam contínuas. “Ah Rafael, mas se a pessoa tem dificuldade em se relacionar socialmente o problema está com ela!” Sim, concordo, mas se ela já tem problemas você vai ajudar a enterrar mais ainda essa pessoa? Se não quer fazer nada para ajudá-la, também não contribua para acabar ainda mais com ela. Por isso é necessário sim campanhas pra combater apelidos ofensivos direcionados e pessoas gordas, gays, CFDs, tímidas, etc.

Eu acho incrível como existem pessoas nesse mundo que não conseguem enxergar um palmo diante do nariz, não está no gibi a quantidade delas que acham um absurdo chamar um negro de urubu, mas acham normal chamar um gay de viadinho, somente pelo fato de que a homofobia não é crime, como se a lei fosse algo imutável, e como se a mesma fosse a mãe da ética. É como eu disse no texto anterior ... pelo amor de Deus, vamos parar de pensar coletivamente e colocar essa cachola pra funcionar meu povo, parem de ser pensadores de campanhas de facebook, não deixem que pensem por você. É por conta da preguiça da reflexão que se produz piadas com ironia de 5ª categoria como essa abaixo.



Bullying é uma forma sutil de opressão, de exclusão, que pode não dar em nada, mas pode levar uma pessoa à depressão, falta de auto-estima ou até mesmo a cometer delitos graves. E se você já praticou Bullying, seja “homem” ou “mulher” o suficiente para admitir que errou, mas não fique se escondendo atrás de argumentos convenientes.

Como sou um cara democrático, irei compartilhar um texto bem escrito cujo autor discorda de mim, ai vai o link:

http://www.ricaperrone.com.br/2011/05/terra-de-nerson/

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Coisas que gostaríamos de saber


Eu não tenho porra nenhuma pra escrever essa semana, pensei em pegar a crista da onda e falar do Rafinha Bastos só pra pegar atalho das buscas no Google, mas minha página é underground e independente, e não vou usar esse tipo de estratégia. Só se rolar grana, ai eu deixo de ser underground. A diferença de mim para o Marcelo D2 é só a sinceridade.

Vou falar de algumas coisas que eu gostaria de entender como acontece, e acho que nem todo mundo parou pra refletir a respeito. Primeiramente eu gostaria muito de saber como a produção cinematográfica faz quando precisa de alguém para fazer papel de feio ou idiota no filme. Todo filme de comédia adolescente tem um idiota ou um feio, pra contratar esse ator faz como? Tipo: “Nós precisamos de alguém com cara de retardado e você se encaixa em nosso perfil!” Assim? É algo que eu queria muito saber. Falando nisso, tem aqueles filmes em que a gata borralheira vira uma princesa, eu acho engraçado como eles fazem a transformação, pegam uma atriz bonita, colocam um óculos e roupas tronchas e dizem que ela é feia, depois fazem a transformação estilo Super Man, e todo mundo: “Oh! É ela mesmo?

Falando do mesmo assunto, outra coisa que gostaria de saber é em relação às cenas com crianças no cinema. A lei implica com joguinhos eletrônicos violentos, mas deixam crianças fazerem cenas de assassinato nos filmes, pode Arnaldo? Na década de 70 tinha criança fazendo cena de masturbação com uma cruz (O Exorcista), e outra que era um serial killer enviado do demônio (A Profecia). Aqui no Brasil, o filme Cidade de Deus também tem cenas de assassinato protagonizadas por crianças. Que porra é essa? Pessoal de direito, me expliquem, não tenho paciência pra pesquisar leis no Google.

Outra coisa intrigante é em relação aos rios. Nós aprendemos no colégio que os rios são oriundos de lençóis freáticos, a nascente do rio é um lençol que por algum motivo começa a minar, normalmente essas nascentes são em regiões serranas, ok. Mas e os peixes, de onde vem? Geração espontânea? A água tá ali passando, passando, daqui a pouco PLUFT, um peixe boi! Acho que todos os rios tem peixe (ou já tiveram), isso quer dizer que todos os rios surgiram no início do Planeta Terra? Se surgir um rio hoje ou daqui a 500 anos, ele não terá peixes? Seria essa uma prova da existência de Deus meu Deus?

Essas são algumas reflexões que compartilho essa semana. Quem gostou compartilha no face, quem não gostou fala mal do blog nas redes sociais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pensamento Coletivo


Pensar coletivamente está mais na moda do que sapatinho com lacinho na frente (ô sapatinho tosco viu!). É o tempo das frases prontas, das críticas e opiniões “enlatadas”. As pessoas perdem cada vez mais a capacidade de reflexão e se resignam em conceitos estereotipados. O resultado disso é normalmente se ter polarização de opiniões sobre qualquer assunto. Se o assunto é Candomblé, existem os que dizem que é coisa do diabo e os que dizem que o preconceito que a religião sofre é puro racismo, se o assunto é Justin Bieber, tem os fãs e os “anti-Justin”, se for legalização das drogas tem os que abominam e os incondicionalmente a favor, e por ai vai. Dificilmente se encontra alguém para dar uma opinião ponderada e fundamentada sobre os assuntos, as frases de bolso e as opiniões de “microondas” reinam, seja em qual grupo for.

Nos textos postados nesse blog tenho tentado desmistificar algumas questões, tentado dar uma opinião com um mínimo de imparcialidade, mas principalmente, com um mínimo de raciocínio, principalmente por observar que a tendência geral é reproduzir pensamentos do grupo que se faz parte. Se o indivíduo é de esquerda, geralmente compactua com o “pacote completo” de idéias reinantes na esquerda, muitas delas reproduzidas sem um mínimo de reflexão, é o “efeito manada” (me permitam roubar o termo das ciências econômicas). Algumas pessoas podem até achar legal essa coisa de pensar coletivamente, eu acho uma tragédia, pra mim é a morte da reflexão, o atrofiamento da razão, e pior que isso, pode representar alienação. Acho bastante importante agir coletivamente, mas pensar coletivamente é algo que não acrescenta em nada, a não ser a quem pode se beneficiar diretamente disso.

É por conta dessa tendência que surgem conceitos totalmente quadrados sobre assuntos diversos, abrindo espaço para figuras como Felipe Neto, que não passa de um reprodutor de clichês e frases de bolso, fazendo sucesso com um público jovem preguiçoso ou com capacidade de reflexão pouco exercitada. Essa mania chegou até mesmo no futebol, as pessoas escutam que certos clubes são sempre beneficiados pelo Juiz, pela CBF e até mesmo pelo presidente da república, engolem essa informação sem mastigar e “defecam” (termo duplamente pertinente) sem a digerir, em forma de frases incisivas de repúdio a esses times. Na política o PSDB é o satanás e o PSOL é o imaculado, ou o PSDB é o sensato e o PSOL é um bando de lunáticos.

Os pensamentos coletivos estão por ai, todos os dias escutamos, e muitas pessoas reproduzem até por medo de se expor, medo de ter uma opinião que não é condizente com a das pessoas que convive. Então a dica que fica aqui é não reproduzir opiniões sem reflexão, e se você não tem embasamento, não tenha vergonha de dizer “depende”, melhor ficar em cima do muro do que falar levianidades, ou ser somente mais um “mosquitinho” que dissemina um “vírus”. “Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!” (Fernando Anitelli)

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domingo, 9 de outubro de 2011

"Suas idéias não correspondem aos fatos ..... "


Não é só a piscina do deputado de discurso bonito que está cheia de ratos, a sua pode estar ainda pior. É você mesmo, que luta por um país melhor, por uma educação melhor, por menos desigualdade, discriminação, blá blá blá. Dá para se ter uma idéia da realidade política do país quando se observa que a dita (auto-intitulada) esquerda está enterrada até o pescoço na lama, e muitos nem se dão conta.

Você quer ser militante esquerdista? O primeiro passo para isso é deixar de ser ladrão, depois você pensa em protestar, ok?

Eu acho que existe um equívoco muito grande na formação política de nossos jovens, o movimento estudantil e os partidos de esquerda acham que formação política se faz somente chamando a galera para as reuniões e no máximo discutindo alguns textos e alguns posicionamentos. O que está sendo formado é pseudo-esquerdistas esnobes, que acham que ser esquerda é fumar maconha, paralisar o trânsito de vez em quando e escutar Raul em casa. A formação precisa ser levantada primeiramente na esfera dos valores, sobretudo nesse país onde impera o jeitinho brasileiro de ser. O que observo é um bando de gente metida a politizada assaltando os cofres públicos ou sem um pingo de ética na vida estudantil ou profissional. Professores “marxistas” que não tem compromisso com a universidade existem mais do que pardal aqui em minha cidade, estudantes com camisa de Che, sustentados pelos pais, que levam 7 ou 8 anos para se formar também dá mais do que piolho em cabeça de mendigo. O pior não é isso, é eles acharem que jogar na latrina o dinheiro do estado é normal.

Mas esses são os casos mais leves, também tem os estudantes que cometem delitos e se acham no direito de fazer. E nesse sentido há uma lista, tem os que acumulam bolsas; os que assinam contrato com cláusula de não possuir vínculo empregatício mas possuem; tem os que recebem bolsa depois de formado e não devolvem; os que pedem auxílio financeiro para viagem e usam o dinheiro para fins pessoais; os que roubam livros da biblioteca; e diversas outras formas de desonestidade. E o que eu acho mais ridículo é esse pensamento coletivo de “roubar de rico pode”, ai sai um bando marginal vestido de vermelho cometendo delitos contra bancos ou empresas de cartão de crédito. Sacou R$ 50,00 mas a máquina “cuspiu” uma “oncinha” a mais? Oba! Roubar de banqueiro pode! Além de ladrão é ingênuo, até parece que o banco ficará com o prejú, é só debitar 1 centavo em 5 mil contas diferentes e morreu ai pato!

Não estou pedindo para ninguém virar santo do dia para noite, até porque vivemos em uma cultura na qual roubar faz parte do cotidiano. Só acho que as pessoas que se dizem politizadas deveriam pelo menos se esforçar para serem menos desonestas que outrora, e não é isso que vejo, o que vejo é um comodismo exacerbado, gente que não tem ética nenhuma se achando vítimas de uma estrutura econômica e social. Gente que protesta por uma educação melhor e ao mesmo tempo não cumpre suas obrigações de estudante ou de professor.

Então seu revolucionário mequetrefe, antes de ler Marx passe pelo estágio de “ensinamentos da vovó” primeiro, moral e bons costumes nunca fizeram mal a ninguém, e é essencial na vida de qualquer cidadão, seja direita, esquerda, centro, ou qualquer posição política. O problema é que como diria o poeta Fernando Anitelli da famigerada trupe do Teatro Mágico: “Grandes e pequenos, redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados.”

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Teatro Mágico - A Sociedade do Espetáculo


Cedo espaço em minha singela página para falar de uma banda que me tornei fã, e que está lançando CD novo. O Teatro Mágico veio ganhando espaço como uma banda configurada no cenário alternativo e independente, apresentando uma estética musical popular e bastante requintada ao mesmo tempo. Sempre fazendo questão de se firmar como um grupo musical que denega a indústria fonográfica, Fernando Anitelli e seus parceiros conquistaram um público bastante fiel e seleto, sobretudo dentre os jovens. Existem os que falam que a banda faz parte de uma nova tendência, que seriam as bandas universitárias, partindo da idéia de que essas conquistaram espaço principalmente no meio universitário, designação totalmente desnecessária a meu ver, pois com a expansão das faculdades no país, qualquer jovem com gosto musical um pouco mais apurado muito provavelmente será universitário.

O Teatro Mágico não é somente uma banda que ficou famosa por juntar música com circo, mas sim por apresentar uma alternativa de música popular aos jovens. Nem todos gostam de música clássica, Blues, Jazz, rock, etc. No Teatro pode-se apreender uma música com melodias bastante suaves, ritmos nordestinos e diversas misturas, todos com um toque de qualidade que faz a banda se destacar. A qualidade poética, sutil e “despretenciosa”, junto com a capacidade de encaixá-las em lindas melodias, faz de Fernando Anitelli um compositor muito acima da média, que contando com ótimos músicos pode fazer um som diferente, leve, cheio de misturas, descontraído, mas claro, “inacessível” para alguns, fato deixado claro e ironicamente representado no título do 1º álbum, “Entrada Para Raros”. Apesar de não trazer nada muito complexo, é bastante óbvio que não é qualquer um que apreende a poesia de Fernando.

A banda também criou uma fama de prepotente e superestimada, opinião de alguns que acham que os mesmos não tem cacife para se julgarem “intelectuais da música”, quando na verdade quem faz esse julgamento são justamente quem os critica. Criou-se uma concepção aqui no Brasil que para fazer música jovem tem de falar de política, e que por conta disso a música jovem acabou, como se falar de política por si só fosse bom, daí letras que são uma colcha de retalhos de frases de bolso terem feito tanto sucesso, “Que país é esse?” que o diga! Fico imaginando o que seria da música jovem aqui sem bandas como O Teatro Mágico, Los Hermanos, Vanguart, e todas as outras desse movimento alternativo. Estariam os jovens escutando Jota Quest e Skank e achando a melhor coisa do mundo. Essas bandas não querem ser vistas como “a ala intelectualizada da música jovem”, eles apenas fazem música como sabem fazer, e as pessoas que gostam escutam. O problema é que parte desse público são jovens metidos a intelectuais, mas analisar a banda a partir do público é uma cegueira sem tamanho.

O novo álbum da banda está ai, intitulado Sociedade do Espetáculo, mais descontraído e leve que os anteriores, mas mantendo a qualidade sonora. Acho que cada vez mais entendo porque o público da banda é tão seleto, já lançaram o 3º álbum e a entrada continua sendo para raros, tanto para os demasiadamente vulgares quanto para os críticos míopes, mas um dia eles aprendem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dinheiro e Futebol, uma combinação indigesta.


Os salários dos jogadores de futebol são os mais impressionantes e absurdos do mundo! São colocações corriqueiras disparadas em coro sem um pingo de reflexão. Aliás ... pensar coletivamente é mania, todo mundo uma vez que seja na vida já se pegou reproduzindo pensamentos “enlatados”.

Não há nada de errado com os salários dos jogadores de futebol! “Não? Vá tomar no olho do seu ***, seu ***, reacionário de merda!” Ok, eu te perdôo irmão, eu também já pensei assim, tirando a parte do reacionário de merda e os asteriscos. Ronaldinho Gaucho ganha 1,3 Milhões por mês, e um professor doutor ganha menos de 10 mil inicial em qualquer universidade do país. É um absurdo? Não! Um jogador que está longe de ser craque, como o lateral Leonardo Moura, quis sair do Flamengo porque seu salário estava muito baixo, ele ganhava só 120 mil por mês. Ele é um fanfarrão? O pior que não!

Realmente é algo no mínimo cômico os salários de certos jogadores, o cara que joga em time grande, qualquer que seja, dificilmente ganhará menos de 60 mil hoje em dia, se ele for titular. Se imaginarmos que estudando quase ninguém consegue um rendimento desses, parece ser um absurdo, pena que não é.

Os salários dos jogadores são controlados pela lei de oferta e demanda, que não tem mãe, nem pai nem avó, e vai elevar os preços enquanto houver mais de um querendo pagar, independente de haver criancinhas passando fome. Sendo assim, não adianta resmungar, tem quem pague? Então o salário é justo. Tem gente que fala que deveria haver uma lei impedindo isso, estabelecendo teto salarial. Certo, vamos fazer de conta que a FIFA estabeleça uma lei fixando um teto para os jogadores receberem (nem sei se a entidade tem esse poder, mas enfim). Vamos supor que o teto seria de 300 mil Euros, e analisar o que aconteceria através de um exemplo, uma suposição. Messi está com contrato em vigência perto de terminar, e não quer mais continuar no clube, iriam surgir mais de 500 clubes interessados no jogador, porque até o Bahia teria interesse em pagar 300 mil por mês a Messi, só o retorno que ele daria em patrocínio e venda de produtos pagaria o salário dele e ainda sobraria. A primeira coisa que aconteceria é os clubes buscarem formas alternativas de oferecer benefícios financeiros, as luvas (adicional financeiro oferecido no início do contrato) seriam a 1ª porta. “Ah, mas a FIFA pode fechar essa porta também!” Está bem, a FIFA fecha essa porta, ai os clubes buscam outra forma, que seria oferecer valores absurdos pelos direitos de imagem. A FIFA fecha essa também? Ótimo, os clubes fecham acordo com “bichos” (premiações), tipo, Messi receberia os 300 mil mensal mais 80 mil por cada vitória, e ninguém pode impedir um clube de premiar seu jogador. Como podem ver, não há como domar as forças de mercado, então é inútil essa ladainha de que os salários são absurdos.

Não só em relação a jogadores de futebol, questionar salários que o mercado paga é uma fanfarronzisse. Tá achando ruim? Então larga os estudos e vai ser jogador. Só que tenho uma notícia não muito boa pra lhe dar, 60% dos jogadores recebem um salário mínimo (dados da CBF), e somente 631 jogadores no país inteiro (de um total de 14.678) recebem mais de 10 mil reais por mês. É meu amigo ... hoje em dia a vida não tá fácil nem para os ursos polares, porque estaria para os aspirantes de chuteiras? Eu vou continuar com meus livros ... pelo menos na academia não corro risco de romper um ligamento do joelho.

Ah .. só pra lhe matar de raiva, o salário de Ronaldinho Gaucho é somente o 46º maior do mundo.

sábado, 3 de setembro de 2011

Preconceito ... um "mal" de que todos se "armam"!



Todo mundo é um preconceituoso “escroto”, mas ninguém deve ser satanizado por conta disso!

As pessoas costumam muito confundir preconceito com discriminação, tratam como se fosse a mesma coisa. Muitas vezes elas sabem a diferença, mas no cotidiano empregam os termos sem pensar se é adequado, ou não levam isso a rigor.

Preconceito é o pré-julgamento, tirar conclusões de algo a partir de um estereótipo formado ou a partir de uma freqüência observada. Discriminação é seleção, estabelecer escolhas, demarcações ou separações. Portanto são conceitos divergentes e que não necessariamente um implica no outro.

O ser humano tem essa coisa inerente de tirar conclusões a respeito de algo, tomando como base o estereótipo ou a freqüência. Ter preconceito não é tomar atitudes a partir conclusões precipitadas somente, o simples fato de tirar conclusões precipitadas ou suspeitar a partir dessas conclusões constitui preconceito. Por exemplo, ver um cabeleleiro e supor que ele é gay por sua profissão caracteriza preconceito.

Agora imaginem a situação ... você quer contratar um empregado para sua empresa, para o setor administrativo, existem 2 candidatos, ambos com aparente competência para assumir o cargo, um é evangélico e o outro você ficou sabendo que tem amigos criminosos, quem você contrata? Me responda agora se existe alguém na face da Terra que não tem preconceito. “Ah, mas isso não é preconceito!” Não? E é o que então? Julgar uma pessoa tendo como base seus amigos não é preconceito? Isso é um comportamento “natural” do ser humano a meu ver, todo mundo tira conclusões precipitadas tomando como base um estereótipo ou uma freqüência passada de fatos objetivados. Nesse sentido, posso dizer que o problema não está no preconceito em si, mas sim em certas atitudes tomadas tendo como base o preconceito. A meu ver, errado seria por exemplo gerar algum tipo de constrangimento a uma pessoa tendo como base conclusões pré definidas. Mas se você sente medo de alguém a partir de uma determinada informação, isso é algo “normal”, irremediável, não há porque se preocupar com isso, até porque não há porque se preocupar com algo que não tem como mudar.

Dessa forma, minha conclusão é de que o preconceito em si não chega a ser uma “chaga social”, nem algo que deva ser combatido, o que deve ser combatido são determinadas atitudes tomadas com base no preconceito, e principalmente a discriminação, essa sim deve ser combatida. Não existe um real problema em achar que o cara é gay porque é cabeleleiro, o problema de fato é tratar ele diferente por ser cabeleleiro, isso constitui discriminação. É bom esclarecer também que as pessoas tratam como discriminação geralmente as questões mais polêmicas, como racismo e homofobia, mas a discriminação está presente no cotidiano de forma muitas vezes camuflada. Tem gente que diz: “Eu não ando com gente ignorante!”, isso é uma discriminação, mas ninguém para pra refletir a respeito disso, não analisam o termo a fundo, pegam as convenções sociais e reproduzem. Nesse sentido, quando se fala em machismo, homofobia, etc, a questão não se trata só de discriminação, mas também questões valorativas estão inseridas, no sentido de que esses tipos de discriminação devem ser repudiados.

O leitor pode questionar a respeito das pessoas excessivamente preconceituosas, como algo que seria ruim, mas eu diria que o excesso de preconceito é melhor definido com a palavra conservadorismo. No fundo não existe o excessivamente preconceituoso, mas sim o sujeito conservador, que é aquele que tira conclusões extremamente precipitadas tendo como base estereótipos ultrapassados, ou levando em conta valores morais retrógrados e superados. E é claro que também existem os estereótipos bizarros, tipo: Todo político é corrupto, toda mulher é ruim no volante, mas ai o problema não é o preconceito, mas sim o estereótipo.

A perspectiva do texto é estabelecer diferenças entre preconceito e discriminação, e mostrar que algo que é visto por muitos com certa distância, na verdade está em suas entranhas, ou melhor, em sua essência, de modo que jamais poderá se libertar.

sábado, 27 de agosto de 2011

Plin Plin ... Acorda Prego!


Todo mundo sabe que a Globo manipula, que a Veja é tendenciosa, e blá blá blá. Se você acredita na Globo você é um alienado ou na melhor das hipóteses inocente. Esse é o discurso clichê que circula no campo acadêmico ou dentre o povo “Cult”, os que assistem Roda Viva e se acham intelectuais. É obvio que a Globo não tem um programa do nível do Roda Viva, e isso acontece pelo mesmo motivo que o Harmonia do Samba não toca Jazz, mesmo sabendo fazer. Mas para alguns isso é uma aberração: “Eu não assisto Globo, só assisto canais culturais!” Acho ótimo isso, o que não pode acontecer é na tentativa de “deixar de ser idiota” se tornar mais idiota que os ditos alienados da Veja e da Globo. Ou seja, sair de uma prisão e entrar em outra.

Existe hoje um pensamento coletivo (é ... as pessoas que tem preguiça ou incapacidade de pensar, pensam coletivamente) de que qualquer coisa vinda da Globo ou da Veja não presta, deve ser descartado. É quase que uma regra, e as pessoas entram nessa da mesma forma que o gado entra no curral, em bando e sem prestar atenção para onde estão indo. São piores que os ignorantes, pois são ignorantes que se acham inteligentes. Que essas redes de mídia são tendenciosas até meu papagaio sabe, eu não preciso usar uma camisa com a logomarca da Globo escrito “Você está sendo manipulado” para mostrar ao mundo isso. A Globo é uma rede de TV com uma perspectiva política clara, que é o conservadorismo direitista, mas isso não quer dizer que qualquer coisa que venha da Globo não presta, está manipulado, estão conspirando, etc, isso é um bloqueio que os pseudo-intelectuais usam para não precisar pensar antes de falar. Primeiramente deve-se analisar porque a rede manipularia essa informação ou opinião, quais os interesses reais em fazer, e qual a viabilidade de fazer isso. E por fim, saber se realmente houve manipulação, onde ela está e até que ponto houve. Dá trabalho não é? Mas gente que pensa faz assim, não fica soltando frases de bolso difamando o que não conhece. A esquizofrenia nesse sentido tem tomado rumos muitas vezes até cômico, gente que acha que até as matérias sobre saúde da Veja são manipuladas. Tudo que faz parte das organizações Globo está comprometido, todas as informações e opiniões são tendenciosas e manipuladas, tá ai um prato cheio para um preguiçoso!

É bom deixar claro também que ser tendenciosa é diferente de manipular, ser parcial (tendencioso) é mostrar somente o que convém, manipular pode ter esse sentido, mas também pode ter a conotação de falsear informações. Falando em ser tendencioso, acho interessante como esse pessoal acha que só a mídia conservadora é tendenciosa, como se a mídia de esquerda fosse de uma neutralidade santificada! Se a Dilma fizer uma coisa boa, algum informativo ou jornal de extrema esquerda vai elogiar a presidente? Eu não consigo imaginar um panfleto do PSOL elogiando um político do PSDB. Por isso acho importe inclusive o papel da mídia de direita, mesmo que eu não concorde com seu posicionamento. Já que neutralidade no jornalismo é uma coisa quase inexistente, é necessário haver os 2 lados, para compararmos e tirar nossas conclusões a respeito de algum tema em questão. Mas pra isso precisa pensar .... e dá uma preguiçaaaa né?

Não acredita em mim não cara, eu sou um infiltrado da Globo, na verdade estudo ciências sociais só de faixada, todos os outros textos do blog fiz para vocês acharem que essa é uma página independente e acompanhar as postagens, mas minha real intenção foi fazer todo mundo acreditar que nem tudo da “Plin Plin” é manipulado, seus patinhos!

sábado, 20 de agosto de 2011

Candomblé e racismo sem cegueira!


Fazer qualquer tipo de referência pejorativa ao candomblé é encarado pelas pessoas do movimento negro como ato de racismo e preconceito religioso, mas principalmente racismo. No entanto, como acontece com boa parte dessas pessoas do movimento, só conseguem enxergar um lado da moeda, o lado que lhes convém.

Em relação ao candomblé, existe sim muita discriminação racial atrelada à religião, mas não simplesmente, existem mais questões por trás disso. Deve-se fazer um mínimo de esforço para sair do simplismo exacerbado e da cegueira ideológica institucionalizada. Muito se fala a respeito dos rituais ou trabalhos feitos no candomblé com intuitos pejorativos, com intenção de prejudicar uma pessoa ou uma instituição normalmente, mas podendo ter outras funções. São conhecidos vulgarmente como macumba ou rituais de magia negra. O argumento que se usa para refutar isso é de que não existe esse tipo de ritual na teologia do candomblé, mas sim na religião kiumbanda, que é uma vertente da Umbanda (religião brasileira que tem como peculiaridade o sincretismo entre religiões africanas, catolicismo e espiritismo). Fazendo uma breve pesquisa observei que realmente é verdade, o problema é que o campo prático é completamente diferente do campo teológico. No campo concreto o que se observa é uma inserção de práticas da religião kiumbanda (ou práticas similares) de forma incisiva no candomblé, de modo que tais práticas são exercidas de forma muito comum dentro da religião. Em suma, existem pais e mães de santo que praticam (normalmente vendem) rituais de magia negra, e não se trata de algo residual.

A quantidade de relatos nesse sentido de pessoas que foram ligadas ao candomblé não está no gibi, já ouvi diversos, e isso mancha e muito a imagem do candomblé. Muitas pessoas do candomblé também tem ligação com a Kiumbanda, ou não tem ligação mas exercem práticas similares. Isso é muito representativo, e não deve ser tratado como uma “externalidade”. A grande maioria das pessoas não vai ao Google pesquisar sobre isso, elas escutam os relatos e internalizam, então dizer que a aversão em relação ao candomblé não passa de racismo é um discurso reducionista, simplório e altamente conveniente. Em grande medida essa aversão é resultado da fluidez das fronteiras entre candomblé e kiumbanda, de modo que essa separação é complicada ou até ilusória. O que me motivou a escrever esse texto hoje inclusive, foi mais um relato que escutei, sobre uma pessoa ligada ao candomblé que em um desentendimento ameaçou encomendar trabalhos malignos para a pessoa com a qual se desentendeu.

E por favor, não me venham com esse discurso ridículo de relativizar o mal, como alguns usam: “Ah, o conceito de mal é relativo, depende da cultura!”. Se o mal é relativo meu amigo, então você não deveria lutar por causa nenhuma, porque se poderia então dizer que a própria discriminação pode ser algo bom. Quem realiza qualquer tipo de ação com intuito de prejudicar terceiros está praticando o mal e acabou, se quer relativizar isso o sanatório é o lugar mais indicado para fazer.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Andrade ... desconfiança ou discriminação?


Eu sinceramente fico indignado com a forma pela qual o ex jogador e técnico Andrade está sendo tratado aqui no Brasil, e principalmente por ter certeza que trata-se de racismo ou preconceito cultural.

Andrade em 2009 assumiu o Flamengo como interino ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, após a saída de Cuca, que fazia uma campanha ruim. Após 2 vitórias seguidas foi efetivado como treinador do Flamengo a pedido da torcida e dos jogadores, com os quais o treinador mantinha ótima relação. Passou por um pequeno período de turbulência devido a diversos desfalques no time, chegando a ficar na 14ª posição no inicio do 2º turno. Com a chegada de 2 reforços (Alvaro e Maldonado) e a estabilização dos problemas de contusões, o Flamengo comandado por Andrade protagonizou a maior arrancada da história do campeonato Brasileiro, saindo da 14ª posição para a conquista do título, no caso o sexto título brasileiro do Flamengo. Uma conquista que teve um personagem principal, o meia sérvio Petkovic, que aos 37 anos surpreendeu o Brasil sendo o maestro do time na campanha.

Pouco tempo depois Andrade foi demitido após perder a final do campeonato Carioca para Botafogo, o clube estava em crise interna devido principalmente aos problemas causados por Adriano, e o treinador não soube lidar com o “turbilhão” que é o Flamengo. Apesar de tudo foi uma saída no mínimo estranha, pois ele havia classificado o time para as oitavas de final da Libertadores. Mas enfim, ele saiu.

Após o fato o treinador ficou um bom tempo desempregado, assumindo o Brasiliense no final de 2010, com a missão de livrar o time do rebaixamento para a 3ª divisão. Sim, não é piada, o atual campeão brasileiro estava treinando um time da 2ª divisão. Ele não conseguiu livrar o time da degola, mas fez boa campanha. Pegou a equipe em 19º e deixou em 17º, não livrou o time do rebaixamento por muito pouco, por questão de saldo de gols. Depois disso foi demitido e está até os dias atuais desempregado, acreditem se quiser!

Porque um treinador campeão Brasileiro no 1º e único time que treinou (na 1ª divisão, claro) está desempregado? Existe lógica nisso? É desconfiança ou preconceito racial e cultural mesmo? No futebol Brasileiro é difícil a existência de um treinador negro, não me recordo de nenhum na 1ª divisão, Andrade não era para ter sido efetivado no cargo, ficou pelas vitórias iniciais e pelo apelo dos jogadores, e deu no que deu. Andrade foi campeão, e com méritos, ao contrário do que querem pregar (que Pet foi campeão praticamente sozinho), realizou mudanças na equipe que foram cruciais. A esse respeito, quem quiser ler, coloquei como anexo nos comentários os méritos do treinador taticamente.

Andrade é negro e não se expressa bem, além da pouca instrução tem um pequeno problema fonético, mas que de forma alguma prejudica na orientação aos jogadores. Será que um técnico branco campeão brasileiro ficaria desempregado? Técnico é o cérebro do time, o homem que pensa, que arma e faz “previsões”, será que não existe lá no fundo aquela semente racista que duvida da capacidade intelectual de um negro? Algo a se pensar, e na minha opinião Andrade está desempregado porque sofre racismo e preconceito cultural.

Andrade pode não ser letrado, pode ser simples, mas é campeão brasileiro, algo que muito branco engravatado não é.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A culpa é do capitalismo?


A culpa é do capitalismo? Até que ponto?

É moda dizer que o capitalismo é o culpado por tudo, a maioria das pessoas usa isso como frase de bolso, muitas vezes até acertam, mas nem sabem porque. No entanto, o que existe de asneiras ditas em relação a isso não está no gibi.

A desigualdade e a miséria são culpa do capitalismo? Sim e não! É culpa no sentido de que o modo de produção capitalista em sua estrutura de funcionamento não existe mecanismo de distribuição, mas sim de acumulação e competição, se existe alguma distribuição ela acontece por tabela ou por barganha, mas as engrenagens giram no sentido da acumulação. Humanizar o capitalismo é uma tarefa tão fácil quanto convencer os animais carnívoros a aprenderem a respeitar suas presas. Não existe igualdade em um capitalismo pleno, mas isso não quer dizer que o sistema foi sua causa. Desigualdade sempre existiu nas mais variadas formas, tanto no feudalismo quanto na antiguidade, o ser humano tem uma mania horrível de classificar os indivíduos com divergências de poder, seja econômico ou político. Portanto deve-se dizer que o capitalismo não superou as desigualdades, e não que as criou.

Costuma-se fazer vinculações absurdas com o capitalismo, como se a estrutura social e política feudal ou da antiguidade fosse uma coisa linda! Me surpreende estudantes “vomitarem” frases do tipo “O capitalismo macho e branco!”, como se a discriminação tivesse sido criada por esse sistema. Inclusive para o “Deus” mais seguido e menos lido da história, Marx, o capitalismo faz parte de um processo evolutivo da sociedade, o comunismo faria parte de um estágio final, ou seja, estamos hoje em uma etapa (capitalismo) que é mais evoluída que a anterior. Para Marx inclusive, ainda com toda a exploração da classe operária, a passagem da escravidão para o trabalho remunerado é uma evolução. Quanto ao machismo, imaginam o que seria das mulheres sem a relativa liberdade econômica que possuem hoje? Vamos comparar a liberdade feminina da sociedade capitalista com a medieval? Creio que as japonesas não querem voltar a ter que andar atrás de seus maridos (no sentido literal mesmo), como acontecia a menos de 100 anos atrás. E arte? O que seria da música sem o capitalismo? Viveríamos até hoje com os músicos sendo tratados como meros criados das cortes, compondo do modo que seu senhor ordenasse, com o mesmo prestígio de um faxineiro.

Nesse sentido, deve-se parar com vinculações e atribuições clichês e descabidas em relação ao capitalismo. Não é o modelo ideal de sociedade, mas também não criou a grande maioria dos problemas sociais a que costumam remeter, e se criou alguns problemas, por outro lado resolveu (ou amenizou) outros.

domingo, 17 de julho de 2011

Sistema de cotas


Como sou meio “tarado” por temas polêmicos, não poderia deixar de falar de vestibular e do sistema de cotas para negros e alunos do ensino público.

Primeiramente vamos desmistificar a questão das cotas para negros. Na prática isso não existe, já que o sistema funciona através de auto-declaração, de modo que qualquer um pode marcar um X em negro, no ponto referente à raça no formulário. Então o que existe são as cotas para aluno de ensino público.

É um tema polêmico, escuta-se muita coisa horrorosa quando se trata disso, as mais freqüentes são:

“Cotas para negros na verdade tratam eles como se fossem mais burros!”
“A cota é ruim porque gera discriminação entre os aprovados!”

Do outro lado também se escuta muita coisa bizarra, a pior que tive o desprazer foi:

“Universidade pública deveria ser para aluno do ensino público!”

Radicalismos e insanidades à parte, na verdade o sistema de cotas deve existir para atenuar as distorções sociais causadas pela má qualidade do ensino público nesse país. Aluno de colégio público é diferente de aluno de colégio privado (diferente não em capacidade, mas em realidade), então devem ser tratados como diferentes. Só que isso tem um problema que precisa ser corrigido!

O sistema de cotas tem um forte poder de inclusão social, mas não em cursos de concorrência baixa. Tenho certeza que um aprovado pelo sistema de cotas para cursos como medicina, direito, odontologia, engenharias, etc, terá total capacidade e comprometimento para concluir seu curso, a questão é quando se trata de cursos de concorrência baixa. Nesses o sistema de cotas pode trazer um efeito colateral, que é aprovar alunos despreparados ou descompromissados, tamanha a facilidade no ingresso. Na verdade isso já ocorre sem as cotas, elas só agravam o problema.

O problema todo está no método de estabelecer ponto de corte nos vestibulares, que calculam o desempenho do aluno em relação aos demais candidatos, ou quando há um ponto de corte fixo, é muito baixo (geralmente fazer 30% da prova). A meu ver isso precisa mudar, deve-se estabelecer um ponto de corte fixo e mais rigoroso, quem não atingir esse patamar mínimo não entra. “Ah, mais e se o nº de classificados for menor que o de vagas?” Entra só os classificados ué, no mestrado é assim, porque na graduação tem de ser diferente? No mestrado se tiver 20 vagas e a banca entender que só 15 tem aptidão para ingressar, só entram 15. O que não pode acontecer é o estado jogar dinheiro no lixo com alunos que entram no curso só por causa das festinhas da faculdade, ou para posar de universitário (e como tem gente assim!). Isso evita também que pessoas despreparadas entrem na universidade, ensino superior não deve ser usado para corrigir problemas do ensino médio!

Nesse sentido, sou a favor do sistema de cotas com essa mudança, ponto de corte fixo e mais rigoroso, para anular esse problema. Em vias práticas aconteceria da seguinte forma, de 40 vagas divididas entre cotistas e não cotistas (20 e 20), caso somente 15 cotistas se classificassem, outros não cotistas classificados cobririam essas vagas, e vice-versa.

sábado, 9 de julho de 2011

Qualidade musical existe?


No texto anterior toquei na questão do bom gosto musical, será que isso existe?

Muita gente gosta de falar que não existe música melhor que a outra, música é tudo igual em qualidade, se eu gosto de arrocha então, ninguém pode me dizer que Jazz é melhor que arrocha. Será que é assim mesmo?

Nesse aspecto eu gosto muito de fazer a comparação com o vinho. Eu posso preferir Padre Cícero a qualquer outro vinho, tenho direito de estabelecer uma preferência não é mesmo? Mas preferindo ou não o Padre Cícero, um Château Lafite Rothschild 1787 (vinho mais caro do mundo) será sempre um Château Lafite Rothschild 1787, Padre Cícero será sempre Padre Cícero. Ou seja, existem vinhos que são melhores, e isso não está passível de interpretação. Um vinho feito com frutas selecionadas, por especialistas, envelhecido por 10 anos, é um vinho muito mais elaborado que um que custa 3 reais, portanto é melhor, independente de seu gosto.

Na música pode-se fazer o mesmo tipo de inferência, uma música que é pobre em harmonia, melodia e poesia é uma música vulgar (no sentido do nível de elaboração), esta jamais poderá ser comparada com uma música bem elaborada. É importante destacar que quando falo de elaboração, não se trata somente de aperfeiçoamento técnico, mas sim de elaboração em todos os aspectos. Existem estilos musicais pouco elaborados nas letras, mas muito bem elaborados na harmonia e melodia (a Bossa Nova é um exemplo), ou o contrário. Nesse sentido, se você gosta de arrocha, funk, brega, etc, você gosta de uma música pobre, ruim, não tente forçar a barra em dizer que elas devem ser tratadas tal como uma Bossa Nova, um Jazz, rock, e por ai vai.

É claro que na música isso é muito mais complexo de se avaliar, até por que música é expressão, é arte, não seria uma análise linear como no vinho, que é um produto, mas dá pra se estabelecer algumas demarcações. “Você finge que me odeia, mas no fundo paga pau!”, isso é brega em qualquer lugar do mundo, não tem como ler esse verso e dizer que ele é expressivo, é o Padre Cícero da música. Portanto qualidade musical é algo que existe, ao menos no aspecto do nível de elaboração. Mas isso não significa que você só deve escutar músicas com alto nível de elaboração, posso escutar qualquer coisa, só não posso cair na ingenuidade de achar que música é tudo igual.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Preconceito Musical .... Você tem bom gosto?


Preconceito musical é quando a figura do músico interfere negativamente na sua concepção sobre a música que ele faz, ou quando um determinado conceito estereotipado sobre o artista ou o estilo que ele faz tem o mesmo efeito. Isso é mais comum do que a gente pensa, e se fomos fazer uma auto-reflexão, muita gente vai perceber que tem em certo grau.

As pessoas tem a mania de criar não só os Pop Stars, mas também os Pop Stars às avessas, no momento o mais notado é o tal do Justin Bieber (vulgo Justin Biba). Justin Bieber é um menino que ficou famoso através you tube, hoje é Pop Star, fatura milhões fazendo uma música Pop. Justin além de ser Pop Star é Pop Star às avessas, da mesma forma que tem um bando de fãs, tem um bando de gente que critica ele como se o mesmo fosse a representação da aberração musical, o mascote da música ruim. É proibido gostar de Justin Bieber se você é homem, se gostar é no mínimo viado. Justin causa essa repulsa e atração ao mesmo tempo por causa do estereótipo, ele usa batom rosa e é meio delicado (mentira, é muito delicado).

Mas se fomos analisar a música que Justin Bieber faz, veremos que é muito melhor do que funk, arrocha, tecno-brega (sei lá como escreve isso), e por ai vai, então se você não implica com esses troços que citei, não deveria implicar com Justin Bieber. A questão toda está no estereótipo formado, é a forma conjunta de se pensar, as pessoas estão perdendo o discernimento, pensando mais de forma conjunta do que individualmente. Justin faz uma música pop normal, música de boate, assim como trilhões fazem. “Ah, mas ele é fresco, isso me irrita!” E Fred Mercury não irrita ninguém porque? (pense 2 vezes antes de ir nos comentários dizer que estou comparando os dois artistas).

Da mesma forma que acontece com o Justin, ocorreu também com outros, como Hanson, Backstreetboys (não sei escrever e estou com preguiça de pesquisar no Google), Five, Sandy & Júnior, etc. E sabe qual o resultado disso? É vlogueiro fazendo vídeo pra esculhambar Justin Bieber e as bandas coloridas, e depois gravar clipe para a banda Zignal. Pra quem não conhece, essa banda é tão mela cueca que acho que até o Latino não consegue escutar uma faixa inteira. É sério ... tem gente por ai esculhambando as bandas coloridas e se achando mais inteligente porque escuta Jota Quest ... rsrsrs ... seria como eu esculhambar Malhação e me achar “melhor” porque assisto O Clone!

Eu gosto de tratar das coisas como elas são, e não como aparentam ser, ou como estão estereotipadas. Tem que parar com essa moda de falar mal dos artistas, olhe pra dentro de si e verás que tem um lado brega camuflado de “Bom gosto”, e outro mais cafona ainda que você não conta nem para seu travesseiro.

Aproveitando o gancho, queria convidar os leitores a revelarem seu lado cafona, vamos lá, não dói nada. Vou revelar o meu: Eu gosto de Roupa Nova! Escrevi isso e continuei vivo! Tem quem não ache Roupa Nova mela cueca? Muito bem, gosto de algumas músicas do Hanson também, e continuo sendo heterossexual.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Drogas ... como discutir legalização?


Acho que o tema da legalização ou descriminalização das drogas ainda é tratado de forma extremamente vulgar, ao menos no Brasil. As pessoas que são contra geralmente tratam as drogas (as ilegais) como causa relevante da perversão do mundo, legalizar seria a destruição da moral, e para alguns seria até a vitória do capeta. Para os que são a favor a única coisa que visam é a liberdade do ser humano como princípio, normalmente opinam em causa própria, na grande maioria são usuários.

É importante lembrar que vivemos em sociedade, e uma sociedade capitalista regida por uma burocracia estatal, então a coisa precisa ser discutida de maneira menos simplista. A questão não é tão fácil quanto parece, eu gostaria de ter o direito de não usar cinto de segurança por exemplo, na ótica da liberdade seria errado eu ser punido por algo que só pode afetar a mim mesmo, não é verdade? Acontece que o estado gasta tufos de dinheiro em acidentes de trânsito através do serviço do SUS principalmente, e para reduzir esse gasto precisa punir quem põe em risco sua integridade física. Em relação às drogas isso é algo que precisa ser posto em pauta, descriminalizando drogas perigosas como cocaína, êsctasy e LSD, o consumo iria aumentar inevitavelmente pelo impacto moral que transmite a lei, nesse sentido, o estado poderia bancar um aumento no gasto para o tratamento de pessoas com overdose ou qualquer outro problema oriundo dessas drogas? Quanto seria esse aumento do gasto? Outra pergunta é: O estado deve bancar esse tratamento?

Nessa questão do gasto do estado a discussão entre legalizar ou descriminalizar faz grade diferença, já que legalizando o estado poderia arrecadar impostos com essas drogas, aumentando sua receita, descriminalizando não. Acontece que o estado não pode legalizar algo do nada, sem preparar a sociedade para os efeitos disso. Tenho certeza que a maioria das pessoas não tem noção dos efeitos das drogas no organismo. Certo dia vi dados sobre o nível de informação das pessoas sobre AIDS aqui no Brasil e fiquei surpreso pela quantidade de pessoas que não tem noção sobre a doença, em relação às drogas não é diferente com certeza. Então antes de mais nada, o estado precisa preparar a sociedade para isso, e com a disparidade social que temos aqui, fazer com que essa informação chegue a todos com o mesmo nível de absorção seria algo muito complicado.

Do outro lado tem o pessoal que abomina qualquer perspectiva de legalização, não vamos esquecer que o álcool mata e é legal, assim como o cigarro, precisamos ser mais racionais pra analisar assuntos polêmicos. A questão é saber se nosso estado pode fazer a manobra da formalização dessa atividade de maneira qualitativa, em caso de legalização, e se em caso de descriminalização pode arcar com o ônus financeiro do processo. Além dessas, outras questões entram em pauta, como a capacidade do estado de por em prática a legislação, como no caso da venda de bebidas para menores que é proibida só no papel aqui, e também discutir se a legalização acabaria com o tráfico. Mas o texto ficaria grande se tudo de pertinente fosse discutido, fica para o leitor acrescentar algo ou não.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Destino existe?


Será que existe destino? Existem fatos que vão acontecer independente do que você faça? Ou fatos que tendem a acontecer, e acontecerão caso você não faça nada para impedir?

Eu acho que a maioria das pessoas acredita em destino mesmo que inconscientemente. Tipo ... tem gente que fala que destino não existe, mas costuma usar a expressão “Hoje não era dia!”, ou “Não era pra ser!”. Como assim? Essas expressões nada mais são do que indicação de um destino, algo desconhecido que conduz os fatos para um ponto, ou um caminho.

Pra mim quem acha que os acontecimentos são sempre 100% aleatórios são pessoas com certa dose de intransigência (muitas vezes ligado ao ateísmo), pessoas de mente fechada. Todos os dias vemos coisas impressionantes acontecerem, os exemplos são muitos.

Vejam esses 2 casos bastante parecidos, um deles daqui da Bahia inclusive:

http://jorgeyared.blogspot.com/2011/04/motociclista-azarado-morre-atropelado.html
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/corpos-de-mae-e-filha-que-morreram-em-acidente-na-br-101-sao-encaminhados-para-minas-gerais/

Qual a probabilidade de uma pessoa logo depois de escapar com vida de um acidente de trânsito, menos de meia hora depois sofrer outro e morrer? E qual a probabilidade de existir vários casos assim? Esses casos mais parecem com aquele filme Premonição. Acreditar na aleatoriedade desses fatos é o mesmo que acreditar que eu posso jogar um dado 30 vezes pra cima e cair todas as vezes em um mesmo número.

Falando em casos famosos, o mais badalado foi o dos Mamonas Assassinas, que nem preciso descrever.

Quem assiste futebol também costuma perceber esse tipo de coisa, às vezes tem aquele dia que nada dá certo para seu time, joga melhor a partida inteira, coloca 3 bolas na trave, ai o adversário vai e faz um gol de sorte.

Na verdade nem precisa analisar fatos externos, basta cada um observar sua própria vida e perceberá que em algum momento dela pareceu que havia algo conduzindo os fatos, algo inexplicável lhe “forçando” a ir para a algum lugar, ou para ficar com determinada pessoa, etc. Isso não é só coisa de cinema, ocorre também na vida real, tipo ... o sujeito fica com uma pessoa em uma festa, 3 dias depois encontra essa pessoa no ônibus e depois daí começam a namorar e se casam (Oh que lindo!). Esse tipo de coisa todo mundo conhece pelo menos uns 2 ou 3 casos.

Destino existe, só não enxerga quem não quer!

É isso, se leu clique em uma das reações, e quem tiver um caso a relatar, fique à vontade.

domingo, 5 de junho de 2011

Conhecimento Por Que? Para que? Para Quem?


De que serve a filosofia, a sociologia, a história? Quem é estudante dessas áreas corriqueiramente é questionado com essas perguntas. Tem gente que acha que o único conhecimento necessário é aquele que pode ser útil para o mundo concreto, prático. O mundo do pensamento, da pura reflexão não serve pra nada.

Baseado nessa perspectiva, até mesmo alguns profissionais dessas áreas ficam buscando justificativas utilitaristas para a existência dessas ciências, o que só demonstra sua incompreensão sobre área de conhecimento em que atua. Eu já escutei bizarrices de profissionais com currículo invejável a esse respeito, como: “É claro que existe utilidade para as ciências sociais, conhecer diversas culturas pode reduzir custos transacionais em relações dentre países!” É triste escutar isso de quem é referência para muitos. Ciências Sociais, como outras áreas do conhecimento, não precisa apresentar justificativa para sua própria existência, o requerimento dessa justificativa é uma perspectiva utilitarista de conhecimento e de educação, e é TAMBÉM por conta dessa perspectiva que as pessoas cada vez mais estão desaprendendo a pensar e aprendendo cada vez mais a executar, pra observar isso basta analisar as reformas curriculares que estão ocorrendo em alguns cursos como economia. Isso pode ser observado nas mais diversas áreas, dificilmente se encontra um médico que questiona os métodos que aprendeu por exemplo. Os cientistas estão cada vez mais lendo manuais e deixando de ler as obras. Na economia o conhecimento filosófico da ciência (economia política) está cada vez mais sendo enxugado dos currículos, o resultado disso são profissionais cada vez mais competentes para executar e incompetentes pra pensar.

Esse processo tem uma causa principal, o modo de produção capitalista, que faz com que todo conhecimento entre em convergência com o mercado, daí a justificativa prática (quase sempre econômica) para o conhecimento. Ou seja, o conhecimento por si só não serve, o que serve é o conhecimento que cria uma mercadoria ou um serviço.

Independente de aplicação, o conhecimento é importante, seja ele qual for. O conhecimento do “ser”, da sociedade, pode não ter relevância econômica, mas é importante para o ser humano. Aliás, lembrar que o ser humano é importante é bastante pertinente, principalmente nesse mundo onde as “coisas” se tornaram o centro das relações (só para citar o velho barbudo tão esculachado pelo povo que não aprendeu a pensar).

Em relação à medicina, abaixo vai um link de uma entrevista com um dos (poucos) médicos que aprendeu a pensar. Concordando ou não com seu polêmico livro, não dá para dizer que ele é somente um leitor dos manuais da faculdade.

http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_313515.shtml

Se leu é sempre importante que deixe seu comentário.

sábado, 28 de maio de 2011

Ao Vivo direto do estúdio!


Creio que a maioria saiba disso, mas para quem não sabe, os álbuns das bandas ou cantores com o título de “Ao Vivo” na verdade não são ao vivo, são álbuns gravados ao vivo mas modificados posteriormente.

Esse trabalho chama-se mixagem, que nada mais é do que o trabalho de ajuste do áudio, regular os volumes dos instrumentos, retirada de ruídos, equalização, etc. Na verdade se fosse somente isso seria bom, a questão é que hoje em dia as bandas estão transformando os álbuns ao vivo em verdadeiros álbuns de estúdio, usando programas de edição que corrigem desafinação do cantor por exemplo, sendo que algumas chegam ao extremo de regravarem as vozes em estúdio, isso é o cúmulo. Inclusive uma vez a banda Calcinha Preta em um programa de TV largou essa ao perguntarem sobre o DVD da banda: “O DVD está quase pronto, estamos apenas refazendo algumas vozes!”.

O trabalho de mixagem desses álbuns e DVDs é feito de uma forma que continue passando a impressão de ser ao vivo, para isso por exemplo é sempre deixado um teor de Reverb na voz acima do deixado em estúdio, dentre outras técnicas para passar essa impressão.

Acho isso um absurdo e totalmente sem noção, essas “formatações” são obviamente para tornar os álbuns mais “vendáveis”, e também esconder as falhas dos músicos. Em estúdio tudo bem fazer isso, gravação em estúdio tem outro caráter, é uma produção onde a banda tem a liberdade de oferecer algo que ao vivo ela não precisa necessariamente oferecer. Por exemplo, uma banda pode contratar uma orquestra para gravar algumas músicas do CD, mas não poderá levar essa orquestra para a turnê, isso é muito observado em bandas como Angra, que costuma usar sempre som de orquestra no álbum em estúdio. Álbum em estúdio é como se fosse um filme, e álbum ao vivo como se fosse uma peça teatral, filme todo mundo sabe que é editado, mas tem graça ver uma peça editada?

Sou a favor de mudar isso, pra mim álbum ao vivo só deve passar pela regulagem dos volumes, e nada mais. Regular os volumes é imprescindível porque corre-se o risco de o som da platéia cobrir a banda, ou algum instrumento cobrir o outro, mas fazendo somente isso o álbum seria verdadeiramente ao vivo, e não de nome somente. Outra coisa também é acabar com as repetições no palco, os artistas erram na gravação do DVD e refazem a música novamente, creio que álbum ao vivo deve tentar passar a mesma impressão que o público teve no Show, e não camuflar erros.

Acho que os artistas competentes deveriam começar a lançar ao vivo de verdade, e isso teria um valor simbólico, não seria um ao vivo simples, seria um ao vivo sem mixagem, o fã compraria sabendo dessa diferença, seria como uma marca, um selo. Só os bons poderiam fazer isso, portanto seria um diferencial, creio ser uma boa idéia.

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sábado, 21 de maio de 2011

Origem da Sexualidade


Porque uns gostam de pessoas do mesmo sexo e outros de pessoas do sexo oposto? Essa é uma questão polêmica e motivo até de discussões quentes, já que a homofobia ainda não é crime.

Em relação a isso existem 5 explicações para o fenômeno, ainda que algumas nem mereçam o título de “explicação”, então eu diria que são 5 definições.

1 - “Homossexualismo é descaração (ou perversão)” É uma afirmação muito comum entre os evangélicos, principalmente os evangélicos mais radicais, e como todo radicalismo é burro, essa é uma clássica demonstração de sua burrice. Seria como acreditar que os homossexuais tem como perspectiva exclusiva transgredir os valores, ou somente aparecer. Nem vou me prolongar quanto a isso de tão ridículo que é, e o pior é que essas pessoas tem cérebro.

2 - “Opção sexual” Coloco quem pensa assim em pé de igualdade com o pessoal que citei acima. Acreditar que um belo dia a pessoa decide ser gay é uma verdadeira piada, a não ser um louco masoquista que sente prazer em ser discriminado.



3 - “Orientação sexual é cultural” Seriam as pessoas que acreditam que a sexualidade é formada pela história individual da pessoa. Acho isso no mínimo louco, para desenvolver um caractere que não é padrão simplesmente através do contexto, é necessário um fato ou fatos relevantes que levem a isso. Ou seja, a pessoa ser abusada sexualmente por exemplo. Se não há fatos marcantes nesse sentido pra mim essa explicação não faz sentido. E outra, quem defende essa teoria precisa explicar o fenômeno, somente dizer “é cultural” não tem valor nenhum sem uma explicação sociológica. Isso também engloba os que acham que sexualidade é fruto da criação.

4 - “Orientação sexual é carmica” Talvez seja a explicação mais polêmica, a maioria discorda, mas ninguém pode dizer que é incoerente. É a explicação espiritualista, que concebe o heterossexualismo como algo natural do ser humano, e a homossexualidade como antinatural. Para os espiritualistas a orientação gay é fruto de um carma, ou seja, ações de vidas passadas que são resgatadas na vida atual. Nesse sentido, gays são pessoas que em vidas passadas pecaram através do sexo ou por motivos sexuais, pessoas que discriminaram gays, estupradores, etc, etc. O resgate seria justamente o sofrimento da discriminação social e não aceitação de si mesmo. É importante ressaltar que o homossexualismo não é a única forma de resgate dessas ações.

5 - “Orientação sexual inata” É uma explicação que faz muito sentido, é acreditar que a pessoa nasce com uma preferência sexual, e isso não precisa necessariamente ter uma explicação biológica. Existem coisas inatas que não podem ser explicadas biologicamente, Ronaldo tem uma habilidade com os pés que eu não tenho, isso não é explicado biologicamente (pelo menos até hoje), mas é inato.

Bem, pelo que escrevi deu para perceber qual perspectiva das 5 eu compactuo não é? Defenda sua visão, ainda que seja umas das que esculhambei no texto ... rsrsr ... ou clique em uma das reações somente.

sábado, 14 de maio de 2011

Padrão de beleza existe?


Achar alguém bonito é algo derivado de uma cultura, ou de nossos instintos?

Frequentemente se ouve falar que nosso padrão de beleza é um padrão europeu, que as pessoas brancas são consideradas mais bonitas no geral por uma questão de dominação cultural, que é fruto também de uma dominação econômica. Nesse sentido é que surgiu a concepção de que todas as raças são igualmente bonitas, e na opinião das pessoas essa homogeneidade não existe por questões culturais, onde a “concepção” dissimulada ou inconsciente de raças ou culturas mais evoluídas interferiria nas concepções de beleza.

Acho muito radicalismo simplesmente dizer que beleza é cultural e pronto, e acho ingenuidade achar que as questões culturais não interferem. Nós seres-humanos também somos constituídos por instintos, e como tal estabelecemos preferências sexuais independente de questões culturais. Ninguém acha bonito alguém de testa exagerada, ou com dentes tortos, dentre outras tantas formas de apresentar um caractere feio. Se eu posso estabelecer preferências dentre indivíduos de uma mesma raça, porque não posso estabelecer preferência dentre raças?

Eu particularmente (como diria Romário) tenho uma admiração pelos traços indígenas e orientais, eu não fui condicionado a isso, a beleza oriental e indígena não é o hegemônico na mídia, de forma alguma, mas é um gosto particular que possuo. Então vamos ter cuidado ao definir padrão de beleza, e também julgar o gosto das pessoas como sendo discriminatório ou não. Gostar do que é “excêntrico” é normal, mas gostar do que é “padrão” é alienação ou discriminação? Muita calma nessa hora!

Acredito que o padrão de beleza existe e ao mesmo tempo não existe, se tudo fosse condicionado por esse padrão não existiria filme pornô com pessoas gordas, os gostos fora dos padrões estão ai, homens que gostam de mulheres gordas, ou muito magras, mulheres que gostam de homens carecas, e por ai vai. Outra questão é: Até que ponto a cultura forma os padrões e até que ponto os padrões formam a cultura? O mundo da moda tenta há muito tempo “impor” através dos meios de comunicação (principalmente revistas) um padrão que não colou, que é a mulher muito magra. Até que ponto os padrões são digeridos? E de que forma que esses padrões são formados? Como acontece a comunicação entre o que é “imposto” culturalmente e o que é preferido biologicamente? Creio ser uma boa reflexão.

É bom lembrar que a afirmação “Isso é cultural” não tem valor nenhum se você não consegue explicar porque é cultural.

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domingo, 1 de maio de 2011

Inglês ... a língua musical!


Inglês é uma língua mais musical que o português!!!

“Você é um americanizado, alienado da Globo!” (pseudo-intelectual sobre a afirmação)

Para muitos fazer uma afirmação desse tipo realmente seria fruto de uma alienação à cultura norte-americana, mas quero mostrar que não tem nada a ver.

Inglês é uma língua extremamente musical, e mais musical que o português, isso devido a questões fonéticas. Vamos à questão!

O principal fator que leva a esse raciocínio é a divisão silábica da língua inglesa, sendo que a quantidade de monossílabas é muito maior do que no português, além disso, no geral a quantidade de sílabas menor. Abaixo estão alguns exemplos para efeito de ilustração:

Monossílabas:

beer / cer-ve-ja
book / li-vro
car / car-ro
dream / so-nho
house / ca-sa
milk / lei-te
speak / fa-lar
trip / vi-a-gem
white / bran-co

Outras:

gram-mar / gra-má-ti-ca
mo-dern / mo-der-no
na-ture / na-tu-re-za
te-le-phone / te-le-fo-ne
com-pu-ter / com-pu-ta-dor
air-plane / a-vi-ão
psy-cho-lo-gy / psi-co-lo-gi-a

Em frases esse fenômeno tende a ficar mais evidente:

Let's-work (2 sílabas) / Va-mos-tra-ba-lhar (5 sílabas)
I-like-be-er (4 sílabas) / Eu-gos-to-de-cer-ve-ja (7 sílabas)
How-old-are you? (4 sílabas) / Quan-tos-a-nos-vo-cê-tem? (7 sílabas)
Did-you-watch-that-mo-vie? (6 sílabas) / Vo-cê-as-sis-tiu-à-que-le-fil-me? (10 sílabas)

Nesse sentido, não há dúvidas de que é muito mais fácil encaixar uma frase em inglês em uma melodia, do que encaixar uma frase em português. Não somente pelo tamanho das palavras, mas também pela articulação das mesmas, que pela estrutura contém um menor número de pausas na pronúncia.

Outra questão são as possibilidades de contrações. A língua inglesa abre uma infinidade de possibilidades desse tipo, de modo que ao compor o indivíduo tem certa liberdade em escolher o tamanho da frase que ele quer. Ex:

I have / I’ve
I Will / I’ll
I am / I’m
We are / We’re
I would / I’d

Sendo assim, se a frase ficar grande e não encaixar na melodia, pode-se tentar reduzir ela se existirem possibilidades de contrações, e isso sem mudar em nada a leitura da frase.

A língua inglesa então apresenta uma “plasticidade” grande, bem maior em relação ao português, algo que a torna uma língua mais musical. Em relação a outras línguas como Japonês e Francês eu não saberia dizer com precisão, mas acredito que é difícil uma língua ser mais musical que o inglês. Isso pode desagradar alguns bairristas fanáticos, mas estou tratando de termos técnicos, e não de questões culturais.

Os exemplos foram retirados do seguinte site: http://www.sk.com.br/sk-pron.html

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domingo, 24 de abril de 2011

Os astros medíocres da música!


Quem são nossos verdadeiros astros da música? Muita gente discorda de mim em relação ao argumento que vou utilizar, até me chamam de chato ... está bem, eu reconheço que sou pouco chato às vezes, mas em grande medida é porque costumo analisar as coisas de forma racional, quase sempre. E o ponto em questão é que eu não dou muito valor a músicos que não produzem música.

Quando digo isso já espero logo aquela frase que é quase um jargão “Ah .. mas existe o compositor e o cantor, eles se completam”. Primeiramente é bom deixar claro que essa separação é algo muito mais presente nas músicas mais voltadas para o mercado massificado, por exemplo, no Axé music isso é muito evidente, de modo que os artistas estabelecem parcerias com compositores. Em estilos que possuem público mais direcionado, como no rock, isso ocorre pouco, o que é hegemônico são as bandas produzirem suas próprias músicas. Portanto essa separação compositor/cantor (ou banda) é algo que de forma alguma precisa existir.

Eu fico observando as pessoas tratarem músicos como ícones, ou fenômenos, sem analisar racionalmente o que essa pessoa representa para a música, o que ela de fato contribui para a música. Para quem é fã pode parecer absurdo, mas Maria Rita é só uma bela voz, mais nada. Ela está muito longe de ser o novo fenômeno da MPB. “Ah, mas ela canta muito bem!”. Canta, concordo, é uma linda voz, mas lindas vozes eu abro o you tube e vejo aos montes, eu vou no festival Vozes da Terra e encontro até melhores que ela. Então Maria Rita não passa de mais uma, o diferencial foi o fato de ser filha de uma ícone da MPB, e por conta disso as portas se abriram muito mais facilmente. O mesmo vale para Sandy & Júnior, Luan Santana (esse inclusive a voz é bem normalzinha), boa parte das bandas de Axé, e por ai vai.

Nesse sentido, isso não é um questão de gosto, eu não suporto Zezé di Camargo, pra mim ele canta como um bode com fome, mas não dá pra comparar ele com Luan Santana, Zezé é um artista que se fez, ele estourou com uma música dele (um pé no saco a música, mas enfim .. ), Luan Santana é um artista fabricado, tem talento? Tem! É afinado, tem carisma .... mas não se faz como artista, depende dos outros, depende de toda uma estrutura por trás dele, se tirar tudo que está por trás dele não sobra quase nada.

A não ser que se trate de um cantor ou instrumentista com execução fenomenal, como Fred Mercury ou Ney Matogrosso, quem não tem seu sucesso pautado em suas produções deve ser tratado como merece, ou seja, como mais um.

É claro que a indústria fonográfica também transforma produções ruins em sucessos, mas não vou entrar nesse mérito, quero tratar somente da questão dos artistas que não produzem e que muitas vezes são referenciados como grandes artistas, ou fenômenos.

Não estou falando para dispensar os artistas que faço referência no texto, gosto de Maria Rita por exemplo, acho inclusive que muitas músicas de outros artistas ficaram melhores na interpretação dela, é somente uma questão de bom senso, não posso chamar de fenômeno alguém que não tem nada de especial.

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