domingo, 30 de dezembro de 2012

Os protegidos do além

Quantas coisas você já fez na infância que hoje você não faria nem a pau? Quantas dessas coisas você se surpreende por ter sobrevivido?

Os ateus vão pirar, mas criança parece que tem um campo de força que a protege. A mulecada faz o diabo e volta pra casa sã e salva, 365 vezes no ano. Cada um tem suas histórias para contar, e eu tenho a minha também. Durante cerca de 4 anos, quando eu era criança, jogávamos bola (junto com o povo do bairro) dentro de uma fonte luminosa sem água. Era uma espécie de piscina rasa sem água no meio da praça, jogávamos no azulejo (cheio de buracos) sem um pingo de preocupação. Qual a probabilidade e alguém bater a cabeça na quina da fonte? Olhando, alguém que fosse questionado com certeza diria que era um alto risco, sobretudo quando chovia. Agora me pergunte se alguma vez nesses 4 anos alguém bateu a cabeça na quina da fonte luminosa. NINGUÉM! E nós não deixávamos de jogar quando chovia.

Todo mundo tem histórias inusitadas a esse respeito, sobretudo homens, o que me faz supor que criança deve ter um guardião, uma força, espírito, anjo, sei lá, qualquer coisa sobrenatural que compense sua falta de maturidade. Eu não deixaria um filho meu fazer metade das coisas que eu fiz, mas eu fiz e estou vivo ... hehe.

Talvez esse tipo de coisa esteja se perdendo, o máximo de risco que as crianças dessa geração correm é levar um tiro no Call of Duty. Mas nada pode ser feito a esse respeito, as coisas simplesmente mudam, o que nos resta é o sentimento saudosista de lembrar e dizer aos mais jovens: “Minha infância teve isso e isso!”

Se você fazia maluquice também na infância, conte sua história. Existem mais coisas entre o céu e a terra do que imaginamos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Modelos Econômicos: Por que? Para que?

“Modelos econômicos não explicam a realidade!” “Modelos são reducionistas!”. Se você é economista ou estudante da área, provavelmente já escutou frases desse tipo. Eu já escutei muito, e toda vez que acontece sinto vontade de dar “tapa ôi” no sujeito. São frases emitidas principalmente por quem estuda economia e tem dificuldade com matemática, ou por estudantes de economia esquerdistas. Também é usada por sociólogos e antropólogos, que meio que estabelecem uma rivalidade imbecil com os economistas (e vice versa). E tem também os historiadores, que acham que a história explica qualquer coisa.

Pois bem, usarei um conceito de um clássico da sociologia para explicar os modelos econômicos. Para Max Weber a realidade é irracional, é constituída por um “emaranhado” de ações sociais, sem direção comum. Portanto, a realidade é impossível de ser apreendida (explicada) em sua totalidade. O que os cientistas sociais fazem é racionalizá-la, através do que ele chama de “Tipos ideais”. Tipo ideal nada mais é do que selecionar um conjunto de ações sociais que me permita estabelecer um raciocínio a respeito de um fenômeno, para tentar explicá-lo. É exatamente por isso que o mesmo fenômeno pode ser explicado de diversas formas. Os modelos econômicos são passam de tipos ideais, uma racionalização da realidade irracional, portanto reducionismo, uma tentativa de apreensão do inapreensível.

O economista trabalha com um alto grau de objetividade, por isso seu nível de redução também é alto. Para estabelecer um raciocínio coerente precisa deixar à margem do modelo diversas variáveis. Mas qual a vantagem disso? A vantagem é que é melhor ter uma explicação (ainda que limitada) do que não ter nada. Para melhor entender como raciocina um economista, vamos tratar de algo bastante irracional e subjetivo. Por exemplo, traição. O que leva um sujeito a trair? O que determina uma traição? Essa com certeza é uma pergunta sem resposta, mas um economista pode ajudar nisso, fazendo suposições e eliminando algumas variáveis. Vamos ver?

Quem trai, o faz para maximizar seu bem estar, ainda que haja remorso ou risco de ser pego. Nesse sentido, vamos usar a fórmula de lucro para fazer uma abstração:

L = R – C

L – Lucro
R – Receita
C – Custo

A receita seria a utilidade (bem estar) proporcionada pela traição, o custo (desutilidade) se dividiria em remorso (que é fixo) e o sofrimento causado por uma possível descoberta por parte da(o) parceira(o) “legítima(o)” (variável, dependendo do risco de ser pego). Chegaríamos então à seguinte equação:

L = R – C1 – bC2

Onde,

L = Saldo
R = Utilidade (prazer, bem estar)
C1 = Custo do remorso (desutilidade, fixa)
C2 = Custo do mal estar (desutilidade) em caso de descoberta (depende do risco)
b = Coeficiente de risco (entre 0 e 1)

Se no final do cálculo der L > 0, valeria a pena a traição. Supondo valores para ilustrar, pode-se ter:

L = 10 – 5 – 0,3 (10)

Nesse caso a pessoa acharia que vale a pena trair.

Esse modelo é uma redução da realidade, obvio. Existe uma dificuldade imensa de mensuração desses valores. Mas se o sujeito conseguir propor mensurações, como: O prazer é o dobro do remorso e o risco é mínimo, esse cálculo poderia servir para alguma coisa. Mesmo que seja impossível utilizá-lo no mundo prático, ele pode servir ao menos para ajudar a entender a realidade.


Os modelos são a melhor forma para se chegar à realidade de forma racional, mesmo partindo da completa subjetividade (como no exemplo citado). O mundo precisa de respostas objetivas para algumas questões, criticar os modelos não vai ajudar em nada nesse aspecto. Em vez de criticar, crie um modelo melhor, contribuirá muito mais.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"Sincero", com toda sinceridade ...

Escreverei simples e diretas palavras para expor uma inquietação, a de desmistificar esse conceito ético social que tende a valorizar pessoas francas.
Pessoas que dizem sempre a verdade na cara gostam de bater no peito e dizer com orgulho “Eu falo na cara!”, como se isso fosse uma grande vantagem. Mas alguém já reparou que pessoas sinceras de mais, 90% do que dizem na cara são sobre defeitos alheios? Por que será? Por que essas pessoas não são tão sinceras pra elogiar os outros?

A resposta é bem simples, na verdade essas pessoas não são sinceras de verdade, elas se camuflam de uma falsa sinceridade como válvula de escape para seus problemas de adequação e suas frustrações. Pessoas que tem problemas de convivência social e se escondem atrás de uma pseudo-virtude. Não dizer na cara não é ser falso, e sim uma forma de garantir o bom convívio com as pessoas ao nosso redor. Falsidade é mentir, dizer o contrário do que achamos, e não omitir. Poucas pessoas estão evoluídas o suficiente para escutar a verdade (seja ela qual for) o tempo inteiro, então poupar certos comentários é uma forma sensatez. Insensato é quem dispara críticas de forma inoportuna ou sem uma real necessidade.

Excesso de sinceridade na verdade não passa de um eufemismo para a representação de uma personalidade orgulhosa, egoísta, insensível e arrogante. No geral são pessoas que tem dificuldade de aceitar a opinião alheia, bem como seus próprios defeitos, por isso não aceitam os defeitos alheios. Quer fazem um teste? Observe como normalmente as pessoas muito sinceras são também arrogantes e orgulhosas.

Se você tem mania de dizer tudo na cara e acha isso uma virtude, sinto lhe dizer, mas você não passa de uma pessoa com problemas de adequação, que covardemente usa a sinceridade para tentar colorir o seu cinzento universo interior. A vida é um jogo, o problema não está em quem joga certo, mas sim em quem não consegue jogar. Não conheço nenhum “sincero” que tenha mais amigos que eu, ou tenha conseguido algo com isso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cultura: Uma visão alternativa do alternativo

É legal valorizar aspectos de nossa cultura tradicional, é até bonito recordar da nossa infância, dos costumes, etc. Mas em alguns seguimentos observo que existe uma tendência abusiva de se exaltar o antigo, o tradicional, em detrimento de tudo que é moderno. O mundo capitalista, urbanizado, racionalizado, é satanizado a todo instante. O legal mesmo é a vida simples, de interior, onde os laços sociais são mais “apertados”, não é mesmo? O tempo de nossos avós, o forrozinho, as cantigas, as lendas, etc. Isso sim era bom, hoje está tudo uma merda. O capitalismo, um sistema que é culpado por todas as mazelas da humanidade (a final, o mundo era um paraíso antes dele), chegou para destruir as culturas tradicionais, homogeneizar, transformar tudo em fast food, até mesmo a arte. O sistema fez com que as pessoas se tornassem mais egoístas, racionais, escrotas, é a lógica do mundo urbanizado.

A verdade é que a suposta homogeneização cultural provocada pelo capitalismo tem efeitos perversos, mas não somente. Pergunte para uma mãe solteira se ela preferiria viver no tempo de seus avós. Faça a mesma pergunta a um gay. A convivência urbana é por si só mais diversa e individualista, as pessoas se conhecem menos e ao mesmo tempo precisam se relacionar com o diferente, isso promove uma deterioração dos valores “originais”. Ilustrando, a mãe solteira que há 50 anos teria muito pouco estímulo para se tornar independente, hoje ela pode trabalhar, estudar, se sustentar e se impor, porque no mundo racionalizado as regras legais falam mais alto que os costumes. A racionalização reduziu então a vulnerabilidade e flexibilizou as relações.

Quando você for pagar de saudosista, valorizando o antigo, o tradicional, como uma espécie de afirmação, exalte também o machismo, a homofobia e o racismo, bem como outros diversos tipos de discriminação e valores perversos. Tudo isso também faz parte da cultura e dos valores tradicionais.

Se existe uma vantagem no capitalismo, é a maior liberdade de valores. Não que o sistema tenha acabado com a discriminação, mas seu mecanismo de funcionamento, que tende a ser mais meritocrático e racional, enfraquece os laços sociais. O processo de destruição (ou homogeneização) cultural é como uma quimioterapia, corrói o que é bom e o que é ruim. O que não se pode aceitar são análises rasas e tendenciosas sobre o que significa a destruição da cultura tradicional.

Coloque um sujeito de uma metrópole em um lugar provinciano e ele vai dizer: “Aqui tem muita fofoca!” Faça o contrário e vai escutar: “Não existe amizade aqui como no interior!” São os dois lados da mesma moeda, portanto é mais complexo do que parece. Eu acho que tem muita mulher no Oriente Médio que sonha com uma destruição cultural ...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cultura e o dogma científico do intocável

Depois que a antropologia admitiu a premissa de que nenhuma cultura é menos evoluída (ou pior) que outra, passou a ser proibido criticar a cultura alheia, como se fosse um pecado científico. Nesse sentido, uma série de hipocrisias e equívocos foram sendo cometidos.

A concepção de que nenhuma cultura é superior às demais, parte do princípio de que só é possível fazer tal julgamento partindo de valores, portanto, de um modelo de cultura como referência. Como os valores são construções sociais, seria então arbitrário julgar a cultura alheia como inferior. Mas o que as pessoas (e até mesmo antropólogos) precisam compreender, é que isso é uma base teórica para a definição de cultura enquanto algo subjetivo, não quer dizer que na prática eu não possa estabelecer julgamentos.

Julgar a cultura alheia não é "pecado", desde que eu o faça me utilizando de uma lente para enxergá-la. Ou seja, no campo da completa subjetividade, qualquer julgamento é arbitrário, mas se eu QUISER enxergar a cultura sob a ótica da liberdade por exemplo, posso sim fazer. Na verdade fazemos isso o tempo todo, mas muitos não enxergam, e se tornam hipócritas. Eu não posso criticar um índio que mata o filho que nasceu deficiente, mas posso criticar um cara que discrimina um gay. Como é isso? Que critério é esse? Se a cultura alheia não pode ser julgada, porque posso julgar minha própria cultura? É bom lembrar que a cultura que faço parte não foi construída por mim, e sim herdada.

Não poder julgar a cultura alheia significa não poder julgar a minha também, por uma simples questão de lógica, visto que o meu vizinho reproduz algo tão quanto um índio, ou um japonês. Nesse sentido, se não posso criticar um índio que mata seu filho, também não posso criticar um sujeito que discrimina gays. Ambos são motivados por questões culturais.

Feminismo, socialismo, movimento gay, movimento negro, qualquer tipo de luta contra a discriminação parte de valores, concepções de como a sociedade deve ser, de rompimento com os padrões. Portanto, esses movimentos JULGAM a sociedade a partir de uma “lente”, que é a lente da liberdade e da igualdade. E acredite, liberdade e igualdade são valores.

Vamos então parar com essa retórica de bolso para tirar ondinha de intelectual na mesa do bar. Todos temos o direito de criticar o que quisermos, inclusive a cultura alheia. Criticar não é sinônimo de dizer que a pessoa faz aquilo por impulsos individuais, mas sim dizer que aquilo está errado e pronto, é fazer a mesma coisa que fazemos todos os dias com nossos amigos, vizinhos e familiares. Sua cultura não é melhor do que a dos outros, portanto não trate a do outro como “café com leite”. É de um centralismo absurdo tratar a própria cultura como dinâmica e a do outro como intocável.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cantadas de Torcedor

Tricolor Carioca: Chega a pé, de cabelo escovado, unha feita e roupa da Lacoste. Dá um jeito de dizer que seu carro está na oficina, enquanto tenta convencê-la que é de boa família.

Botafoguense: Virgem, chega nervoso, com discurso planejado. Tropeça na calçada, ela ri da situação, ele coloca o dedo na cara da moça e diz o quanto ela é patricinha e manipulada pela Globo.

Flamenguista: Chega de nariz empinado, com celular tocando funk em volume máximo e diz: “Já é ou já era?” A moça larga o vascaíno e fica com ele. Dois dias depois ela o trai com um torcedor do Volta Redonda.

São Paulino: Desliga o celular para o “amigo” não ligar, chega educadamente e pede a mão da moça em casamento, oferecendo uma aliança de diamante. A moça fica emocionada e diz que quer terminar a conversa em sua casa. Ele aceita, mas fala que só faz sexo depois do casamento.

Corinthiano: Chega todo sujo, de pochete e palito na boca. Diz que tem um pau de 20 cm, leva um fora e vai assistir jogo do Corinthians pra esquecer.

Santista: Recita 5 poesias de um autor desconhecido, leva rosas vermelhas, caixa de bombom e um vinho do porto. Fica 40 minutos dizendo o quanto é romântico, inteligente e diferente dos outros homens. A moça enche o saco e vai para praia com as amigas.

Atleticano: Chega deprimido, fica 2 horas falando o quanto está carente. Promete dar casa, comida e roupa lavada. A moça dá um fora e ele liga para a mãe dela para chorar e dizer o quanto a ama.

Gremista: Chega todo bruto, segura a moça pelo braço e diz o que sente vontade de fazer com ela. A moça grita e um torcedor do Internacional chega de Hilux para salva-la.

Tricolor Baiano: Vai ao encontro com a moça, no meio do caminho lembra que tem jogo do Bahia e para em um bar para ver. A moça fica esperando, enche o saco e dá para um torcedor do Vitória.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Danilo Gentili: Humor ácido para pessoas insossas

Muito se tem discutido a respeito do teor humorístico utilizado por talentos do “novo humor” brasileiro, derivado do Stand Up norte-americano. As figuras mais conhecidas e polêmicas são Rafinha Bastos e Danilo Gentili. O primeiro acabou se dando mal ao fazer uma piada escrota com Wanessa Camargo, saiu da Band e está na Rede TV. O segundo ainda está na Band, mas vem criando algumas polêmicas com piadas agressivas e de conteúdo racista. O fato divide opiniões, existem os admiradores do humorista, que acreditam que o humor sempre será agressivo, pois não existe piada sem “vítima”, e do outro lado todo o resto da população, que acha que precisa haver limite até no humor. Existe também quem admira o humorista mas discorda de certas piadas.

A maior polêmica com Danilo foi sobre uma piada racista disparada pelo twitter, que dizia: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?" Além da polêmica isso gerou um processo judicial que nem sei em que pé anda. A outra polêmica famosa teve como vítima a comunidade judaica, com a seguinte frase também no twitter: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz". Dessa vez o humorista pediu desculpas.

Em relação à piada racista Danilo escreveu um texto em seu blog se justificando e ironizando os politicamente corretos. O texto foi bastante compartilhado nas redes sociais, com a chamada: “Esse é o problema de mexer com gente inteligente”. Li a famigerada resposta de Danilo aos politicamente corretos e percebi o quanto as pessoas se deixam levar por meia dúzia de frases de efeito. Danilo é inteligente sim, e bastante articulado, mas quando se faz uma merda, nem o maior gênio do mundo consegue se justificar. Ele se esforçou, mas só os ingênuos engoliram seus argumentos, que podem ser vistos nesse link: http://senale.wordpress.com/2010/06/20/racismo-resposta-de-danilo-gentilli/.

O fato é que apesar de ser difícil fazer humor sem vítima, existem vários tipos e níveis de agressividade. Chamar uma loira de burra é completamente diferente de chamar um negro de burro, sobretudo porque o estereótipo “loira burra” se restringe ao campo da piada, no caso do negro não. Ninguém realmente acha que uma mulher pode ser burra pela cor do cabelo, mas muitos acham que a cor da pele pode estar ligada à inteligência. Uma coisa é o campo da piada, outra é o mundo real. Os negros sofrem com o racismo desde 1500, e as implicações são severas, basta observar qual é a cor da população pobre e marginalizada do país. Indo nesse mesmo caminho, a comparação de negro com macaco tem um sentido simbólico muito mais pesado do que chamar um gordo de baleia. Não estou dizendo que chamar gordo de baleia é legal, e sim que existe um abismo de diferença entre gordo/baleia e negro/macaco. O negro não “é” só feio, “é” burro, incapaz, ladrão e até mesmo inferior. Então o teor da piada racista será sempre infinitamente mais pesado que o teor de piadas de loira, português, japonês, gordo, etc, que não estabelecem conexão com o mundo real, ou se restringem a questões frívolas, como por exemplo o tamanho do pênis.

Danilo adora usar frases de efeito em programas de TV para se justificar, e se vacilarem ele é capaz de falar merda e ainda sair por cima, a depender de quem argumente contra ele. Só existe uma maneira de parar de ser fantoche de gente inteligente, é ser inteligente também. Caso contrário você pode se tornar consumidor de qualquer merda, como no vídeo abaixo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O amor é racional

Em termos de relacionamento a maior lorota ensinada é a de que o amor é uma coisa irracional, que o coração fala uma língua diferente da do cérebro. É esse o discurso utilizado para se tentar justificar paixões que a pessoa muitas vezes tem vergonha de dizer quais os reais motivos.

Se o amor fosse essa coisa totalmente irracional, seria possível uma pessoa se apaixonar por outra mesmo odiando todas as características dessa pessoa. As pessoas se atraem pelas características que tem apreço, e não por uma força inexplicável. O problema é que falta coragem para admitir que um traço considerado ruim lhe atrai.

Preferência é algo subjetivo, mas a partir do momento que a pessoa escolhe parceiros de acordo com determinadas características pré-definidas, a escolha está no campo da razão, e não da emoção. O que pode ter um viés irracional é a preferência, não o amor. Existem muitas mulheres por ai que adoram um canalha, mas para camuflar essa preferência dizem: “Não mandamos em nosso coração!” Lorota!!. Admita que você adora um pilantra. O mesmo vale para homens, alguns não conseguem esquecer aquela que lhe deu vários cornos. Tenha a coragem de explicar porque você gosta dela. Você não ama a pessoa, ama as características dela. Se achar outra “igual” vai amar do mesmo jeito. Acontece que nos atraímos por um conjunto, e não por um traço apenas, é ai que mora a enganação. Precisamos de um mínimo de auto-reflexão para saber explicar porque gostamos de determinada pessoa. E acredite, sempre há explicação. Então não existe essa história de “segui o meu coração”, isso é frase pronta de novela de Manuel Carlos. Sempre seguimos nossa razão!

O leitor pode então citar casos em que pessoas de contextos distintos se apaixonaram, tipo a burguesinha que se casou com um pobre lascado. Isso não muda em nada o raciocínio, nesses casos o que ela dá valor e admira em um homem não tem relação com classe social, e vice versa. E existem também as preferências excêntricas, eu conheço casos estranhos, de gente sentir atração por criminosos por exemplo. Como já havia dito, as preferências podem ter um viés irracional.

Outra frase de bolso que muitos usam é “foi amor à primeira vista”. Amor à primeira vista é aquele que deu certo, o que deu errado a gente toma 5 cervejas e esquece. Quantas vezes nos encantamos com uma pessoa e depois isso não dá em nada? Nesses casos, porque não usamos a mesma frase “foi amor à primeira vista?” Onde está a coerência?

O que falei nesse texto pode parecer meio obvio, mas muita gente acredita nessas conversas fiadas. Vamos aprender a enfiar o dedo em nossas próprias feridas e explicar nossas paixões sem usar o escudo do coração.

Vou aproveitar para parafrasear uma amiga, sua frase cabe bem no contexto: “Até mesmo a loucura está dentro da razão” (Ana Clara Teixeira)

Gostou do texto? Então deixe seu coração falar mais alto e compartilhe no facebook. Hehe.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sou foda!

Marx .... ahhh Marx, figurinha tão carimbada no círculo de estudantes das áreas de humanas. É o intelectual mais estudado da história sem sombra de dúvida, e o menos compreendido também. O meio onde o teórico recebe as críticas mais rasteiras é no curso de Ciência Econômicas, ataques em 99% dos casos disparados por estudantes cheios de espinha na cara, que mal sabem onde fica o banheiro da faculdade. Isso é explicado pelo perfil dos estudantes de economia no geral, que se dividem basicamente em dois tipos. 1 – Escolheram um curso fácil de passar no vestibular. 2 – Gostariam muito de entender quando William Bonner fala que a bolsa caiu.

Eu ingressei no curso de economia como o segundo tipo, e sei que se trata de um bando de jovens que entram “de pau duro” no curso, cheios de vontade de entender o Jornal da Globo. A depender do centro em que estiverem, caem na onda das frases de bolso (dos professores) e começam a ridicularizar o incompreendido Karl Marx. Do outro lado da barricada tem os marxistas, em boa parte constituídos por pseudo-intelectuais (portanto pseudo-marxistas) esquerdistas leitores de sumário de livro. Em sua maioria estudantes do curso de história. São os “marxistas Testemunho de Jeová”, que até andariam com “O Capital” em baixo do braço, se tivessem lido.

O marxismo foi tão vulgarizado que os verdadeiros estudiosos do intelectual criaram outra designação para se diferenciarem, se auto-intitulando marxianos, e usando o termo “marxistas” para se referir aos vulgares. Essa vulgarização também dá munição para os meninos de espinha na cara, que pentelham Marx todo fim de semana na mesa de bar.

Independente do sadomasoquismo que fazem com o coitado do Marx, é importante lembrar: O que ele representou para a ciência nada tem a ver com as interpretações chulas e oportunistas feitas na posteridade. Marx é sem sombra de dúvidas o maior intelectual da história das ciências. Você riu? Certo, então cite outro cientista que possui prestígio mundial em 4 áreas do conhecimento. Marx tem cadeira cativa na Ciência Política, Sociologia, História e Economia. Eu poderia até citar Geografia e Pedagogia, mas para evitar polêmica deixa pra lá. O alemão foi realmente muito fodão, e essa é uma verdade inexorável, doa a quem doer.

Se você é estudante de economia com espinhas na cara, está perdoado, pode esculachar Marx à vontade, suas palavras não serão escutadas pela sociedade acadêmica (apesar de ser uma puta falta de sacanagem). Mas se você já é um sujeito de carreira sólida, cuidado com as blasfêmias e os discursos vulgares, desdenhar do velho barbudo por si só é atestado de falta de conhecimento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Greve de professores ... pelo direito de roubar com dignidade!

Vivemos a era da greve, raro é o funcionário público que não está “parado”. Recentemente aqui na Bahia chegou ao fim uma greve que durou 115 dias, que foi a dos professores da rede estadual. A revolta é geral em torno do governador Jaques Wagner, que se negou a negociar. Eu apoio a causa da greve, principalmente pelo governador não ter cumprido uma promessa em relação a benefícios já conquistados. Mas me sinto na obrigação de comentar a respeito da cara de pau que possui boa parte desses professores.

Brasileiro é o povo mais cínico que existe no mundo (deve ser), aqui o sujeito lhe rouba e ainda te mete um processo por você reagir ao assalto. Na hora de reclamar todo mundo levanta o dedo pra exigir seus supostos direitos, mas na hora de cumprir seus deveres ... que deveres né?

Toda greve de professores é um festival melodramático de quem luta pelo direito de roubar com dignidade. A final pessoal, colocando na ponta do lápis, em porcentagem, qual a parcela dos professores da rede pública que merece um aumento? Hã? Sou aluno da rede pública no ensino superior, e vejo o assalto aos cofres públicos que rola todo mês, por professores incompetentes ou descompromissados com a educação. Gente que por ter doutorado na Europa, EUA e o escambau, se acha no direito de fazer o que quiser dentro de uma sala de aula. Gente que acha que o salário que recebe todo mês é um prêmio por ter passado no concurso. No ensino médio a coisa é pior, é de lá que saem as histórias mais toscas possíveis, como de um professor de matemática em minha cidade natal que deu 1 aula durante o ano inteiro. E parece que quanto menor a cidade pior é a realidade. Mas esse mesmo pessoal na hora da greve está lá xingando o governador de ladrão, escroto, hipócrita (acredite se quiser), mentiroso, neoliberal, etc. Como eu havia dito, nunca duvide da capacidade de um brasileiro em ser cínico. Se me perguntarem se sou a favor de greve de professores, tendo a dizer que sim, porque os competentes e dedicados não podem pagar pelos vaga-bundos. Mas que é revoltante ver um ladrão julgando o outro, ah, isso é!!

Eu queria fazer uma pequena enquete aqui, gostaria que todo aluno da rede pública que lesse o texto escrevesse informando quantos de seus professores você acha que merece um aumento, ponderando com o universo. Tipo: “Tenho por volta X professores e acho que Y deles merece aumento.” Quero ver se chegaremos a 50%, duvido!

domingo, 5 de agosto de 2012

Futebol é Telecatch com bola, pare de assistir!

Nunca foi tão moda como agora falar em conspiração no futebol, PQP! Acho que o facebook tem um efeito danoso para a sociedade, que é espalhar qualquer coisa com uma eficiência absurda. Para algo espalhar na rede social basta você fazer uma coisa bonitinha no CorelDraw, com foto, desenho, e colocar uma frase de impacto, tipo uma que está rolando na rede, que é: “A Skin incentiva o estupro”. Tem gente que curte sem saber do que se trata, sério. Se a pessoa ao menos procurar saber e analisar a questão com um mínimo de imparcialidade, verá que não passa alucinações das feministas, que parece que deram pra fumar absorvente sujo, só pode.

No futebol a coisa é mais irritante ainda, basta ter um erro de arbitragem a favor de Flamengo ou Corinthians que tico e teco começam a se morder, daí saem as teorias conspiratórias mais psicopatas possíveis, que dão origem a postagens rasteiras e dossiês esquizofrênicos. Em 2010 saiu um dossiê tentando provar que o título brasileiro estava armado para ser do Corinthians, no final da competição o clube do Parque São Jorge ficou em 3º. Como assim? Mas não tava armado cambada? Na verdade nem precisa ser um desses 2 clubes os supostos vilões, se a partida for contra um time do nordeste o vilão pode ser qualquer uma das equipes grandes.

O Flamengo é o mais visado de todos, há quem ache que o clube da Gávea nunca ganhou um título por méritos, todos eles foram armados .... rsrs. Não estou exagerando, já li um dossiê em que o autor afirmava que o Flamengo moralmente só tem 2 Brasileiros no máximo, o resto foi armação. Há inclusive quem ache que na decisão do Brasileiro de 1992 o Flamengo comprou todos os jogadores do Botafogo (sem exagero). Pra essas pessoas só tenho uma coisa a dizer? Por que você assiste futebol? Quero muito obter essa resposta, se é tudo armado pra que porra você assiste? É masoquismo? Porque se for eu acho mais coerente torcer pro Bahia logo de uma vez ... hehe.

Corrupção no futebol sempre existiu, não sou inocente ao ponto de achar que o esporte se resume às 4 linhas, mas também não sou recalcado ou retardado a ponto de achar que tudo está armado, ou pior, achar que meu time é um santo e os outros são corruptos. Futebol envolve muitos interesses, mas acho que quanto mais o público se aproxima do esporte, através da imprensa e dos meios de comunicação, fica cada vez mais complicado “mexer os pauzinhos” fora de campo. Na época de Pelé a maioria acompanhava os jogos pelo rádio, a outra parte ia ao estádio, não havia os recursos que temos hoje para avaliar a arbitragem por exemplo. Um árbitro poderia fazer absurdos em campo que a repercussão seria irrisória. Hoje está tudo muito claro, imagens de 500 mil ângulos diferentes, e fora de campo um batalhão de jornalistas loucos por um furo. A prova disso é que a armação da MSI/Corinthians em 2005 foi toda desmascarada.

A mais nova suposta conspiração é da CBF ter adiado o jogo do Flamengo para ajudar o time, os atleticanos acreditam cegamente que um clube que não consegue nem pagar a conta de telefone é capaz de fazer algum tipo de armação. O meu recado está dado, se realmente acha que o futebol é um teatrinho, um telecatch com bola, então para de assistir Zé Ruela. Porque se eu acreditasse nisso iria preferir colocar na simulação do PS3 e assistir, seria mais emocionante. Mas se não acha, então senta a bunda na cadeira e assiste o jogo que nem um homenzinho, ok?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Relatos de um ex Headbanger

Adolescência é o período da afirmação do indivíduo, e essa pode vir de duas formas: se distinguindo ou se igualando. Em outros termos, seguindo as normas ou se opondo a elas. Todo adolescente com forte necessidade de afirmação segue um desses caminhos, ou vira um(a) garoto(a) Malhação ou entra em alguma tribo, que pode ser punk, headbanger, gótico, e por ai vai.

Fui adolescente (obvio), e onde vivi, interior da Bahia, se enquadrar no padrão significava ir para as festas que rolavam na cidade (forró, pagode e axé) e namorar (mostrar que você namora). Se a pessoa fizesse as 2 coisas já era aceito na rodinha dos pops. Nesse meio ser popular é o máximo, um menino popular pode ser feio como o demônio que pega quem ele quiser. Do outro lado tem as tribos, que se opõem ao padrão. Eu era um adolescente tímido e caseiro, além de não ter muito sucesso no esforço para gostar das músicas da moda. Resultado, virei um Headbanger.

Headbanger (que na tradução literal significa batedor de cabeça) é o cara que escuta metal (só metal), anda de preto nas ruas (mesmo no sol quente), bebe, e principalmente, fala mal dos playboyzinhos pagodeiros filhos da puta. Na verdade o playboyzinho pagodeiro filho da puta não é muito menos babaca que o Headbanger, ambos seguem normas bisonhas para se firmar, a única diferença é que o segundo escuta algo um pouco melhor em média. Mas não dá para negar a imbecilidade de quem vai ao cemitério de noite beber só para dizer que é o mórbido transgressor. Eu não fiz isso, mas 90% faz. Não dá para negar a imbecilidade de quem acha que Bon Jovi é um lixo e Napalm Death é foda. Os Headbangers se acham Cult, inteligentes, e batem cabeça ao som de Devoured By Vermin – Canibal Corpse, que pra eles é arte de alto nível, anos luz à frente de Bossa Nova, Soul, Pop, ou qualquer outra coisa. Então se você é Headbanger e está lendo isso, saiba que você é babaca. Mas não se desespere, adolescência é a fase da vida que temos o direito de ser babaca. Direito não, é quase um dever, precisamos de histórias idiotas pra contar a nossos filhos.

É importante não confundir Headbanger com qualquer pessoa que escuta metal, hoje ainda escuto algumas bandas e nem por isso me considero um. Headbanger é o que faz parte da tribo, segue as normas e adota as práticas. É nessas normas que as babaquices se multiplicam, sobretudo nos critérios pra definir qual banda é true, qual é poser, qual é boa, qual a ruim, etc. No mundo do metal a banda precisa pensar se vale a pena evoluir, pois pode perder público. O tosco é muito valorizado, é cru, espontâneo. O mais elaborado é comercial, poser. Com certeza os headbangers acham o primeiro álbum do Viper mais foda que o 2º, porque é muito mais cru (eu chamo de feito “nas coxa”).Tecnicamente falando o 2º da banda está anos luz na frente, em todos os aspectos, só que se tornou mais melódico, então nos valores headbangers ficou mais poser ... rsrs. Lembro da vez em que um amigo disse que me mostraria o melhor álbum de Death Metal da história, eu estava ansioso e levei um K7 pra ele gravar. Tratava-se de Possessed – Seven Churches. Escutei e tive certeza de que no mundo headbanger ser tosco era bom. O segundo álbum dessa banda era muito melhor elaborado, mas era tratado como inferior.

Eu era um headbanger meio heterodoxo, não compactuava com muitas coisas, mas ainda assim não deixava de ser babaca, fingia a mim mesmo que eu era aquilo.

O recado que dou para quem é headbanger, é que você daqui a uns 4/5 vai olhar pra trás e rir de tudo isso. Você tem esse comportamento porque sente necessidade de se diferenciar, se firmar em algum grupo, ser aceito. Mas isso só é compreensível até no máximo 22 anos, mais do que isso começa a ficar preocupante. Eu parei aos 19 e estou limpo até hoje (glória pai). Pode me xingar nos comentários, você pode usar seu passe livre de adolescente para falar qualquer coisa, eu já fiz isso um dia. Só peço uma coisa, copia o link e volta a ler daqui a 4 anos, ok?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Toda brincadeira tem regras

Liberdade sexual é a palavra de ordem que tem esquentado o movimento feminista. Recentemente tivemos a Marcha das Vadias em vários lugares do país, que teve como algumas das principais reivindicações a liberdade sexual feminina e o direito de andar sem camisa como os homens. É preciso ter em mente que pudor é algo que existe até mesmo para os homens. O que percebo não é uma tentativa de busca pela liberdade no sentido amplo, mas de se igualar aos homens.

Por que o pudor tem sido tão combatido por esses movimentos? Será que é possível uma sociedade sem pudores? O mesmo é necessariamente algo ruim? Já que a busca é por um mundo com total liberdade sexual, vamos descrever como seria esse mundo? Bem ... já que o sexo deveria ser visto como algo tão comum quanto tomar um sorvete, visto que biologicamente não há nada que indique que a prática sexual deve ter regras, viveríamos então em uma sociedade poligâmica, onde as pessoas andariam nuas pelas ruas e fariam sexo com quem desejassem, a hora que desejassem, sem que ninguém olhasse torto. Estou montando um cenário extremo (de propósito), mas não incoerente.

Nesse cenário os pais poderiam estar assistindo TV na sala e sua filha (ou filho) no sofá ao lado transando com o vizinho, e seria algo do cotidiano. O sujeito conheceria uma mulher na fila do banco, a chamaria pra transar, depois dariam um até logo. Isso parece improvável, mas como todas as regras de conduta são culturais, essa sim seria a verdadeira liberdade sexual. Pergunto: Seria mais legal assim?

As pessoas deveriam refletir se querem realmente uma liberdade total, pois pra mim muitas vezes o próprio prazer é estimulado ou potencializado pelas regras de conduta. Ainda bastante jovem, achei o máximo quando vi um peito ao vivo pela primeira vez. Com a mesma animação, toda menina da idade se juntava com as amigas para ver filme pornô escondida dos pais. As vestes servem como elemento para esconder os órgãos do desejo e, ao esconder, excitam, promovem a fantasia e, por que não a magia? Todo o encanto em torno do sexo só é possível porque existem regras sociais que “regulam” sua prática. Às vezes, burlar essas regras é o que há de mais interessante, e isso vale para homens e mulheres. Só existe sedução porque existe pudor, a final, a sedução nada mais é do que convencer alguém a fazer o que ela já quer fazer. As regras não inventaram o sexo, mas reinventaram, criaram toda uma magia e uma fantasia, e a sociedade precisa pensar se quer mesmo viver sem elas. Isso pode parecer machista, pois dizem que o ônus das regras recaem somente sobre as mulheres, o que não é verdade. O machismo também atinge os homens, que são cobrados para possuir virilidade e atitude (iniciativa) sempre. Tudo que é cobrado das mulheres é inversamente cobrado dos homens. É claro que o maior prejuízo recai sobre as mulheres, mas machismo não se trata de uma relação maniqueísta.

Penso que as regras de conduta em relação ao sexo não devem ser radicais, pois o ônus é grande, sobretudo para as mulheres. Mas se elas se tornarem demasiadamente frouxas o encanto pode ser perdido, e com isso parte do prazer. Se duvida disso, pergunte para uma adolescente qual a sensação de sair de casa escondida para transar com o namorado. Depois pergunte se seria melhor se o pai dela a deixasse transar com o namorado no sofá da sala.

A regra só deve mudar quando seu ônus supera o bônus. Guardem seus seios como parte do desejo, é muito mais interessante e provocante. Bob Marley disse: “Se você segue todas as regras acaba perdendo a diversão”. Eu digo: Se você acaba com elas também. Toda brincadeira tem regras. Pular o muro é mais divertido do que derrubá-lo. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vida de interior é um saco ...

Acho que tudo que vem da roça e do interior é um pé no saco. Quando falo interior é interiorzão mesmo, cidade de 30 mil habitantes. Fico besta, a até com certa inveja de quem consegue desejar a vida de interior. É uma tranqüilidade torturante pra mim.

Apesar de ter nascido em interior, me considero um sujeito bastante urbano, até porque Jacobina não é muito pequena, dá pra sair na rua e não ver as mesmas caras que vi ontem pelo menos. Vida de interiorzão é algo que não desejo nem com dinheiro no bolso. É tranqüila, porém vazia, cujo principal entretenimento é “cumer água” escutando Pablo (não adianta, você será obrigado a escutar) enquanto fala com todas as pessoas que passam na rua. Tá bom, na melhor das hipóteses você fará isso escutando Paula Fernandes. Ao voltar pra casa você encontra com um amigo ou vizinho, e fica trocando um dedinho de prosa com ele, ouvindo ele falar das mulheres gostosas da cidade (dentre as 15 existentes) e da próxima festa que vai ter (de arrocha ou forró). Quem mora em cidade de menos de 50 mil habitantes conhece todas as mulheres bonitas que lá moram, a graça é esperar as meninas de 12 anos chegarem aos 16 para ter algo novo no pedaço (na verdade estou sendo educado, o povo não espera chegar aos 16, mas não posso fazer apologia à pedofilia).

Não há muito o que fazer nesses lugares. Não tem cinema, um bar diferenciado, universidade, teatro, estádio, um show que preste, nada! Qual a graça de viver no interior? Eu não tenho nada contra os idosos, mas sinceramente, é depressivo ver eles ficarem 2 horas falando da chuva.

Gosto de zoada, shooping, aglomeração na rua, conversar com gente diferente todos os dias, prédios, e tudo que a vida urbana pode proporcionar. Gosto de modernidade, letreiros, outdoors, arquitetura moderna, asfalto, gente excêntrica, fast food, e por ai vai. Me desculpem os historiadores, mas acho arquitetura antiga feia. Sejam sinceros, aquelas casas com janelas de 500m2 são bonitas? O moderno é mais bonito, e podem me apedrejar.

Eu acho que entre os pseudo-intelectuais existe muita valorização forçada dos aspectos culturais mais antigos. Tem gente que acha que devo gostar de samba de roda pra valorizar minha cultura. Minha cultura? No ambiente em que vivi isso não existia, porque é minha cultura? A primeira vez que vi uma apresentação de samba de roda foi na faculdade, e assisti aquilo como quem vai a um museu ver uma obra de arte, algo muito distante de mim.

Vou corrigir alguns jargões usados por quem ama vida de interior. “Respirar ar fresco” = Não tem o que fazer, por isso percebe o nível de poluição do ar. “Sair de casa de madrugada sem perigo” = Tédio. “Bater papo com o cara da mercearia” = Pedir pra comprar fiado, quem se fode é ele. “Ter amizades verdadeiras” = Fofocar todo dia com uma pessoa fixa. “Custo de vida menor” = Claro, você ganha pouco mané. “Viver com tranqüilidade” = Não viver. “Conhecer todo mundo” = Motivo ideal para se cortar os pulsos.

Como podem ver, não há motivos para achar a vida de interior legal, mas isso é só uma opinião, não xinguem minha mãezinha nos comentários.

Gostou? Compartilha no facebook! Não gostou? Fala mal do texto lá.

sábado, 16 de junho de 2012

Traição é Traição ...


.... romance é romance, amor é amor e um lance é um lance. Por que as pessoas tem tanta dificuldade em lidar com isso?

Tudo que o ser humano faz é buscando a felicidade. Ele briga, mata, ama, se arrepende, rouba, transa, etc, tudo buscando um maior bem estar. Portanto o sujeito que trai, não o faz para sacanear ninguém (às vezes sim, mas são casos particulares), mas sim para ser feliz. Acontece que tudo na vida tem um preço, um risco e um retorno, e achar que pode escapar dessa regrinha básica é o que leva muita gente a não saber lidar com traição, romance, amor e lance.

Não vejo problema nenhum em relacionamento aberto, se você acha que é capaz de namorar com uma pessoa e permitir que ela fique com outras, vá em frente e seja feliz, quem sou eu para recriminar? A questão é que as pessoas querem relacionamento fechado para o outro e aberto para si. Trocando em miúdos, é a traição. Ser solteiro tem vantagens, assim como há vantagens também em namorar. O solteiro curte mais; fica com várias pessoas; não tem DR; não tem ninguém para lhe encher a paciência; e por ai vai. Quem namora perde tudo isso, mas ganha um(a) companheiro(a) para os momentos bons e difíceis, além do prazer que é estar com alguém que gosta. Esse é o dilema dos relacionamentos, e o ser humano, visando maximizar o bem-estar, faz o que? Tenta juntar as duas coisas. Só que como a regrinha é implacável, mais cedo ou mais tarde a “fatura” vem, e quanto mais demora, mais cara ela é. Quem trai corre o risco de ser pego, e se ama a(o) parceira(o), além disso tem o “custo” do remorso. Como podemos ver, não há bem-estar sem abdicação de algo.

Alguns mitos precisam ser quebrados. Quem disse que quem não trai não sente vontade de trair? Quem disse que mulher é biologicamente monogâmica e o homem o contrário? O homem descaradamente arranjou um argumento para trair, de que o macho sente necessidade de copular com diversas fêmeas, e isso tem explicação na biologia, pois o macho tem a capacidade de engravidar várias ao mesmo tempo, enquanto a fêmea só engravida de um só. É uma puta de uma forçação de barra esse argumento, que além de ser bastante conveniente, é um assassinato à antropologia e à sociologia. O homem em média trai muito mais que a mulher, e isso pode até ter influência biológica, mas ninguém pode afirmar em que medida isso influencia, visto que o caráter cultural é muito forte nessa questão.

Mulher que trai é vadia, vaga-bunda, puta. O homem que trai é no máximo canalha para as mulheres. Para os homens ele sempre será um sujeito normal, traindo ou não. O peso cultural recai somente nas costas das mulheres, que mesmo se puderem trair sem que ninguém saiba, as próprias irão saber, portanto se sentirão putas. É uma ingenuidade descomunal achar que a mulher é incapaz de trair por puro prazer, ou até mesmo de sentir vontade. “Mulher para trair precisa de um motivo, homem para trair precisa de uma mulher” (Arnaldo Jabor). Até mesmo cronista famoso entra no senso comum de “o homem é assim, a mulher é assado”. Essa frase foi recortada de uma crônica do Jabor, na qual ele monta um modelo medonho de gêneros, um amontoado de frases de bolso com estereótipos retrógrados e dogmáticos. Mas o mundo do faz de conta de Jabor está presente na cabeça da maioria das pessoas, que continuam com a mesma visão “novelesca” da vida. A repressão velada da sexualidade feminina leva os sujeitos a naturalizarem os comportamentos sexuais para conservarem estereótipos que lhe são convenientes. “Todo homem trai” camufla o verdadeiro sentido da frase, que é “O homem precisa trair, a mulher não”. Se o homem que trai fosse recriminado pela sociedade, será que os homens iriam trair tanto? E a mulher que trai, se fosse vista pelas outras como “esperta”, como seria a realidade nesse aspecto? Mas as pessoas preferem os jargões de Jabor e cia. E a reflexão? A vida é mais fácil sem ela ...

E como mato a cobra o mostro o pau, ai vai o link do comentado texto de Jabor. É um texto perigoso, para quem assiste novela mexicana não é recomendável, a pessoa corre o risco de acreditar.
http://pensador.uol.com.br/frase/MzUwMzk5/

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ego é o motor do mundo?


Ego, segundo a psicanálise, representa os desejos do “Eu”, as satisfações, o prazer. Tudo isso configurado na realidade do indivíduo. No cotidiano o ego é usado para designar a vaidade principalmente, como na frase “Ele me elogiou e meu ego foi lá pra cima!”

Já está mais que superada a idéia de que o desejo de enriquecimento material (acumulação) é algo natural ao ser humano, discurso bastante utilizado por pessoas que usam o senso comum de forma arbitrária. Quanto a isso, a sociedade indígena está ai para nos provar o contrário. Só que uma coisa é ambição por riqueza, outra é ambição de maneira geral.

Quando se fala em ambição, logo remetemos a idéia à riqueza. No entanto, as pessoas se esquecem que reconhecimento ou prestígio são também riquezas, mas riquezas simbólicas. O sujeito pode se esforçar muito para conquistar algo que não lhe trará maior padrão de consumo, mas com certeza lhe concederá maior prestígio. Um artista que atua em um campo musical pouco rentável, não busca nessa ação um reconhecimento financeiro, mas um reconhecimento artístico, simbólico. Vale lembrar que prestígio e dinheiro são formas diferentes de satisfazer o ego, o primeiro através do prazer proporcionado pelo reconhecimento social por seu trabalho, o segundo pelo prazer do consumo, conforto, e ostentação (que não deixa de ser prestígio também). A ostentação (reconhecimento social de sua riqueza) e o prazer proporcionado pelo consumo, são satisfações diferentes que tem separação bastante fluida.

Um matemático, mesmo na antiguidade clássica, desenvolveu suas teorias e cálculos para ajudar o mundo (que lindo!)? Creio que não, acredito que o impulso que leva alguém a se dedicar a algo, no geral seja um impulso egoísta, que visa satisfazer o ego. Você pode questionar: “Mas a pessoa pode fazer algo por amor, como existem pessoas que amam a medicina!” Uma coisa não exclui a outra, o indivíduo pode amar a medicina, mas não passaria 6 anos na faculdade se a profissão não tivesse reconhecimento nem financeiro nem social. Nesse sentido, pode-se inferir que o ego é o motor que move o mundo. A ciência, as artes, tudo foi desenvolvido por conta do ego, da satisfação de ambições.

Então ser vaidoso é normal? Sim! Ninguém faz nada de graça, sem esperar retorno. O reconhecimento social que determinada pessoa possui, ela pode não expressar, mas tenha certeza, ela tem orgasmos ao perceber isso. Por isso que uma ótima forma de desenvolver determinado setor é oferecendo riqueza ou criando hierarquia social, para estimular os indivíduos a buscar as devidas recompensas se empenhando naquilo. Na academia a titulação de pós doutor é muito mais um mecanismo de diferenciação social do que resposta a uma necessidade que visa a qualificação do profissional.

Nesse sentido, para as pessoas que alcançaram algum tipo de reconhecimento, humildade é algo que só existe na aparência. A diferença entre a pessoa humilde e a metida é que a primeira finge melhor. Se existisse humildade o mundo estaria fodido! Ela só pode existir em casos em que o reconhecimento independe das ações da pessoa, como ser filho do presidente por exemplo. O que deveria incomodar não são as pessoas vaidosas, mas sim as que não se enxergam, achando que são muito mais do que realmente são; aquelas que menosprezam terceiros para se diferenciar; ou aquelas vaidosas em momentos inoportunos.O mundo precisa acabar com essa babaquice de “exigir” das pessoas uma humildade aparente. “Eu sou bom!” deveria ser encarado como atitude de sensatez, e não de arrogância.

Com tudo isso não nego a existência do altruísmo, só acho as coisas podem conviver paralelamente, cada qual em seu campo. É muita ingenuidade supor que um cientista estudou a vida inteira para ajudar o mundo, ou que um pianista treina 10 horas por dia para levar uma música de alto nível à sociedade.

Gostou? Compartilhe nas redes sociais!

sábado, 26 de maio de 2012

Mulheres, vistam-se para nós! Pt II

Eu não pretendia, mas vocês mulheres me levaram a escrever a parte II desse texto. Para quem está chegando agora, foi um texto que publiquei dando dicas de moda feminina na visão masculina.

No primeiro que postei, fui acusado de machismo por conta do título. Espero que dessa vez apenas mulheres que nasceram com mancômetro apareçam para dar o ar da graça (quem inventou essa expressão escrota?) nos comentários. E olha que dessa vez coloquei uma foto mais comportadinha pra fazer média.

De início vou meio que repetir um comentário a respeito de uma peça que já havia mencionado. É que descobri o nome do diabo da calça, é a tal da Corset. Não sei por que, mas esse nome me lembrou a Cosette, do livro Os Miseráveis de Victor Hugo. Em fim, a calça é isso ai:


Vai pra guerra? Pra que essa porra até quase os peitos? É uma ótima peça para se proteger de um tarado, só isso.

Outra que está na moda é a tal da Saruel, e como foi complicado descobrir o nome disso, obrigado papai Google. Tudo que uma calça precisa fazer é valorizar as curvas da mulher, mas essa daí com certeza foi projetada por quem curte um volume a mais. Então só uma dica, usando isso suas chances de arrumar um namorado caem 300%. Talvez você arrume um amigo estilista. Olha esse troço:


Tem também os shorts com a parte de dentro do bolso aparecendo. What porra is this? Vai ser brega assim no quinto dos infernos! PQP! Nem o Falcão usaria um troço desses.


E pra finalizar, não tenho foto disso que vou falar, mas vou descrever. Algumas adolescentes estão passando gel no cabelo e jogando uma mexa de um lado para o outro por cima da testa, próximo aos olhos. Se você faz isso, só tenho uma coisa a lhe dizer: Deus tem um plano para sua vida irmã!

Se você leu o texto e achou que estou tratando a mulher como objeto sexual, você sofre de Schizofeminite aguda, seu caso é grave, procure um especialista.

Gostou? Compartilhe, seja uma pessoa altruísta.

sábado, 12 de maio de 2012

Orgulho de ser da terrinha maravilhosa!

Antes de mais nada queria avisar que eu liguei o botão “Baiano Orgulhoso” para escrever esse textículo, portanto, não pretendo ser criterioso nem neutro por hora.

Moro na Baêa, terra de gente bonita e do povo mais criativo do Brasil. Tem gente que precisa entrar na escola pra aprender, baiano já nasce sabendo. Essa terra tem um tempero humano inigualável, aqui se você morrer sozinho em casa descobrem no mesmo dia, porque alguém vai sentir sua falta. Aqui ninguém precisa marcar horário pra ir na casa dos brother, a gente chega lá na hora do almoço, come e ainda fica pra janta, e ainda tiramos uma soneca no sofá da sala. Aqui, chamar pra ir ao cinema nem sempre é “dar em cima”, o “regulamento social” é mais frouxo. Eu também posso dar bom dia a quem não é meu cliente ou patrão. Vou comprar pão, faço uma palhaçadinha, tiro onda com o cara da padaria, e se bobiar vou tomar uma com ele no final de semana. Baiano é mal educado? Não, você que é otário!

E como todo mundo sabe que baiano não nasce, ele estréia, em termos artísticos colocamos no chinelo a metade de baixo inteira do país (foi mal .. ). Todo filme agora querem botar Wagner Moura pra atuar, não tem ator bom ai na parte de baixo não porra? Larga do pé do cara ... hehe. Na verdade o fato é que o sujeito que encarnou Capitão Nascimento é o melhor, 2º melhor, 3º, 4º e 5º melhor ator do Brasil, em 6º vem Lázaro Ramos, depois vem a cambada do sul. Na literatura temos Gregório de Matos, Castro Alves e Jorge Amado, aquele que a Globo paga pau, fora outros 500. E na música .... ah meu amigo, na música temos o verdadeiro Rei da música brasileira, Raulzito, muito mais Rei do que aquele Reginaldo Rossi com grife que a Globo disse que ocupava o trono e todo mundo acreditou. Além dele temos Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, dentre outros. Além de tudo isso, depois que o rock sulista farofou de vez, estão buscando salvação na Bahia agora, e pra não ter que suportar Jota Quest ou Dinho Ouro Preto cantando “Se um dia eu pudesse veeeeer ...” (De Novo!!), tem gente lá em baixo comprando CD de Pitty a rodo. E eles nem sabem que tem Cascadura que é melhor ainda .... E sabe qual o melhor de tudo? É que fazemos tudo isso na rede e com uma água de coco do lado.

Tratando-se de academia, falando de minha área (economia), Celso Furtado é o economista mais lido do Brasil, não é baiano (paraibano), mas só é fodão porque morava perto da Bahia. O Geógrafo mais famoso do país é “nosso”, Milton Santos. Em quase todas as áreas tem sempre um baiano “ousado”.

Os sulistas falam que nós somos lentos, que falamos macio. Na verdade não se trata disso, um baiano lento é um baiano acompanhando o ritmo de raciocínio de um sulista. Nós somos didáticos também! O povo lá de baixo também adora dizer que mora do lado do Brasil que trabalha. Certo, pode ficar com o trabalho cara pálida, eu moro do lado criativo do Brasil!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Celibato e Pedofilia

Celibato ... confesso que no dia em que a Igreja Católica acabar com isso o mundo vai ficar um pouco mais sem graça, vão acabar os filmes de drama erótico em que um padre se apaixona por uma ninfeta e vive um romance perigoso. Mini-séries da Globo idem. Vai acabar também com uma modalidade específica de piriguete, as Maria Água Benta, aquelas que vivem correndo atrás dos seminaristas.

Estamos no século XXI, e a Igreja Católica, não sei se por birra ou questões políticas, mantém intransigentemente o celibato, algo que eles próprios pisam em ovos pra explicar o sentido da existência. A explicação mais utilizada pela instituição cristã é o tempo integral que os sacerdotes precisam dispor aos fieis, algo que o matrimônio atrapalharia. Uma desculpa esfarrapada que deveriam ter vergonha de citar. A explicação mais aceita é mesmo a questão da igreja proteger seu patrimônio impedindo que os padres se casem, idéia essa que hoje nem faz muito sentido, mas há muito tempo atrás faria.

Não quero me aprofundar nessas possíveis explicações, mas sim nos danos que o celibato tem causado, e da hipocrisia dos católicos e da própria instituição frente aos fatos que vem ocorrendo. Primeiramente é bom deixar bem claro que o seminário da Igreja Católica é um filme pornô gay sem câmeras. Não falo isso me baseando apenas nos noticiários (o que já poderia ser suficiente), mas também em relatos de bastidores que tive a oportunidade de escutar. Na verdade nem precisaria disso, basta raciocinar que se diversos padres são pedófilos gays (os que gostam de meninos), pode-se imaginar o que ocorre no seminário (NÃO ESTOU DIZENDO QUE TODO GAY É PEDÓFILO, OK?).

O sacerdócio deveria ser para aqueles que possuem o dom da missão. Mas com o celibato o que acontece é um processo totalmente inverso, as pessoas estão utilizando o mesmo para legitimar perante sua família e a sociedade um comportamento ou preferência sexual comumente discriminada. Trocando em miúdos, as pessoas estão entrando no seminário para justificar uma vida sem relacionamento hétero por falta de vontade, ou seja, se alinhar à heteronormatividade. O seminário da Igreja Católica é um antro de gays encubados ou mal resolvidos (estou exagerando, claro que tem héteros também), e pra mim está cada vez mais claro que é forte a ligação desse fato com os crimes de pedofilia cometidos por muitos padres. Não que o gay tenha tendência a ser pedófilo, mas estamos falando de gays que são obrigados a viver em clausura sexual por uma vida inteira, pelo menos perante a instituição e a sociedade. Acredito que isso possa levar alguns padres a cometer tais delitos. Outra questão está relacionada ao tipo de personalidade sexual que o seminário atrai. Este não atrai pessoas bem resolvidas sexualmente, visto que um hétero convicto dificilmente se submeterá ao celibato, o mesmo pode valer para um gay convicto. O seminário é o lugar dos católicos mal resolvidos com sua sexualidade, resignar-se é uma maneira aparentemente eficiente para resolver o problema de “Não sei o que sou!”. Acontece que geralmente quem é mal resolvido com a sexualidade é gay, porque vivemos em um mundo heteronormativo. Mas com certeza em meio de tantas pessoas assim (mal resolvidas), a probabilidade de existirem indivíduos com a sexualidade doentia é maior. Esses dois fatos explicam (a meu ver) o espantoso índice de pedofilia no sacerdócio católico.

Pessoalmente tive a oportunidade de conhecer 4 seminaristas da Igreja Católica, desses, 2 eram visivelmente gays, mas os católicos preferem fechar os olhos para essa questão. A igreja poderia muito bem tirar as nuvens que encobrem seu universo sacerdotal extinguindo essa babaquice que é o celibato, mas prefere ir pelo caminho da “Caça as Bruxas”, dando murro em ponta de faca, até o dia em que não puder mais esconder o que está entre as paredes do seminário.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Esquerda e Socialismo para Mau Entendedor


Esse é o meu texto de redenção frente aos comunistas pitaqueiros que me chamam de reacionário escroto conservador. Hoje vou defender o movimento .. uhuuu!

Decidi escrever porque da mesma forma que existem os esquerdistas bizarros e hipócritas, existem os conservadores que me dão ânsia de “Tapa ôi”. Pra quem não sabe o que é tapa ôi (quem não é nordestino ou teve uma infância fudida na frente do Playstation), era uma brincadeira que fazíamos da seguinte forma: Quando alguém falava uma merda, alguém tapava os olhos dele e o resto da galera dava tapa na cabeça (se você brincou disso, pode se emocionar, você teve infância e pré-adolescência).

Muita coisa escrota se fala a respeito do socialismo, e a mais clássica de todas é: “Você não é socialista? Então adote um mendigo, ou divida seus bens com um pobre!” A resposta pra isso é bem simples, se o socialista fizer isso o estado vai acabar com a propriedade privada? Vai deixar de ter gente passando fome? Não? Pronto, respondeu?

Ser esquerda, marxista, leninista, ou seja lá que diabo for, não tem nada a ver com fazer filantropia, se ele gostasse de filantropia seria devoto de Irmã Dulce (ela já é santa?), e não de Marx (sim, existem os devotos de Marx .. hehe). Defender socialismo é defender uma estrutura política e social, que só se modifica com ações políticas, e não com boas ações. Ao ler isso você pode ter pensado: “Mas cada um que acredita nisso pode fazer sua parte. Isso ai é desculpa!” Caro mau entendedor, se você propor a Plínio Arruda que ele doe sua riqueza para os pobres, ele não doará, mas se disser a ele que o Brasil a partir de amanhã será comunista e seus bens serão estatizados, ele provavelmente aceitará de boa (se não for hipócrita). Sentiu a diferença?

Outra colocação asquerosa são os que dizem que o desejo de enriquecimento e a competição são naturais ao ser humano. Para dar uma raquetada nesse argumento basta falar dos índios, e se quiser ser mais profundo, falar um pouco da história de Cuba. Essa é a chamada “naturalização” de algo cultural, é bom ter bastante cuidado.

E o ultimo argumento que se usa é o mais convincente, oriundo até de intelectuais. São os que chamam os políticos esquerdistas de loucos, alegando que suas propostas de reforma política e econômica iriam ferrar a economia. Causariam fuga de capitais, escassez de investimentos privados, e por ai vai. Na verdade uma sociedade socialista, ou um capitalismo com forte presença do estado, não pode funcionar de acordo com as mesmas regras que o capitalismo “aberto”. Uma proposta desse porte visa desmanchar o quebra cabeça e montar tudo de novo, e para isso com certeza o ônus econômico viria. Mas quem defende essa causa estaria disposto a jogar muita coisa fora para em um futuro distante ter uma sociedade melhor. Então o argumento imediatista só cola para os imediatistas, quem pensa a sociedade daqui a 30 anos não falaria em fuga de capitais. Cuba sofreu uma crise econômica no início da década de 90 que apresentou números espantosos, chegando a decréscimo de 15% do PIB, mas conseguiu se recuperar e hoje é exemplo mundial de como um país pobre pode ter índices sociais tão elevados.

Isso é tudo, mas lembrando que ser socialista é uma grande responsabilidade, você será avaliado e julgado sempre, porque nossa sociedade no geral é conservadora. Então não faça como os residentes da UEFS, seja (em seus atos) coerente com o que diz e com a realidade, não seja exemplo para o verso “suas idéias não correspondem aos fatos”, se não eu faço outro texto falando sobre você ... hehehe.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Plin Plin ... Eu não quero ser amada!


Que a Globo é escrota, direitista ultra-conservadora qualquer estudante 1º semestre de algum curso da área de humanas sabe. Mas por que será que essa emissora é tão líder? Será que somente o “puxa-saquismo” político explica isso? O que fazer pra mudar esse panorama?

A Globo é o satanás, mas quando ligo a TV para descansar ou comer, qual o canal que coloco? E por que será?

A Rede Globo desde os primórdios adotou um padrão de qualidade, conhecido como “Padrão Globo de Qualidade”, um know-how que engloba vários elementos, desde a questão da qualidade técnica até o ponto principal, que é o polimento da programação. Tudo na Globo é muito lapidado, chega a ser chato, não existem críticas incisivas em nenhum setor, nem mesmo no esporte. A emissora é de direita sutilmente, a não ser em horários de pouca audiência (de manhã cedo ou tarde da noite), ninguém fala de política “botando o dedo na cara”, eles apenas selecionam os fatos que convém. No esporte é a mesma coisa, críticas incisivas são podadas, o que resta é Caio com seus comentários óbvios, dentre outros com extrema habilidade, que conseguem falar bem mesmo com um chicote atrás (Casagrande). No entretenimento a lógica segue, nada de excêntrico é “cultivado”, as mesmas babaquices, mas sem muita pornografia gratuita, nem gente falando merda de mais. Tudo é muito cauteloso e planejado, ninguém abre a boca lá sem ensaio. O padrão é disseminado nas filiais também, que seguem a cartilha fielmente, até jornalista gay precisa disfarçar sua orientação sexual na emissora.

Mas para que tudo isso? Qual a utilidade desse polimento? Muita gente não percebe que a perspectiva da emissora não é fazer com que todos gostem de sua programação, mas sim garantir que ninguém odeie. Você pode não gostar da Globo, mas certamente quando ligar a TV só por ligar, deixará na “plin plin”, porque os programas são sem sal, mas também não irritam. É ai que entra a questão da concorrência.

A estratégia da concorrência é parecida com a quimioterapia, atingem o alvo, mas no caminho destroem todo o resto. Algo descompromissado (como esse blog) com a qualidade, buscam agradar parte da população, mas ao fazer isso irritam a outra parte, é ai que surgem as figuras bizarras de Ratinho, Marcia, Bocão, Varela, etc. Eu não gosto de Faustão, mas entre ele e Ratinho prefiro mil vezes ficar olhando para o ex gordo da Globo. Quando falo das concorrentes, não incluo canais como TV Escola, esses não concorrem, são redes que trabalham em um campo específico, quem concorre são as entidades do mesmo gênero, que apresentam programação diversificada (Rede TV, Band, SBT, Record, etc).

A verdade é que a Globo é a todo poderosa muito por conta da falta de concorrência, não existe programa de baixaria na Globo, como o da Márcia ou o Casos de Família, também não existe apelo religioso, nem sensacionalismo. Eu prefiro Jornal Nacional do que ver Datena rodar a baiana chamando traficante de calhorda. O SBT até hoje apresenta programas que fizeram sucesso na década de 70, outros só se preocupam com o retorno de curto prazo, vendendo espaço para religiões apresentarem seus programas. Para concorrer com a Globo precisa de mais profissionalismo, mais seriedade, a estratégia precisa ser diferente, claro, não se pode lutar com espada contra alguém que luta com espada há 40 anos, é mais inteligente ir com outra arma. Mas fazendo tudo “nas cocha” não levará a lugar algum.

Dá para apresentar uma programação sem polimento e de boa qualidade (olha o caso do CQC), esse é o caminho, caso contrário terão de se contentar com as migalhas de audiência de Bocão e cia, e a Globo continuará sendo nossa amante, aquela que não amamos, mas “comemos” todo dia. Na falta de uma que mereça ser “esposa” ... fazer o que?

domingo, 25 de março de 2012

Futebol e o Orgasmo Administrado


O mundo racionalizado (ou administrado) chegou ao futebol, é verdade! Agora somos obrigados a ver os títulos serem tratados como metas, e os jogadores como operários. É o futebol produtivista, que visa somente o resultado final, não importando o brilho contido nele, a final, pra que brilho se na contabilidade não faz diferença? Contabilidade ... termo bem adequado.

Que o futebol alcança a cada dia níveis de profissionalização bem próximos aos de uma multinacional, não é novidade, só acho que dá pra existir magia nas entrelinhas da razão e do planejamento, não acham? Entre o Plano A e o Plano B, dá para eu colocar um ingrediente a mais que ninguém sabe no que vai dar, por que não Meu Deus? Será que o mundo do futebol está tão rígido que não cabe uma palhaçadinha só para lembrar que ainda é futebol e não um chão de fábrica?

Hoje em dia jornal esportivo está um pé no saco, os atletas tem medo de fazer provocações, ninguém canta vitória antes do tempo, ninguém dá uma indireta, nada! É um bando de robô falando somente o necessário (ou desnecessário) só para constar. Por isso que os jornalistas perdem tempo com aquelas estatísticas inúteis tipo: “O Fluminense das ultimas 5 vezes que escalou o goleiro reserva contra o Vasco, ganhou 4 e empatou uma, interessante!” Não há mais o que falar, é essa a verdade! Quando um maluco faz alguma provocação sai aquele bando de jornalistas famintos, explorando a notícia até a última gota, pra ver se dá uma aquecida nos noticiários.

Onde estão os Romários? Os Vampetas? Os Túlios? Que mal há nas provocações? Provocação aumenta a renda dos clássicos, dá audiência, valoriza o jogo em todos os aspectos, porque parar de provocar? Em 2008 o presidente do Flamengo na reta final do Brasileiro anunciou que estava preparando a festa do Hexa, muita gente achou um absurdo aquela declaração. Pode ter sido ruim porque ele fez sozinho, mas o agito nos bastidores do esporte com certeza foi muito agradável, principalmente para os cofres dos times. É preciso lembrar que o combustível que alimenta o esporte é a disputa, a rivalidade, quando eu não puder mais perturbar meu colega que torce pro time rival, o futebol acaba.

Recentemente o Corinthians lançou 2 camisas promocionais fazendo provocações aos rivais, e teve um jornalista falando que o lançamento das camisas foi infeliz porque incitava a violência. Nunca li tanta frescura em minha vida, se existe algo que incita a violência, esse algo é futebol, acabem então com o esporte.

Não vamos deixar que o mimimi do mundo moderno racionalizado apague por completo a magia do esporte, a única coisa mágica que sobrou no futebol são as piadas, as chacotas, deixar isso se perder é o fim! Daqui a pouco o atacante vai fazer um gol e em vez de comemorar irá cumprimentar os adversários e pedir desculpas pelo transtorno. No boxe os pugilistas usam a provocação para promover o combate, no futebol não pode ser igual por quê? Porque fere os sentimentos do adversário? Porque magoa? É ser rude? Vai *****, isso é futebol, e não um jantar com meu sogro. Tem que ter aquele que chuta o pau da barraca e sai correndo ... sempre.

Abaixo vai um vídeo de um cara que merece respeito nesse aspecto.



Gostou? Compartilhe!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vida profissional e a falsa racionalidade


Quando somos crianças pensamos: “O que vou ser quando crescer?” Lembro que eu já quis ser um monte de coisas, principalmente jogador de futebol. Quando vamos crescendo, paulatinamente vamos perdendo um pouco dessa magia e entrando na vida racional, administrada, na qual passamos a ponderar as conseqüências práticas de nossas escolhas, que normalmente estão relacionada a dinheiro.

Nossos pais nos ensinam que dinheiro não é tudo, mas experimenta dizer que seu sonho é ser ator. Essa busca em ter uma vida confortável e alto poder de consumo está entranhada de tal forma em nossa sociedade, que basta ver as concorrências dos vestibulares para se ter tal noção. Medicina é top, sempre batendo 80, 90 por vaga a concorrência, quanta gente cheia de “vontade” em ser médico heim! Direito, odontologia, Eng. Civil, sempre cursos bastante requisitados, enquanto aqueles com menores oportunidades de enriquecer vão ficando de lado. A conseqüência disso são profissionais mal humorados, estressados, ou que cometem erros grotescos em suas funções. Penso que essas pessoas não ponderam muito bem suas escolhas, é uma espécie de contradição, querem se tornar mais racionais, mas essa racionalidade é um mito, porque se restringe ao campo econômico.

De que serve dinheiro se não poder trocá-lo por bem estar? Se dinheiro é igual a bem estar, porque as pessoas trocam bem estar por dinheiro? Que loucura não? Tudo que o sujeito faz na vida é buscando aumentar seu nível de prazer, seja através do sexo, comendo, amando, bebendo, trabalhando, etc. Se o indivíduo trabalha em algo que não gosta por conta da grana, ele está trocando bem estar por bem estar.

Outra coisa complicada de entender são as pessoas que vivem para o trabalho, pegando jornadas imensas ou assumindo mais de um emprego, tudo em nome de um futuro financeiro confortável. Trocando em miúdos, garantir uma boa velhice. O fato é que antes uma boa juventude do que uma boa velhice, velho não pode comer o que quer, não faz sexo, tem pouca disposição, etc, então pra que porra serve uma velhice com o rabo cheio de dinheiro?

É muito mais racional fazer o que gosta e tentar ganhar dinheiro com isso, você pode não conseguir unir as duas coisas, mas na pior das hipóteses terá pelo menos uma delas. Então segundo a lógica, é irracional trabalhar naquilo que não gosta só pelo dinheiro, e também nem um pingo racional guardar dinheiro em troca da perda de seu lazer. A sociedade capitalista tem essa ilusão da razão, as pessoas agem achando serem mais racionais, quando na verdade saem de um mundo mágico para entrarem em outro, o ser dá lugar ao ter, mas não deixa de ser magia, fetiche.

".... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."
(Dalai Lama)

"Feliz foi o homem que morreu com a conta bancária zerada!" (Rafael Almeida)

Gostou? Compartilhe nas redes sociais.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Aborto, valores e pensamento coletivo


Já escrevi sobre esse tema em outra oportunidade, mas como faz bastante tempo, quero entrar nesse assunto novamente para falar da hipocrisia e oportunismo pelo qual o mesmo tem sido tratado, principalmente pelo movimento feminista ou pelos partidos de esquerda.

Você pode não acreditar, mas sou esquerdista, apesar de atacar a esquerda aqui nessa página por diversas vezes. Mas eu ataco da mesma forma que a mãe bate no filho, é por amor, hehe.

Nossas leis são construídas a partir de valores também, não somente por noção de bom senso ou em nome das liberdades. Por mais livre que seja o estado das amarras religiosas ou das tradições, os valores sempre farão parte das decisões a respeito do que a lei “pensa” ser correto ou não. Um sujeito manter relações com uma menina de menos de 14 anos é considerado estupro no Brasil (se ele for maior de idade), mesmo com consentimento da garota. Essa é uma lei que não parte nem das perspectivas de liberdade, nem da lógica do bom senso, mas sim de valores. A sociedade jurídica entende que uma menina com idade menor que 14 anos não está apta a decidir sobre sua vida sexual. Antes que algum maluco diga que estou falando mal da lei, não se trata disso, só estou apontando a partir de qual perspectiva foi criada a mesma. A eutanásia e pena de morte vão na mesma perspectiva, não há como julgar sem levar em conta os valores.

A questão do aborto também é algo que não pode fugir da esfera valorativa, trata-se de concepção de vida, alguns entendem que feto é um ser já no estágio humano, outros não, e essa questão é crucial, não dá para fugir dessa sinuca. Nesse sentido, o que os movimentos feministas ou de esquerda estão buscando é deixar a questão dos valores de lado e fazer uma análise estritamente técnica (objetiva), um atalho para aprovar a legalização do aborto. “Aborto, uma questão de saúde pública” é a fachada que utilizam para camuflar a esfera dos valores, a esfera subjetiva. Me surpreende inclusive, um movimento com ares de intelectualidade fazer esse tipo de coisa. Esse argumento parte da idéia de que o estado deve legalizar para evitar que mulheres morram fazendo aborto em “açougues”. Antes de ser uma questão de saúde pública, aborto é uma concepção de vida humana. Pode resmungar, xingar, gritar, rosnar, citar “versículos” de Marx, mas no fundo quem leu isso sabe que é uma verdade inexorável.

Em grande parte isso é culpa do atrofiamento da reflexão em nossa sociedade, as pessoas entram nos movimentos, sejam eles quais forem, e automaticamente compactuam com tudo que é “pregado”. O “efeito manada” não é só a Globo que promove, as pessoas se sentem mais confortáveis em pensar coletivamente, a esquerda também aliena, é bom salientar isso aos desavisados.

Como eu já sei o que se passa na cabeça desse povo, muitos nesse exato momento estão pensando assim: “Levar a questão para o campo dos valores só emperrará a discussão, não chegando nunca a um consenso!” Isso até soa bonitinho academicamente, mas sinto em lhe dizer que o debate técnico/científico também será complicadíssimo, visto que outros argumentos podem ser levantados, como por exemplo o aumento vertiginoso do gasto do SUS com abortos. Será que o SUS, que já é precário, deve arcar com custos de aborto, visto que gravidez não é doença? Essa é outra discussão que renderia bastante. Além do mais, no debate em si não precisa haver um consenso, para isso existem as urnas, creio que um referendo sobre legalização do aborto é a melhor solução.

Se gostou compartilhe o texto nas redes sociais. Estou também aceitando sugestões de temas para escrever aqui, visto que estou meio sem assunto ultimamente.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A festa das vadias


É Carnaval! Estamos no período do ano em que a moralidade pede licença para tomar uma cervejinha. É a festa legitimadora da pornografia, mulher pelada vira nu artístico, e promiscuidade vira curtição. Me refiro a moralidade não tomando a posição de quem defende a “moral” puritana e os “bons costumes” conservadores, mas no sentido da mesma moral que é pregada por nossa sociedade o resto do ano inteiro, e que no carnaval é um tanto deixada de lado. Não dá para falar desse assunto sem lembrar a declaração do baixista da banda de rock Queens of The Stone Age, que tentou tocar pelado no Rock in Rio de 2001, e alegou não entender o fato de ter sido impedido, pois no carnaval todos dançam pelados e não são reprimidos. Como responder isso? A solução é fazer vista grossa e dar aquela cartada de bolso, “Carnaval é Carnaval”, e isso por si só explica tudo.

Mas essa questão da putaria legitimada é ranzinzisse de minha parte para introduzir o texto, o que me incomoda de verdade nessa festa (especificamente a de Salvador) é outro tipo de putaria, aquela feita com o dinheiro público, isso em baixo de nossas fuças e com toda nossa cordialidade ignorante. O carnaval de Salvador é sem dúvida o mais escroto, não se surpreendam se inventarem uma forma de privatizar até a chamada pipoca. Acho que nem todos já pararam pra pensar que o baile de cordas e camarotes é a contradição em si, uma festa realizada em vias públicas que cobra ingresso para entrar. Nós construímos as avenidas e temos que pagar para entrar nelas nos dias da festa. E o que ganhamos com isso? Fumo! A pessoa pode argumentar dizendo que a avenida não é cedida, mas sim alugada, que a prefeitura cobra uma taxa para os trios e camarotes estarem ali. Realmente isso é verdade, mas é algo que nem merece a dignidade de ser citado frente aos valores vergonhosos que são cobrados. Para se montar um camarote a taxa cobrada é de R$ 10, 58 (fixo) + R$ 42,34 por metro quadrado. O trio elétrico paga 2,2 mil por dia, independente da expressividade do bloco. Se fomos olhar as cifras das receitas apurados, nos sentiremos as vadias mais esculachadas do mundo. O bloco Camaleão fatura somente com venda de abadás, 6,65 milhões, o Me Abraça 5,4, fora patrocínios. Os camarotes tem receitas que vão de 6,2 milhões (Nana Banana) a 14,4 milhões (Camarote Salvador). É bastante obvio que a arrecadação com as taxas não cobrem nem 1/4 do gasto que a prefeitura tem na organização do evento, despesa essa estimada em torno de 30 milhões.

Nesse sentido, para falar em termos mais claros, você cidadão baiano, paga para construir as avenidas, paga para organizar o carnaval, e é proibido de entrar na festa. Seria como o namorado de sua filha ir jantar em sua casa, comer toda sua comida, transar com sua filha em sua cama, apertar os peitinhos de sua esposa, dar um tabefe em sua cara, te chamar de trouxa e pedir o dinheiro do taxi, e você dar.

O masoquismo está lá na avenida, pessoas pagando para desfilarem em suas próprias casas, e dividindo em 12X no cartão. Mas como diria o gênio da trupe Fernando Anitelli, “Só não pode falar nada quando é baile de carnaval”. Então pra que esse discursinho sério? Vamos curtir, dar risada, nos divertir nesses 6 dias, pessoas que levam tudo a sério não curtem a vida, eles não saberão o que fazer com 14,4 milhões nos outros 359 dias do ano.

Referências:
http://www.revistabahiaemfoco.com.br/blog/archives/9902
http://sefaz-ba.jusbrasil.com.br/noticias/3025474/taxas-de-licenca-para-desfiles-de-blocos-poderao-ser-parceladas
http://www.bahianoticias.com.br/2011/imprime.php?tabela=principal_noticias&cod=34671

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Nossa majestade merece o trono?


Como esse “brogue” é quase uma coletânea de teorias de mesa de bar, outra discussão típica do alcoólico ambiente é se Pelé é ou não nossa majestade maior do futebol. Sobre esse assunto, surgem as teorias e explicações mais toscas possíveis.

O principal argumento de quem defende que Pelé não é Rei, é que naquele tempo se amarrava cachorro com lingüiça, frase que ficou famosa ao ser pronunciada por Felipão em 2002. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais o treinador está em decadência. Dentro desse argumento se falam as coisas mais horrorosas possíveis. Que era fácil jogar bola, que não existia marcação, que os goleiros eram horríveis, não existia tática, e por conta desses fatores qualquer jogadorzinho furreca dos dias atuais é melhor do que os de antigamente.

Do outro lado existem os saudosistas, o pessoal que defende com unhas e dentes os astros do passado, para eles Garrincha, Pelé, Zico e cia nunca serão superados por ninguém, Pelé é o Rei e acabou, e os atletas atuais só tem vigor físico e jogam por dinheiro.

É claro que ambos os lados estão errados, a coisa não pode ser analisada de maneira tão tendenciosa, cada um defendendo sua geração. É preciso haver um critério de raciocínio, e é isso que irei propor.

Não se pode comparar atletas de gerações diferentes recortando essas pessoas de seus contextos históricos. Como qualquer esporte, o futebol passou por um processo de evolução, e hoje se encontra muito mais desenvolvido institucionalmente e economicamente que há 30 ou 40 anos atrás. Hoje os clubes dispõem em fisioterapeutas, psicólogos, profissionais de saúde mais preparados, sem falar dos avanços da medicina no geral. Na parte estrutural, dispõem de centros de treinamento muito melhores, com sala de musculação, piscina para hidroginástica, dormitórios, etc. Sem contar os salários dos atletas, que lhe propiciam total tranqüilidade financeira. Nesse sentido, é uma total babaquice querer comparar um atleta dos dias atuais com os de outras gerações. Os próprios treinamentos foram ficando mais complexos e intensos, até a década de 60 os treinamentos de goleiro se limitavam a exercícios calistênicos, ginástica com pesos e exercícios técnicos de finalizações e cruzamentos de bola na área. Com o passar do tempo esse modelo de treinamento foi perdendo espaço para exercícios mais específicos, e a partir da década de 90 observou-se uma melhora na performance dos goleiros brasileiros. Além de tudo isso, antigamente a bola era de couro, muito mais pesada que a atual (de material sintético), basta pegar qualquer vídeo da década de 70 e ver a dificuldade dos laterais para fazer uma inversão.

Nesse sentido, é extremamente complicado querer por exemplo comparar Pelé com Messi, seria como comparar um físico do século XIX com um do século XXI, e dizer qual foi o melhor. Dessa forma, o único modo (ou critério) de se fazer uma análise desse tipo é comparar o indivíduo com os demais em sua época, e observar quem esteve mais à frente em seu contexto. Pelé foi protagonista da Copa do Mundo de 1958, “dando” o título à seleção brasileira aos 17 anos, isso só ele fez. Depois foi mais 2 vezes campeão do mundo, sendo protagonista mais uma vez em 1970. Pelo Santos foi 5 vezes campeão da Taça Brasil e 1 vez da Taça Roberto Gomes Pedrosa (totalizando 6 títulos nacionais), ganhou 10 vezes o campeonato paulista, 2 vezes a Libertadores e mundial. Após sua saída, o time da Vila amargou uma escassez de títulos que perdurou até 2002, portanto, Pelé foi essencial para todas as conquistas do Santos antes desse ano. Além de tudo isso, possui um número de gols invejável, 794 em jogos oficiais e 1282 no total, isso parando de jogar aos 37 anos.

Além da questão objetiva, dos números, há a questão subjetiva. Pelé era bom em todos os fundamentos, chutava com as 2 pernas, dava passe, cabeceava, finalizava bem, era veloz, algo jamais visto no futebol. Portanto, frente a tudo que foi apresentado, não tem como estimar como seria Pelé no futebol moderno, mas observa-se claramente que ele esteve anos luz à frente dos demais de sua época, algo que o torna Rei do futebol sem sombra de dúvidas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Papo com o criador


Um filósofo chamado Joaquim morre, e tem a incrível oportunidade de levar um papo com Deus em uma espécie de bar. O diálogo está transcrito a seguir:
Joaquim: - Deus? Fumou o que?
Deus: - Claro que sou, sei tudo sobre você, sei sobre você mais do que você mesmo!
Joaquim: - Prove!
Deus: - Não preciso disso ...
Joaquim: - Vai procurar o que fazer, só quero saber o que está acontecendo.
Deus: - Você morreu Joaquim, ou melhor, se matou.
Joaquim: - Isso eu sei, exagerei na dosagem.
Deus: - Pra quem achava que a morte seria um sono eterno, você não tem muito crédito pra duvidar que sou Deus.
Joaquim: - Deus não existe, se existisse minha mãe não teria morrido naquele terremoto. O Sr. não é o todo poderoso, misericordioso? Porque deixa essas coisas acontecerem?
Deus: - Não criei o mundo para os humanos, e sim os humanos para o mundo.
Joaquim: Hã?
Deus: - Terremoto existe desde que o planeta Terra foi criado, o natural é haver terremoto, são as placas se deslocando. A raça humana precisa se adaptar a esse fenômeno, pra isso dei um cérebro a vocês.
Joaquim: - Ah tah ... até se adaptar populações serão dizimadas.
Deus: - Adaptação faz parte da vida, você só sabe que uma determinada planta é venenosa porque em algum lugar na história alguém morreu comendo ela. Você me parece ser do tipo que pega a mulher com outro na cama e vende a cama pra resolver o problema ... rsrsrs.
Joaquim: - Deus também é piadista é?
Deus: - Criei tudo, até o humor.
Joaquim: - E porque você não intervêm pra impedir que as pessoas morram de forma desastrosa? Não é o poderosão?
Deus: - Às vezes faço isso, e quando acontece vocês dizem que foi sorte. Mas se eu fizer isso sempre vocês nunca vão aprender a lidar com essas situações. Continuarão burros pra sempre.
Joaquim: - Tá bom sabidão, e as guerras? Fome?
Deus: - Vocês inventam isso e a culpa é minha?
Joaquim: - E porque não as impede?
Deus: - Já parou pra pensar como seria se tudo de errado que você fosse fazer eu aparecesse com uma mãozinha dizendo “Não!”? Vocês se matariam de tédio ... rsrs. Por isso criei o livre arbítrio.
Joaquim: - Doenças, o que tem a me dizer?
Deus: - Controle populacional. Não fosse elas eu precisaria de outro planeta pra por vocês.
Joaquim: - Porque tudo que é bom faz mal ou é perigoso?
Deus: - Pra vocês aprenderem a lidar com o conflito entre razão e emoção.
Joaquim: - Você é muito frio, calculista. Deus não tem sentimento?
Deus: - Sim, mas não sou movido por ele obviamente. Inventei o sentimento, a criatura nunca domina o criador. O mesmo vale para a razão.
Joaquim: - E o que move suas ações?
Deus: - Não sei.
Joaquim: - Como não, você é Deus!
Deus: - Como não tenho criador, não sei o que move minhas ações, apenas faço.
Joaquim: Que doido! Quer dizer que isso tudo que o Sr. disse é verdade mesmo?
Deus: Quase tudo, a única coisa que menti é que na verdade não sou Deus, sou um filósofo também.
Joaquim: - Porque fez isso?
Deus: - Pra lhe mostrar que quando se tem argumentos pode-se defender qualquer coisa, inclusive o ateísmo. E a propósito, você não morreu, só está ainda meio azuado por conta da droga, estamos num bar, relaxe.